Parafraseando com a famosa frase de Mons. Lefrebvre, alguém que assuma a posição de um Papa é apóstata ou herético, está formalmente assumindo o sedevacantismo. Aprofundando o tema, não é válida a tese de que um apóstata ou herege possa governar a Igreja de Cristo. Ainda hoje, alguns teólogos divergem quanto à possibilidade do Papa cair em heresia,alguns dizem que há a possibilidade em tese, mas não em fato; isto significa que um há a possibilidade de haver um Papa herege, mas não que essa possibilidade se torne um fato.
A Infalibilidade do Papa é intrínseca à infalibilidade da Igreja., Sabemos que o heregeestá “separando-se da Igreja pela natureza do seu delito” (D.S. 3803). Leão XIII ensina: “É absurdo que presida na Igreja quem está fora da Igreja” (Satis cognitum). O Direito Canônico reitera isso (Cânon 188,4). Donde ser herético é não ser papa. Isso foi exposto no Concílio Vaticano I pelo bispo Relator da Fé, Mons. Vicente Gasser: “Hinc non loquimur de infalibilitate personali – quamvis personae Romani Pontificis eam vindicemos – sed non quatenus est persona singularis, sed quatenus est persona Romani Pontificis, seu persona pública”(Mansi, 53, col. 1213, A). Eu havia lido no “Batlle Site”, do caríssimo Captare, que dizia que quem diz que o Papa é um apóstata, está dizendo que JURIDICAMENTE não é mais Papa. Porém, ensina Paulo IV, confirmando o que a Sé Romana sempre ensinou, que a perda do cargo se dá “ipso facto” no ato público do antes papa agora “a fide devius” (desviado da Fé). Não é necessária nenhuma declaração posterior (sine ulla declaratione). Só que a perda do cargo em virtude da heresia, traz a perda da comunhão da Igreja. Eis o que eu vos explico agora.
Na análise das diversas sentenças dos teólogos sobre a hipótese de um Papa herege, a classificação de São Roberto Bellarmino parece ser a mais aceita. Baseado nas considerações dele, Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, sistematizou a seguinte relação de sentenças:
1- O Papa não pode cair em heresia (seus defensores se subdividem em três grupos:
a) autores segundo os quais esta sentença constitui verdade de fé;
b) autores segundo os quais está sentença é de longe a mais provável;
c) autores aos quais esta sentença parece apenas mais provável que as outras);
2- Teologicamente não se pode excluir a hipótese de um Papa herege. Possui as seguintes variantes:
A) Em razão de sua heresia, o Papa nunca perde o pontificado (dos 136 teólogos examinados por Arnaldo Xavier, apenas Bouix é defensor desta sentença);
B) O Papa herege perde o Pontificado:
I- Perde assim que cai em heresia interna, isto é, antes de manifesta-la externamente (sentença que tinha como defensor o famoso teólogo Torquemada – tio do inquisidor de mesmo nome -; hoje está abandonada pelos teólogos);
II- Perde quando sua heresia se torna manifesta (seus adeptos se subdividem em três grupos: a) autores que entendem por “manifesta” a heresia apenas exteriorizada; b) autores que entendem por “manifesta” a heresia que, além de exteriorizada, chegou ao conhecimento de outrem; c) autores que entendem por “manifesta” a heresia que se tornou notória e divulgada de público. OBS: alguns autores não deixam inteiramente claro a qual desses três grupos se filiam).
3- Perde apenas quando intervém uma declaração de sua heresia por um Concílio, pelos Cardeais, por um grupo de Bispos, etc. Possui duas vertentes:
A) Essa declaração será uma deposição propriamente dita (tal sentença é considerada herética, foi condenada pela Igreja, por aderir ao “conciliarismo”; é defendida por autores ditos progressistas nos dias atuais);
B) Essa declaração não será uma deposição propriamente dita, mas mero ato declaratório da perda do Pontificado pelo Papa.
Dentre essas várias sentenças nos inclinamos (já que a Igreja não se manifestou oficialmente por nenhuma delas, todas podem ser aceitas, exceto a 3 A) pela 2 II c, que é defendida por numerosos teólogos de renome, como o próprio São Roberto Bellarmino, Sylvius, Pietro Ballerini, Wernz-Vidal, Cardeal Billot, etc.
Vejamos a defesa dessa posição por São Roberto Bellarmino:
“Logo, a opinião verdadeira é a quinta, de acordo com a qual o Papa herege manifesto deixa por si mesmo de ser Papa e cabeça, do mesmo modo que deixa por si mesmo de ser cristão e membro do corpo da Igreja; e por isso pode ser julgado e punido pela Igreja. Esta é a sentença de todos os antigos Padres, que ensinam que os hereges manifestos perdem imediatamente toda jurisdição, e nomeadamente de São Cipriano (lib. 4, epist. 2), o qual assim se refere a Novaciano, que foi Papa (antipapa) no cisma havido durante o Pontificado de São Cornélio: ‘Não poderia conservar o Episcopado, e, se foi anteriormente feito Bispo, afastou-se do corpo dos que como ele eram Bispos e da unidade da Igreja’. Segundo afirma São Cipriano nessa passagem, ainda que Novaciano houvesse sido verdadeiro e legítimo Papa, teria contudo decaído automaticamente do Pontificado caso se separasse da Igreja. Esta é a sentença de grandes doutores recentes, como João Driedo (lib. 4 de Script. Et dogmat. Eccles. cap. 2, par. 2, sent. 2), o qual ensina que só se separam da Igreja os que são expulsos, como os escomungados, e os que por si próprios dela se afastam e a ela se opõem, como os hereges e os cismáticos. E, na sua sétima afirmação, sustenta que naqueles que se afastaram da Igreja, não resta absolutamente nenhum poder espiritual sobre os que estão na Igreja. O mesmo diz Melchior Cano (lib. 4 de loc., cap. 2), ensinando que os hereges não são partes nem membros da Igreja, e que não se pode sequer conceber que alguém seja cabeça e Papa, sem ser membro e parte (cap. ult. ad argument. 12). E ensina no mesmo local, com palavras claras, que os hereges ocultos ainda são da Igreja, são partes e membros, e que portanto o Papa herege oculto ainda e Papa. Essa é também a sentença dos demais autores que citamos no livro 1 ‘De Eccles.’
O fundamento desta sentença é que o herege manifesto não é de modo algum membro da Igreja, isto é, nem espiritualmente nem corporalmente, o que significa que não o é nem por união interna nem por união externa. Pois mesmo os maus católicos estão unidos e são membros, espiritualmente pela fé, corporalmente pela confissão da fé e pela participação nos sacramentos visíveis; os hereges ocultos estão unidos e são membros, embora apenas por união externa; pelo contrário, os catecúmenos bons pertencem à Igreja apenas por uma união interna, não pela externa; mas os hereges manifestos não pertencem de modo nenhum, como já provamos”. (São Roberto Bellarmino, “De Romano Pontífice”, lib. II, cap. 30, p. 420).
É bom lembrar que o próprio São Roberto Bellarmino diz que a possibilidade do Papa cair em heresia é somente em tese, e também que existem vários tipos de ensinamentos dos teólogos sobre a questão da governança da Igreja pelo Papa, além de algumas doutrinas Banezianas como a da Premoção Física. Só para concluir, há a tese de que um Papa possa cair em heresia, mas é impossível que um Papa herege manifesto governe a Igreja de Cristo, assim como é impossível que a Igreja permaneça sem Papa.
VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM" DEGLI ECC.MI PRESULI DELLA CONFERENZA EPISCOPALE DEL BRASILE (REGIONE SUL 3 E SUL 4)
Venerados Irmãos no Episcopado,
Dou as boas-vindas e saúdo a todos e cada um de vós, ao receber-vos colegialmente no quadro da vossa visita ad limina. Agradeço a Dom Murilo Krieger as expressões de devotada estima que me dirigiu em nome de todos vós e do povo confiado aos vossos cuidados pastorais nos Regionais Sul 3 e 4, expondo também os seus desafios e esperanças. Ouvindo estas coisas, sinto elevarem-se do meu coração ações de graças ao Senhor pelo dom da fé misericordiosamente concedido às vossas comunidades eclesiais e por elas zelosamente conservado e arduamente transmitido, em obediência ao mandato que Jesus nos deixou de levar a sua Boa Nova a toda a criatura, procurando impregnar de humanismo cristão a cultura atual.
Referindo-me à cultura, o pensamento dirige-se para dois lugares clássicos onde a mesma se forma e comunica – a universidade e a escola –, fixando a atenção principalmente nas comunidades acadêmicas que nasceram à sombra do humanismo cristão e nele se inspiram, honrando-se do nome «católicas». Ora «é precisamente na referência explícita e compartilhada de todos os membros da comunidade escolar – embora em graus diversos – à visão cristã que a escola é "católica", já que nela os princípios evangélicos tornam-se normas educativas, motivações interiores e metas finais» (Congr. para a Educação Católica, Doc. A escola católica, n. 34). Possa ela, numa convicta sinergia com as famílias e com a comunidade eclesial, promover aquela unidade entre fé, cultura e vida que constitui a finalidade fundamental da educação cristã.
Entretanto também as escolas estatais, segundo diversas formas e modos, podem ser ajudadas na sua tarefa educativa pela presença de professores crentes – em primeiro lugar, mas não exclusivamente, os professores de religião católica – e de alunos formados cristãmente, assim como pela colaboração das famílias e pela própria comunidade cristã. Com efeito, uma sadia laicidade da escola não implica a negação da transcendência, nem uma mera neutralidade face àqueles requisitos e valores morais que se encontram na base de uma autêntica formação da pessoa, incluindo a educação religiosa.
A escola católica não pode ser pensada nem vive separada das outras instituições educativas. Está ao serviço da sociedade: desempenha uma função pública e um serviço de pública utilidade, não reservado apenas aos católicos, mas aberto a todos os que queiram usufruir de uma proposta educativa qualificada. O problema da sua paridade jurídica e econômica com a escola estatal só poderá ser corretamente impostado se partirmos do reconhecimento do papel primário das famílias e subsidiário das outras instituições educativas. Lê-se no artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos do Homem: «Os pais têm direito de prioridade na escolha do gênero de educação a ser ministrada aos próprios filhos». O empenho plurissecular da escola católica situa-se nesta direção, impelido por uma força ainda mais radical, ou seja, a força que faz de Cristo o centro do processo educativo.
Este processo, que tem início nas escolas primária e secundária, realiza-se de modo mais alto e especializado nas universidades. A Igreja foi sempre solidária com a universidade e com a sua vocação de conduzir o homem aos mais altos níveis do conhecimento da verdade e do domínio do mundo em todos os seus aspectos. Apraz-me tributar aqui a mais viva gratidão eclesial às diversas congregações religiosas que entre vós fundaram e suportam renomadas universidades, lembrando-lhes, porém, que estas não são uma propriedade de quem as fundou ou de quem as freqüenta, mas expressão da Igreja e do seu patrimônio de fé.
Neste sentido, amados Irmãos, vale a pena lembrar que em agosto passado, completou 25 anos a Instrução Libertatis nuntius da Congregação da Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, nela sublinhando o perigo que comportava a assunção acrítica, feita por alguns teólogos de teses e metodologias provenientes do marxismo. As suas seqüelas mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas. Suplico a quantos de algum modo se sentiram atraídos, envolvidos e atingidos no seu íntimo por certos princípios enganadores da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida Instrução, acolhendo a luz benigna que a mesma oferece de mão estendida; a todos recordo que «a regra suprema da fé [da Igreja] provém efetivamente da unidade que o Espírito estabeleceu entre a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, numa reciprocidade tal que os três não podem subsistir de maneira independente» (João Paulo II, Enc. Fides et ratio, 55). Que, no âmbito dos entes e comunidades eclesiais, o perdão oferecido e acolhido em nome e por amor da Santíssima Trindade, que adoramos em nossos corações, ponha fim à tribulação da querida Igreja que peregrina nas Terras de Santa Cruz.
Venerados Irmãos no episcopado, na união a Cristo precede-nos e guia-nos a Virgem Maria, tão amada e venerada nas vossas dioceses e por todo o Brasil. Nela encontramos, pura e não deformada, a verdadeira essência da Igreja e assim, através dela, aprendemos a conhecer e a amar o mistério da Igreja que vive na história, sentimo-nos profundamente uma parte dela, tornamo-nos por nossa vez «almas eclesiais», aprendendo a resistir àquela «secularização interna» que ameaça a Igreja e os seus ensinamentos.
Enquanto peço ao Senhor que derrame a abundância da sua luz sobre todo o mundo brasileiro da escola, confio os seus protagonistas à proteção da Virgem Santíssima e concedo a vós, aos vossos sacerdotes, aos religiosos e religiosas, aos leigos empenhados, e a todos os fiéis das vossas dioceses paterna Bênção Apostólica.
PS DO BLOG:
o Santo Padre mais uma vez disse não a Teologia da Libertação dessa vez mais incisivo que das outras vezes, e agora, qual será a desculpa usada pela CNBB para deturpar o pedido do Papa?Será que vão dizer que o Pontífice está errado? ou inventarão mais uma desculpa? O Santo Padre precisa ser mais claro? Ou a CNBB ou CNBdoB( como alguns chamam) se indireita ou o Papa tomará decisões que ele certamente não gostaria de toma-las.E ai será que os irmãos pjoteiros que tanto nos atacam e a mim em especial vão falar agora? será que vão ficar contra o Papa?e os Bispos desobedecerão mais uma vez a Igreja? ou se conscientizaram que a TL NÃO é aceita pela Santa Sé? Seguindo assim como todas as Conferências Episcopais de todo o mundo as orientações provenientes de Roma? Só o tempo nos dirá.
Um leitor enviou o texto abaixo para a caixa de comentários. Achei oportuno apresentá-lo aos demais leitores do blog e comentá-lo brevemente.
"Agora pode alguém ser anglicano e católico ao mesmo tempo?"
Pe. Peter Scott, da FSSPX
A Constituição Apostólica de 4 de novembro do Papa Bento XVI abriu um novo caminho para os anglicanos “serem recebidos, também corporativamente, na plena comunhão católica” (Anglicanorum coetibus). É uma nova abordagem revolucionária(o autor critica obviamente esta abordagem, o que o aproxima dos ecumenistas de plantão – curiosa companhia para um padre da Fraternidade – mas nos importam os argumentos) para o problema dos “irmãos separados”, e uma que alguns chamaram de o lance mais ousado da Igreja desde a Reforma.
A novidade aqui é que os anglicanos estão sendo tratados do mesmo jeito(não exatamente, como provarei mais abaixo) que os cismáticos ortodoxos orientais quando estes retornam à verdadeira Igreja. Ser-lhes-á permitido reter sua identidade anglicana(aspectos desta identidade que se conformam à doutrina católica)ao mesmo tempo que se tornam católicos. Eles serão canônica e liturgicamente distintos do restante da Igreja Católica(do ponto de vista litúrgico, a situação dos anglicanos é semelhante à dos milaneses; do ponto de vista canônico, à das jurisdições pessoais que já existem na Igreja. Nos dois casos, as distinções são perfeitamente compatíveis com a unidade católica), e consequentemente ser-lhes-ão permitidas suas próprias paróquias, bispos, padres casados, costumes litúrgicos e espirituais(o que de novo nisto?). Isso é normal para os cristãos de rito oriental que retornam do cisma para o seio da Igreja, pois sua liturgia, espiritualidade e tradições são antigas como as do rito latino. Ademais, eles são essencialmente cismáticos, não hereges, as poucas heresias sendo de origem recente e fáceis de corrigir [sic] (tais como a negação do Purgatório, a Imaculada Conceição ou a Infalibilidade Papal). (Será que o Pe. Scott desconhece que estes anglicanos estão mais próximos da fé da Igreja Católica do que os ortodoxos? Os anglicanos da TAC, por exemplo, assinaram uma cópia do Catecismo da Igreja Católica, onde se encontram as verdades de fé enunciadas acima, como sinal de sua adesão ao que a Igreja crê. Voltarei mais abaixo ao Catecismo.)
Essa analogia é correta e justa? Um exame cuidadoso mostra um monte de diferenças:
1) Há, primeiro que tudo, a motivação. A maioria dos que pedem para entrar na Igreja Católica já se separou da “Comunhão” Anglicana, tal como ela é. Eles o fizeram não tanto por sua rejeição do próprio anglicanismo, mas por causa da nova orientação da igreja anglicana desde 1991, que abriu o sacerdócio e episcopado a mulheres e homossexuais praticantes, e abençoou uniões de mesmo sexo, todas coisas manifestamente opostas à Bíblia, princípio basilar do protestantismo. (De fato, houve anglicanos protestantes que rejeitaram as inovações do anglicanismo por sua oposição à Bíblia. Estes educadamente recusaram a oferta da Anglicanorum coetibus. Isto não significa que todos os anglicanos rejeitaram tais inovações pelo mesmo motivo, ou somente por este motivo. O autor está a afirmar que todos os anglicanos têm a mesma motivação, o que não é verdade.)
2) A segunda enorme diferença é que o anglicanismo tem ordens inválidas e, consequentemente, nenhum outro sacramento além do batismo e do matrimônio, diferentemente dos ortodoxos, que têm todos os sete sacramentos válidos.(As ordenações de clérigos anglicanos que porventura vierem a se tornar sacerdotes católicos serão absolutas. Qual o problema, então?)
3) Uma terceira diferença é que o anglicanismo é, desde a sua origem mesma, totalmente herético e protestante(Generalização indevida. Os expoentes do movimento de Oxford, entre os quais se destaca o Cardeal Newman, não podem ser considerados totalmente heréticos e protestantes, mesmo quando ainda se mantinham no seio do anglicanismo. Foi exatamente sua oposição aos princípios protestantes que os impeliu à Igreja Católica). Do tempo de Thomas Cranmer até hoje, todos os ministros anglicanos adotam as teorias de Lutero e outros reformadores protestantes. O anglicanismo é verdadeiramente uma forma de protestantismo, razão pela qual a intercomunhão com todas as seitas protestantes sempre foi aceita(não foi nem é aceita por todos). Se por um lado é verdade que o movimento de Oxford no meio do século XIX trouxe um retorno para uma forma mais tradicional de espiritualidade, culto e piedade, isso não foi um reacender do interesse pelos aspectos católicos do anglicanismo, pois estes nunca existiram(o que se afirma gratuitamente, gratuitamente se nega). Foi uma descoberta de alguns dos tesouros da Igreja Católica. Todavia, esses anglicanos da alta igreja, como passaram a ser chamados, não seguiram a conversão de 1845 do Cardeal Newman, mas escolheram permanecer anglicanos(houve os que se converteram e os que permaneceram anglicanos). Os anglicanos da alta igreja, então, não tiveram a coragem de se converter à verdadeira Igreja, exatamente como agora.
4) Uma quarta diferença e consequência do fato de que o anglicanismo é uma seita protestante é que ele não tem nenhuma unidade ou autoridade doutrinal. Há tantos ramos diferentes do anglicanismo quantos há anglicanos(Pe. Scott se contradiz; antes afirmava que todos são iguais, agora que cada um é diferente. Precisa escolher sobre qual argumento sustentar sua posição). É dessa larga liberdade de ter opiniões e comportamentos que eles gostam(Hum!?! Acho que chegou longe demais), de modo que cada um pode escolher sua prática religiosa por si mesmo.
5) Uma quinta diferença é que o anglicanismo não tem a tradição espiritual e monástica dos ritos orientais. Foi o fundador do anglicanismo, Henrique VIII, o responsável pela destruição de 1.000 mosteiros na Inglaterra. Se no século passado algum pequeno esforço foi feito para formar algumas poucas comunidades religiosas, é somente por seguir o exemplo de alguma espiritualidade católica, não por ser uma tradição anglicana.(O que tem a ver a Anglicanorum coetibus com monaquismo? Absolutamente nada. Por que o autor trouxe o monaquismo ao texto? Ele sustenta que a abordagem do Papa está equivocada por tratar de modo igual os desiguais, por isso insiste em mostrar as diferenças entre o anglicanismo e os orientais ortodoxos.)
6) Uma sexta diferença é que no anglicanismo não existe nenhuma uniformidade litúrgica. Os livros de orações totalmente protestantes de 1549 e 1661 pretenderam dar tal uniformidade, mas foram suplantados em anos recentes, e os anglicanos da alta igreja em grande parte rejeitaram-nos ou adaptaram-nos, seguindo uma variedade de combinações entre a nova liturgia anglicana e certos usos emprestados, tais como ressuscitar o antigo rito Sarum em uso na Inglaterra antes da Reforma, ou o rito tridentino em inglês, ou a Missa Nova. Não existe nenhuma tradição litúrgica anglicana, se não for o livro de preces de 1661.(De fato, não existe mesmo uniformidade litúrgica. Mas estou certo de que vai haver. A questão é importante e difícil, vai exigir tempo e será o primeiro produto da reforma da reforma.)
Por que, então, estaria o Papa tão determinado a tratá-los do mesmo jeito que os orientais ortodoxos?(E está? Em que se sustenta a tese do autor? Na recepção corporativa? A dimensão corporativa é apenas um meio de facilitar o caminho de volta de comunidades inteiras, preservando algumas características que as identificavam enquanto tais.)Ele dá a explicação muito claramente nesta mesma Constituição Apostólica; a saber: a nova definição da Igreja de Cristo dada pelo Vaticano II. Diz-se que ela “subsiste” na Igreja Católica, em vez de ser idêntica a ela(O alvo do autor, como se vê, nunca foi a Anglicanorum coetibus, mas a necessidade de provar que os “atos” do magistério estão sempre contaminados pelo Concílio. O autor finge desconhecer a existência da interpretação católica do termo subsistit em continuidade com as afirmações dogmáticas anteriores). É por essa razão que as divisões entre os batizados devem ser consideradas divisões dentro da Igreja, e se considera que danificam a nota de unidade que caracteriza a verdadeira Igreja. Daí que Bento XVI afirme na Anglicanorum coetibus que “toda divisão entre os batizados em Jesus Cristo fere aquilo que a Igreja é e aquilo para o que a Igreja existe”. Daí que a unidade entre os batizados seja um absoluto a ser buscado a qualquer custo (não ao custo da doutrina da Igreja, e o autor precisa demonstrar, neste caso concreto dos anglicanos, onde foi ferida a Fé católica), tanto que agora é a “unidade na diversidade” o objetivo a ser procurado. O ensinamento católico tradicional faz da Fé, culto e sacramentos o absoluto, a determinar a unidade da verdadeira Igreja Católica, como pode ser vista pela definição de Igreja no catecismo. A separação de hereges e cismáticos, por mais deplorável e triste que possa ser, em nada fere a Fé, o culto, os sacramentos e a autoridade hierárquica, pois a Igreja de Cristo é idêntica à Igreja Católica Romana.(Não entendo em que a afirmação anterior se opõe à busca da unidade dos cristãos na Igreja Católica, facilitando-lhes, inclusive, o retorno através de meios legítimos e admitindo uma saudável diversidade.)
As consequências dessa necessidade urgente de uma falsa unidade com pouca base real não podem ser aceitáveis ao espírito católicos. Eis algumas delas:
– Não haverá nenhuma conversão propriamente dita, com abjuração da heresia, profissão pública da Fé Católica e absolvição da censura de excomunhão. Simplesmente declara-se que os fiéis leigos “originariamente pertencentes à Comunhão Anglicana, que desejam pertencer ao Ordinariato Pessoal, devem manifestar esta vontade por escrito.” (IX) Não há nenhuma admissão de erro em estar fora da única verdadeira Igreja, nem pedido de ser admitido na única Igreja verdadeira.(Já que o autor faz questão de comparar a situação à dos orientais ortodoxos, uso uma terminologia muito comum entre os últimos para tratar de certas questões pastorais: economia e acribeia. Enquanto a última é sinônimo de rigor, economia seria sinônimo de uma certa liberalidade que, conservando o valor das disposições disciplinares, admite um tratamento pastoral mais condescendente. Cabe ao Papa decidir se é bastante uma afirmação positiva da Fé Católica, dispensando da necessidade de abjuração. É uma questão de tratamento pastoral, e ela compete ao Supremo Pastor, não a um simples padre.)
– Não há nenhuma profissão de Fé em qualquer que seja dos artigos de Fé que foram negados pela igreja anglicana durante 450 anos. Tudo o que se exige é a aceitação implícita desta afirmação: “O Catecismo da Igreja Católica é a expressão autêntica da fé católica professada pelos membros do Ordinariato” (I, §5). Esse catecismo do Vaticano II, de 1993, é bem ambíguo, especialmente nos pontos de doutrina em que os protestantes discordam da Igreja Católica, e a aceitação implícita dessa declaração é uma coisa muito diferente do juramento que condena todas as heresias protestantes encontrado na Profissão de Fé tridentina de Pio IV.(Outro alvo do autor: Catecismo da Igreja Católica que, na condição de “ato” do magistério recente, é tido como outro “fruto contaminado”.)
– Permite-se aos anglicanos que retenham seus livros litúrgicos e preces anglicanos, sua espiritualidade e costumes pastorais anglicanos: “O Ordinariato tem a faculdade de celebrar a Eucaristia e os outros Sacramentos, a Liturgia das Horas e as outras celebrações litúrgicas segundo os livros litúrgicos próprios da tradição anglicana que foram aprovados pela Santa Sé, de forma a manter as tradições espirituais, litúrgicas e pastorais da Comunhão Anglicana dentro da Igreja Católica” (III). A breve cláusula restritiva de aprovação pela Santa Sé não tira nada do caráter profundamente inovador dessa provisão que considera o protestantismo anti-católico e sua liturgia como sendo uma tradição que deve ser mantida dentro da Igreja Católica. O documento prossegue declarando que tudo isso é um “dom precioso” e “um tesouro a partilhar”. Que insulto para os católicos como São Tomás Moro, São João Fisher e Santo Edmundo Campion, que deram suas vidas ao invés de ficarem anglicanos, e a verdadeiros convertidos como o Cardeal Newman, que espontânea mas necessariamente abandonaram as inválidas, heréticas e protestantes cerimônias anglicanas, para se tornarem verdadeiros católicos!(Os citados acima, sem exceção, manteriam aquelas formas litúrgicas que a Santa Sé corrigisse, aprovasse e determinasse. Não bastasse conhecer os “gostos” dos vivos, o autor pretende conhecer os dos mortos.)
– Padres casados continuarão sendo um estilo de vida neste ordinariato, como na igreja anglicana. Ministros casados que entrem no Ordinariato podem ser ordenados, e futuros padres que já sejam casados podem ser ordenados. Isso é um modo muito eficiente de minar o tesouro do celibato clerical, um dos grandes sinais exteriores da santidade da Igreja. Se bispos casados não podem ser aceitos, homens tais podem tornar-se padres com a jurisdição de um Ordinário assim mesmo (Cf. Nota publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé em 20 de outubro), contornando desse modo o “problema” do celibato clerical que esses anglicanos não estão dispostos a abraçar. (Exatamente naquilo em que os anglicanos são semelhantes aos orientais ortodoxos, a semelhança não é sublinhada pelo autor. A disposição em nada mina o celibato do clero e, no caso dos ordinários casados, é apenas uma disposição transitória, também ela de alcance meramente pastoral.)
A tragédia de tudo isso é que esses anglicanos serão considerados católicos e anglicanos (culturalmente anglicanos) ao mesmo tempo, borrando assim enormemente a distinção entre a verdade e o erro, a Fé e a infidelidade, a submissão e a independência. O próprio Cardeal Levada admite isso, quando ele descreve a base tênue e vaga dessa unidade: “Eles declararam que compartilham da Fé Católica comum tal como está expressada no catecismo da Igreja Católica e aceitam o ministério petrino como desejado por Cristo para a Igreja. (O que isso significa? Infalibilidade papal? Verdadeiro poder de governo, ou somente um posto de honra?)(Eis aí respostas que gostaríamos de ouvir de alguns padres da Fraternidade. O presente artigo mina exatamente o “verdadeiro poder de governo” do Papa. Quando os atos do magistério ordinário do Papa estão sempre sujeitos à suspeição, nega-se na prática seu poder de regime.) Para eles, chegou a hora de exprimir essa unidade implícita na forma visível da plena comunhão.” (Ib. in zenit.org).
Se, por um lado, devemos certamente temer que essa aceitação confunda os católicos e somente confirme esses anglicanos mais ainda nos seus falsos princípios e tradições, devemos, não obstante, rezar que eles um dia se convertam de verdade para a plena e íntegra prática da Fé católica, fora da qual não há salvação.
Pe. Peter SCOTT, da FSSPX, Agora pode alguém ser anglicano e católico ao mesmo tempo?, trad. br. por F. Coelho, São Paulo, dez. 2009, AciesOrdinata.wordpress.com
FONTE DO ORIGINAL EM INGLÊS:
“Can one be now Anglican and Catholic at the same time?”,
Segundo o Concílio Vaticano II, a Igreja é o Povo de Deus, o Corpo Místico de Cristo e o Templo do Espírito Santo, a qual se manifesta como sacramento da salvação, como sinal e instrumento da Comunhão de Deus e dos homens.
Origem, Fundação e Missão da Igreja 1. Quanto à origem, a Igreja apresenta os seguintes aspectos:
a. ela é um projeto nascido no coração do Pai; b. ela foi prefigurada desde a origem do mundo (lugar do acontecimento salvífico); c. ela foi preparada no Antigo Testamento (Antiga Aliança)
Como?
a. Deus chamou Abraão; b. Por meio de Moisés, Deus escolheu Israel como seu povo. Israel rompe a aliança; c. Os profetas anunciam uma Nova e Eterna Aliança; d. Jesus Cristo institui a Nova e Eterna Aliança prefigurada no A.T.
2. Quanto à fundação: a Igreja foi instituída por Jesus Cristo.
3. Quanto à sua missão, eis alguns aspectos:
a. No dia de Pentecostes, a Igreja recebe o Espírito Santo; b. Após o Pentecostes, a Igreja é enviada a todas as nações para torná-las discípulas.
O mistério da Igreja
A Igreja é:
1. ao mesmo tempo visível e espiritual; 2. mistério da união dos homens com Deus; 3. sacramento universal da salvação- enquanto instrumento de Cristo.
O que significa dizer que a Igreja é Povo de Deus?
Significa que a Igreja é a raça eleita, escolhida por Deus para si através do seu Filho Jesus Cristo, no Espírito Santo.
Características importantes:
a. A pessoa torna-se membro deste povo pela fé em Cristo e pelo Batismo. b. Este povo tem por Cabeça Jesus Cristo. c. A condição deste povo é a dignidade da liberdade dos filhos de Deus. d. A lei deste povo é o mandamento de amar como Cristo nos amou. e. A missão deste povo é ser sal da terra e a luz do mundo. f. A finalidade deste povo é o “Reino de Deus”.
Que significa dizer que a Igreja é Corpo de Cristo?
a. Que a Igreja é a unidade de todos os membros entre si pela sua união com Cristo; b. Que Cristo é a Cabeça do Corpo (Cl 1,18). A Igreja vive de Cristo, existe nele e por ele. E Cristo vive com ela e nela. c. Que a Igreja é a Esposa de Cristo (Mc 2,19; Ef 5,26). Jesus Cristo amou a Igreja e entregou-se por ela. Purificou-a com seu sangue e fez dela a Mãe fecunda de todos os filhos de Deus.
Que significa dizer que a Igreja é Templo do Espírito Santo?
Significa que o Espírito Santo é a Alma da Igreja (Corpo Místico), é o princípioda sua vida, da unidade na diferença e da riqueza dos seus dons e carismas.
Quais são os atributos (a palavra atributo indica o que é próprio de um ser- suas qualidades essenciais) ou traços essenciais da Igreja?
1. A Igreja é UNA
a. pela sua fonte: a unidade de um só Deus em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Sto. b. pelo seu fundador: unidade no Corpo Místico c. pela sua alma: o Espírito Santo é o Princípio de Unidade da Igreja.
Vínculos visíveis de comunhão da Igreja:
a. profissão de uma única fé, recebida dos apóstolos; b. celebração comum do culto divino, sobretudo dos Sacramentos; c. sucessão apostólica através do Sacramento da Ordem.
2. A Igreja é SANTA
a. O Pai Santíssimo é o seu autor, pelo Filho, no Espírito Santo; b. Cristo, seu Esposo e Cabeça, se entregou por ela para santificá-la; c. O Espírito de Santidade a vivifica.
Nos santos brilha a santidade da Igreja; em Maria esta já é toda santa.
3. A Igreja é CATÓLICA
a. anuncia a totalidade da fé; b. traz em si e administra a plenitude dos meios de salvação; c. é enviada a todos os povos; d. dirige-se a todos os homens; e. abarca todos os tempos; f. “ela é, por natureza, missionária”; g. ela é Universal.
4. A Igreja é APOSTÓLICA
a. Está construída sobre fundamentos duradouros: os Apóstolos; b. Ela é indestrutível; c. É infalivelmente mantida na verdade; d. Cristo a governa através de Pedro e dos demais Apóstolos presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos Bispos.
Toda a Igreja é apostólica na medida em que, através dos sucessores de S. Pedro e dos Apóstolos, permanece em comunhão de fé e de vida com sua origem. “A vocação cristã é também por natureza vocação ao apostolado”. Denomina-se “apostolado” toda a atividade do Corpo Místico que tende a estender o Reino de Cristo a toda terra.
Como estão classificados, segundo o chamado de Deus, os fiéis de Cristo?
1. Hierarquia
a. Os Bispos – Entre eles, o Papa (Bispo de Roma sucessor de S. Pedro) que é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos Bispos, quer da multidão dos fiéis. Com efeito, o Pontífice Romano (Papa), em virtude do seu exercício de Vigário de Cristo e de Pastor de toda a Igreja, possui na mesma Igreja poder pleno, supremo e universal. E ele pode sempre livremente exercer este seu poder. Os Bispos, por sua vez, individualmente são o visível princípio e fundamento da unidade nas suas igrejas particulares. São eles sucessores legítimos dos Apóstolos.
b. Os Presbíteros – Cooperadores dos seus bispos. c. Os Diáconos – Servidores, ligados aos bispos, nas igrejas particulares.
2. Os fiéis Leigos
a. Participam do sacerdócio real de Cristo – Cada vez mais unidos a ele, desenvolvem a graça do Batismo e da Confirmação em todas as dimensões da vida pessoal, familiar, social e eclesial, e realizam assim o chamado à santidade, dirigido a todos os batizados.
b. Graças à sua missão profética, “são chamados a serem testemunhas de Cristo em tudo, no meio da comunidade humana”.
c. Graças à sua missão régia, têm o poder de vencer o império do pecado sobre si mesmos e sobre o mundo, pela sua abnegação e pela santidade da sua vida.
3. A vida consagrada
a. Vida eremita
- separação mais rígida do mundo; - vida de silêncio e solidão; - oração e penitência; - consagração da vida ao louvor de Deus e à salvação do mundo.
b. Virgens e Viúvas Consagradas – Procuram seguir a Cristo de forma total. c. Vida Religiosa
- vida fraterna em comum; - testemunho da união de Cristo com a Igreja; - profissão pública dos conselhos evangélicos (castidade, pobreza e obediência). d. Institutos Seculares – Os fiéis, vivendo no mundo, tendem à perfeição da caridade e procuram cooperar para a santificação do mundo, principalmente a partir de dentro. e. Sociedade de vida apostólica – Seus membros sem os votos religiosos, buscam a finalidade apostólica própria da sua sociedade e, levando vida fraterna em comum, segundo o próprio modo de vida, tendem à perfeição da caridade pela observância das constituições.
O que significa comunhão dos santos?
1. Comunhão nas coisas santas. a. comunhão na fé; b. comunhão dos sacramentos; c. comunhão dos carismas; d. comunhão da caridade.
2. Comunhão entre as pessoas santas. a. intercessão dos santos; b. comunhão com os santos; c. comunhão com os falecidos; d. comunhão na única família de Deus.
“Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu, formando todos juntos uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre à escuta das nossas orações”.
O que dizer de Maria?
Ao pronunciar o “Fiat” (faça-se) da Anunciação e ao dar o seu consentimento ao Mistério da Encarnação, Maria já colabora para toda a obra que o seu filho deverá realizar. Ela é mãe em todos os domínios em que Ele é Salvador e Cabeça do Corpo Místico (a Igreja). Depois de encerrar o curso da sua vida terrestre, a Santíssima Virgem Maria foi elevada em corpo e alma à glória do Céu, onde já participa da glória da ressurreição de seu filho, antecipando a ressurreição de todos os membros de seu corpo. Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, Nova-Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu sua função materna em relação aos membros de Cristo.
Dogmas.
1. Imaculada Conceição de Maria; 2. Mãe de Deus; 3. Assunção; 4. Virgindade
Catecismo da Igreja Católica
Pe. José Erinaldo Ferreira de Lima coordenador de Catequese da arquidiocese de Olinda e Recife
TEMPO DOADVENTO ( na grafia preta do nome vento, entenda-se branco)
I. História e significado do tempo do advento
@ Origem incerta e escassas notícias sobre ele.
@ Distinção entre elementos relacionados às práticas ascéticas e elementos de caráter propriamente litúrgico:
- advento como tempo de preparação ao natal; - advento como celebração da vinda gloriosa de Cristo (advento escatológico).
@ É um tempo litúrgico típico do Ocidente.
@ Há notícias do advento desde o séc. IV. Neste século, o advento já caracterizado pela preparação ao natal e como celebração da segunda vinda de Jesus Cristo.
@ Quanto ao significado, alguns optam pelo sentido de preparação ao natal; e outros, pelo sentido escatológico.
@ A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II quis conservar os dois significados.
II. A estrutura litúrgica do advento no Missal de Paulo VI
@ O advento consta de quatro domingos (o ambrosiano, de seis).
@ É um tempo praticamente formado de dois períodos:
- do primeiro domingo do advento até 16 de dezembro, dando-se mais ênfase ao aspecto escatológico (vinda gloriosa de Jesus Cristo); - do dia 17 de dezembro ao dia 24, toda a liturgia se orienta mais diretamente à preparação do natal.
@ O advento é o tempo que traz consigo três figuras relevantes da Sagrada Escritura: o profeta Isaías, João Batista e a Virgem Maria.
Por que Isaías?
* Porque nele, mais do que nos outros profetas, se encontra um eco da grande esperança que confortou o povo eleito durante os séculos duros e decisivos da sua história.
Por que João Batista?
* Sendo o último dos profetas e resumindo na sua pessoa e na sua palavra toda a história anterior no momento em que desemboca no seu cumprimento, ele encarna bem o espírito do advento.
* Ele é o sinal da intervenção de Deus em favor do seu povo.
* Como precursor do Messias, ele tem a missão de preparar os caminhos do Senhor (cf. Is 40,3), de oferecer a Israel o “conhecimento da salvação” (cf. Lc 1,77-78) e, sobretudo, de apontar Cristo já presente no meio do seu povo (cf. Jô 1,29-34).
Por que a Virgem Maria?
* Maria aparece como cooperadora no mistério da redenção.
* A solenidade da Imaculada Conceição faz parte do mistério da Encarnação do Verbo Eterno para a salvação do mundo.
* Maria Imaculada é o modelo da humanidade redimida, o fruto mais excelso da vinda redentora de Cristo. Nela, Deus nos deu, conforme diz o prefácio da solenidade, “as primícias da Igreja, esposa de Cristo sem ruga e sem mancha, resplandecente de beleza”.
III. Teologia do advento
@ O advento traz consigo a dimensão histórico-sacramental da salvação: o Deus do advento é o Deus da história.
@ O advento evidencia a dimensão escatológica: Deus nos reservou para a salvação (cf. 1Ts 5,9), mas trata-se de uma herança que se revelará apenas no fim dos tempos (cf. 1Pd 1,5).
@ O advento recorda o compromisso missionário da Igreja e de todo cristão para o a chegado do Reino de Deus.
IV. Espiritualidade do advento
@ Espera vigilante e jubilosa; @ Esperança; @ Conversão.
V. Pastoral do advento
@ A pastoral do advento deve comprometer-se a transmitir os valores e as atitudes que estejam de acordo com a visão escatológica transcendental da vida.
@ O advento deve formar comunidades cristãs e fiéis individualmente que se proponham como sinais alternativos para uma sociedade em que as áreas do desespero parecem mais vastas do que as da fome e do subdesenvolvimento.
@ Mediante uma autêntica tomada de consciência, aumentar e fortalecer o compromisso com a redenção da história e a preparação para o reino dos céus.
@ Vivenciar na Liturgia essas verdades teológicas e construir comunidades que saibam ser a alma do mundo.
Obs.: O colorido representa as cores da coroa do advento, conforme realidade atual.
Papa Pio IV (1559-1565), um dos papas do Concílio de Trento: "... Esta verdadeira fé católica, fora da qual ninguém pode se salvar..." (Profissão de fé da Bula "Iniunctum nobis" de 1564)
O que mais ouvimos hoje são as expressões mais amadas dos incansáveis relativistas: “mais Jesus, menos religião”, “placa de Igreja não salva ninguém”, “Jesus não deixou nenhuma Igreja no mundo”, etc. Estamos aqui para declarar de modo claro: “FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO”, e deixar claro a posição da Igreja católica como meio único de salvação da humanidade.
"Como é possível separar o nosso amor a Jesus Cristo daquele que devemos à sua Igreja?
Jesus Cristo associou misticamente em si os filhos dos homens para formar com esses uma coisa só, deixando, todavia, subsistir a própria personalidade de todos aqueles que se teriam unido a ele. E como em Jesus Cristo não existe se não uma só pessoa, assim todos os cristãos devem formar com ele um só corpo. Ele será a cabeça e esses os membros.
A Igreja é o preço do sangue de Jesus Cristo e o objeto do seu amor infinito pelos homens. Amou-a mais do que a sua vida e, através dele, esta é cara a Deus Pai que desde toda a eternidade a tinha amado até ao ponto de dar o seu Filho único:
“Deus amou de tal modo a humanidade que lhe entregou o seu Filho único” (Jo 3,16).
Também o Espírito Santo, prometido pelo Salvador Divino, veio para se unir a ela e nunca mais se separar, para ser como que a sua alma, para inspirá-la, iluminá-la, dirigi - lá, sustentá-la e realizar nela as grandes obras de Deus (cf. Act 2, 11).
Todos aqueles que são membros daIgreja vivem na casa espiritual de Deus, ou melhor, são esses mesmos aquela casa, um templo imenso no qual todo o universo deve entrar e cujas pedras são todas vivas. Foi Deus mesmo que construiu esta casa com cimento divino.
O Dogma:
Sem a Igrejanãohásalvação, isto é fato e dogma, católico nenhum pode dizer o contrário.
O que temos que entender e está no que citei do Catecismo, é que podem se salvar aqueles que pela ignorância desconhece Cristo e sua mensagem, vivendo este dentro da lei moral, lógico. “Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida por meio do ditame da consciência podem conseguir a salvação eterna”.
O que não podemos é cair no erro chamado Irenismo (Cristo salva independentemente daIgreja, todos são iguais, o que importa é ser bom e cristão),
E também no feeneyismo (confundir o "foradaIgrejanãohásalvação" como se fosse um "fora das estruturas visíveis daIgrejanãohásalvação").
Vejamos os documentos, o que nos dará credibilidade e certeza da verdade:
Sendo a Igreja“projeto visível do amor de Deus pela humanidade”(Sua Santidade, o Papa Paulo VI. Discurso de 22 de junho de 1973), “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15),fundada por Jesus Cristo para, como instrumento do Espírito Santo, salvar e santificar os homens (cf. Concílio Ecumênico Vaticano II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, de 21 de novembro de 1964, nº 8),forada qual nãohá remissão dos pecados (cf. Sua Santidade, o Papa Bonifácio VIII. Bula Unam Sanctam, de 18 de novembro de 1302; Concílio Ecumênico Vaticano II.Constituição Dogmática Lumen Gentium, de 21 de novembro de 1964, nº 14; Catecismo daIgreja Católica, 846), há de se crer na absoluta necessidade de a ela pertencerem todos os seres humanos. .
“Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica – radicada na sucessão apostólica – entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: ‘Esta é a única Igreja de Cristo (...) que o nosso Salvador, depois da sua ressurreição, confiou a Pedro para apascentar (cf. Jo 21,17), encarregando-o a Ele e aos demais Apóstolos de a difundirem e de a governarem (cf. Mt 28,18ss.); levantando-a para sempre como coluna e esteio da verdade (cf.1 Tm 3,15).
Algumas pessoas ao saber sobre o dogma afirma que de maneira nenhuma a salvacão acontece em outro lugar que não seja dentro dos muros daIgreja católica, o que não é verdade, outros podem se salvar pelos elementos católicos que lá estão...." As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares. Por isso, também nestas Igrejas está presente e atua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objetivamente tem e exerce sobre toda a Igreja.
As Comunidades eclesiais, invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, não são Igrejas em sentido próprio. Os que, porém, foram batizados nestas Comunidades estão pelo Batismo incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que imperfeita, com a Igreja. O Batismo, efetivamente, tende por si ao completo desenvolvimento da vida em Cristo, através da íntegra profissão de fé, da Eucaristia e da plena comunhão na Igreja.”
(Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. Declaração Dominus Iesus, de 6 de agosto de 2000, nsº 16-17)
“Os fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma – diferenciada e, de certo modo, também unitária – das Igrejas e Comunidades eclesiais; nem lhes é permitido pensar que a Igreja de Cristo hoje já não exista em parte alguma, tornando-se, assim, um mero objecto de procura por parte de todas as Igrejas e Comunidades.” (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. Declaração Mysterium Ecclesiae, in AAS 65, em 1973, nº 1)
Em tempos de relativismo religioso, onde cada vez mais a doutrina da Igreja é desprezada e ignorada, torna-se um desafio pregar a doutrina de Cristo e de sua Igreja. Mas isto não deve nos amedrontar, pois a verdade nunca perecerá.
A Igreja e o Cristo.
"Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade!" (1Tm 2,4)
Para o Apóstolo Paulo chegar à salvação é o mesmo que "chegar ao conhecimento da verdade". É essa verdade (a sã Doutrina) que Jesus confiou aos apóstolos, e lhes incumbiu de ensinar a todas as nações, que leva a salvação.
Antes de voltar ao Céu, na Ascensão, Jesus disse aos Apóstolos (à Igreja):
"Toda autoridade me dada no céu e na terra. Ide pois, e ensinai a todas as nações... Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi"(
Mt 28,20).
Jesus envia a Igreja, a "ensinar a todas as nações" a Sua doutrina. Deus ainda nos Deu a graça para que esta missão seja cumprida: "Eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo"(Mt 28,20).
Jesus está no seio de sua Igreja! Dizer que a Igreja desvirtuou o caminho da salvação é dizer acima de tudo que Jesus abandonou a sua Igreja, que Ele não cumpriu a sua promessa. Mas isto jamais, Jesus é fiel a sua Igreja, pois a ama: "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela" (Ef 5,25).
Voltando ao Apóstolo Paulo, ele diz ao seu discípulo fiel
:
"A Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade".(2Tm 2,4).
Dizer isto é o mesmo de dizer que sem a Igreja a verdade se esfacela, e junto com a verdade se esfacela os ensinamentos de Cristo. É o mesmo que dizer que a Igreja é infalível, através de seu Magistério.
"Quando,pelo Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa a crer como sendo revelada por Deus, e como ensinamento de Cristo, é preciso aderir na obediência da Fé a tais definições. Esta tem a mesma extensão da revelação Divina".(Lg 25)
S. Clemente de Alexandria (†215), mártir:
"Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens, e se chama Igreja" (Paed, 1,6
Por isso é possível afirmar : Não existe portanto ninguém, e nenhuma outra instituição, fora da Igreja Católica, que detenha a verdade Infalível, em matéria de Fé e Moral.
Todas estas passagens mostram a importância da verdade, a qual vivida, liberta de todo mal e salva. É essa verdade que Jesus garantiu a Igreja ensinar até o fim do mundo sem erro. E o nosso Catecismo afirma com todas as letras:
851. O motivo da missão. É ao amor de Deus por todos os homens que, desde sempre, a Igreja vai buscar a obrigação e o vigor do seu ardor missionário: «Porque o amor de Cristo nos impele...» (2 Cor 5, 14) (348). Com efeito, «Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 4). Deus quer a salvação de todos, mediante o conhecimento da verdade. A salvação está na verdade. Os que obedecem à moção do Espírito da verdade estão já no caminho da salvação. Mas a Igreja, à qual a mesma verdade foi confiada, deve ir ao encontro dos que a procuram para lha levar. É por acreditar no desígnio universal da salvação que a Igreja deve ser missionária.
São Cipriano (†258) – Bispo de Cartago:
"A Esposa de Cristo não pode adulterar, é fiel e casta. Aquele que se separa dela saiba que se junta com uma adúltera, e que as promessas da Igreja já não o alcança. Aquele que abandona a Igreja não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por mãe na terra".
Na noite memorável em que Jesus proferia suas mais importantes promessas, para em seguida sofrer, por amor a ela, a sua dolorosa Paixão, Jesus disse aos seus Apóstolos:
"Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Advogado, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos À TODAS AS COISAS, e vos recordará TUDO o que vos tenho dito." (Jo 14, 25-26)
Que garantia maior de infalibilidade Jesus poderia ter dado a Igreja do essa Promessa de que o Espírito Santo "ensinar-vos à todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos prescrevi" ?
A Igreja é infalível por ser uma intituição divina e mesmo os pecados dos teus filhos não lhe tiram da condição de Sacramento Universal da humanidade:
"A Igreja é santa, mesmo tendo pecadores em seu seio, pois não possui outra vida senão a da graça: é vivendo de sua vida que seus membros se santificam; é subtraindo-se à vida dela que caem nos pecados e nas desordens que impedem a irradiação da santidade dela. É por isso que ela sofre e faz penitência por essas faltas, das quais tem o poder de curar seus filhos, pelo sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo."
(SPF 19 / CIC §827).
O apóstolo Paulo já previa os tempos atuais:
"Porque virá tempos em queos
homens já não suportarão a sã doutrina da Salvação. E apartarão para si falsas doutrinas de falsos profetas.(2Tm 4,3)"
"Mesmo dentre vós surgirão de surgir homens
que professarão doutrinas perversas.(At 20,30)"
"Não há dois evangelhos: Há pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem derrubar o Evangelho de Cristo. Se alguem – um ser humano ou um anjo baixado do Céu- lhes apresentarem um Evangelho diferente do que vós conheceis que seja ele ignorado, e se vos apresentarem uma doutrina diferente da que vós conheceis que seja tida como maldita!" (Gl 1 7-10)
Assim como há um só Deus há uma só fé e um só batismo.( Ef 4,5)
Não se pode receber de si mesmo a autoridade de anunciar a Cristo: CIC 875: "Ninguem pode dar a si mesmo o mandato de anunciar o Evangelho. O enviado do Senhor fala e age não por autoridade própria, mas em virtude da autoridade de Cristo!"
Como Então a Igreja poderia se enganar? Para aceitar o Protestantismo, que negou "Quinze Séculos" de caminhada da Igreja, guiada dia a dia pelo Espírito Santo, a Igreja teria de reconhecer em Cristo a mentira!
O bom Católico, o Católico fiel e convicto, não pode duvidar de nada que a Santa Igreja Católica ensina. São maus filhos da Igreja aqueles que discordam dos seus ensinamentos oficiais. Discordar da Igreja nesses pontos é o mesmo que Discordar do próprio Cristo.
Do Livro: Jesus de Nazaré; Ratzinger, Joseph; pág.: 45. Ed.: Planeta, Brasil – 2007.
A Segunda historia do pão aponta já para a terceira e e preparação para ela: a Ultima Ceia se torna Eucaristia da Igreja e o permanente milagre do pão de Jesus. Jesus mesmo se tornou o grão de trigo que deve morrer para que de muitos frutos (Jo 12.24). Ele mesmo se tornou o pão para nos e esta multiplicação dos paes e essa multiplicação dos paes dura ate o fim dos tempos inesgotavelmente. Assim compreendemos agora a palavra de Jesus, que ele retirou do Antigo Testamento (Dt, 8.3), para com ela repelir o tentador: “O homem não vive só de pão mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). A este respeito há uma expressão do Jesuíta alemão Alfed Delp que foi condenado a morte pelo Nazistas: “O pão e importante, a liberdade e mais importante, mas o mais importante de tudo e a adoração”.
Onde esta ordem dos bens não for respeitada, mas invertida, não haverá nenhuma justiça, não haverá mais cuidado com os homens que sofrem;mas precisamente ai o domínio dos bens materiais será desordenado e destruído. Onde Deus e considerado uma grandeza secundaria, onde pode ser deixado de lado por algum tempo, ou por todo o tempopor causa de coisas mais importantes, ai precisamente fracassam essas coisas pretensamente mais importantes. Não e só o desfecho negativo da experiência marxista que o demonstra.
A ajuda do Ocidente para o desenvolvimento com base em princípios puramente técnicos e materiais – que não só deixa Deus de lado, mas obriga o homem a d’Ele se afastar com o orgulho de saber fazer melhor – foi precisamente esse tipo de ajuda que criou o terceiro mundo no sentido que hoje se entende. Esta “ajuda” empurrou para o lado as estruturas religiosas, morais e sociais e instaurou no vazio a sua mentalidade tecnológica. Ela julgava poder transformar pedras em pão, mas gerou pedras em vez de pão. Trata-se do primado de Deus. Trata-se de O reconhecer como realidade, como realidade sem a qual nada pode ser bom. A historia não pode ser regulada longe de Deus por estruturas puramente materiais. Se o coração do homem não for bom então nada pode tornar-se bom. E a bondade do coração só pode, em ultima instancia, vir daquele que e bom, que e o bem em si mesmo.
Pediram-me: “Anderson, explique em sua coluna do Jornal da Universidade,EM DIA COM A FÉ, se católico pode ser também espírita!”. Não só pela necessidade de atender à pergunta, mas para estar sintonizado com o Ano Catequético que vivenciamos atualmente no Brasil, publico, em forma de um quadro comparativo, as 40 razões pelas quais católico não pode ser espírita. As razões foram escritas por Frei Boaventura Kloppenburg, já falecido, o qual foi um dos maiores teólogos católicos do Brasil, e também um profundo conhecedor da doutrina espírita. Creio que saber e divulgar o que aqui é exposto não invalida os propósitos de um sadio ecumenismo aprovado pela Igreja, pelo qual, todas as formas e compreensões religiosas merecem respeito, sim, mas não supõe que as partes em diálogo tenham que negar a sua própria identidade. É neste sentido que o texto abaixo deve ser lido.
O CATÓLICO BEM INSTRUÍDO NA SUA DOUTRINA
1) Sabe que o homem tem uma inteligência limitada;admite a possibilidade do mistério e aceita que há verdades reveladas por Deus. 2)Crê que Deus pode fazer e de fato fez milagres para comprovar Sua revelação. 3) Crê que os livros da Sagrada Escritura foram inspirados por Deus e que, por isso, não podem ter erros em questões de fé e de moral. 4) Crê que Jesus enviou o Espírito Santo aos apóstolos e seus sucessores para que os ajudasse a transmitir e conservar fielmente as verdades divinamente reveladas. 5) Crê que o Papa, sucessor de São Pedro, é infalível sempre que com sua suprema autoridade, decide solenemente questões de fé ou moral. 6) Crê que Jesus instituiu uma Igreja com o fim de continuar através dos séculos Sua obra de santificação dos homens. 7) Crê que Jesus nos ensinou todas as verdades religiosas necessárias e suficientes para a nossa eterna salvação. 8) Crê que em Deus há uma só natureza e três pessoas, Pai, Filho, Espírito Santo. 9) Crê que Deus é o Criador de todas as coisas, realmente distinto do mundo e um Ser Pessoal e Consciente. 10) Crê que Deus é libérrimo para criar ou não criar o mundo e fazê-lo como melhor lhe parece. 11) Crê que Deus fez o mundo do nada, com o simples império de sua vontade onipotente. 12) Crê que Deus criou a alma humana no momento de sua união com o corpo. 13)Crê que Deus interveio diretamente na formação do primeiro homem. 14) Crê que o homem é uma composição substancial entre corpo e alma 15) Crê que a alma é um espírito sem matéria. 16) Obedece a Deus que, sob penas severas, proibiu a evocação dos mortos. 17) Crê na existência de anjos, seres espirituais mais perfeitos que o homem. 18) Crê que uma parte dos anjos, os demônios, se revoltou contra Deus, sendo condenados ao inferno. 19) Crê que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho Unigênito de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, Deus igual ao Pai e ao Espírito Santo. 20) Crê que Jesus fez verdadeiramente milagres para comprovar sua missão divina. 21) Crê que Jesus Cristo é também verdadeiro homem, com corpo real e alma humana. 22) Crê que Maria Santíssima é Mãe de Deus, isto é, de Cristo que é Deus, e por isso imaculada, sempre virgem e assumida ao céu em corpo e alma. 23) Crê que Cristo veio para salvar e remir a humanidade por sua vida, paixão e morte na cruz. 24) Crê que o filho de Adão nasce sem os dons da graça com que Deus adornara generosamente a natureza humana, isto é, que nascemos todos com o pecado original. 25) Crê que Deus está sempre disposto a nos ajudar com a sua graça e seus favores. 26) Crê que Deus pode perdoar os pecados ao pecador que a Ele se volta arrependido e contrito, com o propósito sincero de não tornar a pecar. 27) Crê que a vida de penitência e de oração e contemplação aperfeiçoa o homem. 28) Crê que, mediante os sacramentos por Cristo instituídos, o homem pode ser elevado à ordem da vida sobrenatural, que nos torna filhos adotivos de Deus e herdeiros do céu. 29) Crê que Jesus instituiu sete sacramentos como meios por Ele determinados de santificação. 30) Crê que é pelo batismo que o homem deve iniciar a sua santificacão. 31) Crê que Jesus está verdadeiramente presente no Pão Eucarístico para ser o alimento da nossa vida sobrenatural. 32) Crê que a confissão é um meio determinado por Cristo para perdoar os pecados cometidos depois do batismo e de que sinceramente nos arrependemos. 33) Crê que o matrimônio é um sacramento instituído por Cristo para estabelecer uma santa e indissolúvel união entre o homem e a mulher. 34) Crê que o homem vive uma só vez sobre a terra e que desta única existência depende a vida eterna. 35) Crê que depois da morte o homem deve comparecer perante Deus e prestar contas de sua vida. 36) Crê na existência de um lugar e um estado chamado purgatório, onde se purificam as almas dos justos que morreram com pecados leves não arrependidos ou com castigos temporais não satisfeitos. 37) Crê na existência do céu, estado e lugar da felicidade sem fim, para onde vão aqueles que morreram plenamente justificados com Deus. 38) Crê que todo aquele que morrer impenitente e obstinado em pecado grave deliberada e voluntariamente cometido, será condenado ao inferno. 39) Crê que no fim do mundo todos hão de ressuscitar com seus próprios corpos. 40) Crê que no fim do mundo haverá um juízo final, presidido por Cristo.
O ESPÍRITA BEM INSTRUÍDO NA SUA DOUTRINA
1) Proclama que absolutamente não há mistérios e tudo o que a mente humana não pode compreender, é falso e deve ser rejeitado. 2) Rejeita a possibilidade do milagre e dogmatiza que também Deus deve obedecer às leis da natureza. 3) Declara que a Bíblia está cheia de erros e contradições e que nunca foi inspirada por Deus. 4) Declara que os apóstolos e seus sucessores, o Papa e os Bispos, não entenderam os ensinamentos de Cristo e que tudo o que eles nos transmitiram, está errado e falsificado. 5) Proclama que os Papas só espalharam o erro e a incredulidade. 6) Declara que até a vinda de Allan Kardec a obra de Cristo estava perdida e inutilizada. 7) Proclama que o espiritismo é a terceira revelação, destinada a retificar e mesmo a substituir o Evangelho de Cristo. 8) Nega este augusto e fundamental mistério da Santíssima Trindade. 9) Afirma que Deus é a alma do mundo e que os homens são partículas de Deus, professando assim um perfeito panteísmo 10) Muitos espíritas dogmatizam que Deus devia necessariamente desde toda eternidade criar e devia fazer todos os homens iguaizinhos. 11) Dogmatiza que o mundo, ou sempre existiu e apenas se aperfeiçoou, ou é uma emanação de Deus. 12) Dogmatiza que a nossa alma é o resultado de lenta e longa evolução, tendo passado pelo reino mineral, vegetal e animal. 13) Dogmatiza que o primeiro homem era um macaco evoluído. 14) Dogmatiza que é um composto entre perispírito e alma e que o corpo é apenas um invólucro temporário, um “alambique para purificar o espírito”. 15) Dogmatiza que a alma “é a matéria quintessenciada”. 16) Fez desta evocação uma nova religião. 17) Dogmatiza que não há anjos, mas apenas espíritos mais evoluídos e que eram homens. 18) Dogmatiza que não há demônios, mas apenas espíritos imperfeitos, mas que alguma vez alcançarão a perfeição. 19) Nega esta verdade fundamental da fé cristã e dogmatiza que Cristo era apenas um grande médium e nada mais. 20) Nega as ressurreições e os outros milagres operados por Cristo. 21) Grande parte dos espíritas dogmatiza que Cristo tinha apenas um corpo aparente ou fluídico. 22) Nega e ridiculariza todos os privilégios da excelsa Mãe de Jesus. 23) Dogmatiza que Jesus não é nosso redentor, mas apenas veio para ensinar algumas verdades e isso mesmo ainda de um modo obscuro e incerto e que cada um precisa remir-se a si mesmo. 24) Dogmatiza que Deus assim seria injusto e por isso nega o pecado original. 25) Dogmatiza que Deus não pode conceder nem graças nem favores, mas tem que dar a todos exatamente o mesmo. 26) Dogmatiza que Deus não pode perdoar pecados sem que preceda rigorosa expiação e reparação feita pelo próprio pecador, em sempre novas encarnações. 27) Dogmatiza que a penitência voluntária e a contemplação nada valem perante Deus. 28) Nega qualquer graça santificante e a vida sobrenatural. 29) Nega toda eficácia sobrenatural dos sacramentos. 30) Nega que Jesus mandou se batizassem todos os homens para a remissão dos pecados e infusão da vida sobrenatural. 31) Ridiculariza a Eucaristia como pura “pantomina e palhaçada do catolicismo”. 32) Dogmatiza que cada qual precisa reparar o mal por meio de novas reencarnações, sem o que Deus não pode perdoar pecados. 33) Proclama que o casamento é solúvel e que o divórcio é uma lei natural. 34) Dogmatiza que a gente nasce, vive e morre e renasce ainda e progride continuamente. 35) Dogmatiza que este juízo particular é pura fantasia e imaginação. 36) Decreta que este purgatório não existe, mas foi inventado pela Igreja para ganhar dinheiro. 37) Ridiculariza e zomba deste céu como de um lugar de “eterna e fastidiosa ociosidade”. 38) Dogmatiza que o inferno foi inventado para assustar crianças. 39) Dogmatiza que não pode haver ressurreição dos mortos. 40) Dogmatiza que Jesus não virá para julgar todos os homens.