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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

As Luas de Júpter




* por Alexandre Sales
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   Muitos são os que depreciam os conteúdos postados neste blog. Não vejo nada de mais nisso, afinal (ainda) vivemos num país democrático e, além disso, eu também não morro de amores nem tenho simpatia com os ideais dessas pessoas. Quero, no entanto, abordar outro assunto difundido nas Universidades, em que docentes de diversas disciplinas dão pitacos em assuntos que não são da alçada deles, disseminado com isso o desconhecimento. 

   É por isso que em pleno Século XXI percebe-se um montante inconcebível de pessoas demonstrando total ignorância sobre quem foi, como viveu e, principalmente, qual a causa do obituário de Galileu, o falso mártir da ciência que morreu tranquilamente em sua cama. Essa ignorância se dá mediante a divulgação de estórias tão supersticiosas como lendárias de pessoas que, como afirmei anteriormente, não são historiadoras de profissão, mas que, ostentando um conhecimento inexistente do assunto, ajudam na propagação do preconceito e da ignorância. 

   Uma importante observação a ser feita é que muitas das descobertas científicas de Galileu se deveram ao trabalho do Cônego Nicolau Copérnico, religioso polonês, autor de Seis Livros Sobre as Revoluções das Órbitas Celestes (De Revolutionibus Orbium Caelestium), obra que não havia encontrado resistência dos religiosos, inclusive sendo aceito pelo Papa Paulo III. Galileu, que tinha aderido ao sistema ptolomaico, admitiu as idéias de Copérnico a partir de 1610, baseadas em observações astronômicas recém realizadas. Aliás, o polemista Voltaire vai se utilizar justamente desse religioso para advogar em favor da sua filosofia tão criticada pelos prelados durante o Iluminismo: “se perguntásseis a todos os homens antes de Copérnico: ‘ – O sol se levantou hoje? O sol se pôs?’ ‘ – temos absoluta certeza.’ responder-vos-iam a uma voz. Tinham certeza e, no entanto, estavam errados.” (1) 

   É preciso considerar também que historiadores não gostam da Igreja . Poucos são os historiadores brasileiros que se interessam pelo medievo e o levam a sério; a maioria deles ocupa grande parte de seu tempo na narrativa historiográfica da luta de classes; logo, a explicação do caráter supersticioso e místico que eles dão à Idade Média se sustenta através da imaginação de “estoriadores” retrógrados e tendenciosos, cujo material de consulta às suas análises serão os romances de Umberto Eco e o misticismo das “Brumas de Avalon”.
   Como argumento comprobatório, observa-se o fato de que essas pessoas acreditam piamente que Galileu teria sido queimado nos Tribunais da Inquisição. Nada mais falso! Outro fato igualmente estarrecedor é que essas pessoas são incapazes de diferenciar Idade Média com Idade Moderna, época em que Galileu realmente viveu (* 1564 + 1642). Claro que essa indução é propositada, no intuito de ludibriar as mentes insipientes no convencimento de que a Idade Média foi mesmo um período de superstição e ignorância, o que é falso, obviamente.
Na verdade Galileu morreu de causas naturais e foi condenado pela Inquisição porque se recusava a tratar como hipótese descobertas que ele insistia serem verdades absolutas, mesmo sem ter como prová-las. Além disso, induziu pessoas à crença de uma teoria não provada cientificamente, ao falsificar o imprimatur eclesiástico em sua obra Diálogo Dei Due Massimi Sistemi.(2). Se fosse nos dias de hoje ele seria preso por falsidade ideológica e engraçado que até hoje a Comunidade Científica exige que seus cientistas provem as hipóteses ou teses, mas aos medievais isso é inconcebível, sob pena de intolerância. Fica claro que nós estamos lidando com pessoas desonestas...
    Já a condenação, dita tão cruel e implacável pelos arautos da ciência, foi a abjuração pública até que suas teorias fossem provadas e a prisão branda, que consistia em detenção nos palácios e castelos dos nobres e embaixadores. Uma nota: a Igreja não o impediu de continuar seus estudos, o que foi feito até a sua morte em 8 de janeiro de 1642, recebendo em seu leito de morte, inclusive, a benção do Sumo Pontífice. (3).
    Outro exemplo clássico do descaso dessas pessoas com a Igreja – e que inspirou o tema desse artigo - pode ser analisado na afirmação de Irving Copi: ”Um dos escolásticos a quem Galileu ofereceu seu telescópio para que contemplasse as luas de júpiter, recém descobertas, negou-se a fazê-lo, convencido de que nada poderia ser visto, porque nenhuma menção era feita a essas luas, no tratado sobre a astronomia de Aristóteles.” (4).
A afirmação é compreensível, haja vista que o autor dela não é historiador de profissão. Ademais, observa-se a seguinte narrativa:
“Galileu convenceu cabalmente da veracidade de suas descobertas todos os sábios de Roma. E, se estivéssemos ainda nos tempos da antiga República Romana, não há dúvida de que, em homenagem às suas obras, lhe mandariam erguer uma estátua no Capitólio” (5).
    Não é preciso raciocinar muito e perceber que para esse convencimento ocorrer, seria preciso que alguém observasse as descobertas. Mas... Qual seria o nome do escolástico, que segundo, Irving Copi, teria se recusado a contemplar a descoberta de Galileu? Os autores da acusação não mencionam, e isso é compreensível, pois a acusação não procede.
    
Para não cair no mesmo erro dos disseminadores de engodos, pretendo aqui dar “nome aos bois”, ou seja, vamos analisar as premissas por partes e constatar que a afirmação é falaciosa. O engodo se sustenta em duas premissas básicas, a saber:

    1 . A de que um escolástico - de nome desconhecido - teria se negado a contemplar as luas de júpiter, descobertas por Galileu;

    2 . A de que a negação se deu porque os tratados de Aristóteles não mencionavam essas luas;

    A primeira premissa é refutada pelos historiadores T. Woods Jr e Joseph E. Mac Donnell. Eles afirmam que o padre Cristoph Grienberger (1531 - 1636) não só comprovou pessoalmente a descoberta das luas de júpiter por Galileu, como também era um competente astrônomo, inventor da montagem equatorial, que fazia girar um telescópio sobre um eixo paralelo ao da Terra e contribuidor do desenvolvimento do telescópio de refração que se utiliza ainda hoje em dia. (6)

    A outra premissa é desmentida porque, já havia certas refutações e restrições aos tratados de Aristóteles. A primeira prova é que todo católico instruído nega a idéia aristotélica de que o universo é eterno em si mesmo, pois ia de encontro à narrativa da Criação Divina; além disso, o eclesiástico Jean Buridan (1295 – 1358) sacerdote e professor de Souborne (Séc XIV), já naquela época buscava uma explicação sobre como os corpos celestes, depois de criados, continuavam em movimento. Esses estudos contrariavam as teorias de Aristóteles, cuja explicação acerca dos movimentos apontava o centro da Terra como local de repouso dos objetos ao mesmo tempo em que se ignorava uma explicação convincente para os movimentos dos projéteis.(7) 

    Além disso, a Igreja há anos se debruçava nas pesquisas da Astronomia, e os tratados de Aristóteles já não desfrutavam de tanta credibilidade nessa área. Tanto é verdade que o V Concílio de Latrão (1512-1517) tratou justamente da reforma do calendário e, entre os cientistas de renome nos meios eclesiásticos participantes do Concílio, ressalta-se a presença do Cônego Nicolau Copérnico.

    Por conta disso, Langford afirma que “não é correto pintar Galileu como uma vítima inocente do preconceito e da ignorância”. Acrescenta ainda que “parte da culpa dos acontecimentos subseqüentes deve ser atribuída ao próprio Galileu, que recusou qualquer ressalva e, sem provas suficientes, fez derivar o debate para o terreno próprio dos teólogos”(8). 

    E os protestantes, tão acusadores da Igreja Romana nessa questão, não podem esconder o óbvio. O que quero dizer é que não só Galileu, mas outros astrônomos enfrentaram problemas com a teologia protestante. Desconsiderando as idéias de Copérnico, Lutero chegou a afirmar: “As escrituras nos dizem que o sol parou. Copérnico é um louco.” (9). Já Melancton, companheiro de Lutero, classificou tal sistema de fantasmagoria. Kepler (1581 – 1630), astrônomo protestante contemporâneo de Galileu foi obrigado a deixar sua terra por assumir idéias copernicianas. Esses são apenas alguns exemplos de inúmeros casos de atrito entre os cientistas e o protestantismo, uma vez que foi custoso para eles entender que a bíblia não ensina cosmologia. Por conseguinte, quem repete velhos e falsos chavões de que a Igreja Católica impedia o progresso com seus “dogmas retrógrados” e que teria vitimado Galileu a fogueira da Inquisição, terá que sustentar o que diz e desmentir historiadores sérios e competentes, o que vejo como inviável. 

    A conclusão que se pode chegar é que se as premissas são falsas, a afirmação não pode ser verdade. Então, quando se dá esse tipo de declaração, eles estão falando do quê? Eles estão falando do nada, ou seja, de uma afirmação que historicamente nunca existiu, e que só se torna real no imaginário desses retrógrados contadores de estórias, mergulhadas nas ficções medievais relatadas nos romances de Umberto Eco em “O Nome da Rosa”, nas Lendas do Rei Arthur e de Camelot, ou dos misticismos das Brumas de Avalon. 

    Tenho consciência de que as comprovações aqui postadas não vão convencer aos acusadores da Igreja, e nem me preocupo com isso. Importante de verdade é narrar um acontecimento histórico com mais consistência e com um emaranhado de argumentos que dê condições ao leitor de raciocinar e constatar pelo seu próprio intelecto que as acusações de historiadores arcaicos só têm fundamento na imaginação deles, ao mesmo tempo em que a concepção historiográfica narrada acima e sustentada por historiadores renomados internacionalmente é perfeitamente sustentável, logo, aceitável. Quanto aos contadores de “estórias” e depreciadores da Igreja, os ignoro. Um dia eles tentaram me persuadir de que havia lutas de classes no Egito antigo e na Mesopotâmia, mesmo sem haver moeda fixa nessas sociedades nem acúmulo de capital, conseqüentemente o capitalismo inexistia. Também ostentaram que existia feudalismo no Brasil, mas eu me esquivei desses adestramentos. Boa Noite...

3º Período de História


PALAVRAS CHAVES: CIÊNCIA - COPÉRNICO – GALILEU – INQUISIÇÃO – JÚPITER - LUAS
BIBLIOGRAFIA
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1 . VOLTAIRE, M. ; Dicionário Filosófico; Ed. Ridiendo Castigat Moraes, {s.d.; s.l.], pp.7-8;
2 .FAVARO, Galilei I´Inquisizione 62;
3 .Ibdem;
4 .COPI, Irving M.; Introdução à Lógica;
5 . FAVARO, Le Opere di Galilei, XI 119, s.l; s;d;
6 . T. Woods, Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental; 3ª Ed.; Quadrante; SP; 2010. p.65 DONNELL, Joseph E; Jesuit Geometers, p.19.
7 . T. Woods, Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental; 3ª Ed.; Quadrante; SP; 2010, pp.78 -79.
8 . LANGFORD, J. Jerome, Galileo, Science and the Church, pp. 68-69
9 . WA 42, 708

sábado, 21 de novembro de 2009

Inquisição - Concílios de Verona e Latrão

Em 1184, no Concílio de Verona, feito para combater o catarismo na Itála, o Papa Lúcio III, junto com o Imperador Frederico II, ordenou que se tomassem medidas para combater a propaganda herética na Itália, investigando as ações dos hereges para coibi-los (Cfr. João Bernardino Gonzaga, A Inquisição em seu Mundo, Saraiva, 8a. edição, São Paulo, 1994, p. 97 e Rino Camillieri, La Vera Storia della Inquisizione, Piemme, Casale di Monferratto, 2001, p. 31 - feita por Dr. Prof. Orlando Fedeli ).

Segundo Guiraud, que é um dos mais abalizados historiadores da Inquisição, o exame das doutrinas heterodoxas dos séculos XI e XII e a enumeração das perturbações que elas provocaram demonstra:

1) Que depois do ano mil a heresia deixa de ser uma opinião puramente teológica, destinada a ser discutida no recinto das escolas, mas se transforma cada vez mais em doutrinas anti-sociais e anárquicas, em oposição não somente com a ordem social da Idade Média, mas ainda com a ordem social de todos os tempos.

2) Que essas doutrinas anarquistas provocaram movimentos subversivos e perturbações profundas no seio do povo, e que assim a heresia que as informava se transformou num perigo público.

3) Que, desde então, a autoridade temporal teve tanto interesse quanto a autoridade espiritual em combater e em destruir a heresia.

4) Que essas duas autoridades, depois de haver agido separadamente durante muito tempo — o Estado pelas condenações de seus tribunais à forca e à fogueira, e a Igreja pela excomunhão e pelas censuras eclesiásticas — acabaram por unir seus esforços em uma ação comum contra a heresia.

5) Que essa ação conjunta inspirou as decisões do Concílio de Latrão em 1179 e do Concílio de Verona em 1184.


Eis, portanto, bem delineado o caráter da Inquisição, tal como foi estabelecido pelas Decretais de Alexandre III no Concílio de Latrão e de Lúcio III no Concílio de Verona. Podemos defini-la como um sistema de medidas repressivas, umas de caráter espiritual, outras de caráter temporal, promovidas simultaneamente pelo poder eclesiástico e pelo poder civil para a defesa da ortodoxia religiosa e da ordem social, ameaçadas igualmente pelas doutrinas teológicas e sociais da heresia (Jean Guiraud, "La Inquisition Médievale").

"Estando os brabanções, aragoneses, navarros, bascos, coteraux e triaverdinos exercendo tã o grandes crueldades sobre os cristãos, não respeitando nem igrejas nem mosteiros e não poupando viúvas, órfãos, velhos e crianças, não tendo consideração nem para a idade nem para o sexo, mas derrubando e devastando tudo como pagãos, ordenamos a todos os fiéis, pela remissão de seus pecados, que se oponham corajosamente a essas selvagerias e defendam os cristãos contra esses infelizes". São esses hereges acusados de exercer devastações nas regiões que ocupam, e se Alexandre III ordena contra eles uma cruzada, é para remediar grandes desastres, ut tantis claudibus re viribiliter opponant (Decreto de Gregório IX, v. VII, 8).

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Em defesa da Santa Inquisição Parte III - Segunda parte da Entrevista com o Dr Romam Konik

Catolicismo — O Sr. diz que os inquisidores eram pessoas simpáticas, esclarecidas. Mas tanto ouvimos falar deturpadamente sobre as inimagináveis e sádicas torturas...
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Prof. Konik — Se isso fosse verdade, então por que tantos malfeitores esforçavam-se em demonstrar que suas infrações eram de natureza religiosa, para que dependessem de juízes-inquisidores? Certamente não era porque gostassem de ser torturados... Lembremo-nos de que nesse tempo os tribunais civis em geral aplicavam torturas como forma, por exemplo, de um acréscimo de castigo, que precedia a morte. Já nos tribunais inquisitoriais as torturas, quando aplicadas, o eram somente com o objetivo de obter informações muito importantes. Na legislação medieval a aplicação de torturas era geral, mas os tribunais inquisitoriais as adotaram de forma muito abrandada. Proibiam torturar mulheres grávidas, crianças ou pessoas idosas. Para aquela época, isso era considerado inovador, pois nos tribunais civis tais pessoas não eram excluídas da possibilidade de serem torturadas. Era proibido também torturar duas vezes a mesma pessoa. A aplicação de torturas devia ser decidida por aclamação de todos os juízes — como também do defensor do réu — e com a aprovação do bispo local e de um consultor independente. Ressalto que as torturas aplicadas pela Inquisição eram raras. Na França, onde se efetuava a luta contra a seita dos albigenses, durante 200 anos só três vezes decidiu-se aplicá-la. A tortura mais freqüente era privar o condenado de alimentação, ficando ele totalmente isolado. >>>

Os tribunais da Inquisição foram os primeiros a garantir a defesa ex-ofício e o que hoje é praticado: a prisão domiciliar e a liberdade mediante caução. As informações obtidas através de torturas não podiam ser consideradas como prova e deviam ser confirmadas num período posterior de 24 horas.
Os inquisidores eram recrutados sobretudo entre os melhores religiosos, de alta formação e de fama ilibada. A idade mínima era 40 anos, devido à experiência de vida, e tendo em vista precaver-se contra decisões apressadas, próprias da juventude. Os inquisidores não podiam usar arma. Eram pessoas normais do povo, freqüentemente viajantes, intelectuais curiosos de conhecer o mundo. A autoridade do inquisidor era geral na sociedade. Após o assassinato de Pedro de Verona, um dos mais conhecidos inquisidores, a multidão bradou: santo súbito. Este fato está em clara contradição com a idéia que as pessoas hoje fazem sobre os representantes dessa “profissão”.
Também a carta dos bispos do Sínodo de Toledo causa surpresa, pedindo aos inquisidores que sejam moderados nos jogos e não fiquem até tardias horas nas praças.
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Catolicismo — Será que a comparação que o Sr. faz em seu livro, das seitas heréticas com grupos comunistas, não constitui analogia um tanto exagerada?
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Prof. Konik — Mas, de fato, não foi isso (ou seja, medidas de caráter comunista) que fizeram os irmãos dulcianianos (seita medieval, muito esquerdista, liderada por Dulcian, que atuou sobretudo na Itália), os quais lutaram para introduzir a comunidade de bens, e assim privar a todos da propriedade privada? Lembremo-nos de que a atuação dos hereges não era apenas na linha da persuasão, mas freqüentemente obrigavam as pessoas ricas a “distribuírem aos necessitados” seus bens; os quais, como sempre acontece nessas situações, eram imediatamente defraudados. A semelhança também existe na esfera da propaganda: tanto a esquerda moderna como os hereges de outrora empenhavam-se em introduzir a “justiça social”, utilizando chefes carismáticos para enganar a população.

É digno de nota que os movimentos heréticos nunca tentaram arregimentar membros da classe intelectual, procurando sempre apoio nas classes mais baixas, de pouca instrução. A semelhança entre os hereges medievais e a esquerda moderna é notória também pelo fato de que ambos os movimentos dirigem-se às pessoas numa linguagem que elas querem ouvir. Nas homilias dos hereges cátaros, nunca aparece o elemento de responsabilidade pessoal. Não está presente o Juízo Final, o Purgatório não existe, mas somente o Céu, e este é destinado a todos. Como no socialismo: a visão da vida na Terra sem que se assumam responsabilidades foi, é e será sempre algo que atrai.

Revista Catolicismo, setembro de 2006.
http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?idmat=6113500D-3048-560B-1C9A57FBCEBD780D&mes=Setembro2006

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Em defesa da Santa Inquisição Parte II - Entrevista sobre a Inquisição

Trago esta excelente entrevista do doutor em filosofia, prof. Roman Konik, polonês, que escreveu o livro "Em defesa da Santa Inquisição". Muito esclarecedor.

Inquisição:
Mito e realidade histórica


A verdade é bem diferente da ficção que se divulga sobre a Inquisição. Há necessidade de analisá-la com serenidade, com base na ciência histórica e dentro do contexto da época de sua existência
O Prof. Dr. Roman Konik, nascido em 1968, além de publicista e comentarista de fatos quotidianos de seu país, é doutor em filosofia, professor adjunto da cátedra de estética na Faculdade de Filosofia da Universidade de Wroclaw (Polônia). É autor do livro Em Defesa da Santa Inquisição. A obra suscitou muita polêmica, e apesar do boicote sofrido por parte de livrarias — devido à legenda negra que se criou em torno do tema, apontando os inquisidores como “carniceiros”, torturadores, etc. –– despertou bastante interesse, já tendo sido vendidos mais de 35 mil exemplares. Com a polêmica, o jovem professor vem sendo convidado para conferências em diversas cidades de seu país, a fim de expor sua visão objetiva e bem documentada sobre o assunto, oposta aos mitos criados por certa literatura liberal contra o Tribunal do Santo Ofício.
Na entrevista concedida ao Sr. Leonardo Przybysz, nosso correspondente em Cracóvia (Polônia), comprova-se como os fatos — alicerçados na realidade histórica, e que se tornaram patentes mediante rigorosas pesquisas — diferem inteiramente das fantasias criadas e das detrações anti-Inquisição, embora não se negue que tenha havido certos abusos cometidos por alguns poucos inquisidores
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Catolicismo — Em seu livro Em defesa da Santa Inquisição, o Sr. explica que a Inquisição não era a responsável pela execução das penas de morte, mas sim os tribunais leigos. Não será esse ponto de vista semelhante às opiniões de alguns historiadores judeus, que dizem não ter sido o Sinédrio o responsável pela morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas o Tribunal Romano?

Prof. Konik — Sempre que tocamos no assunto do funcionamento da Inquisição, precisamos considerá-la sob o prisma da época em que ela atuou. Na Idade Média, a Religião constituía a garantia e o fator de coesão do Estado. Sempre que tentamos delimitar o Direito civil e o eclesiástico, encontramos dificuldades. Os leitores das crônicas de Gall Anonim (monge beneditino que escreveu a história da Polônia desde o início até o século XII; não se conhece seu nome; alguns dizem que vinha da Gália, daí o nome Gall Anônimo) muitas vezes fazem a pergunta: quebrar os dentes publicamente com um pedaço de pau, devido à quebra ostensiva do jejum, constituía uma pena civil ou eclesiástica? Na verdade, era uma pena civil à qual a Igreja se opunha.

Na Idade Média, os problemas criminais, civis e religiosos se interpenetravam. Lendo os autos dos processos inquisitoriais, mais de uma vez encontramos bandidos comuns que, surpreendidos pela polícia no ato de violação, de roubo, de assalto à mão armada, rapidamente inventavam uma motivação religiosa para explicar o seu procedimento. Por quê? Simplesmente para cair na esfera da justiça da Inquisição e não da justiça civil ou temporal. Pois a justiça inquisitorial garantia pelo menos uma investigação, em vez da pena de fogueira imediata, a qual — como a pena de morte ou o decepamento da mão — não foi absolutamente invenção dos inquisidores.
Lembremo-nos de que nesse período histórico aplicava-se a pena de morte até pela falsificação de dinheiro ou pela ofensa à majestade real. Analogamente aceitava-se o fato de que a ofensa dirigida a alguém superior ao rei, ou seja, a Deus, só poderia ser punida da mesma forma. Os hereges pertinazes, mais freqüentemente os heresiarcas (isto é, os autores de heresias) e que se recusavam a abandonar o erro eram tratados como rebelados comuns. Isso se compreende, considerando-se que a atuação de hereges como os cátaros destruía a ordem social. >>

les não aceitavam o funcionamento da sociedade civil e eclesiástica, incitavam à renúncia da medicina e à completa abstinência sexual, inclusive no casamento, ou ao ritual chamado endura (morte voluntária pela extenuação do organismo, ou morte pela fome). Promoviam o aborto, acreditando ser melhor uma criança não nascer neste "vale de lagrimas", e ir assim diretamente para o Céu. Grupos de hereges revoltosos atraíam os pobres para suas fileiras, sob a promessa de que, roubando aos ricos, contribuíam para criar uma igreja nova, na qual as chances seriam iguais para todos. Isso não era uma contravenção estritamente religiosa, razão pela qual muitas vezes, após o julgamento e definição do grau de heresia, os rebeldes eram entregues ao braço civil para que se procedesse ao devido processo penal que dizia respeito a questões criminais: roubo ou violação. Freqüentemente acabava em pena de morte, mas a responsabilidade dos inquisidores em relação ao direito era igual à de cada cidadão. Uma situação equivalente, hoje em dia, consistiria em a Igreja concluir de acordo com o Direito Canônico um processo de sacerdote por crime de pedofilia, e em seguida entregar o caso à Procuradoria para que concluísse a investigação e aplicasse a devida pena.
A maior parte das heresias nascidas na Idade Média atingia sobretudo a justiça civil. Vale a pena lembrar que o tribunal inquisitorial, entregando o herege à autoridade civil, incluía uma carta recomendando prudência na decisão.

Catolicismo — Também em seu livro o Sr. aponta a criação de um quadro negativo da Inquisição através de livros (sobretudo O Nome da Rosa, de Umberto Eco), pinturas, filmes ou exposições. Realmente, muitos artistas que retrataram a Inquisição (por exemplo, Goya) não viveram na época de sua existência. Pode-se pois perguntar se é fidedigno o que apresentaram. O Sr. conhece artistas que viveram no tempo da Inquisição atuante, que a mostraram de modo fiel

Prof. Konik — Na mente do homem de hoje, há uma idéia comum que considera o inquisidor como um velho monge encapuzado com inclinações sádicas, inflamado do desejo de autoridade. O melhor exemplo disso é a figura de Bernard Gui, inquisidor de Toledo, descrito pelo conhecido medievalista italiano Umberto Eco em seu livro O Nome da Rosa. Pior ainda é a imagem apresentada no filme realizado com base em tal obra. Bernard Gui, como figura histórica real, foi inquisidor de Toledo e durante 16 anos exerceu esse cargo. Julgou 913 pessoas, das quais apenas 42 ele entregou ao tribunal civil como perigosos rebeldes (reincidentes, pedófilos, criminosos), o que não significava absolutamente pena de morte para eles. Em muitos casos Gui indicava tratar-se de doença psíquica, suspeição de heresia, desistindo de interrogatórios. Segundo a visão preconceituosa dos protestantes, é certo que essas pessoas iriam para a fogueira, ao contrário da verdade histórica.

É importante registrar que escritores protestantes, pouco simpáticos à Inquisição, começaram a escrever a história dela de maneira desfavorável, apresentando-a deformada. Também nas expressões artísticas das épocas posteriores à medieval verificou-se um reflexo dessa visão caricatural. Mas basta analisar o mundo artístico medieval para observar quadros que apresentam São Domingos convertendo os hereges, São Bernardo de Claraval discutindo com eles, ou então pinturas de inquisidores-mártires morrendo nas mãos de hereges — por exemplo, o martírio de São Pedro de Verona; ou de São Pedro de Arbués, assassinado na catedral de Saragoça
Exemplo de ódio radical contra a Igreja e da manipulação a que me referi é um quadro no Museu Nacional de Budapeste, apresentando uma sala de torturas, intitulado no catálogo “Inquisição”. Só depois de muitos protestos de historiadores, mostrando que o quadro apresentava cena de tortura num tribunal civil, é que o título foi mudado para “Sala de torturas”.

Lembremo-nos de que foram as descrições caricaturais de Diderot, Voltaire e até Dostoiewski que formaram na mente do homem de hoje a visão da Inquisição como um espectro. Os historiadores poloneses também não ficaram atrás dos historiadores “progressistas”. Deparando diariamente com essa visão distorcida da Inquisição, o homem comum é inclinado a aceitá-la como verdadeira.

domingo, 18 de outubro de 2009

Em defesa da Santa Inquisição – Parte I

Posto aqui alguns comentário do Rev. Pe. Eduardo, que compartilhou conosco algumas verdades na comunidade “Amigos da montfort”

O mundo é inimigo da Igreja: "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim" (Jo 15,18) e o diabo, "mentiroso e pai da mentira" (Jo 8,44), é o "príncipe deste mundo" (Jo 14,30).

Como a Igreja é necessária para a salvação, não é de admirar-se que o diabo, interessado na perdição das almas, instigue seus servos contra a Igreja. E a melhor forma de afastar as pessoas da Igreja é pintá-la como uma organização criminosa.

A imagem que o senso comum tem a respeito da Inquisição é em boa parte formada de calúnias e difamação. Vejam só:
a Revolução Francesa, no auge do Terror, em um só ano, de meados de 1793 a meados de 1794, executou mais gente do que a Inquisição havia executado em 6 séculos. Se o senso comum das pessoas fosse bem informado e bem formado, com o devido senso de proporções, teriam elas pela Revolução Francesa um horror pelo menos seiscentas vezes maior que pela Inquisição.

Todavia, isso não ocorre, e a Revolução Francesa é celebrada como um dos acontecimentos mais beneméritos da humanidade. Quem recrimina a Inquisição, e ao mesmo tempo louva a Revolução Francesa ou é um grandíssimo hipócrita ou, na melhor das hipóteses, não passa de mais um tonto ecoando uma calúnia bem difundida, que ele mesmo não parou para examinar se era verdade ou não.

Vale lembrar que a não saía agarrando gente na rua e matando. Não, o fulano tinha processo (um processo mais sério que nos tribunais revolucionários da França, da Rússia e de Cuba), existia produção de provas e era julgado culpado ou inocente em sentença fundamentada. A maior parte dos acusados saía absolvida. Santo Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus, e Santa Teresa de Ávila, a reformadora do Carmelo, foram denunciados à Inquisição por gente invejosa: no final do processo, provada a sua inocência, foram absolvidos com louvores do tribunal.

Ademais, a Inquisição foi o único tribunal do mundo em que o réu se livrava da condenação se reconhecesse a culpa e se declarasse arrependido, tendo apenas que cumprir alguma penitência (rezar alguns salmos durante determinado número de meses, fazer uma peregrinação, por exemplo). A Inquisição era uma extensão do tribunal da penitência, e o seu objetivo não era a condenação do réu, mas o seu arrependimento e conversão. Quando o fulano era "relaxado ao braço secular" para morrer na fogueira isso era visto, não como uma vitória, mas como um fracasso da Inquisição em conseguir do réu a abjuração de seus erros.

Além disso, no rigor das formalidades jurídicas, a Inquisição nunca matou ninguém e nunca pronunciou uma sentença de morte. Quando o fulano era julgado culpado e teimava em não declarar-se arrependido, a Inquisição "relaxava-o à justiça e ao braço secular", porque um tribunal eclesiástico não pode aplicar pena de sangue. Era a justiça secular (do Estado), não a Igreja, que condenava o fulano à morte e executava a sentença

Naquela época, os crimes contra a Fé não eram apenas delitos religiosos, mas também crimes contra a segurança do Estado, porque provocavam sérias perturbações na ordem pública. Na França, onde não havia Inquisição, quarenta anos de guerras civis, por causa de religião, devastaram o país. A Alemanha, por sua vez, foi ensangüentada pela Guerra dos Trinta Anos, com a intervenção de potências estrangeiras e a fragmentação do país, que perdeu mais de 20% de sua população. Espanha e Portugal, onde os reis obtiveram do Papa autorizações para instituir a Inquisição, ficaram, por isso, livres de conflitos religiosos. Por incrível que possa nos parecer hoje, a Inquisição era uma instituição pacificadora e uma garantia da ordem pública.

A Inquisição existia não para condenar ninguém à morte, mas para evitar a aplicação da pena capital. Quando os reis tencionaram punir com penas temporais o crime de heresia (a fogueira, originalmente, era a pena para o crime de lesa-majestade imperial), a Igreja exigiu que os acusados fossem processados e julgados por um tribunal eclesiástico, porque os juízes seculares não teriam competência para julgar em matéria teológica e para evitar que isso fosse usado como instrumento político o que aconteceu com Santa Joana d'Arc e também em Portugal, quando o Marquês de Pombal, maçom asqueroso, assumiu o controle do país, queimando o santo jesuíta Padre Malagrida.

Quem estiver mesmo interessado em saber o que foi a Inquisição, poderia estudar estes livros aqui:

GONZAGA, João Bernardino. A Inquisição em Seu Mundo. São Paulo, Saraiva, 1994 (o autor foi professor de Direito Penal da Universidade de São Paulo).

TESTAS, Guy & Jean. A Inquisição. São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1968 (os autores foram professores de História e de Estudos Ibéricos na Universidade de Paris).

KAMEN, Henry. A na Espanha. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1966 (o autor é professor de história na Universidade de Chicago e membro da Royal Historical Society, de Inglaterra).

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A INQUISIÇÃO PROTESTANTE - PARTE FINAL

Frankfurt, também na Alemanha, emitiu uma lei semelhante e a total suspensão do culto católico foi estendida a todos os estados alemães (e depois se tacha a Igreja Católica de intransigente!).



- Em 1530, em seus "Comentários ao Salmo 80", Lutero aconselhava aos governantes que aplicassem a pena de morte a todos os hereges.


- No distrito de Thorgau (Suiça), um missionário zwingliano, liderando um bando protestante, saqueou, massacrou e destruiu o mosteiro local, inclusive a sua biblioteca e o acervo artístico-cultural.



- Erasmo [de Roterdan] ficou aterrorizado ao ver fiéis piedosos excitados por seus pregadores protestantes: "[Eles] saem da igreja como possessos [do demônio], com a ira e a raiva pintadas no rosto, como guerreiros animados por um general".



O mesmo Erasmo comenta em uma carta que escreveu para Pirkheimer: "Os ferreiros e operários arrancaram as pinturas das igrejas e lançaram insultos contra as imagens dos santos e até mesmo contra o crucifixo (...) Não restou nenhuma imagem nas igrejas nem nos mosteiros (...) Tudo o que podia ser queimado foi lançado ao fogo e o restante foi reduzido a cacos. Nada se salvou".



Assim, o Protestantismo destruiu parte do patrimônio cultural europeu, que era protegido e aumentado pelos monges e fiéis católicos.



- Na Zurique protestante, foi ordenada a retirada de todas as imagens religiosas, relíquias e enfeites das igrejas; até mesmo os órgãos foram supressos. A catedral ficou vazia como continua até hoje. Os católicos foram proibidos de ocupar cargos públicos; a assistência à Missa era castigada com uma multa na primeira vez e com penas mais severas nas reincidências.


- Em Leifein, no dia 4 de abril de 1525, 3.000 camponeses liderados por um ex-sacerdote [católico] tomaram a cidade, saquearam a igreja, assassinaram os católicos e realizaram sacrilégios sobre o altar, profanando os sacramentos de uma forma inenarrável.

- Um fato que pareceria nunca ter ocorrido - se não tivesse sido tão bem documentado - foi o "Saque de Roma". Até mesmo muitos católicos não sabem que tal fato aconteceu. O que foi o Saque de Roma? O Saque de Roma foi um dos episódios mais sangrentos do Renascimento. No dia 6 de maio de 1527, os membros das legiões luteranas do exército imperial de Carlos V promoveram um levante e tomaram de assalto a cidade de Roma. Cerca de 18.000 lansquenetes foram lançadas durante semanas contra a pior das repressões, ocasionando um rio de sangue costumeiramente "esquecido" pelos historiadores, que não lhe prestam a devida atenção.

Um texto veneziano [contemporâneo] afirma sobre este saque que: "o inferno não é nada quando comparado com a visão da Roma atual". Os soldados luteranos nomearam Lutero "papa de Roma"
. Eis mais alguns fatos [desse episódio] que a história de alguns "eruditos" se omite covardemente:

- Todos os doentes do Hospital do Espírito Santo foram massacrados em seus leitos.

- Dos 55.000 habitantes de Roma, sobreviveram apenas 19.000.
- O resgate foi da ordem de 10 milhões de ducados (uma soma astronômica naquela época).
- Os palácios foram destruídos por tiros de canhões com os seus habitantes dentro.
- Os crânios dos Apóstolos São João e Santo André serviram para os jogos [esportivos] das tropas.
- O rio [Tibre] carregou centenas de cadáveres de religiosas, leigas e crianças violentadas (muitas com lanças incrustadas em seu sexo).
- As igrejas, inclusive a Basílica de São Pedro, foram convertidas em estábulos e missas profanas com prostitutas divertiam a soldadesca.
- Gregóribo afirma a respeito: "Alguns soldados embriagados colocaram ornamentos sacerdotais em um asno e obrigaram a um sacerdote a conferir-lhe a comunhão. O pobre sacerdote engoliu a forma e seus algozes o mataram mediante terríveis tormentos".
- Conta o Pe. Mexia: "Depois disso, sem diferenciar o sagrado e o profano, toda a cidade foi roubada e saqueada, inexistindo qualquer casa ou templo que não foi roubado ou algum homem que não foi preso e solto apenas após o resgate".
- Erasmo de Roterdan escreve sobre este episódio: "Roma não era apenas a fortaleza da religião cristã, a sustentadora dos espíritos nobres e o mais sereno refúgio das musas; era também a mãe de todos os povos. Isto porque, para muitos, Roma era a mais querida, a mais doce, a mais benfeitora do que até seus próprios países. Na verdade, o saque de Roma não foi apenas a queda desta cidade, mas também de todo o mundo".

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A INQUISIÇÃO PROTESTANTE - PARTE I


Por Fátima Apologética

Tradução: Carlos Martins Nabeto

Fonte: http://www.fatima-apologetica.org/


Um ponto normalmente omitido é que os Protestantes também empreenderam uma Inquisição totalmente submissa ao Poder Político da época. Os historiadores geralmente se referem apenas à inquisição católica e se silenciam hipocritamente sobre os eventos ocorridos nos territórios protestantes.



Os primeiros protestantes não eram distinguidos por serem os "campeões da liberdade de opinião" como querem nos fazer crer.


Eles, que clamavam pela liberdade religiosa nos países católicos, em seus territórios suspendiam rapidamente a celebração da Missa e obrigavam os cidadãos, por lei, a assistir obrigatoriamente os cultos reformados; também destruíam os templos católicos e as imagens [sagradas], além de assassinarem bispos, sacerdotes e religiosos; foram muito mais radicais em seus territórios do que ocorreu nos territórios católicos.


Citaremos apenas alguns exemplos (já que [quase] todas as fontes pesquisadas apenas se referem à inquisição católica e nenhuma a [inquisição] protestante):


- Registre-se o massacre dos monges da Abadia de São Bernardo de Brémen, no séc. XVI: os monges foram assassinados ou desfolados, atirando-lhes sal na carne viva, sendo a seguir pendurados no campanário por bandos protestantes.


- Seis monges cartuxos e o bispo de Rochester, na Inglaterra protestante, foram enforcados em 1535.


- Henrique VIII mandou queimar milhares de católicos e anabatistas no séc. XVI (mas foi sua filha católica, Maria, que acabou recebendo o título de "Maria, a sanguinária"!).


- João Servet, o descobridor da circulação do sangue, foi queimado em Genebra, por ordem de Calvino (porém, é comum se recordar apenas do "caso Galileu", o qual NÃO foi justiçado!).


- Quando Henrique VIII iniciou a perseguição protestante contra os católicos, existiam mais de 1.000 (mil) monges dominicanos na Irlanda, dos quais apenas 02 (DOIS) sobreviveram à perseguição.


- Na época da imperadora protestante Isabel, cerca de 800 (oitocentos) católicos eram assassinados por ano.


- O historiador protestante Henry Hallam afirma: "A tortura e a execução dos jesuítas no reinado de Isabel Tudor foram caracterizadas pela selvageria e o dano [físico]".



- Um ato do Parlamento inglês decretou, em 1652, que: "Cada sacerdote romano deve ser pendurado, decapitado e esquartejado; a seguir, deve ser queimado e sua cabeça exposta em um poste em local público".



- Na Alemanha luterana, os anabatistas eram cozidos em sacos e atirados nos rios.



- Na Escócia presbiteriana de John Fox, durante um período de seis anos, foram queimadas mais de 1.000 (mil) mulheres acusadas de feitiçaria.



- Nas cidades conquistadas pelo "Protestantismo", os católicos tinham que abandoná-las, deixando nelas todas as suas posses ou então converter-se ao Protestantismo; se fossem descobertos celebrando a Missa, eram apenados com a morte. É um mito a afirmação de que a prática da tortura foi uma arma católica na Inquisição. Janssen, um escritor desse período, cita uma testemunha que afirma:



"O teólogo protestante Meyfart descreve a tortura que ele mesmo presenciou: 'Um espanhol e um italiano foram os que sofreram esta bestialidade e brutalidade. Nos países católicos não se condena um assassino, um incestuoso ou um adúltero a mais de uma hora de tortura. Porém, na Alemanha [protestante] a tortura é mantida por um dia e uma noite inteira; às vezes, até por dois dias (...); outras vezes, até por quatro dias e, após isto, é novamente iniciada (...) Esta é uma história exata e horrível, que não pude presenciar sem também me estremecer".



O mesmo Janssem nos fornece este outro dado:



"Em Augsburgo, na Alemanha, no ano 1528, cerca de 170 anabatistas de ambos os sexos foram aprisionados por ordem do Poder Público. Muitos deles foram queimados vivos; outros foram marcados com ferro em brasa nas bochechas ou suas línguas foram cortadas. [Ainda] em Augsburgo, no dia 18 de janeiro de 1537, o Conselho Municipal publicou um decreto em que se proibia o culto católico e se estabelecia o prazo de 8 dias para que os católicos abandonassem a cidade; ao término desse prazo, soldados passaram a perseguir os que não aceitaram a nova fé. Igrejas e mosteiros foram profanados, derrubando-lhes as imagens e os altares; o patrimônio artístico-cultural foi saqueado, queimado e destruído".