Numa pesquisa realizada em janeiro de 2000, portanto, antes do ataque terrorista contra os Estados Unidos, fizeram esta pergunta aos entrevistados: “Você crê que existem valores morais absolutos, isto é, que nunca mudam, não importando as circunstâncias, ou você acha que os valores morais sempre dependem da situação, ou seja, que as decisões de natureza moral e ética de alguém irão depender das circunstâncias?” Nessa época, início de 2000, quatro entre dez adultos (38%) responderam que existem verdades morais absolutas. Numa pesquisa recente, porém, apenas dois em cada dez adultos (22%) afirmaram que crêem na existência de valores morais absolutos.
O relatório de George Barna, elaborado pelo Barna Research Group (Grupo Barna de Pesquisas), demonstrou que, entre todos os adultos entrevistados, apenas 22% criam que há valores morais absolutos, ao passo que 64% acreditavam que esses valores são sempre relativos, podendo variar conforme o indivíduo e a situação em que ele se encontrar.
George Barna observa que “o fato de essa pedra angular da fé cristã – isto é, uma série de princípios morais que Deus nos transmitiu por meio da Bíblia e que devem ser o alicerce do nosso modo de pensar e agir, independentemente de preferências, sentimentos ou situações pessoais – ter quase desaparecido é, provavelmente, o maior indício do enfraquecimento da fé cristã na igreja da América do Norte nos dias de hoje”.
Desse modo, torna-se inviável para a igreja difundir o evangelho nos Estados Unidos, a fim de que venha a ser uma nação cristã, e mais difícil ainda será para ela fazê-lo em outros países.
Certamente o cristianismo que hoje se pratica nos Estados Unidos não tem sido muito edificante para outras nações. O que temos “exportado” para elas é a nossa suposta fé e um “evangelho da prosperidade”. Contudo, essa distorção que tem marcado o nosso modo de ser como igreja está causando danos internos também, advindos da abertura e da importância que temos dado a cultos “experimentais”, ou seja, cultos de operação de milagres e curas, cultos de libertação, etc. Ao reagir contra a rigidez da ortodoxia, muitos acabaram substituindo-a, na maior parte, por verdadeiros shows carismáticos, carregados de emocionalismo, que atraem as pessoas com sinais e prodígios pré-programados. Porém, não lhes oferecem nenhum alimento espiritual consistente de fato, o que só pode ocorrer por meio do ensino da Palavra de Deus. E esse problema tem nos atingido gravemente.
Os programas evangélicos veiculados na televisão são responsáveis pela propagação de ensinamentos efêmeros, tão ineficazes quanto um curativo num dente gravemente infeccionado. Quanto aos livros, a maioria apresenta o mesmo conteúdo. Os pregadores da TV que foram influenciados por conferencistas tornaram-se modelo para muitos pastores, que simplesmente reproduzem o que ouvem deles. Vemos, então, que a história bíblica revela uma certa ironia: repetimos a história porque não a conhecemos. O profeta Jeremias diz: “Voltaram as costas para mim e não o rosto; embora eu os tenha ensinado vez após vez, não quiseram ouvir-me nem aceitaram a correção” (Jr 32.33 – NVI). Isso que Deus disse a Israel certamente se aplica também à igreja atual. Estamos reproduzindo, hoje, a conduta de Israel no passado.
O apologista cristão Josh McDowell trabalha com jovens e adolescentes em diversos países. Para ele, “os jovens de hoje fazem um enorme esforço para encontrar uma verdade duradoura” (trecho de artigo publicado no Hawaii Pacific Baptist). Ele afirma ainda o seguinte: “Setenta e cinco por cento dos jovens que vêm a Cristo atualmente não o fazem por estarem convictos de que Jesus é ‘o caminho, a verdade e a vida’. Na realidade, têm se aproximado de Cristo porque, até o momento, considerando tudo que têm vivido e experimentado, não encontraram nenhuma alternativa melhor. Porém, quando depararem com algo que acharem mais atraente, deixarão Jesus”.
McDowell diz que o maior desafio que a igreja evangélica do século XXI enfrenta é transmitir a verdade do evangelho em meio a uma cultura em que se alega que todos os conceitos relativos à verdade são igualmente válidos.
Mencionando uma pesquisa feita em 1999, segundo a qual 65% dos jovens disseram que não há como determinar qual é a religião verdadeira, McDowell diz que, para a mentalidade vigente na cultura de hoje, a definição de verdade depende do “ponto de vista pessoal” e da “experiência individual”.
Essa pesquisa de 1999 mostrou que 52% dos “jovens evangélicos membros de igrejas acreditam que a única maneira racional de viver consiste em tomar decisões da melhor forma que pudermos com base naquilo que estivermos sentindo no momento”. O relatório do Grupo Barna diz o mesmo: “As pessoas estão mais propensas a tomar decisões de natureza moral e ética com base naquilo que sentirem que é correto ou adequado – seja o que for – numa situação específica” (fevereiro de 2002).
Se a igreja não é capaz de orientar e ensinar seus jovens, então está numa situação dramática. E esse é o ponto inicial do problema todo. Uma edição passada do Pulpit Helps publicou os resultados de uma pesquisa de opinião em que se entrevistaram 7.441 pastores protestantes. Destes, 51% dos metodistas, 35% dos presbiterianos, 30% dos episcopais e 33% dos batistas afirmaram que não criam na ressurreição corpórea de Jesus. Isso é aterrador! Como é possível que estejam pastoreando igrejas? Esse tipo de resposta revela que, no fundo, eles não crêem na Bíblia nem dirigem a própria vida conforme os preceitos dela. Assim, ela não passa de um livro de bons conselhos, um manual de auto-aperfeiçoamento, ou, para alguns, um guia para alcançar o sucesso nesta vida.
Perguntou-se também a esses 7.441 pastores se criam na inerrância e na inspiração divina da Palavra de Deus, e o resultado foi este: 87% dos metodistas, 95% dos episcopais, 82% dos presbiterianos e 67% dos batistas disseram que “Não” (Pulpit Helps, dezembro de 1987).
Mesmo não crendo nas doutrinas cristãs essenciais, pastores como esses continuam ministrando e pregando sua incredulidade. E a igreja segue os passos dos líderes. Tais ensinos saem da boca dos liberais que falam do púlpito e influenciam os membros das congregações. Hoje os ataques às doutrinas da divindade de Cristo, da Trindade, da concepção virginal e da inspiração divina da Bíblia nem sempre provêm de fora da igreja, mas de dentro. E nós, como igreja, precisamos saber responder com convicção a esses questionamentos. Como se diz, “ou somos um povo missionário ou somos um campo missionário”. Quem não crê que a Bíblia é, objetivamente, a expressão da verdade absoluta, não se converteu de fato e não é seguidor de Cristo. E se essa pessoa for um ministro, certamente o melhor a fazer é deixar de ensinar, abandonar o púlpito e dedicar-se a outra atividade, pois assim poupará a congregação e a si mesmo do juízo de Deus.
Sempre que ouvimos supostos eruditos dizerem que o Antigo Testamento é apenas um misto de mitos, lendas e história real que foi sendo criado no decurso de um longo tempo, podemos ter certeza de que se trata de liberais falando. Quando algum erudito nos diz que não devemos considerar a Bíblia um registro histórico, negando que o jardim do Éden tenha realmente existido e sido habitado por um casal que deu origem a toda a humanidade, e chamando isso de “alegoria”, então sabemos que estamos diante do liberalismo. Quando dizem que o livro de Jó é apenas um antigo relato folclórico; que o livro de Isaías foi escrito por dois ou três autores; que a época em que se escreveu o livro de Daniel é incompatível com os fatos narrados nele; que a história de Jonas é apenas uma lenda, pois é impossível que um ser humano que tenha sido engolido por uma baleia (ou um “grande peixe”) seja expelido vivo depois de três dias – todas essas afirmações provêm do liberalismo. O mesmo podemos dizer das alegações de que os Evangelhos foram escritos somente depois da morte dos apóstolos e que o cristianismo atual é, portanto, algo que Paulo inventou.
E qual é o objetivo de todas essas asseverações liberalistas? Bom, primeiro, os liberais procuram desqualificar a Bíblia, tentando desacreditá-la, pois, se a história de Adão e Eva não é verdadeira, então, tanto Moisés como Jesus são mentirosos. Com base nisso, poderão construir argumentos para um ataque direto ao evangelho. Dirão que, como a história sobre o jardim do Éden e a queda do homem não é verdadeira, então não temos pecado, e o evangelho não é o único caminho que leva a Deus. Em seguida, o próprio Jesus será alvo de ataque: Por que deveríamos acreditar que ele é o Filho unigênito de Deus se ele reafirmou como verdadeiros os relatos de Gênesis, que seriam apenas lendas?
O mundo já aceita a idéia de que Jesus foi um bom homem e um grande mestre, mas rejeita a sua afirmação de que era o próprio Deus encarnado, e, portanto, o nosso único Salvador. Se o que ele afirmou sobre si mesmo não era verdade, então ele caíra no auto-engano e mentia intencionalmente; e, por isso, não estaríamos sendo honestos se ainda o considerássemos um bom homem! Mas, será que Jesus de fato se enganou ao dizer “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6)? Isso foi algum tipo de discurso separatista, de ódio? Quando falamos dessa verdade aos outros, e ela contraria a religião ou o ateísmo deles, dizem que essa afirmação carrega ódio, e não amor. Porém, e se Jesus tiver dito a verdade, e os milhões de indivíduos que testemunham isso, através da transformação que experimentaram na própria vida, estiverem vivendo mesmo em comunhão com Deus? Nesse caso, agir com ódio seria deixar de contar aos outros essa verdade!
Se esse processo continuar, em pouco tempo a igreja deixará de acreditar na divindade de Jesus, à medida que formos nos afastando cada vez mais das doutrinas cristãs fundamentais. Então o evangelho cairá em descrédito, pois, se Jesus não era divino, perde o status de Filho unigênito de Deus. Na seqüência, a doutrina do pecado da humanidade cairá por terra, e então já se poderá ver aonde toda essa argumentação liberalista pretende chegar: afirmarão que a Bíblia não é a Palavra de Deus.
Se o leitor achar que é impossível que isso aconteça, analise com atenção este relatório de George Gallup. Em 1963, de cada três pessoas, duas acreditavam que a Bíblia é a verdadeira Palavra de Deus. Ligada a essa convicção, estava a de que os relatos bíblicos são inerrantes e infalíveis. Contudo, até 1999, os números haviam se invertido: de cada três pessoas, duas consideravam a Bíblia um livro composto de textos “divinamente inspirados” ou fábulas antigas, lendas humanas e códigos morais registrados pelo homem (George Gallup e D. Lindsay. Surveying the American Religious Landscape: Trends in U.S. Beliefs [Pesquisando o panorama religioso norte-americano: as tendências da fé nos Estados Unidos], Morehouse Publishing, 1999). A convicção quanto à inerrância da Bíblia também caiu de 58% para 41% nesse período.
Assim, lê-se a Bíblia como se fosse um livro de bons conselhos, que apresenta um padrão ético e moral mais elevado, que pode ser útil para melhorar a qualidade de vida do indivíduo.
O número de adultos norte-americanos que se identificam com o cristianismo e podem ser considerados cristãos caiu de 86% em 1990 para 77% em 2001. (Conforme dados do estudo ARIS – American Religious Identification Survey [pesquisa de identificação religiosa nos Estados Unidos], realizado entre fevereiro e abril de 2001.)
Segundo o relato de Diana Eck, professora de Religião Comparada, da Universidade de Harvard, 76,5% (159 milhões) da população norte-americana se declara cristã (fonte: http://www.religioustolerance.org/christ.htm). Isso representa uma grande queda percentual, considerando-se os 86,2% em 1990. A identificação com o cristianismo perdeu 9,7 pontos percentuais em 11 anos, o equivalente a 0,9% ao ano. Se essa tendência se mantiver, por volta de 2042 haverá mais não-cristãos do que cristãos nos Estados Unidos. (Diana Eck, A New Religious America: How a “Christian Country” Has Become the World’s Most Religiously Diverse Nation [A nova América religiosa: como um “país cristão” se tornou o país de maior diversidade religiosa do mundo], 2001).
Se o cristianismo se encontra em declínio, é claro que algo está preenchendo o espaço deixado por ele.
Conforme relatos dos pesquisadores do Seminário Hartford, o número de locais de culto dos muçulmanos aumentou em 42% entre 1990 e 2000, ao passo que a quantidade de igrejas evangélicas teve um aumento de apenas 12%, em média.
É preciso refletir sobre a nossa realidade. Hoje, não podemos sequer pronunciar o nome de Jesus nas escolas públicas, mas, enquanto isso, na Califórnia, estão ensinando o Islã aos alunos; nas escolas de lá, os estudantes aprendem a orar a Alá. Em Byron, Califórnia, os alunos têm de freqüentar um curso intensivo de três semanas sobre o Islã. Nesse curso, são obrigados a aprender as doutrinas islâmicas, a estudar os grandes nomes do islamismo e a usar as vestimentas dessa religião. Têm também de adotar um nome islâmico e encenar as suas próprias jihads (guerras santas).
Eu, pessoalmente, não vou permitir que nenhum resultado de pesquisas determine o que acontecerá; não deixarei me convencer de que não há esperança para o futuro. Entretanto, temos de levar a sério o fato de que as conclusões das pesquisas são um sinal de alerta com relação ao momento que estamos vivenciando. Se mergulharmos de cabeça, ainda há tempo de nos recuperarmos das perdas, pois, apesar do risco de quebrarmos o pescoço, ainda não nos chocamos contra o fundo das águas.
E o que podemos fazer? Bem, vamos desligar a TV na hora desses programas “evangélicos”. Vamos parar de perder tempo com toda essa tolice e começar a ensinar nossas crianças, adolescentes e jovens a ler a Bíblia como se deve; a estudá-la garimpando os tesouros contidos em suas páginas. “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1 Tm 4.16). Vamos começar a obedecer à grande comissão, discipulando os amigos e a família na Palavra de Deus.
Os jovens precisam ver o nosso exemplo para segui-lo. Precisamos levá-los a pensar nas coisas espirituais, afastando-os dos absurdos que se dizem, sobretudo nos programas televisivos “cristãos”, e levando-os ao verdadeiro sentido das Escrituras e à prática da fé genuína. Isso é muito sério. Se não agirmos logo, “remindo o tempo” que nos resta, aqueles que não crêem que a Bíblia é a verdade absoluta acabarão influenciando a nossa juventude para o mal. Precisamos nos preparar para conhecer e rebater os argumentos dessa gente. Se não o fizermos, a geração que virá estará perdida. E, quando nos despertarmos, para nossa tristeza como igreja, teremos nos distanciado totalmente da verdadeira fé, constatando que a trocaram por alguma outra religião, ou, talvez, pela total ausência de religião.
Enfim, é como a Bíblia nos alerta: “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4.5,6). Portanto, vamos nos preparar para pregar o evangelho e fazer discípulos, de tal forma que demonstremos que o cristianismo é, para todos, o verdadeiro caminho racional para a fé.
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http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/6920-a-crise-da-igreja-protestante-e-a-autofagia






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