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domingo, 25 de outubro de 2009

Na veja desta semana; Volta à casa do pai


A história da Igreja da Inglaterra pode ser sintetizada em dois momentos de ruptura. O primeiro foi o seu estabelecimento como entidade independente, no século XVI. O segundo, a reforma que permitiu a ordenação de mulheres, em 1992. Desde essa última mudança, reina a cizânia entre os 80 milhões de fiéis. A nomeação, em 2003, de um bispo gay pela Igreja Episcopal, o braço americano da confissão, foi a gota-d’água para os tradicionalistas. Muitos deles foram, sem alarde, "nadar no Rio Tibre", como os anglicanos desdenhosamente chamam a conversão ao catolicismo. A maioria, contudo, hesitava em dar esse passo por medo de perder sua liturgia e tradição. Na última terça-feira, Bento XVI ofereceu uma solução para essas dúvidas. Os anglicanos podem se converter sem que seja preciso sacrificar suas tradições. Até padres casados serão tolerados, com a ressalva de que não poderão ser bispos.


A exceção oferecida em decreto papal é similar à concedida às igrejas católicas orientais. A hierarquia re-conhece a autoridade do papa, mas segue seus próprios ritos. O arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, chefe da Igreja da Inglaterra, declarou-se chocado com a oferta da Santa Sé. Mas, como líder da ala liberal da Igreja, ele é um dos responsáveis pelo cisma. O racha atual é tão profundo que foram nomeados dois bispos cuja única função é mediar conflitos entre liberais e tradicionalistas. Antes de se bandearem para Roma, os anglicanos têm vários aspectos a considerar. Dinheiro é um deles. O salário de um clérigo anglicano é o triplo do de um padre católico. Outra dúvida é o que a conversão significa para a identidade inglesa. Na Inglaterra, a oposição ao papa é uma questão de estado. Os membros da família real não podem sequer se casar com católicos sem perder o direito ao trono. Tudo isso tem raízes profundas. O rompimento com Roma ocorreu no reinado de Henrique VIII, depois que o papa Clemente VII se recusou a anular seu casamento com Catarina de Aragão. Após rejeitar a autoridade papal, o rei pôde se casar com seu grande amor, Ana Bolena, que mais tarde mandaria decapitar. No princípio as mudanças foram pequenas, pois Henrique VIII pretendia que a Igreja da Inglaterra continuasse católica, ainda que separada de Roma. Tempos depois, a igreja aderiu à Reforma Protestante e o país passou por períodos sangrentos, com perseguições religiosas, até que o predomínio protestante ficasse bem assentado. O retorno dos anglicanos ao seio da Igreja Católica tem o sabor de uma vitória tardia sobre a Reforma Protestante.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Carta aberta ao Portal Veritas sobre o homossexualismo: A moral é mutável?


Percebi que a carta em resposta aos comentários sobre o texto “Ditadura Gayzista parte II”, continuaram a render comentários e discussões, e então, de um modo bem aberto, resolvi escrever esta outra carta:

O Breno disse em seu comentário no Portal Veritas:


“Mas penso ser difícil de pensarmos num mundo não ordenado por um Demiurgo (Platão), um Motor Imóvel (Aristóteles) ou um Lógos (Estóicos). Contudo, não penso que a moralidade derive dele: nesse ponto apóio Comte-Sponville. Pode ser que Epicuro tenha razão ao afirmar que, existindo, os deuses não se ocupam dos homens...”

.Pergunto ao Breno, a moral é mutável? A Igreja não pode afirmar nada em definitivo sobre a lei moral?

Como eu já lhe respondi isto com base em assuntos Teológicos, apenas faço algumas argumentações filosóficas:

Assim diz São Tomás de Aquino:


“Como a lei eterna é a razão de governo no governante supremo, é necessário que todas as razões de governo que estejam nos governantes inferiores derivem da lei eterna “(S. Th. I-II, q.93, a.3)


Por mais que a sociedade, em qualquer tempo, mentalidade ou circunstância, “modifique” a moral, elas não poderão se sobrepor às leis divinas. Logo, a moral é imutável, pois a verdade é imutável. Fazendo uma analogia, não é por que eu digo que uma bola não é uma bola, que ela deixa de ser uma bola, assim como a moral não muda só por que eu digo que ela mudou.


Disse Sto. Agostinho, repetido pelo Angélico:
Na lei temporal nada é justo e legítimo que os homens não tenham derivado para si da lei eterna(ibidem).

Por isso:

Toda lei se ordena à salvação comum dos homens [poder-se-ia ler "bem comum"], e nessa medida obtém força e razão de lei; se falta isso, não tem a virtude de obrigar (S. Th. I-II, q.96, a.6).

Essa é a lei moral, e é esta a razão pela qual todo homem que fora dela – salvo ignorância- não pode não ter felicidade nem nesta, nem na vida que há de vir.


E ainda: "As leis impostas humanamente ou são justas ou injustas. Se são justas, têm força de obrigar no foro da consciência pela lei eterna, da qual derivam" (S. Th. I-II, q.96, a.4)

Já que estamos falando sobre filosofia, gostaria de lhe relembrar a filosofia de Thomas Hobbes.

Thomas Hobbes, para quem a sociedade humana é impossível sem uma espécie de despotismo. Para ele, o soberano deveria definir o que é verdadeiro e o que é errado, isto é, agir de um modo iluminado e arbitrário. Thomas Hobbes defendia a idéia segundo a qual os homens só podem viver em paz se concordarem em submeter-se a um poder absoluto e centralizado.

A Igreja representa este estado perfeito. Até hoje, o Papa é o único monarca que age de maneira arbitrária e iluminada e preserva a perfeição por intermédio de suas ações. Sendo as pessoas submissas às leis divinas da Igreja, estarão perfeitamente felizes. Só gostaria de destacar que o homossexual não é marginalizado na Igreja, ele tem o seu espaço, desde que cumpra para com as orientações do “estado perfeito”. A divindade não pode estar a mercê da interpretação humana, isso seria temeário. A Fé e a moral não são cognoscentes.

Aguardo a sua resposta.

Paz e bem.

ARTIGO: Perdoai-o, Pai, ele não sabe o que diz!

Por Ricardo Noblat.

É espantosa a ignorância de Lula quanto à função da imprensa.

"Não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. O papel é informar", disse ele a Kennedy Alencar em entrevista publicada, hoje, na Folha de S. Paulo. E acrescentou:

- Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas. A imprensa tem de ser o grande órgão informador da opinião pública. Essa informação pode ser de elogios ao governo, de denúncias sobre o governo, de outros assuntos. A única que peço a Deus é que a imprensa informe da maneira mais isenta possível, e as posições políticas sejam colocadas nos editoriais.

Como a imprensa pode ser "o grande orgão informador da opinião pública" se ela não examinar com atenção e rigor o comportamento e as decisões do governo? E como proceder assim sem que isso signifique "fiscalizar"?

Perdoai-o, Senhor, ele não sabe o que diz!

Uma vez, Lula admitiu que não gosta de notícia. Gosta de publicidade.

Quis dizer: gosta de elogios, de críticas, não.

Publicidade tem mais a ver com elogios. Jornalismo com críticas.

Sem ignorar a publicidade que denigre, comum em campanhas eleitorais. E o jornalismo sabujo e de aluguel, comum em qualquer época.

A entrevista de Lula à Folha será lembrada pela citação infeliz que ele fez de Jesus e Judas.

- Quem vier para cá não montará governo fora da realidade política. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.

Jesus morreu porque não abriu mão do que pensava. Não se coligou com as autoridades romanas nem com os sacerdotes judeus. Quanto a esses, expulsou-os do templo.

Sabia que seria traído por Judas. Não mexeu um dedinho para evitar que fosse.

Vai ver que Lula perdeu essa aula. Perdeu muitas outras.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/10/22/perdoai-pai-ele-nao-sabe-que-diz-234555.asp