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sexta-feira, 5 de março de 2010

A arte Renascentista






As obras de arte do Renascimento retratavam uma nova maneira de ver o mundo terreno e de relacionar com ele. A valorização da vida neste mundo, a nacionalidade que surgia ligada às necessidades da burguesia levavam a um estudo da natureza, tentando entender o seu funcionamento, e também um desejo de retrata-las nas obras de arte. Isso já era feito na Baixa Idade Média pelo estilo gótico. Mas a expressão artística do Renascimento era um retrato do dinamismo da época: as figuras das artes plásticas movem-se mais livremente, com naturalidade de expressão, com elegância e ritmo, contrastando com a arte medieval, mais solene, rústica e simbólica.

As primeiras manifestações do Renascimento nas artes plásticas são detectadas por alguns especialistas já no século XIV (1300 a 1399), por isso esse período ficou conhecido como Trecento. Com presença de traços medievais a arte do período tinha base naturalista. Os artistas dessa época baseavam-se na realidade para produzir pinturas.

Ambrogio Lorenzetti: Alegoria do Bom Governo, c. 1328. Palazzo Pubblico, Siena

Foi no Quatrocento, isto é, no século XV (1400-1499), que o artista deixou de ser um simples artesão para se tornar profissional independente, graças ao aumento das encomendas de grandes obras de arte.

Esse foi um período de acumulação de experiências e de evolução nas artes que atingiu seu apogeu no final do século XV e nas primeiras décadas do século seguinte.

Em 1434 os Médici, família de grandes banqueiros, tomaram o poder em Florença, pela compra de serviços dos chefes militares mercenários, os condottieri. E foi essa família que "financiou" o Renascimento italiano no Quatrocento. Lourenço de Médici foi um grande mecenas da arte florentina. Incentivou o neoplatonismo, que preconizava a perfeição de qualquer ser e se refletiu nas artes plásticas, pois a perfeição implicava beleza suprema. A pintura do Quatrocento caracterizava-se pela leveza, graciosidade e liberdade de movimento. Para se tornar um grande artista, era preciso conhecer geometria, perspectiva e anatomia.

A anunciação, de Sandro Botticelli, 1489-1490.

O artista renascentista assinava seus trabalhos, ao contrário do artista do período medieval. Essa atenção sobre a pessoa do artista está perfeitamente afinada com o individualismo, outra característica do Renascimento.

Nos últimos anos do século XV, a concentração da riqueza de uma pequena camada da sociedade revoltou a população pobre que, sob a liderança de Savonarola, tomou o poder em Florença (1494-1498).

Savanarola, um monge místico, mandou queimar as obras de arte, que, para ele e para os revoltosos, nada significavam. Os grande artistas do Renascimento florentino partiram para Roma, que se tornou o novo centro das artes.

Roma tornou-se o grande dentro das artes do Cinquecento, isto é, no século (1500-1599). Júlio II, papa no período de 1502 a 1513, pretendia mostrar ao mundo a grandiosidade da cidade de Roma e, para isso, iniciou as obras da nova basílica de São Pedro, em 1506. Bramante, famoso arquiteto de Milão, foi o autor do projeto, um monumental edifício de 24.200 metros quadrados. A decoração ficou a cargo de Michelangelo e Rafael Sânzio.

Pietá, de Michelangelo, Basílica de São Pedro

A cúria papal tornou-se nesse período, uma verdadeira corte, digna do maior imperador do Ocidente. Os cardeais repetiam, em escala menor, o que acontecia no palácio papal. A forma de exteriorizar a riqueza e o luxo era pela encomenda de obras de arte, o que transformou o Vaticano em um dos maiores mecenas do Renascimento.

Mecenas: Mecenas foi um "ministro" de Otávio Augusto (Imperador de Roma), que viveu na passagem do século I a.C para o I d.C, Protetor de artistas e homens de letras, foi uma figura importante na política cultural do que ficou conhecido como "século de Augusto". Seu nome passou a designar os patrocinadores generosos dos artistas e sábios, protetores das letras, ciências e arte. Lourenço de Médici foi um grande mecenas do Renascimento.

Neoplatonismo: Corrente filosófica fundada por Amônio Sacas (século II), em Alexandria, e cujos representantes principais são o filósofo romano Plotino (204-270), em Roma, e os filósofos gregos Jâmblico (c.250-330), na Síria, e Proclo (410-485), em Atenas. Caracterizava-se pelas teses da absoluta transcendência do ser divino, da emanação e do retorno do mundo a Deus pela interiorização progressiva do homem. Essas concepções foram importantes durante a Idade Média e o Renascimento.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.




ERROS DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE



Entristece-me o fato de a CNBB jamais esclarecer que ela não é a Igreja Católica. A CNBB é um ente burocrático, um órgão de apoio, de auxílio aos bispos. No entanto, o silêncio sobre sua verdadeira natureza faz com que, entendida como “a” Igreja Católica (algo infinitamente superior ao que a CNBB de fato é), ela se misture e nivele a outras organizações da sociedade (OAB, ABI, CUT, MST, etc. e tal). É uma pena.

A minha consternação se agrava, contudo, pela reiteração de certos equívocos que ficam bem nítidos na atual Campanha da Fraternidade. Um deles está na confusão entre os campos da Economia e da Política. Os documentos da CNBB são useiros e vezeiros em misturar essas duas esferas da atividade humana, atribuindo à primeira aquilo que é próprio da segunda. Como consequência, pretendem conferir aos agentes econômicos obrigações inerentes às instituições políticas. Trata-se de uma desatenção ao próprio pensamento católico, que reconhece a autonomia das duas esferas. De um sistema econômico se espera que produza, ao máximo de suas possibilidades, riqueza, desenvolvimento, postos de trabalho, tributos e renda, ou seja, condições materiais para a melhoria dos padrões de vida da sociedade. É o que pede a Campanha da Fraternidade de 2010? Não. Ela, enquanto aponta idolatrias e excessos que todos condenam, quer que o sistema econômico nacional, priorizando a partilha e a solidariedade, rejeite as exigências do mercado, do consumo e do lucro. E gere empregos e tributos com penitência e oração?

Toda consciência bem formada se revolta com as tragédias da pobreza material, feitas de analfabetismo, baixo nível educacional e cultural, más condições habitacionais e sanitárias, abandono dos aposentados. Feitas também por corrupção, esbanjamentos, mordomias, absurdos desníveis na remuneração do serviço público e maus governos. Não é com a superação desses embaraços que venceremos a miséria e os desníveis sociais?

Pois é tudo campo da Política! Miséria e desníveis sociais são temas para os poderes públicos, que se apropriam de 40% do PIB nacional! As justas preocupações com partilha e solidariedade deveriam focar, principalmente, essa brutal ruptura com o Princípio da Subsidiariedade. É grave erro da Campanha não dizer que os problemas do Brasil são muito mais políticos do que econômicos. Muito mais institucionais do que empresariais. Bons governos, com boas políticas, enfrentam essas dificuldades valendo-se da competente operação do setor privado.

Outro erro, ainda, está na influência marxista que se derrama sobre boa parte dos documentos da CNBB. Neles, o pobre, o pobre do Evangelho, sob influxo da mais do que reprovada Teologia da Libertação (TL), vira excluído. E fica subentendido que o excluído está excluído porque o incluído não o quer dentro. Assim, o apelo evangélico à caridade se converte em luta de classe. E saiba leitor, que Bento XVI, ainda agora, no dia 5 de dezembro, olho no olho, advertiu os bispos brasileiros do Sul III e IV contra “os princípios enganadores da TL” e para “o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas”. Será preciso dizer mais?

por Percival Puggina
Zero Hora.

terça-feira, 2 de março de 2010

CARTA À CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ -





Percival Puggina




Senhores,

Na condição de fiel leigo, atuante em movimentos da nossa Igreja Católica, levo a essa nobre Congregação a minha inconformidade perante o que vem acontecendo na Conferência dos Bispos do Brasil. Os fatos não são estranhos ao conhecimento de Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Falando aos bispos brasileiros do Sul III e IV, em visita ad limina, no dia 5 de Dezembro do ano passado, ele usou palavras muito claras ao adverti-los contra “os princípios enganadores da Teologia da Libertação” e para “o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas”.

Pois bem, nestes dias quaresmais, está em curso uma nova Campanha da Fraternidade, desta feita ecumênica, sob cujas sombras brilham citações evangélicas e sob cujas luzes se insinuam leituras marxistas da realidade social brasileira, afinadas com aquela reprovada subteologia.

Soma-se a tais distorções, na Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, um profundo desconhecimento das autonomias inerentes a duas esferas da atividade humana – a da economia e a da política. Assumindo critérios de interpretação próprios do marxismo, ela busca atribuir à economia de mercado tarefas que são próprias da política – esta sim, responsável pelos principais fatores que dão causa à miséria e às profundas desigualdades sociais do nosso país: analfabetismo, baixo nível intelectual, péssimo sistema educacional, deficiências culturais, má distribuição de renda, políticas monetárias, desníveis salariais do setor público, apropriação de 40% do PIB nacional pelo Estado, corrupção, descontrole do gasto público, bem como mordomias, luxos e prodigalidades custeados com recursos dos contribuintes. Não, não é a economia de mercado que dá causa aos problemas sociais brasileiros. É da má política e da inadequação de nossas instituições que tais males derivam.

Muito conviria a essa Congregação conhecer o desconforto e a rejeição suscitada pela atual Campanha, que, de modo solerte, confunde idolatria com economia de mercado e recua em relação à Doutrina Social da Igreja quando propõe vagos modelos “alternativos” de organização da atividade econômica “que privilegiem a solidariedade e a partilha”, sem nada explicitar concretamente ou apontando para instrumentos consagrados há mais de um século (como o cooperativismo em harmonia com a economia de mercado) ou, ainda, para o retorno às fracassadas experiências do socialismo. E, por outro viés, silencia sobre a firme orientação que o Santo Padre João Paulo II explicitou com tanta clareza nos nºs 41 e 42 da Centesimus Annus.

É preciso atentar para a gravidade da situação. A totalidade da opinião pública e da imprensa brasileira confunde a CNBB com “a” Igreja. Quando alguém se manifesta nessa organização, seja o presidente, seja um assessor, as manchetes falam em manifestação “da” Igreja. A Campanha da Fraternidade é “da” Igreja. Seus temas e seus lemas também são vistos assim. Jamais, alguém da estrutura da organização faz a necessária distinção e esclarecimento, estimulando uma fusão e uma confusão que, ao que se infere, bem lhes convém.

Não bastasse furtar a riqueza espiritual da Quaresma para fazer dela um tempo de polêmica e radicalização política e ideológica, envolvendo o ano litúrgico em questões temporais e políticas desviadas da sã doutrina e da orientação pontifícia, a CNBB acaba de providenciar aos leigos brasileiros uma nova surpresa.

Periodicamente, a assessoria da instituição (o mesmo grupo de assessores que fornece a carne, os ossos, as cartilagens e o animus de seus documentos oficiais) emite “Análises de conjuntura”. São textos que, se despidos dos eventuais recursos ao léxico religioso, poderiam constituir editoriais do Granma. Vêm, é verdade, com a observação de que não constituem “opinião oficial da entidade”. Mas são acolhidas no site da CNBB, redigidas no seu estilo e pisam nas mesmas areias movediças por onde andam muitos de seus textos oficiais e oficiosos.

Agora, em plena efervescência das contestações à CFE de 2010, a mais recente “Análise de conjuntura” sugere, claramente, a continuidade do governo Lula, através da pessoa indicada por ele para o suceder, posto que a eleição do oposicionista José Serra representaria “o retorno da política neoliberal anteriormente efetivada por Fernando Henrique Cardoso, dialogando com os interesses do empresariado nacional e do capital internacional”.

O assunto trouxe a CNBB novamente ao noticiário, com ela arrastando “a” Igreja Católica para o torvelinho do debate político e para as matérias de opinião. Esse não é o campo próprio da Igreja. Mas, repita-se, o ingresso da CNBB e de suas pastorais nesse jogo, com tal fardamento ideológico, não é novidade na cena brasileira. A CNBB e a maior parte de suas pastorais, seus documentos oficiais e não oficiais, sempre serviram às partidas disputadas pelo Partido dos Trabalhadores e pelas organizações da sociedade por ele lideradas. Mudam a música, mas não a letra. A identificação é tanta que a imprensa brasileira surpreendeu-se quando a CNBB veio a público reprovar certos preceitos do decreto presidencial que instituiu o Plano Nacional de Direitos Humanos, nos últimos dias do ano passado. A coisa soou como arrufos entre parceiros.

É uma pena. E penso que esteja a demandar uma atitude da Santa Sé para coibir abusos e desvios que tumultuam a vida da Igreja em nosso país, espalhando entre os fiéis a rebelião, a divisão, o dissenso, a ofensa e anarquia tão precisamente apontadas por nosso querido pontífice Bento XVI. Os problemas criados “na” e “pela” CNBB só se resolverão com uma total remodelação das estruturas de sua burocracia funcional e com a substituição dos atuais assessores. Eles evidenciam ter com seus vínculos ideológicos um compromisso muito superior do que com as angústias pastorais das dioceses. E arrastam a imagem da Igreja por esses descaminhos.

Em união de fé e amor ao Cristo Redentor.


Percival Puggina
Arquiteto, empresário e escritor em Porto Alegre, Brasil.
E-mail: puggina@puggina.org http://www.puggina.org/