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terça-feira, 13 de março de 2012

Quaresma. Momento de reflexão para a Santidade Pessoal.



Todos os anos ouvimos dizer que a Quaresma é um momento propício para a reflexão, conversão e tudo mais que é muito comum de se ouvir neste período. Mas porque este é realmente um momento especial?



Jesus se prepara durante 40 dias no deserto, em jejum e oração.
Na palavra de Deus percebemos a prefiguração de vários acontecimentos que apontam para a plenitude dos tempos que nos chega com o nascimento de Jesus. A prefiguração seria uma espécie de “ensaio” dos acontecimentos da vida de Cristo que o confirmariam mais tarde. Exemplos:
Noé 40 dias na arca, Moisés esteve 40 dias no Monte Sinai antes de receber as Tábuas da Lei, Elias fez 40 dias de jejum na sua caminhada para a teofania do Monte Horeb, Os Israelitas estiveram 40 anos no deserto antes de chegarem à terra prometida.
Todos estes acontecimentos são prefigurações da preparação do próprio Jesus que daria início a sua vida pública. Assim Jesus se preparou 40 dias para a aberta pregação do evangelho que duraria apenas 3 anos, culminando com sua Morte e ressurreição.
A Igreja passou a chamar  o 40º dia do retiro de Cristo, posteriormente não só o próprio dia, mas todo o período dos 40 dias, de Quaresma e, a exemplo de Cristo, convoca todos os Cristãos a refletir, resistir ao pecado e entregar-se sem reservas a obra de Deus, mesmo que isso nos leve a cruz.
Pratica da mortificação (Jejum, abstinência, penitência e caridade).
Qualquer pessoa mais atenta percebe que as praticas do Jejum tem ficado cada vez mais esquecidas entre os católicos, e mesmo quem as faz, não é raro, não sabem dizer bem o porquê. A vivência real da quaresma é tão importante que o Código do direito canônico (CDC) afirma:
Cân.1250 - "Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma".
Cân.1252 - "Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade".
Todos nós católicos dentro dos quesitos do CDC estamos obrigados a viver o Jejum e a abstinência, mais ainda no período quaresmal, e não só praticá-lo, mas também entendê-lo. Para isso é necessário uma atenta participação da Liturgia e uma santa curiosidade sobre o assunto. Buscar conhecer melhor a fé implica em vivê-la com maior responsabilidade.
São Josemaria Escrivá uma vez disse:
“Entramos no tempo da Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão. Não é fácil tarefa. O cristianismo não é um caminho cómodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem. Na nossa vida, na vida dos cristãos, a primeira conversão – esse momento único, que cada um de nós recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede – é importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões sucessivas. É preciso manter a alma jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão, para facilitarmos o trabalho da graça divina nessas sucessivas conversões.
Haverá melhor maneira de começar a Quaresma? Renovamos a Fé, a Esperança, a Caridade. Esta é a fonte do espírito de penitência, do desejo de purificação. A Quaresma não é apenas uma ocasião de intensificar as nossas práticas externas de mortificação; se pensássemos que era isso apenas, escapar-nos-ia o seu sentido profundo na vida cristã, porque esses actos externos são, repito, fruto da Fé, da Esperança e do Amor.”  -   
Josmaria Escrivá - Cristo que passa, 57
Quantos de nós vivemos este período de forma desleixada e sem vigor na fé?
O Papa Bento XVI, aproveitando a proximidade do período, exortou-nos a observar a falta de zelo com o irmão que por vezes pode nos abater. Falta essa que é proveniente do egoísmo disfarçado de respeito à esfera privada da vida individual. Egoísmo que não quer ter trabalho ou envolvimento com o outro. Hoje temos enorme dificuldade em olhar para o semelhante e perceber suas necessidades que, como bem diz o Papa, muitas vezes necessita mais de um zelo espiritual. Com a desculpa de que não podemos nos meter na vida alheia permitimos que nosso irmão caminhe obstinadamente no erro, não observando os chamados da Igreja ou vivendo-os sem a menor consciência religiosa que, por vezes, beira a superstição.
Bento XVI nos chama a observar o irmão e ver suas necessidades, principalmente àquelas que se relacionam com o Reino de Deus, que devemos buscar em primeiro plano. Muito barulho se faz neste período, infelizmente, por alguns que, dentro da Igreja, procuram abafar este peculiar período de cuidado com a alma com outros assuntos da moda que acabam ofuscando o real sentido da quaresma.
Nesta quaresma somos convidados a tirar a trave dos nossos olhos para ajudar a tirar o cisco dos olhos dos outros. A famosa passagem do cisco é popularmente lembrada no sentido de que eu não devo me intrometer na vida alheia quando eu mesmo tenho meus próprios problemas e pecados, mas na vida cristã não é assim que funciona. Devemos buscar a santidade e a conversão pessoal todos os dias, mas alcançá-las dependem do nosso trato com Deus e também com os homens. Zelar pelo irmão é também zelar pelo próprio Cristo.

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