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sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Espírito Coletivo

Depois de uma conclusão rápida e lógica acerca da reportagem de ontem no Jornal Hoje, resolvi escrever algumas linhas sobre o assunto.
Apenas para relembrar, a reportagem tratou da denuncia da ação de manobristas (Valets) que, sem o menor pudor ou peso na consciência, se apoderavam dos bens alheios, certos de que aquilo não faria falta ao dono por serem alguns trocados ou objetos menores e certos da impunidade.
Nunca me cansei de dizer que as pessoas que tomam estas atitudes são as mesmas que vivem a reclamar dos políticos que esvaziam os cofres públicos em favor de uma causa beneficente, o próprio bolso.
Sempre notei também que os mesmo primeiros que reclamam dos segundos afirma que fariam a mesma coisa se tivessem oportunidade. Não duvido que, no lugar de um Valet, os Brasilienses de profissão tomariam a mesma atitude.
Então, certamente, é apenas uma questão de oportunidade. Hora! Os políticos não são alienígenas, nasceram no meio do povo que os demoniza. Matérias como esta mostram que o povo não é muito diferente de seus governantes. Talvez a proporção (da honestidade política e populacional) seja também a mesma apresentada na matéria.

Mas porque tratar de um assunto assim em um blog religioso?
Simples.

Esta matéria reflete bem como anda a moral da sociedade brasileira. Não quero com isso afirmar que todos nós somos ladrões, mas somente salientar que todos, ou quase todos, agem ilicitamente em algum momento. E de forma grave, ainda que em questões menores.
A quem vá dizer que: Claro, todos nós pecamos.
Sim, mas algumas atitudes mostram o espírito, egoísta e hedonista, dos tempos atuais em uma proporção única na história.
O que rouba um real hoje não o fará, quando sentindo-se seguro, com um, dois ou cem milhões? A demais é uma quantia irrisória frente ao que se tem no porta-moedas do carro ou na verba do estado, desculpar-se-iam alguns.
Outros também poderiam dizer: Não há comparação entre o roubo de uma moeda de real ou do assalto aos cofres público.
E porque não?
Se o princípio é o mesmo. Pegar algo que não é seu sem nem mesmo pensar se aquilo irá fazer falta ou não ao dono. Há de lembrar que, fazendo a falta ou não, o valor ou objeto, é alheio e tomar posse do que não é seu é o maior problema. No entanto é evidente que esta falta poderá agravar a culpa quando prejudica ainda mais a vítima.
Em uma das observações do livro O Imbecil Coletivo, de Olavo de Carvalho, citando outra obra do mesmo (O Jardim das Aflições), o autor faz uma consideração bem interessante que nos cabe como luvas neste assunto. Falando de ações de maior e menor magnitude, afirma que:  “... à luz de uma metafísica da História, não há propriamente acontecimentos menores – o grande e o pequeno estão coeridos na unidade orgânica de um Sentido que tudo pervade. Aquilo que nada pesa na ordem causal pode muito revelar na ordem da significação." (Olavo de Carvalho - O Imbecil Coletivo (1997). Pag.: 28,29)
Nesta linha podemos observar que a atitude do primeiro grupo (Valets), em uma situação de segurança, é extremamente idêntica a do grupo usado como comparação (políticos), e tudo isso nos mostra, como um gráfico, a crise moral que vivemos hoje. Onde só não se pratica coisas piores por medo da punição ou da vergonha da exposição, pois, como diz um ditado bem popular atualmente, vergonha é roubar e não poder carregar. Esta frase, que antes apenas demonstrava irreverência a frase real, começa a tomar contornos de verdade da conduta popular.
Os valores cristão estão cada vez mais minguados pela ditadura moral da malandragem e do prazer, a ponto de renderem homenagens especiais a quem age com honestidade, pois já esperamos o contrário. A honestidade não deve ser somente motivo de festa ou espetáculo, como um eclipse ou a visita do cometa Halley, e sim uma exigência na prática diária. Mas quem presta homenagem à virtude a reconhece como tal ou apenas a enxerga como um milagres distante que apenas alguns mortais, por vezes bobos, conseguem ostentar?

Terá retorno esta mentalidade? Espero em Deus que sim.

Obs.: O título desta postagem faz referencia direta ao nome do livro de Olavo da Carvalho mencionado acima.

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