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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Havana: O fantasma de Honecker e os ressuscitadores

Fonte: http://acarajeconservador.blogspot.com/

Das ruínas da revolução, sectores eclesiásticos, uma vez mais, tratam de ressuscitar as supostas conquistas do sistema comunista cubano, como se de uma arvore intrínseca e satanicamente má, pudesse brotar frutos bons.

Por Armando F. Valladares, 14 de fevereiro de 2011 - Tradução: Edson Carlos de Oliveira

Raúl Castro cumprimentando D. Dionísio García, arcebispo de Santiago de Cuba e o cardeal Jaime Ortega (dir.), arcebispo de Havana, o "Pastor-carcereiro" que, ao invés de dar a vida por suas ovelhas, faz todo o possível para ajudar aos Lobos e asfixiar ao rebanho.

Em Havana, um fantasma de mal agouro rodeia os centros nevrálgicos do poder e causa preocupação ao ditador. Uns dizem que é o fantasma do egípcio ditador Mubarak, recentemente deposto; outros suspeitam que seja o do romeno ditador comunista Ceaucescu, derrubado e condenado a morte em 1989. Mas fontes de minha absoluta confiança, que viram o fantasma com seus próprios olhos, me disseram que mais se parece com Eric Honecker, o último ditador comunista da Alemanha Oriental, que caiu também em 1989, junto com o infame Muro de Berlim.

Parece que o ditador de Cuba está realmente preocupado, seus aparelhos de segurança possuem uma maquiavélica experiência de meio século em reprimir e esmagar pessoas de carne e osso, mas se mostram impotentes para lidar com fantasmas.

Reunido com seus sequazes, nos antros mais tenebrosos, o ditador cubano decidiu pedir ajuda a seus mais eficazes aliados de décadas, especialistas na repressão espiritual e no controle das almas que se opõe ao comunismo. Quem sabe se eles teriam alguma ideia para reprimir e afugentar da ilha o fantasma de Honecker.

O Pastor-Carcereiro, como invariavelmente tem feito, se dispôs a prestar a solicitada ajuda junto com seus colaboradores. Mas lhe pareceu mais prudente canalizar sua colaboração com mão de gato, fazendo publicar o artigo "La urgencia de un nuevo pacto social" na revista "Espacio laical", do Conselho Arquidiocesano de Leigos de Havana. A agência católica Zenit, de Roma, reproduziu e difundiu o texto do artigo.

Sem citar diretamente ao fantasma que ronda Havana, o artigo constata um perigoso "processo de fratura" na sociedade comunista que poderia levar, "em pouco tempo", segundo se encarrega de advertir, a uma "perda de governabilidade" e a um "estágio muito difícil" para o atual regime. O seja, em outras palavras, se prevê um colapso do regime se este não fizer algo com urgência. O artigo, de maneira servil em relação ao regime, acusa como primeiros responsáveis da atual situação de Cuba não ao Partido Comunista, que está na raiz dos males cubanos, mas aos "setores" que discrepam do regime, aos quais o arcebispo reprova a "incapacidade enorme" para reconhecer a "legitimidade" do regime e que se negam a "dialogar" com o ditador. Finalmente, o artigo lança como solução um "novo pacto social" que atue como galvanizador e ressuscitador do regime agonizante.

Fontes de minha confiança também me informaram que na sexta-feira de 11 de fevereiro estava em Havana, participando em reuniões sigilosas com eclesiásticos da ilha, o arcebispo de Miami, monsenhor Thomas Wenski, membro do comitê de política internacional da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, conhecido defensor do "diálogo" com o regime comunista.

Das ruínas da revolução, sectores eclesiásticos, uma vez mais, tratam de ressuscitar as supostas conquistas do sistema comunista cubano, como se de uma arvore intrínseca e satanicamente má, pudesse brotar frutos bons.

Que a Providência ilumine aos cubanos da ilha e do desterro para resistir com a força das ideias e da fé às manobras do ditador, dos "pastores-carcereiros" e dos ressuscitadores de plantão.

Armando Valladares, escritor, pintor e poeta. Passou 22 anos nas prisões políticas de Cuba. É autor do best-seller "Contra toda esperanza", onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU sob as administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalha Presidencial de Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado.

No começo de fevereiro, Valladares escreveu o artigo "Cuba, el preso político y el Pastor-carcelero".  

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Carta do Padre Silvio Andrei.

Todos sabem que o Padre Silvio Andrei, foi no ano passado preso por estar embriagado e ter se oferecido para fazer sexo oral em um dos policiais segundo noticiou a imprensa, ano passado o mesmo padre veio a público lançar uma nota que só agora tive a oportunidade de ler.Esta é a carta que o Pe. Silvio Andrei,escreveu para todas as pessoas que junto dele sofreu,rezou e que continuará rezando para que ele saia de tudo isto,com a cabeça erguida."Que atire a primeira pedra,quem nunca errou..."



TRÊS PALAVRAS! "Orai e vigiai sem cessar"! (1 Ts 5,17)


Depois de um tempo de silêncio e reflexão, sinto o desejo e a necessidade de me comunicar com tantas e tantas pessoas que tomaram conhecimento do triste acontecimento que se deu na minha vida nos últimos tempos. Uma vez li e nunca mais me esqueci da seguinte frase: "Nunca se justifique. Para os amigos, não precisa. Para os inimigos, não adianta". Sendo assim, não tenho nenhuma intenção de me justificar, nem de me defender, pois meu advogado, o Dr. Walter Bittar é a pessoa a quem eu confiei essas funções. Contudo, quero dialogar para esclarecer. Me dirijo respeitosamente a todos através de três palavras.Digite aqui o resto do post1 - OBRIGADO. Apesar de todo sofrimento que ainda passo e que provoquei à vida de tantas pessoas, quero, do fundo do meu coração, agradecer as muitíssimas manifestações de amizade, carinho, apoio e presença fraterna na minha vida e na vida da minha família, da Paróquia Rainha dos Apóstolos da Vila Monumento de São Paulo, da Comunidade Palotina e da Igreja, sobretudo da Igreja de Londrina, numa hora de grande tribulação, tempestade, vergonha, medo, tristeza, angústia e arrependimento. Aos Bispos, Padres, Religiosos, Leigos e irmãos até mesmo de outras denominações religiosas que expressaram solidariedade por palavras, gestos e atitudes. À todos, muito obrigado! 2 - PERDÃO. Sei que desapontei, decepcionei e machuquei a muitos. Por isso, venho, pedir perdão a todos que de um modo ou de outro, foram atingidos em consequência da minha imprudência e deste acidente de percurso que sofri na minha vida. Por muitas vezes, me lembrei daquela passagem que diz: "Quem está de pé cuide-se para não cair" (1Cor 10,12). Não cuidei, como deveria ter cuidado. Porém, acredito, que por maior que seja a queda, pela graça de Deus, pelo apoio dos amigos e pelo esforço pessoal, todos podemos nos levantar delas e continuar caminhando com passos firmes e seguros. Com sinceridade, a todos peço perdão! 3 - ORAÇÃO. Partilho que tenho rezado muito. E continuarei rezando para que Deus faça algo de muito bom, na vida de todos, depois da travessia deste "Mar Vermelho". Renovo aqui as minhas orações por todos: pelos que perdoaram ou não; pelos que compreenderam ou não; pelos que criticaram ou não; pelos que fizeram piadas ou não; pelos que riram ou não; pelos que choraram ou não; pelos que sofreram ou não; pelos que sentiram ou não. Renovo o meu compromisso de rezar por todos, sobretudo nesta noite escura pela qual estou atravessando. Me lembro das palavras de Jesus: “Eu, porém, vos digo a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, orai pelos que vos difamam. A quem te ferir numa face, oferece a outra; a quem te arrebatar a capa, não recuses a túnica. Dá a quem te pedir e não reclames de quem tomar o que é teu. Como quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Se amais os que vos amam, que graça alcançais? Pois até os pecadores amam aqueles que os amam(...). Muito pelo contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, pois Ele é bom para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, para não serdes julgados; não condeneis, para não serdes condenados; perdoai, e vos será perdoado. Dai, e vos será dado; será derramada no vosso regaço uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, pois com a medida com que medirdes, sereis medidos também” (Lc 6,27-38). Rezo na certeza de que nenhuma noite escura dura para sempre. Rezo na certeza de que Deus transforma o nosso pranto em consolo. Rezo na certeza de que Deus transforma nossas maiores quedas em verdadeiras lições de vida, prá gente viver melhor e servir mais. Rezemos uns pelos outros. A oração nos faz humildes e fortes. A oração ilumina a nossa vida! Tenho consciência da minha pequenez, da minha miséria. Mas, mesmo assim, continuarei rezando para que Deus dê vida em abundância para todos! Deus abençoe e proteja a todos nós! Amém! A Jesus e Maria consagro as nossas famílias!!!
Pe.Silvio Andrei, SAC.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Padre Fábio de Melo – Sempre contra o Magistério da Igreja em favor do magistério do achismo.




Em entrevista ao jornal Valor e transcrito pelo site IHU (Instituto Humanitas Unisinos) o senhor Padre Fábio de Melo mais uma vez ataca com sua teologia de meia pataca que está sempre em desacordo com o Magistério da Igreja.

Não foram uma nem duas vezes. Até onde posso enumerar tivemos o episódio da entrevista ao Jô soares, as lastimáveis heresias de suas palavras reveladas pelo saudoso Orlando Fedeli, inúmeras besteiras ditas em seu programa Direção Espiritual da Canção Nova e várias heterodoxias que os acompanham em seus shows dos quais já pude presenciar várias.


Irei colocar os trechos que me escandalizaram e comentá-los. OBS.: Os trechos não estão colocados na integra, mas conservam a ordem publicada no site IHU neste link ( http://twixar.com/HtQr1 )Vejamos:

Valor:
"Sua música é religiosa, mas não é para cantar durante a missa..."

Fábio de Melo:
"Religioso para mim é tudo o que está tocado pela beleza, pela linguagem simbólica...”
É injusto classificar música profana e música sacra. A única diferença é em relação à música litúrgica, da liturgia dos ritos religiosos...”
"Acredito na perspectiva aristotélica de que o bem e a beleza são traços de uma mesma verdade. Onde há beleza há bondade."

Valor:
E o que reserva a feiura à maldade?”

Fábio de Melo:
"Feiura e maldade são a negação do sagrado
Gosto do mito do paraíso perdido, a história de que, por meio de um erro, fomos privados de um valor maior”
Como líder religioso, tenho a responsabilidade de também fazer refletir. Tenho muito medo da religião que só faz rezar."
No trecho em que Fábio de Melo fala sobre beleza e feiura existe um erro básico que Jesus revela existir nos Fariseus. Eles que também aderiam a tais teologias acreditavam que o belo, o farto, o rico e o abastado eram abençoados enquanto que seus contrários eram amaldiçoados. No entanto a descrição do maior evento já ocorrido na face da terra (a crucificação, Morte e Ressurreição de Jesus cristo) a dada assim pelo profeta Isaías (Isaías 53):

1.Quem poderia acreditar nisso que ouvimos? A quem foi revelado o braço do Senhor? 2.Cresceu diante dele como um pobre rebento enraizado numa terra árida; não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos.
3.Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.
4.Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado.
5.Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas.


Portanto, o maior evento ocorrido no meio da humanidade, que é a sua salvação, não foi nada bonito de se vê no entanto é responsável pela nossa salvação. Será que entrega de cristo foi uma negação do sagrado.
Quanto a maldade, tudo certo, mas não dá pra colocar o feio nesta fomulinha.

Neste trecho da entrevista Fábio de Melo afirma que injusto foi Pio XII ao diferenciar, na encíclica Musicae Sacrae Disciplina,a música profana da música sagrada.
Depois afirma que a narração do gênesis é totalmente mitológica. Logicamente não sabemos se realmente o primeiro homem e a primeira mulher se chamavam Adão e Eva, no entanto a Igreja nunca negou que fosse necessário o primeiro homem e a primeira mulher e que por meio deles o Pecado tenha vindo ao mundo.
Em Romanos 5 lemos:

17.Se pelo pecado de um só homem reinou a morte (por esse único homem), muito mais aqueles que receberam a abundância da graça e o dom da justiça reinarão na vida por um só, que é Jesus Cristo!
18.Portanto, como pelo pecado de um só a condenação se estendeu a todos os homens, assim por um único ato de justiça recebem todos os homens a justificação que dá a vida.

A doutrina da Igreja afirma claramente que por meio do primeiro homem (Adão) o pecado veio ao mundo, logo Deus quis que da mesma forma (por meio de um só homem que é Cristo) a salvação retornasse ao a todo o gênero humano. O Monogenismo (tese que crê que houve um primeiro homem e uma primeira mulher) é a aceita pela Igreja.

No documento Humuni Generis o Papa Pio XII deixa claro:

37. Mas, tratando-se de outra hipótese, isto é, a do poligenismo, os filhos da Igreja não gozam da mesma liberdade, pois os fiéis cristãos não podem abraçar a teoria de que depois de Adão tenha havido na terra verdadeiros homens não procedentes do mesmo protoparente por geração natural, ou, ainda, que Adão signifique o conjunto dos primeiros pais; já que não se vê claro de que modo tal afirmação pode harmonizar-se com o que as fontes da verdade revelada e os documentos do magistério da Igreja ensinam acerca do pecado original, que procede do pecado verdadeiramente cometido por um só Adão e que, transmitindo-se a todos os homens pela geração, é próprio de cada um deles” (Humani Generis, 37)


A monogenesi é aceita pela Igreja a poligenesi não.
Ponto Final.


Valor:
"Você falou em mito do paraíso perdido. Por que mito?"

Fábio de Melo:
"A linguagem do 'Gênesis' é simbólica. A verdade está no que ela sugere. A metáfora da expulsão do paraíso e a história de Adão e Eva são tentativas de expor com muita sabedoria a fragilidade humana. Deus estabelece o paraíso, o lugar onde o homem será encontrado por Ele. De repente Adão e Eva, por decisão própria, saem daquele território e se perdem. Não é que Deus não quer encontrá-los, o homem é que não estava no lugar certo na hora do encontro marcado. Precisa crer em Deus para acreditar nisso. Metáfora lindíssima!"

Repetindo o Papa PioXII em Humani Generis:

tratando-se de outra hipótese, isto é, a do poligenismo, os filhos da Igreja não gozam da mesma liberdade, pois os fiéis cristãos não podem abraçar a teoria de que depois de Adão tenha havido na terra verdadeiros homens não procedentes do mesmo protoparente por geração natural, ou, ainda, que Adão signifique o conjunto dos primeiros pais;

Seguimos a diante.


Valor:
"Como o senhor ajuda a mudar a sociedade ou isso não faz parte da religião?"

Fábio de Melo:
"Faz parte. Não proponho uma religião que faça esquecer a vida."

Não Proponho uma religião?! Como assim? O Padre Fábio agora propõe uma religião. Achava que ele era sacerdote Católico. Está propondo uma nova religião que não esta proposta a quase 2000 anos? Bem, a julgar pelo que fala e ensina, acho que sim.

Valor:
Homossexuais? “

Fábio de Melo:
"Se não tenho como mudar a maneira como a Igreja interpreta os homossexuais, posso mudar a maneira como os trato."

Qual é a maneira que a igreja interpreta os homossexuais que o Fábio de Melo dá a entender que precisa ser mudada? Esta?

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

§2358 Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.
§2359 As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.
Será mesmo que a Igreja está errada?

Valor:
"E como os trata?"

Fábio de Melo:
 "Com muito respeito, não se pode esquecer que Jesus Cristo foi misericordioso o tempo todo." Células-tronco? "O debate é recente demais, não sou estudioso do tema. Mas a grande questão é onde começa a vida."

Pera ai! Ele diz que precisa tratar os homossexuais com respeito e dá a entender que a Igreja ensina algo diferente (O que foi provado no catecismo que não é verdade). Que Padre é este que não conhece nem mesmo a doutina da sua própria fé?

Valor:
Padre Fábio diz que quando a ciência comprova que a Igreja está errada, esta "até pede perdão", como aconteceu com a condenação de Galileu.

Bem Padre, o canal Está aberto para que mostre quando, onde e porqual Papa se deu o pedido de perdão por Galileu.
Melhor ainda. Pelo que a igreja teria de pedir perdão. Pra não alongar muito leio este texto:
( http://twixar.com/6lQmMd - As luas de júpiter) de autoria de Alexandre Sales.

Valor:
"Como é a sua rotina?"

Fábio de Melo:
"Rapaz, eu me desdobro no ofício de cantar, de compor, de escrever, de ser filho da dona Ana, minha mãe, viúva, que vive comigo em Taubaté, tem 72 anos."
Só não mencionou o oficio do sacerdócio, liturgia das horas, sacramentos e estas coisas banais.

Valor:
"No seminário em que posição você jogava?"

Fábio de Melo:
"Na que podia. Era muito ruim, jogava na posição que sobrava. No seminário prevalece uma regra socialista: todo mundo tem o direito de participar."
Acho que nisso ele tem razão. Visto o conteúdo intelectual deste padre, provavelmente este seminário tinha influencia socialista.

Valor:
"A propósito, seu parceiro, o católico Gabriel Chalita, vereador em São Paulo, trocou o PSDB pelo PSB, virou socialista. O que você acha do socialismo?"

Fábio de Melo:
"A proposta de Jesus é socialista, né? O socialismo tem sido mal interpretado. Bem aplicada, sem os exageros da antiga União Soviética, a proposta socialista só edifica."
MEU DEUS DO CÉU, ELE NÃO DISSE ISSO!!!!
A Proposta de Jesus é socialista?!!! Queria saber de onde esse cara tirou esta verdadeira sandice? Toda a bíblia colabora para a noção de direito a propriedade e a individualidade. Será que ele confunde as primeiras comunidades cristãs com a formula comunista? Se é isso é lamentável.
O Comunismo e suas vertentes são Condenados pela Igreja como podem ver aqui:
"O comunismo é intrinsecamente mau, e não se pode admitir, em campo algum, a colaboração recíproca, por parte de quem quer que pretenda salvar a Civilização Cristã." (Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Divini Redemptoris, de 19 de março de 1937)

"E se o socialismo estiver tão moderado no tocante à luta de classes e à propriedade particular, que já não mereça nisto a mínima censura? Terá renunciado por isso à sua natureza essencialmente anticristã? (...) O socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico ou como ‘ação’, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça (...) não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã. (...) Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista." (Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Quadragesimo Anno, de 1º de maio de 1931)

"A Igreja tem rejeitado as ideologias totalitárias e atéias associadas, nos tempos modernos, ao ‘comunismo’ ou ao ‘socialismo’. Além disso, na prática do ‘capitalismo’, ela recusou o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano." (Catecismo da Igreja Católica, 2425)

"Estas pestes, muitas vezes, e com palavras gravíssimas, foram reprovadas na Encíclica Qui Pluribus, de 9 de novembro de 1846; na Alocução Quibus Quantisque, de 20 de abril de 1849; na Encíclica Noscitis et Nobiscum, de 8 de dezembro de 1849; na Alocução Singulari Quadam, de 9 de dezembro de 1854; na Encíclica Quanto Conficiamur Moerore, de 10 de agosto de 1863." (Sua Santidade, o Papa Beato Pio IX. Syllabus, § IV)

"Não ajudar o socialismo – Tomai ademais sumo cuidado para que os filhos da Igreja Católica não dêem seu nome nem façam favor nenhum a essa detestável seita" (Sua Santidade, o Papa Leão XIII. Encíclica Quod Apostolici Muneris, de 1878, 34)

"Nesta luta contra tal sistema não se veja, como modelo alternativo, o sistema socialista, que, de fato, não passa de um capitalismo de Estado, mas uma sociedade do trabalho livre, da empresa e da participação." (Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Encíclica Centesimus Annus, de 1o de maio de 1991, 35)

Leiam mais em: http://twixar.com/yX9Nnai

Valor:
Teologia da Libertação?

Fábio de Melo:
"Também foi importante. Admiro seu fundador, o peruano e dominicano Gustavo Gutiérrez-Merino. No Brasil, Leonardo Boff teve importância na espiritualidade desses tempos. Foi coerente ao abandonar a Igreja e concluir que estava no lugar errado. Exerceu um direito."

Não é atoa que admira o senhor Gustavo Gutiérrez Merino Pai da Teologia da Libertação é, claramente, é de cunho socialista marxista. A isso já serve o que foi postado acima. Quanto a Leonardo Boff , ele teve importância na destruição da Espiritualidade católica e podem ver o porque aqui:

Porque católicos não podem seguir a mentalidade marxista de Boff.

E o Incentivo da Luta de Classes continua companheiro. E é a diocese quem o faz.



Valor:
"A última: Dilma, Serra, Ciro ou Marina?"
Fábio de Melo:
"Ainda não tenho nome. Acho que gosto de todos."
Com a Afirmação acima alguém tem mais alguma dúvida de que Fábio de Melo está hoje sobre forte influencia Tlista heresiológica e propagando erros a torto e a direito?
Gostaria de saber onde está seu bispo diocesano que não vê este tipo de coisa.
Aos Fãs deste padre que ainda guardam seu verdadeiro amor pela Igreja, afastem-se enquanto é tempo.

Fontes:
CIC (Catecismo da Igreja Católica)
homemculto.wordpress.com
CARTA ENCÍCLICA DO PAPA PIO XII HUMANI GENERIS SOBRE OPINIÕES FALSAS QUE  AMEAÇAM A DOUTRINA CATÓLICA: http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_12081950_humani-generis_po.html
CARTA ENCÍCLICA DO PAPA PIO XII MUSICAE SACRAE DISCIPLINA SOBRE A MÚSICA SACRA: http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_25121955_musicae-sacrae_po.html
Bíblia Sagrada (Isaías 53 / Romanos 5)
Santa Sé (Site Oficial do vaticano): http://www.vatican.va/phome_po.htm

As Luas de Júpter




* por Alexandre Sales
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   Muitos são os que depreciam os conteúdos postados neste blog. Não vejo nada de mais nisso, afinal (ainda) vivemos num país democrático e, além disso, eu também não morro de amores nem tenho simpatia com os ideais dessas pessoas. Quero, no entanto, abordar outro assunto difundido nas Universidades, em que docentes de diversas disciplinas dão pitacos em assuntos que não são da alçada deles, disseminado com isso o desconhecimento. 

   É por isso que em pleno Século XXI percebe-se um montante inconcebível de pessoas demonstrando total ignorância sobre quem foi, como viveu e, principalmente, qual a causa do obituário de Galileu, o falso mártir da ciência que morreu tranquilamente em sua cama. Essa ignorância se dá mediante a divulgação de estórias tão supersticiosas como lendárias de pessoas que, como afirmei anteriormente, não são historiadoras de profissão, mas que, ostentando um conhecimento inexistente do assunto, ajudam na propagação do preconceito e da ignorância. 

   Uma importante observação a ser feita é que muitas das descobertas científicas de Galileu se deveram ao trabalho do Cônego Nicolau Copérnico, religioso polonês, autor de Seis Livros Sobre as Revoluções das Órbitas Celestes (De Revolutionibus Orbium Caelestium), obra que não havia encontrado resistência dos religiosos, inclusive sendo aceito pelo Papa Paulo III. Galileu, que tinha aderido ao sistema ptolomaico, admitiu as idéias de Copérnico a partir de 1610, baseadas em observações astronômicas recém realizadas. Aliás, o polemista Voltaire vai se utilizar justamente desse religioso para advogar em favor da sua filosofia tão criticada pelos prelados durante o Iluminismo: “se perguntásseis a todos os homens antes de Copérnico: ‘ – O sol se levantou hoje? O sol se pôs?’ ‘ – temos absoluta certeza.’ responder-vos-iam a uma voz. Tinham certeza e, no entanto, estavam errados.” (1) 

   É preciso considerar também que historiadores não gostam da Igreja . Poucos são os historiadores brasileiros que se interessam pelo medievo e o levam a sério; a maioria deles ocupa grande parte de seu tempo na narrativa historiográfica da luta de classes; logo, a explicação do caráter supersticioso e místico que eles dão à Idade Média se sustenta através da imaginação de “estoriadores” retrógrados e tendenciosos, cujo material de consulta às suas análises serão os romances de Umberto Eco e o misticismo das “Brumas de Avalon”.
   Como argumento comprobatório, observa-se o fato de que essas pessoas acreditam piamente que Galileu teria sido queimado nos Tribunais da Inquisição. Nada mais falso! Outro fato igualmente estarrecedor é que essas pessoas são incapazes de diferenciar Idade Média com Idade Moderna, época em que Galileu realmente viveu (* 1564 + 1642). Claro que essa indução é propositada, no intuito de ludibriar as mentes insipientes no convencimento de que a Idade Média foi mesmo um período de superstição e ignorância, o que é falso, obviamente.
Na verdade Galileu morreu de causas naturais e foi condenado pela Inquisição porque se recusava a tratar como hipótese descobertas que ele insistia serem verdades absolutas, mesmo sem ter como prová-las. Além disso, induziu pessoas à crença de uma teoria não provada cientificamente, ao falsificar o imprimatur eclesiástico em sua obra Diálogo Dei Due Massimi Sistemi.(2). Se fosse nos dias de hoje ele seria preso por falsidade ideológica e engraçado que até hoje a Comunidade Científica exige que seus cientistas provem as hipóteses ou teses, mas aos medievais isso é inconcebível, sob pena de intolerância. Fica claro que nós estamos lidando com pessoas desonestas...
    Já a condenação, dita tão cruel e implacável pelos arautos da ciência, foi a abjuração pública até que suas teorias fossem provadas e a prisão branda, que consistia em detenção nos palácios e castelos dos nobres e embaixadores. Uma nota: a Igreja não o impediu de continuar seus estudos, o que foi feito até a sua morte em 8 de janeiro de 1642, recebendo em seu leito de morte, inclusive, a benção do Sumo Pontífice. (3).
    Outro exemplo clássico do descaso dessas pessoas com a Igreja – e que inspirou o tema desse artigo - pode ser analisado na afirmação de Irving Copi: ”Um dos escolásticos a quem Galileu ofereceu seu telescópio para que contemplasse as luas de júpiter, recém descobertas, negou-se a fazê-lo, convencido de que nada poderia ser visto, porque nenhuma menção era feita a essas luas, no tratado sobre a astronomia de Aristóteles.” (4).
A afirmação é compreensível, haja vista que o autor dela não é historiador de profissão. Ademais, observa-se a seguinte narrativa:
“Galileu convenceu cabalmente da veracidade de suas descobertas todos os sábios de Roma. E, se estivéssemos ainda nos tempos da antiga República Romana, não há dúvida de que, em homenagem às suas obras, lhe mandariam erguer uma estátua no Capitólio” (5).
    Não é preciso raciocinar muito e perceber que para esse convencimento ocorrer, seria preciso que alguém observasse as descobertas. Mas... Qual seria o nome do escolástico, que segundo, Irving Copi, teria se recusado a contemplar a descoberta de Galileu? Os autores da acusação não mencionam, e isso é compreensível, pois a acusação não procede.
    
Para não cair no mesmo erro dos disseminadores de engodos, pretendo aqui dar “nome aos bois”, ou seja, vamos analisar as premissas por partes e constatar que a afirmação é falaciosa. O engodo se sustenta em duas premissas básicas, a saber:

    1 . A de que um escolástico - de nome desconhecido - teria se negado a contemplar as luas de júpiter, descobertas por Galileu;

    2 . A de que a negação se deu porque os tratados de Aristóteles não mencionavam essas luas;

    A primeira premissa é refutada pelos historiadores T. Woods Jr e Joseph E. Mac Donnell. Eles afirmam que o padre Cristoph Grienberger (1531 - 1636) não só comprovou pessoalmente a descoberta das luas de júpiter por Galileu, como também era um competente astrônomo, inventor da montagem equatorial, que fazia girar um telescópio sobre um eixo paralelo ao da Terra e contribuidor do desenvolvimento do telescópio de refração que se utiliza ainda hoje em dia. (6)

    A outra premissa é desmentida porque, já havia certas refutações e restrições aos tratados de Aristóteles. A primeira prova é que todo católico instruído nega a idéia aristotélica de que o universo é eterno em si mesmo, pois ia de encontro à narrativa da Criação Divina; além disso, o eclesiástico Jean Buridan (1295 – 1358) sacerdote e professor de Souborne (Séc XIV), já naquela época buscava uma explicação sobre como os corpos celestes, depois de criados, continuavam em movimento. Esses estudos contrariavam as teorias de Aristóteles, cuja explicação acerca dos movimentos apontava o centro da Terra como local de repouso dos objetos ao mesmo tempo em que se ignorava uma explicação convincente para os movimentos dos projéteis.(7) 

    Além disso, a Igreja há anos se debruçava nas pesquisas da Astronomia, e os tratados de Aristóteles já não desfrutavam de tanta credibilidade nessa área. Tanto é verdade que o V Concílio de Latrão (1512-1517) tratou justamente da reforma do calendário e, entre os cientistas de renome nos meios eclesiásticos participantes do Concílio, ressalta-se a presença do Cônego Nicolau Copérnico.

    Por conta disso, Langford afirma que “não é correto pintar Galileu como uma vítima inocente do preconceito e da ignorância”. Acrescenta ainda que “parte da culpa dos acontecimentos subseqüentes deve ser atribuída ao próprio Galileu, que recusou qualquer ressalva e, sem provas suficientes, fez derivar o debate para o terreno próprio dos teólogos”(8). 

    E os protestantes, tão acusadores da Igreja Romana nessa questão, não podem esconder o óbvio. O que quero dizer é que não só Galileu, mas outros astrônomos enfrentaram problemas com a teologia protestante. Desconsiderando as idéias de Copérnico, Lutero chegou a afirmar: “As escrituras nos dizem que o sol parou. Copérnico é um louco.” (9). Já Melancton, companheiro de Lutero, classificou tal sistema de fantasmagoria. Kepler (1581 – 1630), astrônomo protestante contemporâneo de Galileu foi obrigado a deixar sua terra por assumir idéias copernicianas. Esses são apenas alguns exemplos de inúmeros casos de atrito entre os cientistas e o protestantismo, uma vez que foi custoso para eles entender que a bíblia não ensina cosmologia. Por conseguinte, quem repete velhos e falsos chavões de que a Igreja Católica impedia o progresso com seus “dogmas retrógrados” e que teria vitimado Galileu a fogueira da Inquisição, terá que sustentar o que diz e desmentir historiadores sérios e competentes, o que vejo como inviável. 

    A conclusão que se pode chegar é que se as premissas são falsas, a afirmação não pode ser verdade. Então, quando se dá esse tipo de declaração, eles estão falando do quê? Eles estão falando do nada, ou seja, de uma afirmação que historicamente nunca existiu, e que só se torna real no imaginário desses retrógrados contadores de estórias, mergulhadas nas ficções medievais relatadas nos romances de Umberto Eco em “O Nome da Rosa”, nas Lendas do Rei Arthur e de Camelot, ou dos misticismos das Brumas de Avalon. 

    Tenho consciência de que as comprovações aqui postadas não vão convencer aos acusadores da Igreja, e nem me preocupo com isso. Importante de verdade é narrar um acontecimento histórico com mais consistência e com um emaranhado de argumentos que dê condições ao leitor de raciocinar e constatar pelo seu próprio intelecto que as acusações de historiadores arcaicos só têm fundamento na imaginação deles, ao mesmo tempo em que a concepção historiográfica narrada acima e sustentada por historiadores renomados internacionalmente é perfeitamente sustentável, logo, aceitável. Quanto aos contadores de “estórias” e depreciadores da Igreja, os ignoro. Um dia eles tentaram me persuadir de que havia lutas de classes no Egito antigo e na Mesopotâmia, mesmo sem haver moeda fixa nessas sociedades nem acúmulo de capital, conseqüentemente o capitalismo inexistia. Também ostentaram que existia feudalismo no Brasil, mas eu me esquivei desses adestramentos. Boa Noite...

3º Período de História


PALAVRAS CHAVES: CIÊNCIA - COPÉRNICO – GALILEU – INQUISIÇÃO – JÚPITER - LUAS
BIBLIOGRAFIA
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1 . VOLTAIRE, M. ; Dicionário Filosófico; Ed. Ridiendo Castigat Moraes, {s.d.; s.l.], pp.7-8;
2 .FAVARO, Galilei I´Inquisizione 62;
3 .Ibdem;
4 .COPI, Irving M.; Introdução à Lógica;
5 . FAVARO, Le Opere di Galilei, XI 119, s.l; s;d;
6 . T. Woods, Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental; 3ª Ed.; Quadrante; SP; 2010. p.65 DONNELL, Joseph E; Jesuit Geometers, p.19.
7 . T. Woods, Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental; 3ª Ed.; Quadrante; SP; 2010, pp.78 -79.
8 . LANGFORD, J. Jerome, Galileo, Science and the Church, pp. 68-69
9 . WA 42, 708

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A EDUCAÇÃO INFANTIL MEDIEVAL

    Neste Texto, escrito pela Professora Deborah Azevedo, veremos o quanto somos influenciados ao ódio contra a igreja Católica, armados com preconceito e mentiras. Veremos como a Educação se deu de forma surpreendente, abrangente e eficaz no medievo. Veremos também a verdadeira responsabilidade e compromisso da Igreja com a educação que era difundida em todas as classes graças a Ela própria.

    Com citações de grandes historiadores especializados na história medieval, o texto irá mostrar os verdadeiros acontecimentos da época e dissolver seu (pré)conceito sobre este assunto e , quem sabe, aguçar sua curiosidade em saber mais.

    Boa leitura.


A EDUCAÇÃO INFANTIL MEDIEVAL


    Sempre que se fala em Idade Média, o roteiro costuma ser sempre o mesmo, defini-se esse período como um tempo de trevas, onde o homem era ignorante e não estudava devido ao domínio da Igreja Católica, que não permitia que o poder saísse de suas mãos, impondo ao servo o trabalho, sem que pudesse ascender socialmente. Afinal de contas, “a Idade Média era dividida em classes, nobreza, clero e servos, e a Igreja jamais iria permitir que o poder lhe fosse tirado das mãos, por isso o pouco de educação que existiu, estava direcionada somente para aos nobres e o clero!”

    Qualquer estudante que escreva isso numa prova de cunho marxista ou liberal tirará um dez, o único problema é que qualquer um que analise as fontes medievais originais, vai logo descobrir que não é bem assim que funcionavam as coisas, e é esta a razão deste texto existir, trazer fontes novas e verdadeiras sobre esse período tão pouco conhecido, porém tão criticado e de forma anacrônica, levando à muitos pseudo-historiadores de “botequim”, à fazer analises cruéis e injustas, visto que os grandes medievalistas contam uma história totalmente diferente dessa que está aí!

    Há um grande número de historiadores honestos que estão trazendo novas informações sobre o medievo e assim ajudando a reconstruir a história deste período, e é baseado em alguns desses historiadores que começo a contar para você, caro leitor, uma nova história sobre a Educação na Idade Média.

   Bem para que possamos entender como se formou a estrutura educacional na Europa é preciso que entendamos um pouco de seu contexto social, por isso, vamos falar dele brevemente.

   Para entender como era o ensino medieval, precisamos compreender também que a Idade Média é um período composto de várias fases, vamos salientar aqui o período do auge da educação, o século XIII, fruto de toda uma evolução na educação, evitando assim, cometer falsos julgamentos a respeito do período, como é tão frequente encontrarmos em textos por aí.

   O século XIII foi marcado por grandes transformações na Europa, as inovações técnicas na agricultura, o avanço na tecnologia marítima como a invenção da bússola e do astrolábio e outros instrumentos necessários à navegação, o desenvolvimento de mapas marítimos, a construção de grandes navios e também as Cruzadas, aumentara o contato com o Oriente, o que levou a um comércio mais intenso e também ao desenvolvimento das cidades européias.

   Esse comércio deu origem a várias profissões, que eram necessárias ao bom funcionamento das cidades, os profissionais especializados se reuniam em diversas corporações de ofício, que regulamentava o trabalho, o salário e os preços e também lutavam por melhores condições de trabalho e melhorias nos serviços prestados por sua categoria aos clientes. Os citadinos desenvolveram então uma forte cultura das associações, o que acabou acontecendo também com professores e mestres livres, que passaram a se associar. Dessa forma foi se formando toda uma estrutura em volta do ensino, que funcionava da mesma forma como as corporações de ofício, as chamadas fraternitas ou Schola em latim, se reuniam em associações e passavam a regulamentar o trabalho e o salário dos professores, os alunos deviam pagar contribuições não só para o sustento dos mestres, mas também para a comprar de material como tinta, papel, varas e palha para forrar o chão conforme Hauncourt comenta na obra, “A vida na Idade Média”.

   Segundo a historiadora Regine Pernoud, no século XIII a educação universitária era uma realidade na Europa, possibilitando o acesso ao saber às pessoas que se interessassem pelas Artes Liberais. Havia escolas por toda parte, muitas delas ligadas às Catedrais e mosteiros,que utilizavam o espaço religioso para o ensino, e este era dado em latim, porém os medievais também falavam a língua vernácula. Estas instituições de ensino, estavam localizadas nas cidades e também nas pequenas vilas e no campo, geralmente fundadas por senhores feudais, por professores particulares ou pelas paróquias. Os mestres saíam das grandes universidades, que nesta época eram mantidas pela Igreja. Prestemos muita atenção aqui, pois o salário era para o sustento dos professores e não das paróquias, afinal como todos, eles tinham que sobreviver.

   Em muitos lugarejos os habitantes se associavam para sustentar um professor, encarregando-o de preparar os pequenos, para estudos que receberiam mais tarde, nas universidades.

   Nas pequenas escolas educava-se para a Sagrada Escritura, tinham noções de letras, medicina, grego, aramaico, gramática, aritmética, geometria, música e teologia.

   No entanto para que estes profissionais pudessem lecionar, era necessário estudar muito e ter uma licença para ensinar, concedida pela Igreja Católica ou reis e Imperadores, o diploma, este só era conseguido após se formarem na Universidade.

   Conforme o historiador Thomas Woods, sabe-se que os diplomas concedidos pela Igreja eram reconhecidos em toda a Europa, enquanto os concedidos por reis e imperadores, somente em seu reino ou império, contrariando totalmente a ideia de que a Igreja se opunha ao saber, o que vemos aqui é justamente o oposto, uma Igreja comprometida com o conhecimento, até porque eram de suas escolas e universidades que saíam também os padres, que iriam educar a população.


   Como podemos notar, as crianças medievais também estudavam, e estudavam até mais do que as crianças de hoje, entravam na escola por volta de 7 anos e saíam com mais ou menos 15 anos, aptas à ir a Universidade, onde depois poderia optar por 4 cursos, Medicina, Teologia, Artes Liberais ou Direito.

   Nessas escolas encontramos pessoas de todas as classes sociais, contrariando a ideia marxista, de não ascensão social dos mais pobres, há muitos documentos provando que entre grandes personalidades medievais estavam pessoas do povo, vejamos alguns exemplos para ilustrar: Bispo de Notre Dame, construtor da Catedral, Maurice de Sully era filho de mendigo, Papa Gregório VII, filho de um criador pobre de cabras, São Pedro Damião um grande expoente da ciência medieval, na sua infância guardava porcos, Suger que governou a França durante a Cruzada de Luís VII, era filho de servos.

   Uma outra idéia muito divulgada é a de que as crianças eram tratadas de forma violenta, o que segundo o historiador Leo Moulin, não corresponde à verdade, em seu livro “A vida cotidiana dos estudantes na Idade Média” explica que a primeira infância era superprotegida, e nessa época todos tinham muito medo de perdê-las, e os riscos eram bem reais, o que as tornavam bem mimadas e quando iam à escola para serem disciplinadas, estas, consideravam o novo ambiente uma prisão, isto justifica fragmentos medievais muitas vezes referirem-se à escola como um cárcere, mas isso se dá justamente pelo excesso de mimos recebidos pelos pais, quando essas crianças não foram preparadas para receber obrigações e se viam privadas do excesso de liberdade. É-nos perfeitamente possível imaginar como se revoltavam contra a primeira tentativa de sociabilização, é por isso que encontramos certo grau de severidade nos manuais escolares, que chegaram até nós, porém castigos não eram aplicados à crianças muito novas, mesmo autorizado pelo costume e regulamentos da época.

   Quanto ao tipo de educação, esta era baseada na oralidade, todo ensinamento aprendido era retido na memória, como é sabido de todos, a confecção dos livros era demorada e eram muito caros, forçando os medievais a usarem a memória mais do que o homem contemporâneo. Conforme Moulin, o processo se dava da seguinte forma:



   “A criança aprende o ABC em tabuinha de madeira e depois aprende a ler. Numa época em que todo o ensino se baseia na memória, existem livros, nomeadamente, o Livro da Memória Artificial (Século XV), que apresenta meios mnemotécnicos destinados a facilitar o exercício. Raimundo Lúlia, na sua Doutrina Pueril propõe ‘exercitar a memória e o entendimento’. Os primeiros passos no latim davam-se com os cânticos da Igreja. A educação cívica, o conhecimento da sociedade feudal, dos seus problemas e das suas justificações, faziam-se, a partir do século XIII, utilizando o jogo do xadrez. Existe um tratado de xadrez moralizado (século XV).”


   Sabe-se que o ensino religioso na escola estava reduzido ao mínimo, quem ensinava as crianças os fundamentos da religião cristã eram as mães.

   Nas escolas ensinavam as Artes Liberais o Trivium e o Quadrivium (Música,Geometria, Artimética, Astronomia Dialética, Retórica e Gramática), tudo baseado nas obras dos antigos gregos e romanos, disciplinas que foram preservadas nos mosteiros pelos padres, que tinham muito apreço pelo saber da Antiguidade, as crianças aprendiam também os conhecimentos necessários para o desenvolvimento da sociedade tais como cálculos e contabilidade.

   Grandes medievalistas como Regine Pernoud e Jacques Le Goff, dão conta de que a Igreja definiu em Concílio, o de Latrão em 1179, o seu compromisso com a educação tornando obrigação das paróquias o ensino. Este, caro leitor, não parece o perfil de uma Igreja que pretende o conhecimento só para si, visando o poder, visto que tudo que os padres aprendiam nas faculdade relativo às ciências antigas gregas e romanas era passado ao povo nas homilias e nas escolas.

   Diante de todas essas informações trazidas pela historiografia séria medieval, é inconcebível que professores em nossas escolas continuem à ensinar conceitos preconceituosos relativos ao medievo, algo que nasceu com os Renascentistas e foi perpetuado após a Revolução Francesa pelos Iluministas, que visavam apenas destruir o passado católico, para valorizar o seu presente com objetivos políticos, como foi o caso dos revolucionários da França. Hoje, esse conceito errôneo, muitas vezes vem com um único objetivo, depreciar a Igreja escondendo seus valores e sua grande contribuição ao mundo Ocidental, visto que nas universidades medievais se desenvolveu toda a base da Ciência Contemporânea.

   Na verdade, se formos analisar a qualidade da educação de ontem e de hoje, acabaremos por nos envergonhar do ensino que damos aos nossos pequenos. Quantos pessoas hoje tem acesso à três ou quatro idiomas como era o caso dos medievais? Quantas crianças hoje estudam a Dialética, Gramática, Retórica, Música, Astronomia, Geometria e Aritmética, quantas aprendem a raciocinar? Nossas crianças hoje mal sabem ler e escrever e mal sabem contar, chegam à idade adulta, com grande nível de deficiência educacional, mal sabem falar sua própria língua materna. Nossos exames de acesso às universidades vivem a ser fraudados, bem diferente do exame que o estudante medieval deveria fazer para entrar na universidade, totalmente oral, sem possibilidades de engôdos ou fraudes, e ainda há quem critique à honestidade do ensino dado pela Igreja Católica e suas intenções, com acusações levianas de que esta só visava o poder!

   Na verdade está na hora do brasileiro começar a rever seus conceitos quanto à educação, aprender a pesquisar mais e conhecer as outras versões da História, e não aceitar apenas a historiografia desonesta e preconceituosa que é passada na mídia e nas escolas, como se fosse a verdade absoluta, pois não há como mudar o presente se não se conhece o verdadeiro passado, e com os medievais, acredito, temos muito à aprender , principalmente no quesito educação!


Deborah Azevedo – Professora de História



BIBLIOGRAFIA UTILIZADA


NUNES, Ruy Afonso da Costa. História da Educação na Idade Média. São Paulo: EPU: Ed. da Universidade de São Paulo, 1979.

PERNOUD, Régine. Luz Sobre A Idade Média. Portugal: Ed. Grasset et Fasquelle, 1996.

WOODS, Thomas E.J. Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental.1Ed.São Paulo: Ed Quadrante,2008.

MOULIN, Léo. A Vida Quotidiana Dos Estudantes na Idade Média.1 Ed. Lisboa: Ed.Livros do Brasil,1994.

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