ÚLTIMAS POSTAGENS

sábado, 29 de maio de 2010

Idéias claras dos acertos tradicionalistas: A refutação do sedevacantismo


Afastei-me por um tempo de debates sobre o tema “Vaticano II” e seus derivados, um dos motivos foi o de dar uma diversidade nas postagens do blog; este assunto estava um tanto maçante. Um dos últimos textos a serem publicados sobre o tema foi o “Idéias claras dos erros tradicionalistas”, que polêmica não faltou. Esse texto não sai como um pedido de desculpas, ou uma tentativa de agradar ou trazer mais leitores da ala “contra-CVII” para o blog, apenas uma publicação sobre o tema, com um título tão polêmico como o outro.

Antes de adentrar no assunto, gostaria apenas de fazer uma breve reflexão para os “opinadores” (não opinantes) de plantão. Se há uma coisa que eu detesto nos debates é a falta de honestidade. Quando se debate com um desonesto intelectualmente, o debate trava: você pode estar com os argumentos mais seguros e expostos da maneira mais clara possível, que o ser vai se recusar a falar algo que soe concordar com você (concordar não está empregado no sentido escolástico). Quando isso ocorre, pode mudar o rumo do debate, fale de futebol, de novela, mas deixe o debate de lado. Eu aprendi na escola que 2+2 =4. Isso independe de quem faça a conta, basta que a pessoa saiba fazer da maneira correta para que a conta dê o resultado correto. Nas discussões orkutidianas e em grande parte da blogsfera católica, vemos coisas assim: “FSSPX é do mal, não acredite em nada do que vem de lá”, “FSSPX é o certo, todo o resto está errado”. Se você estiver como eu cansado desses opinadores que querem discutir teologia da mesma forma como se discute novela, mande este recado: se morre. Um argumento só pode estar errado se os princípios do argumentador estiverem errados, se a lógica estiver errada, e se a conclusão não estiver de acordo com os dois primeiros; é muito fácil falar, “Montfort não vale, lero, lero”, e querer pousar de super-intelectual. Não estou dizendo que é preciso concordar, mas se você quer discordar, pelo menos saiba procure saber o porquê de sua atitude de discordar, ora. É só você ver como pessoas que agem assim não possuem conhecimento suficiente para sequer questionar o que ali está sendo dito, que dirá refutar, e já partem para estas premissas idiotas. Então, não interessa se é da FSSPX, do Pe. Fábio, do VS, do Boff, do Junior, ou do mestre Olavo; só interessa o que ali está sendo dito. Certamente, há coisas que estão além da nossa capacidade intelectual, e nem por isso devemos deixar de opinar, mas não podemos fazer pré-julgamentos que só bloqueiam o nosso progresso intelectual.

Se há 5 motivos para eu ler tanto os textos da FSSPX, um deles é o sedevacantismo. A FSSPX é tão combatente do sedevacantismo que deveria ser reconhecida por isto, mas muitos só se apegam no que há de negativo deste grupo.

Logo ‘de cara’, podemos lançar aqui o trabalho do Pe. Ceriani, que não exclui a possibilidade do Papa cair em heresia como pessoa privada, mas faz as devidas e necessárias distinções sobre os diversos tipos de heresia, além de demonstrar a imunidade de julgamento do Papa, como podemos ver nestes pequenos recortes abaixo:

"(1) Os autores que sustentam que João XXIII, Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II jamais foram validamente eleitos e que, por isso mesmo, nunca foram legítimos Sumos Pontífices, fundamentam-se na Bula de Paulo IV, Cum ex Apostolatus Officio do ano 1559, parágrafo 6. Esperando poder empreender um estudo sobre essa Bula e as conseqüências que podem seguir-se dela, dedicamo-nos somente agora às opiniões que partem do reconhecimento do Sumo Pontífice em questão. Ver mais acima, quadro
(2) Não deve chamar a atenção que um mesmo autor apareça defendendo duas opiniões distintas e contrárias. Ao considerar que sua opinião é só provável, porém não totalmente certa, também analisa as opiniões de outros autores e as conseqüências que se seguiriam se eles tivessem razão.
(3) Trata-se da famosa proposição herética do conciliarismo, conforme a qual um concílio universal tem poder sobre o Sumo Pontífice. Pode-se consultar para aprofundar esse tema Denzinger 657 e nota, 1322 e nota, 1598199, 717.

Este quadro nos mostra que a questão é muito discutida entre os autores e que entre eles, alguns sérios e de peso, há quem considere que é mais provável que o Sumo Pontífice não possa cair em heresia, inclusive como pessoa privada. Não consideram essa opinião como certa, senão como mais provável; por esse motivo, analisam a hipótese de que um Papa incorresse em heresia e estudam as conseqüências que para o Pontificado se seguiriam deste fato.

Quando tratarmos da terceira dificuldade, analisaremos cada uma das opiniões. Pelo momento fazemos ver somente a divergência que existe sobre essa questão e tiramos a conclusão: não é fácil demonstrar que o Pontífice possa cair em heresia.

Chamamos
a atenção sobre o fato de que todos os autores posteriores sempre fazem referência a São Roberto Bellarmino e a sua obra De Romano Pontífice, que constitui o lugar obrigatório de consulta e argumentação.

A isto se acresce o principio "da imunidade judicial do Sumo Pontífice". Com efeito, o cânon 1556 estabelece que "1- A primeira Sé por ninguém pode ser julgada".

Este princípio estabelece que nenhum particular, nenhuma pessoa moral, eclesiástica ou secular tem o direito de julgar o Soberano Pontífice. O chefe supremo da Igreja não pode ser julgado senão por Deus.

Os termos "primeira Sé", conforme o cânon 7, designam unicamente a pessoa do Pontífice Romano. As pessoas que o secundam no governo da Igreja não gozam de tal imunidade judicial.
Este princípio foi explicitamente enunciado pela primeira vez sob o pontificado de São Símaco (498514). Os Bispos convocados em sínodo pelo rei Teodorico para julgar o Papa, observam que o Bispo de Roma não está submetido ao juízo de seus inferiores e que não há exemplo na história de que o Bispo de Roma tenha sido julgado por outros Bispos.

Este princípio é novamente proclamado no século IX. Os bispos convocados por Carlos Magno para decidir sobre as acusações de que era vítima São Leão III, protestam unanimemente e invocam a tradição da Igreja: "Não ousamos julgar a Sé Apostólica. Por ela e por seu Vigário somos julgados, porém ela não é julgada por ninguém, como sempre e desde antigamente foi esse costume".
São Nicolau I, na carta "Proposueramus quidem", ao Imperador Miguel, do ano 865, diz: "... o juiz não será julgado nem por Augusto, nem por todo o clero, nem pelos reis, nem pelo povo... A primeira Sé não será julgada por ninguém..." (Dz. 330)

São Leão IX na carta "In terra pax hominibus", a Miguel Cerulário e Leão de Acrida de 2 de Setembro de 1053, diz: "... Dando um juízo antecipado contra a Sé suprema, da qual nem pronunciar juízo é lícito a nenhum homem, recebestes anátemas de todos os Padres de todos os veneráveis Concílios... Como o gonzo, permanecendo imóvel puxa e empurra a porta: assim Pedro e seus sucessores têm livre juízo sobre toda a Igreja, sem que ninguém deva fazer-lhes mudar de lugar, pois a Sé suprema por ninguém é julgada'. (Dz. 352-353).

No século XI, São Gregório VII formula isso num texto imperioso: "quod a nemine (romanus Pontifex) judicari ebeat" (Dictatus papae, n.19).

A mesma afirmação aparece na Bula Unam Sanctam de Bonifácio VIII: "... Se a potestade terrena se desvia, será julgada pela potestade espiritual; se se desvia a espiritual inferior, por seu superior; mas, se a suprema se devia, não poderá ser julgada por homem, mas somente por Deus" (Dz. 469).

Clemente VI, na carta "Super quibusdam" a Consolador Católico dos armênios, de 29 de Setembro de 1351, pergunta: "Se crestes e crês que em tanto tenha existido, exista e existirá a suprema e preeminente autoridade e jurídica potestade dos Romanos Pontífices que foram, de Nós que somos e dos que em adiante serão, por ninguém puderam ser julgados, nem podemos Nós nem poderão em adiante, mas que foram reservados, se reservam e se reservarão para serem julgados somente por Deus, e que de nossas sentenças e demais juízos não se pôde, nem se pode, nem se poderá apelar a nenhum juiz". (Dz. 570 g).

Paulo IV, na Bula Cum ex Apostolatus Officio, do 15 de fevereiro de 1559, parágrafo 1, diz: "considerando a gravidade particular desta situação e seus perigos, ao ponto que o Romano Pontífice... que a todos julga e não pode ser julgado por ninguém neste mundo, se fosse surpreendido em um desvio da fé, poderia ser impugnado (redargui)..."

Aqui cabem outros pontos, como a explicação do magistério, explicação de como podem haver contradições entre o próprio magistério, e outras tantas coisas que ficam como recomendação para estudos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Menina de 12 anos agradece a grupo pró-vida por evitar que sua mãe a abortasse

02.08.2007 - WASHINGTON DC - Uma menina de 12 anos de idade comoveu o fundador e membros da organização Priests for Life ao enviar um sincero agradecimento em vídeo por ajudar a sua mãe e evitar que a abortasse em 1995.

http://www.pfltv.com/guadrespfl/

A menina se chama Guadalupe Lovera e atualmente vive em Ponciana (Estados Unidos), assegura levar uma boa vida e está convencida que o apoio devotado a sua mãe salvou sua própria vida.

Em 12 de novembro de 1994, Helene entrou em uma clínica de Orlando, Florida, disposta a abortar seu terceiro bebê de apenas dois meses, devido à pressão de seu noivo que não o queria.

No caminho até a clinica de abortos, um grupo de manifestantes pró-vida se aproximou de Helene para oferecer ajuda, mas não se convenceu. A mulher narra que quando estava na sala de espera, "senti que tinha que olhar pela janela. Pensei na oferta de ajuda que me ofereciam os pró-vida. Também vi o sacerdote parado fora e me pus a pensar. Finalmente me perguntei: O que estou fazendo aqui? Tenho que ir! Saí, fui onde estavam os pró-vida e aceitei sua oferta de ajuda. Lamentei tão só o fato de ter entrado!"

Em 6 de agosto do ano seguinte, o fundador e presidente do Priests for Life, Pe. Frank Pavone, batizou à pequena Guadalupe durante uma Missa dominical com a igreja repleta.

A carta
"Queria dizer simplesmente obrigada por tudo o que têm feito por mim. Obrigada ao Pe. Frank e Priests for Life terem vindo à Florida puderam salvar a vida de minha mãe e a minha. Sinto-me muito contente de que estivessem ali, porque se não tivessem estado ali provavelmente eu seria abortada", assegura Guadalupe em sua carta.

"Agora estou em Ponciana vivendo bem e queria dizer: Obrigada! E por isso queria adicionar que necessitamos de mais sacerdotes frente a cada clínica e na televisão. Também necessitamos de mais sacerdotes em ação, preparados para salvar bebês nas clínicas de aborto. Levantando-se para fazer algo por estas mulheres que não querem fazê-lo mas pensam fazê-lo. Há milhões de bebês que morrem abortados. Temos que fazer algo com respeito ao aborto!", conclui Guadalupe.

sábado, 22 de maio de 2010

PE. REGINALDO MANZOTTI NO RECIFE, ALGUNS COMENTARIOS

O ARTIGO É DE RESPONSABILIDADE DO AUTOR.

Minha mãe é ouvinte fiel do Pe.Reginaldo Manzotti ( ja foi do Pe. Marcelo Rossi, Pe.Fabio de Melo e agora está no boom eclesiastico do Pe. Reginaldo que de todos é o que fala menos bobagem ao meu ver.), e em casa estudandoescutei sobre a visita desse padre a Recife por ocasião do aniversario da rádio que retransmite o programa de Curitiba a Recife e pensei " se estiver de bom humor vou participar dessa celebração", soube minutos apos que ele estaria lançando livro,cd,dvd (pacote completo), nunca tinha visto o Pe.Reginaldo na TV e confesso que estou ficando com medo de padre que tem programa de TV,todos os que eu assisto me decepcionam, mais enfim estava decidido a ir na noite de autografos do Pe. Reginaldo Manzotti.

Sexta-Feira, 21 de maio de 2010 18h.

Shopping Center Recife, Livraria Saraiva.

Ao chegar percebo duas filas; uma de pessoas com livro na mão e outra para comprar o livro, levei câmera,gravador e um caderno, pensando que eu conversaria com ele e poderia fazer algumas perguntas para pôr no site e até mesmo para tentar derrubar o preconceito de padre cantor que infelizmente eu tenho.

A fila só aumentava, e mulheres enlouquecidas gritanto " ahhhhhhh eu creio no Deus do impossivel" dentro da loja, senhoras sendo esmagadas e empurrada pelos seguranças, meu medo começa, depois sou informado que so poderia fotografar e entrevistar as pessoas na fila com a autorização da assessoria de imprensa e produção do padre, abismei ! e me arrependi de ter ido, mas, enfim já estava lá e resolvi esperar a assessoria chegar para enfim trabalhar, o padre chega ! uma gritaria de deixar fla X flu com invejam o padre passa correndo, pessoas chorandom gritando " Lindo", Te amo!, Gostoso ! " com meu bom nordestinês disse " avemaria o bicho esta pegando!" e eu lá no meio do povo, ja estava sem esperanças de entrevistar o padre e nem queria, apenas resolvi analisar o povo que lá estava, ver que nivel de catolicidade e a lacuna que nossa Igreja ( brasileira, CNBB) deixou em nosso povo, será que estamos realmente evangelizando?, fazer as pessoas pagarem pelo livro do Padre que ensina 10 maneiras de sermos felizes, realmente é a ação evangelizadora de nossa Igreja? nada contra o padre, nem o livro dele que por sinal, nem li, tentei mais uma vez contato com o padre e sou informado que o padre só poderia falar comigo se a assesora da editora permitisse, pois o padre tinha contrato de alguns milhares de reais, quase cai na hora, nao com o valor, e sim, com o pensamento que me veio na hora e pequei julgando o sacerdote me interrogando; " É possivel, um padre se ordenar e ter uma assessoria que diz com quem ele pode ou nao falar?" eis que surge uma assessora do padre e fala que eu nao poderia entrevista-lo devido o CONTRATO firmando entre o padre e a rádio que o trouxe a Recife que exigira exclusividade de tudo, mas, poderia sim fotografa-lo. Sai de lá, revoltado, sinceramente, como um sacerdote pode deixar controlarem a sua vida?. ´por mim tudo bem, que nao sou ouvinte dele e nem muito fã, mais tinha pessoas chorando (acho uma extrema bobagem isso)mas, enfim ele se ordenara para Deus e para o povo. e de lá sao entristecido com o que vi.

Sábado,22 de maio de 2010

14h, Marco Zero, Recife Antigo.

Lá estava eu novamente, decido a retirar de ontem a imagem nefasta do que presenciei e munido de minha câmera e gravador novamente fui ao Marco Zero para a " Festa da Radio ....... Fm " que no intervalo de uma apresentação teria a Missa do Pe. Reginaldo Manzotti, quase cai.
A Missa foi presidida pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Antonio Fernando Saburido, que chergou minutos antes da missa. os convidados para a missa receberam um abadá, com o nome Área VIP, Área Vip para as Núpcias do Cordeiro? Já sei que morro e não vejo de tudo. Começa a missa e eu consigo entrar na área "VIP", lá estavam as autoridades da rádio, nem ai para a celebração, brincando, conversando.bebendo e Nosso Senhor lá se entregando ao mundo em favor dos nossos pecados, após a missa começa o momento de purificar os vasos que foram utilizados para a Comunhão e levaram os vasos liturgicos para o local mais "chique" da Área VIP, o camarim do padre !, termina a missa e uma correria se forma o padre Reginaldo vai descer ! ora, mais estão purificando o vaso " ahhh purifica depois" alguem grita ! outro fala " bate no fundo e joga fora ai mesmo, por que é so pozinho" eu passei na frente e pedi que abrissem o camarim do padre, pois, Cristo, precisava entrar! e os seguranças nao permitiram, como ficou o caso nao sei, mais infelizmente mais uma vez, sai decepcionado da área VIP.

O Show !

Me dirigi ao palanque, para fotografar a multidao e o padre, mais uma vez existia lá em cima a área VIP dos VIPs, o padre cantava, pessoas gritavam, jogavam terço,cds,cartas, eu te amo p cá eu te amo p lá. e fui fotografar quando sou impedido por um dos organizadores do evento. por que o padre foi contratado por eles e so eles teriam a exclusiva e me ameaçaram retirar do local quando um dos padres lá presentes falou que eu podia ficar, mais somente fotografar porque, no contrato do padre, uma das clausulas afirmara que video. somente a rádio teria. Quase desmaio ! e enfim cheguei a conclusão que o padre pode até ser uam boa pessoa e creio que ele seja, tenta acertar, e assim o faz, mas infelizmente, EU acho ( é somente MINHA OPINIÂO) que ele erra, por que entre o sacerdocio dele e o artistico o artistico em alguns momentos fala mais alto. Depois, esses mesmos padres nunca ouvi ninguem dizer que ele tenha reclamado, mais outros, mais famosos que ele já reclamaram dos católicos "conservadores" e tradicionalistas. Infelizmente, nao tive a oportunidade de perguntar ao padre 1 O que ele achava da Igreja do Brasil, 2 Se ele se considerava um padre artista e 3 Se em algum momento os eventos atrapalhava o sacerdocio dele. Fica para a próxima.

POSTAREI DEPOIS AS FOTOS DOS EVENTOS !

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Curtas Importantes

Pe. Reginaldo Manzotti no Recife;

Se você está ou estará próximo ao Recife no dia 21 e 22 de maio , e quiser conhecer o entao desconhecido Pe. Reginaldo Manzotti, uma boa pedida é ir cumprimenta-lo na tarde autografos dos lançamentos de livros e cds que aconteceramo na capital pernambucana, no sábado Pe. Reginaldo concelebra a Santa Missa com o Arcebispo de Olinda e Recife Dom Antonio fernando Saburido as 14h no Marco Zero, show em comemoração ao aniversario da Radio recife fm rsrsrs mais informações http://www.padrereginaldomanzotti.org.br/index.php/agenda/lancamento---sinais-do-sagrado---em-recifepe

Jorge Ferraz noticia em seu blog que bancada petista diz não ao Estatuto dos Nascituros.

Genunino criticou em vão, mais em http://www.deuslovult.org/2010/05/20/aprovado-o-estatuto-do-nascituro/

CNBB rende homenagens as CEB'S

Como já se era de esperar a CNBB mais uma vez se faz de desentendida aos puxões de orelhas que recebe do Pontifice, em sua Assembléia Geral a CNBB agradece as CEBS afirmando que sao um sinal de vitalidade na Igreja. Talvez para a CNBB, ser católico é isso, nós pobres mortais que não somos Boffistas e Bettistas nao entendamos de nada, documento completo em http://www.cnbb.org.br/site/images/arquivos/48agmensagemsobrecebs.doc

quarta-feira, 19 de maio de 2010

SAIU NO ZENIT ;Como o aborto é promovido na América Latina?

Segundo o diretor do escritório para a América Latina do “Population Research Institute”


LIMA, quarta-feira, 19 de maio de 2010 (ZENIT.org).- Primeiro se cria uma polêmica sobre um caso humano dramático de uma criança estuprada; depois se propõe uma lei geral de legalização do aborto. Este processo, adotado em outros continentes, está sendo aplicado na América Latina, como explica a ZENIT nesta entrevista Carlos Polo Samaniego, peruano, antropólogo e diretor do escritório para a América Latina do Population Research Institute desde 2001.

Este consultor de várias organizações na América Latina sobre política familiar analisa dois casos muito parecidos, que levantaram muitos artigos e debates radiofônicos e televisivos nas últimas semanas.

Um foi uma denúncia aos meios de comunicação, em Quintana Roo (México), no início de abril, provocando um debate regional em relação a uma menina de dez anos grávida do padrasto que a estuprou. A menina, que se encontrava em um estado avançado de gestação, não foi submetida ao aborto.

Em 12 de abril, a imprensa brasileira explicava que uma criança de 10 anos havia feito um aborto, com a aprovação de um juiz, em Recife, após ter sido estuprada diversas vezes por seu padrasto.

- Em ambos os casos, algumas organizações solicitavam o aborto para salvar a vida das mães; não é coincidência o fato de irem à imprensa os dois casos ao mesmo tempo?

Carlos Polo: Tudo parece indicar que não. O escritório da América Latina de Population Research Institute vem fazendo monitoração de casos como estes há alguns anos. Analisamos as iniciativas e publicações das principais organizações abortistas na América Latina e detectamos padrões comuns.

Os de Quintana Roo e Recife pertencem a uma grande lista de casos similares "fabricados" para legalizar o aborto na América Latina. Argentina, Peru, Colômbia, Nicarágua e Honduras são alguns dos lugares escolhidos por esses grupos que não buscam o bem-estar das meninas, mas sim impulsionar sua agenda, apelando aos sentimentos de compaixão para implementar confusão na opinião pública. Podemos dizer que buscam semear confusão mesmo dentro da Igreja.

- Em que se baseia para afirmar que os casos são "fabricados"?

Carlos Polo: Temos que dizer que o drama das meninas grávidas é real e sumamente doloroso. O que se fabrica e manipula é a repercussão midiática e a insistência de que o aborto é a única solução. Sobre esta realidade, são montadas campanhas que apresentam o aborto para aqueles que procuram outras saídas fora do aborto como um povo sensível, desumano e incompreensível. Os bispos, sacerdotes e leigos comprometidos, usualmente os primeiros defensores da vida dessas criaturas que estão por nascer, são muitas vezes alvos de ataque. A pressão chega a ser muito forte, como se a tensão estivesse situada no nosso senso de humanidade ao extremo. Mas é tudo parte de uma falácia, de uma grande mentira baseada num drama humano: muitas vezes essas meninas nem correm perigo nem querem abortar. E o pior, depois sofrem as consequências de fazê-lo.

- Esta acusação é muito grave. O senhor está em condições de mantê-la?

Carlos Polo: Cada vez temos mais evidências. Durante muito tempo, suspeitamos que isso acontecia mais ou menos da forma como agora conhecemos bem. Mas foi necessário um grande número de leigos, profissionais em diferentes áreas; nós nos organizamos e trocamos eficientes informações e experiências para que pudéssemos descrever todo o circuito, encontrando os padrões de "fabricação" de casos dos quais se falava antes. Agora, cada vez que é gerado um destes "casos", surgem voluntários para socorrer as meninas e seus pais. Por exemplo, graças a Deus, em Quintana Roo se pôde resgatar a menina e salvar seu bebê.

- E o que lhes revelou o caso de Quintana Roo?

Carlos Polo: O que suspeitamos: que um grupo inescrupuloso havia isolado esta família, ocultando seu paradeiro. Pressionaram a mãe até que concordasse a dar seu consentimento ao aborto, ainda que em sua consciência existia uma insatisfação e uma luta muito grande. Na menor oportunidade de fazer algo diferente, essa mãe e essa menina optaram com alegria pela vida. Mas, lamentavelmente, nem sempre chegamos a tempo. Ficam na memória casos como os de Recife (o primeiro de gêmeos há um ano e agora, mais recentemente, outro). O de "Amélia", na Nicarágua, sobre o qual publicamos uma ampla pesquisa há pouco. Amélia tinha câncer no ovário. Diversas organizações católicas ofereceram ajuda para o tratamento do câncer. Mas as organizações feministas que a mantinham oculta e pediam o "aborto terapêutico" não permitiram que ela recebesse a ajuda. Quando a pessoa vê que a prioridade é o cumprimento da agenda política abortista, então é claro que Amélia, como pessoa, não lhes interessa realmente. Não se trata do aborto para que faça bem à Amélia, mas simplesmente de usar aAmélia para que "faça bem" ao aborto.

- Qual é a origem desta estratégia abortista?

Carlos Polo: De fato, há muitas pistas. Uma delas nos coloca em um documento que, em janeiro de 2003, o Center for Reproductive Rights publicou com o título What Role Can International Litigation Play in the Promotion and Advancement of Reproductive Rights in Latin America? (Qual o papel dos conflitos internacionais na promoção e desenvolvimento dos direitos reprodutivos na América Latina?). Suas autoras, Mônica Roa, Luisa Cabal e Lilian Sepúlveda, são membros destacados desta organização de Nova York que promove o aborto legal e o manifesta abertamente.

Nesse documento, dizem claramente: "Os tribunais podem ser um fórum excelente para produzir a mudança". Também afirmam que, nesta estratégia de litígios, sua última oponente é a Igreja Católica. E afirmam que tudo isso se inicia por "examinar o processo de identificação de temas e casos". Abertamente, o Center for Reproductive Rights expõe como sua própria equipe de advogados e suas organizações associadas apresentaram os quatro "casos" citados no documento. Um deles, o da peruana Karen Llantoy, foi utilizado anos depois como argumento por Mônica Roa na sentença que legalizou o aborto na Colômbia.

- Voltando aos casos de Quintana Roo e de Recife. Conte-nos brevemente o que aconteceu em cada um destes "casos".

Carlos Polo: Como se diz, em Quintana Roo se atuou a tempo e foi possível salvar a menina e seu bebê. O "caso", como estratégia abortista, fracassou em todos sentidos. Não houve aborto. Nem as autoridades nem a opinião pública ficaram impressionadas. E o bispo de Cancun-Chetumal, Dom Pedro Pablo Elizondo, L.C., esteve muito consciente da assembleia que procurou criar divisão e dúvidas.

Em Recife, infelizmente, o "caso" terminou com aborto. Ao contrário do México, no Brasil os hospitais do governo oferecem todas as facilidades para abortar em casos de estupro. Mas poucas mulheres estupradas no Brasil escolhem abortar. Este recente caso em Recife tem um componente adicional que confirma muita de nossas informações com a deturpação que a imprensa fez com relação às declarações do arcebispo, Dom Fernando Saburido, dando a impressão que este aprovava o aborto em certos casos de meninas estupradas, para salvar sua vida. É como se utilizasse "argumento de falsa misericórdia".

O mesmo arcebispo teve de acompanhar essa campanha de desinformação com uma nota em que acusa o Diário de Pernambuco de manipular suas declarações. Segundo refere o arcebispo, o jornalista lhe fez a mesma pergunta em várias ocasiões e de diferentes formas, para depois selecionar aquela resposta entre todas que poderia apresentar a manipulação e falsa interpretação. "Recebeu a comunhão, em todos os sentidos, com a orientação de nossa Santa Igreja, que defende a vida e não admite, sob nenhuma hipótese, que seja eliminada, porque é um dom de Deus e somente a Ele cabe decidir - explicou Mons. Saburido. No caso específico da menina de 10 anos, grávida de quatro meses, vítima de estupro por seu padrasto e submetida a um aborto, estou em desacordo da decisão tomada, que considero anticristã por ter tomado uma vida que poderia perfeitamente ser salva. Não faltaria alguma família disposta a adotar o bebê, oferecendo-lhe afeto e dignidade".

Precisamente esse é o ponto chave para começar a derrotar esta estratégia: unidade no interior da Igreja. O testemunho de fé e ação em Quintana Roo ilumina e confirma perfeitamente as palavras do bispo de Recife, e vice-versa. A força do Evangelho da Vida acolhido e testemunhado é mais potente que qualquer vertente abortista.

- Alguns céticos poderiam ainda ter insistido na boa intenção destas organizações ao apresentar estes casos. O que o senhor diz sobre isso?

Carlos Polo: Eu sugeriria que averiguasse como terminam as mulheres concretamente envolvidas nestes "casos". O habitual é o total abandono por parte daqueles que até antes da intervenção eram "seus grandes aliados". Não podemos nos deixar surpreender pela falácia, porque a meia verdade termina sendo uma grande mentira. Qualquer coisa pode ser objeto de uma tentativa de manipulação.

O lema institucional do Population Research Institute é "Colocar as pessoas em primeiro lugar", porque é como uma chave para entender quão prejudicial é o aborto e todos os subprodutos da cultura da morte. E nossa ânsia é servir a todas as instâncias da Igreja para detectar e desmascarar estas manobras. Sabemos muito bem que nestes casos devemos exercitar aquilo que somos como membros do Corpo Místico e cooperar, como um órgão específico, para o bem de todos.

- Finalmente, que recomendação o senhor daria para evitar que haja mais danos com esta estratégia?

Carlos Polo: Que sejamos Igreja. Que nos unamos para pensar, orar, entender e agir pro-ativamente a favor da vida. Que nossos pastores não se sintam sós, porque cada vez somos mais leigos e colocamos nossos talentos profissionais ao seu serviço. Que nossos irmãos se animem a aprofundar neste trabalho e a entrar em contato, como uma grande rede. Só assim podemos enfrentar à altura os desafios do mundo de hoje.

MAIS INFORMAÇÕES:www.zenit.org

terça-feira, 18 de maio de 2010

Anglicanos: Igreja Católica, Mons. Mark Langham, explica alguns aspectos em entrevista exclusiva à Gaudium Press

Publicado 2009/10/26

Autor: Gaudium Press
Secção: Mundo

Roma, (Segunda, 26-10-2009, Gaudium Press) Em entrevista exclusiva com Gaudium Press,Mons. Mark Langham -oficial do Pontifício Conselho para a Unidade com os Cristãos- explica alguns aspectos do 'anunciado' ingresso dos anglicanos a Igreja Católica.

Devemos ver na decisão do Papa um primeiro passo para a reunificação entre a Igreja Católica e a Igreja Anglicana ou, como um dos jornalistas mencionou, um triste sinal da "morte" do anglicanismo?

Nenhum dos dois casos, na verdade. Esse grupo da Igreja Anglicana que pediu para vir para Roma está solicitando isso há bastante tempo. Assim, devemos distinguir, com muito cuidado, entre o pedido de alguém que deseja ser católico e as relações ecumênicas com a Igreja. São duas situações diferentes. Não podemos confundi-las; não podemos considerá-las do mesmo modo, em absoluto.

O modo de responder à solicitação de pessoas que sinceramente desejam se tornar católicas não afeta, de forma alguma, nosso diálogo com a Comunhão Anglicana oficial. Nosso objetivo é, realmente, como sempre foi, a plena comunhão, e nós continuamos a trabalhar nessa direção por meio do diálogo oficial. Com efeito, em novembro teremos um colóquio com os anglicanos, que foi agendado há muito tempo, e que continua toda aquela tradição do Concílio Vaticano II.

A Igreja da Inglaterra tem seus problemas, mas dizemos que ela esteja morrendo. Não esperamos senão que toda essa questão termine em um robusto testemunho do Evangelho.

O senhor pode explicar aquilo que foi chamado pelo cardeal Levada de "fenômeno mundial", ou seja, essa decisão de numerosos anglicanos de se converterem ao catolicismo? Há membros de outras igrejas protestantes pedindo o mesmo?

Sim, esses pedidos nos chegam de tempos em tempos. Mas lembre-se de que a Comunhão Anglicana, no mundo todo, tem uma relação especial com a Igreja Católica. O Concílio Vaticano II foi dedicado especificamente às Igrejas que, vindo da Reforma, preservaram alguns aspectos católicos de identidade, e aí a Igreja Anglicana tem um espaço especial. Em outras palavras, nós sempre vimos na Igreja Anglicana mais elementos católicos que na Igreja Reformada ou Luterana, ou nas demais. E a Igreja Anglicana sempre se viu como Católica, e como parte da Igreja Católica.

Ora, com relação às novas prioridades que têm sido introduzidas na Igreja Anglicana, no tocante a mulheres sacerdotes e bispas e a parceria homossexual e bispos homossexuais, alguns anglicanos pensam que isso está levando a um afastamento da tradição apostólica. E esses estão realmente em uma situação complicada. Querem permanecer anglicanos, mas veem que a Igreja Anglicana está rompendo seus laços com a tradição da Igreja no mundo todo. Como o cardeal Levada disse, eles reconhecem que há aí um déficit, há alguma coisa faltando, que é a autoridade. Procuraram, então, uma autoridade e olharam para Roma. Dentro da Igreja Anglicana, as pessoas que mais foram mais afetadas por tal problema são aquelas que sempre foram próximas da Igreja Católica. Devemos levar em consideração que a Igreja Anglicana é muito ampla - embora de um modo diferente da Igreja Católica; nós temos nosso catecismo e nossas regras -, o que faz com que os anglicanos estejam de acordo em alguns aspectos essenciais, mas que haja um amplo leque de opiniões entre eles: alguns são mais protestantes, outros são mais católicos. E os que são mais católicos se encontram em um momento difícil e olharam para Roma.

Então o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos está certo de que essa decisão não afetará negativamente o diálogo ecumênico entre as Igrejas?

Definitivamente isso não ocorrerá, e vamos continuar em nível oficial todos os diálogos com a Comunhão Anglicana. Isso é muito importante.

Por que, então, o Santo Padre decidiu estabelecer uma nova estrutura canônica para os ex-anglicanos, em vez de simplesmente inseri-los nas formas já existentes?

Na minha opinião, isso se deve ao fato de muitos deles dizerem desejar se tornar católicos, mas também terem muito amor pela tradição anglicana. Um traço característico da Igreja da Inglaterra é estarem os anglicanos arraigados às próprias tradições, à linguagem, às orações, à música, às formas de culto, e talvez de maneira que nós mesmos achamos difíceis de compreender. Quero dizer que, em boa medida, é muito difícil para eles renunciarem a isso. Por isso, os que querem se tornar católicos enfrentam esta decisão dolorosa: "Se eu me tornar católico, terei que deixar para trás essa tradição que é tão importante para mim?" Então o Papa, caridosa e generosamente, deu-lhes a possibilidade de se tornarem católicos romanos podendo conservar suas tradições.

O que ficará e o que mudará para eles?

Isso ainda não foi definido. Como afirmou o Mons. di Noia, teremos de analisar. Pode-se ver que há alguma antecipação disso nos Estados Unidos, onde alguns párocos usam uma versão da liturgia anglicana tradicional, adaptada ao rito católico romano. É, portanto, uma missa católica, mas com a forma da liturgia anglicana. O cardeal Levada hoje comparou com outros ritos ocidentais, com o Ambrosiano, o Bracarense, e outros. É uma missa católica, sem dúvida, mas com uma forma histórica particular. Assim, não sabemos como será a forma, mas com certeza usará muito da linguagem da liturgia anglicana.

Será uma Igreja Católica Anglicana especial? Do mesmo modo como temos, no Catolicismo, a Igreja Greco-Católica?

Bom, em certo sentido, sim. Seria um costume anglicano, do rito anglicano na Igreja Católica. O Cardeal Levada ressaltou que as Igrejas orientais - estamos falando dos Católicos Ortodoxos - estão numa situação histórica particular. [O caso do anglicanismo] tem relação com o Ocidente e é novo, mas é integralmente católico e não está sendo um rito romano, ainda que boa parte dos católicos usem em sua maioria. Mas esse é um rito diferente do rito latino. Como acontece em Milão, Toledo e onde quer que haja um rito diferente.

Também na Igreja Anglicana existem diferenças nos ritos. Nesse caso, haveria apenas um rito ou vários?

Isso não está claro. O que o arcebispo Di Noia disse é que, segundo parece, haverá também algumas afinidades com as tradições locais. Isso presumivelmente significa que haveria alguma relação com as tradições anglicanas locais, de modo que não seria da mesma forma em todo o mundo.

Quais são as semelhanças entre a tradição anglicana e a católica?

Essas semelhanças foram exploradas durante 40 anos de diálogo entre a Comunhão Anglicana e a Igreja Católica. Descobrimos e afirmamos muitas coisas em comum. Quais semelhanças? São muitas. Em primeiro lugar, eles se consideram como parte da Igreja Católica. Têm as três formas de ministério: bispos, padres e diáconos. O que acontece em outras igrejas, como a Igreja Reformada e o calvinismo, é que eles não têm bispos. Os anglicanos e os católicos têm.

Os anglicanos mantêm uma noção de sacramento; eles reconhecem o Batismo e a Eucaristia como sacramentos. Na teologia eucarística, não se expressam da mesma forma que nós, mas estamos de acordo, em boa medida, sobre a forma de presença de Cristo. Ainda precisamos trabalhar isso melhor, mas oficialmente concordamos em boa medida sobre a Eucaristia. Eles concordam com muitas coisas sobre Maria, e têm uma extensa doutrina básica sobre a Igreja.

Por 1500 anos fomos uma mesma Igreja; nos últimos cinco séculos temos sido diferentes. Portanto, temos longa história como uma única Igreja. Assim, muitos elementos permaneceram, elementos católicos: muita espiritualidade, a forma do cerimonial, a forma do culto. De muitas maneiras o anglicanismo é similar à Igreja Católica, mas de muitas outras é diferente, tanto da católica, quanto da protestante.

Assim, como eu disse antes, eles não têm o sentido de centralizar a autoridade. Eles não têm nenhum organismo semelhante à Congregação para a Doutrina da Fé. Eles usam muita organização, mas a grande palavra para eles é "diversidade"; concordam entre si no básico, mas o essencial é ter grande quantidade de opinião dentro da diversidade. Assim, há alguns anglicanos que são muito católicos. Quando vamos a algumas igrejas anglicanas, pensamos que estamos numa igreja católica, vemos a imagem de Maria, as dos santos e velas. Em outras, pensamos estarmos em alguma igreja protestante, mais propriamente evangélica. Mas todas são anglicanas, porque a clave para o anglicanismo é ser abarcativo, incluindo um amplo leque de membros.

Os anglicanos reconhecem o Batismo e a Eucaristia, mas, e os outros sacramentos que estão presentes no Catolicismo? Os bispos e padres vão recebê-los novamente?

Sim, eles os receberão mais uma vez. Historicamente, a Igreja Católica decidiu que não reconhecemos as ordenações anglicanas, o ministério anglicano, porque depois da Reforma houve uma ruptura com a tradição. E, assim, a ligação com a linha apostólica foi perdida. Isso não quer dizer que não existam grandes semelhanças. Afirmamos também que os padres anglicanos não estão desperdiçando seu tempo; estão servindo como ministros da salvação, mas não são equivalentes ao padre católico. Não reconhecemos seu ministério sacerdotal. Desse modo, qualquer anglicano que se torne padre católico, mesmo que seja um bispo, tem de ser reordenado. Reconhecemos seu batismo como o mesmo que sempre tivemos, mas não reconhecemos seu sacerdócio. Não reconhecemos sua Eucaristia, por isso o católico não pode ir a uma eucaristia anglicana e receber a comunhão; isso não é permitido.

Será dada alguma formação para novos padres e bispos anglicanos?

Temos recebido anglicanos já por longo tempo, e particularmente após a ordenação de mulheres na Igreja da Inglaterra em 1992. Foram muitos, e tiveram de ser preparados, porque precisam, de fato, receber uma introdução cultural, bem como uma introdução teológica. A cultura da Igreja Católica é diferente da cultura da Igreja Anglicana. A Igreja da Inglaterra é uma igreja estatal. É a Igreja da rainha. Seus bispos possuem lugar garantido no Parlamento. A Igreja Católica não tem isso. Deve haver, então, uma preparação cultural, mais curta, pois eles não precisam sentar-se entre os jovens seminaristas católicos. E é uma preparação que leva em conta sua origem, o que fizeram e quais as suas necessidades. É necessário um período de preparação conveniente, já que desejam ser ordenados padres católicos. Não há nada de automático isso. Pode haver uma expectativa e esperança, mas pediríamos a todos os clérigos anglicanos que desejam ser católicos que se submetam tanto à formação quanto ao aprendizado conveniente sobre a Igreja Católica, e que possamos aprender a respeito deles.

Foi provavelmente uma surpresa, para muitas pessoas pertencentes à tradição católica ocidental, saber que o padre anglicano casado poderá permanecer casado e se tornar um padre católico.

Essa possibilidade foi claramente afirmada hoje de manhã. Trata-se de uma dispensa particular para um caso especial. Não afeta a norma regular do celibato. As pessoas hão de ver, e já viram, que há certo número de clérigos casados na Inglaterra, mas isso não mudará a norma oficial da Igreja Católica no tocante ao celibato. Nesse caso há uma dispensa particular para aqueles que estão entrando para a Igreja. A geração futura terá de ser celibatária.

O que acontecerá com bispos anglicanos casados que desejam entrar para a Igreja Católica?

Eles podem ser padres, mas não podem ser bispos. Foi deixado muito claro, hoje, que não teremos nenhum bispo casado. É contra a tradição da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa.

Qual é a presença dos anglicanos na América do Sul?

A Comunhão Anglicana é agora universal. Começou como inglesa e se espalhou pelo mundo com o Império Britânico. Mas também cresceu segundo a natureza do mundo de hoje. Existem anglicanos de língua espanhola e de língua francesa, que não são nem culturalmente, nem mesmo linguisticamente ingleses. Na América do Sul, o anglicanismo começou servindo a por grupos de ingleses ou americanos que viviam ali, mas adquiriu raízes locais e se tornou inculturado. Essa é uma parte do quadro. A América Latina tem boas relações ecumênicas com a Igreja Anglicana, e quando mantemos diálogo ecumênico com a Comunhão Anglicana, aparecem frequentemente bispos e teólogos dessa parte do mundo.

E sobre o idioma? A princípio tudo seria em inglês?

Depende do lugar. Se houver algum anglicano espanhol, na América do Sul, por exemplo, que solicitar, será providenciada uma solução local numa forma em espanhol. Mas eu acho que será usado sobretudo o inglês, já que é a principal língua da Comunhão Anglicana.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A crise conciliar vista da Basílica Vaticana - sobre o livro do Mons. Gherardini

Ps inicial: este texto está sendo postado em atenção aos pedidos que recebi, que pediram um texto sobre a obra do Mons. Brunero Gherardini, portanto, boa leitura a todos.

Concílio Ecumênico Vaticano II: Um Discurso a ser feito, de Monsenhor Brunero Gherardini

Padre João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

Para aqueles que se interessam pela Teologia, é inegável que a discussão sobre o Magistério do Concílio Ecumênico Vaticano Segundo e do Magistério que se seguiu a este mesmo Concílio ocupa hoje o centro das atenções e dos estudos daqueles que têm amor pela Igreja e um mínimo de espírito realista para perceber a crise que fulmina o Corpo Místico de Cristo, que é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. É imprescindível apreciar, então, qual a relação entre a crise doutrinal e moral que assola a Igreja e o Concílio Vaticano II. Trata-se de uma relação de causalidade? Que tipo de causalidade? De ocasionalidade? Pura coincidência?

Nesse sentido, ou seja, de uma análise verdadeiramente teológico-científica do Concílio Vaticano II, são já numerosas as iniciativas que surgiram nos últimos anos. Podemos citar, por exemplo, a criação do Instituto Bom Pastor com seu dever de crítica construtiva ao Magistério Conciliar; o congresso teológico realizado pelos dominicanos de Toulouse sobre a hermenêutica da ruptura ou da continuidade relativas ao Concílio; a publicação do livro de A candeia debaixo do alqueire do Padre Alvaro Calderon. A última publicação de relevada importância quanto ao último Concílio, porém, é a de Monsenhor Brunero Ghuerardini: Concilio Ecumenico Vaticano II: Un Discorso da Fare. E é preciso reconhecê-lo que ela é quoad clerum ao menos, a de maior importância, dado o autor e a sobriedade com que ele apresenta a sua crítica.

Monsenhor Gherardini é considerado por muitos como o último teólogo da escola romana, que conta entre os seus grandes nomes os dos cardeais Franzelin, Billot, Parente e outros como o de Monsenhor Piolanti. Monsenhor Gherardini foi o Decano de Teologia da Pontifícia Universidade Lateranense em Roma, sendo responsável pela cátedra do importantíssimo De Ecclesia (Eclesiologia), que é a nosso ver a matéria de maior relevo quanto ao que concerne à crise atual. Monsenhor Guerardini é também cônego da Basílica Vaticana de São Pedro. É, então, de um homem entranhado de romanidade, de respeito à hierarquia e ao Magistério e de um eminente teólogo (que conheceu, além disso, muito bem o mais alto ambiente filosófico-teológico eclesiástico anterior e posterior ao Concílio) o livro do qual vamos agora expor alguns pontos em prol da sã teologia, em prol de nossa Santa Mãe, a Igreja, e em prol da salus animarum.

Vale destacar, também, a oficialidade que reveste a publicação da obra de Monsenhor Ghuerardini, com prefácios de Dom Mario Oliveri, Bispo de Albenga, Itália e de Dom Ranjith, na época ainda Secretário da Congregação para o Culto Divino. São, então, um bispo e um arcebispo a quem o Senhor, por mediação do sumo pontífice, confiou uma parte de seu rebanho que aprovam a obra de Monsenhor Gherardini como uma grande contribuição para a serena consideração do Concílio. Ademais, a publicação é feita pela editora Casa Mariana Editrice, pertencente aos Franciscanos da Imaculada, que cooperam também e à sua maneira para o grande debate doutrinário sobre o Concílio.

Nesta breve apresentação da obra de Monsenhor Brunero Gherardini: Concilio Ecumenico Vaticano II Um discorso da Fare, não temos a intenção de esgotar todos os pontos de que trata o autor, mas simplesmente provocar as inteligências católicas à leitura do livro - que deve ser traduzido em breve para a língua francesa - e à reflexão séria sobre o tema a partir da exposição de alguns trechos do livro. Não nos cabe agora apresentar em forma de silogismo os argumentos que levam às conclusões do autor, mas tão somente apresentar em linhas gerais os assuntos tais como desenvolvidos na obra.

O Concílio celebrado, mas não considerado teológica e cientificamente

O livro de Monsenhor Gherardini começa pela constatação de que passados quase cinqüenta anos do último Concílio Ecumênico, a ausência de uma análise crítica e teológica verdadeiramente científica do Concílio Vaticano II é quase completa. No lugar dela o que existiram foram celebrações, comemorações, incensamento do Concílio, seja para afirmar a sua continuidade com a Tradição, seja para afirmar o começo de uma nova era na Igreja. O autor assevera, após esta constatação e passados quase cinqüenta anos de incensamentos ao Concílio, de celebrações intempestivas e contraproducentes, a necessidade de dar um passo atrás a fim de fazer uma “reflexão histórico-crítica sobre os textos conciliares, que busque as ligações deles – no caso em que efetivamente elas existam – com a continuidade da Tradição católica.” (pag. 17) Fica evidente, dessa forma, o porquê do título do livro: Concílio Vaticano Segundo: um discurso a ser feito.

Tal reflexão crítica é para o eminente professor um dos “mais urgentes deveres do Magistério eclesiástico, de cada um dos bispos e dos centros culturais católicos para o bem da Igreja; ao dever conjuga-se o direito do inteiro povo de Deus que lhe venha explicitado com clareza e objetividade o que foi o Vaticano II no plano histórico, ético e dogmático” (pag. 17). Ele propõe, em particular na sua súplica ao Santo Padre o Papa Bento XVI, uma grande volta aos textos do Concílio, um trabalho feito sem idéias a priori quanto à continuidade ou à ruptura no que concerne à Tradição, trabalho que objetiva o bem da Igreja e o fim da crise pós-conciliar: “O grande trabalho que deveria ser feito na desejada colaboração dos especialistas dos vários setores das ciências sagradas, provenientes de todo o orbe católico, poderia ser o de verificar se e em que medida o Vaticano II está ligado efetivamente, e não somente por intermédio de suas declarações, às doutrinas expostas ou pelos concílios, ou pelos Papas ou pelo ministério episcopal e transmitidas pela Tradição à vida mesma da Igreja” (pag. 57).

Vaticano II: Concílio Ecumênico é sempre per se infalível?

O autor em outro capítulo importantíssimo de sua obra considera a finalidade e a natureza do Concílio a partir do próprio Concílio. O autor destaca antes de tudo a finalidade e natureza do Concílio, a fim de diferenciá-lo dos outros Concílios Ecumênicos e em particular do tridentino e do Vaticano I. A finalidade do Vaticano II é, então, “não definitória, não dogmática, não vinculante dogmaticamente, mas pastoral. E, a partir disso, também quanto a sua natureza específica de Concílio Pastoral.” (pag. 47)

Ele analisa a Notificação de Monsenhor Pericles Felici quanto à classificação teológica da doutrina expressa no Concílio Vaticano II, o fato da existência de Constituições dogmáticas e de expressões que parecem indicar uma índole de peremptoriedade como “o Santo Sínodo ensina” ou “ensinamos e declaramos”. Levando em conta todos esses aspectos o eminente teólogo conclui que o Vaticano II não pode ser definido, em sentido estrito, dogmático e que as suas doutrinas que não são fundamentadas em definições precedentes não são nem infalíveis nem irreformáveis e por conseqüência não são vinculantes: quem as negasse não seria por esta razão formalmente herege. Por outro lado, “Aquele que o impusesse como infalível e irreformável iria contra o próprio Concílio” (p. 51) Quanto ao fato do Concílio Vaticano II declarar-se como Magistério Supremo, isso não significa que seja infalível ou irreformável. Nós indicamos o artigo do próprio Monsenhor Gherardini no Blog Disputationes Theologicae, no qual ele trata da questão ex professo.

A questão do assentimento devido aos diversos graus de Magistério é de suma importância para o entendimento do Magistério Conciliar e parece-nos ser a causa de inúmeros erros, seja dos sede-vacantistas, seja dos conservadores, seja dos “tradicionalistas” que afirmam a priori a obrigação estrita de aceitar integralmente e sem reservas o Concílio Vaticano II. Se alguém quer ser teólogo, é preciso distinguir freqüentemente. É preciso distinguir entre os graus do Magistério e conseqüentemente entre os diversos graus respectivos de assentimento. O intelecto só pode assentir de maneira absoluta à autoridade da evidência ou à evidência absoluta da autoridade, em um ato de fé. Esta evidência absoluta da autoridade está presente somente no Magistério infalível, devido à assistência divina. Daqui não se segue que se esteja livre para contestar abertamente o Magistério não infalível da Igreja, mas segue-se que é possível apresentar, com o devido respeito, nossas dificuldades à autoridade eclesiástica, a fim de que ela se pronuncie de maneira autêntica e definitiva. Não foi outra a atitude de Dom Lefebvre ao apresentar seu estudo Dubia sobre a liberdade religiosa à Congregação para a Doutrina da Fé.(...)

“E agora?” “O que fazer?”

A liberdade religiosa também é tratada ex professo pelo autor, ainda que de maneira breve, e não somente na Dignitatis Humanae, mas também nos outros documentos Conciliares. Monsenhor Gherardini, grande conhecedor da problemática do liberalismo, visto que coopera na causa de canonização do Bem-Aventurado Pio IX, após analisar o magistério conciliar sobre a liberdade e o magistério anterior, sobretudo a partir de Gregório XVI se pergunta: “E agora?”, “O que fazer?” (pag. 180); “É possível submeter a Dignitatis Humanae a uma hermenêutica da continuidade?” (pag. 187)

Ele reafirma e nós destacamos que tais perguntas são possíveis somente em razão da não infalibilidade e da não irreformabilidade dessa Declaração Conciliar (que pelo fato de ser uma declaração tem autoridade ainda menor). O autor chega à conclusão de que a Dignitatis Humanae está em continuidade se nós nos contentarmos com uma declaração abstrata de continuidade, mas que sobre o plano histórico e concreto, ele não consegue ver como realizar uma hermenêutica de continuidade. (pag 187). E a razão é clara: a liberdade do decreto Dignitatis humanae não concerne a um aspecto da pessoa humana, mas à essência dessa e, com ela, toda a sua atividade individual ou pública enquanto livre de todo condicionamento político e religioso tem bem pouco em comum com, p. ex., a “Mirari Vos” de Gregório XVI, com a “Quanta Cura” e o “Syllabus” do Bem-Aventurado Pio IX, com a “Immortale Dei” de Leão XIII, com a Pascendi de São Pio X, com o decreto “Lamentabili” do Santo Ofício e com a “Humani Generis” de Pio XII. “Não é, na verdade, questão de linguagem diversa; a diferença é substancial e, portanto, irredutível. Os conteúdos respectivos resultam diversos. Os conteúdos do Magistério precedente não encontram nem continuidade nem desenvolvimento no conteúdo da Dignitatis Humanae(pag. 187) Assim, Monsenhor Gherardini se opõe àqueles que vêm na Declaratio Dignitatis Humanae uma simples aplicação dos princípios tradicionais às circunstâncias atuais, tese defendida pelos conservadores. O autor se diz disposto a aceitar tal posição, mas é inegável a ausência da inderrogável e indiscutível condição do “eodem sensu, eademque sententia” (pag. 188)

Em busca da unidade. Que unidade?

Monsenhor Gherardini expõe ainda sua análise quanto ao ecumenismo, assinalando a sua formulação ingênua e completamente acrítica nos documentos conciliares. O eminente professor contrapõe o unionismo (volta dos separados à já existente unidade da Igreja Católica) anterior ao Concílio ao ecumenismo de hoje, “que é uma metodologia completamente nova que evita, que foge da condenação e se abre à busca dialógica – e assim plurilateral – da verdade sem presumir-se possuidor da mesma, sem que ninguém a imponha a um outro, no respeito total de cada um.” (pag. 210) E se a Unitatis Redintegratio afirma no seu número 4 que a Igreja Católica possui toda a verdade revelada por Deus e todos os meios da graça, ela afirma também e de súbito que isso não a habilita “a exprimir sob todos os aspectos a plenitude da catolicidade na realidade da vida” (pag. 211)

Interessante e necessário notar que o autor coloca a causa do ecumenismo no novo humanismo que permeou a Aula Conciliar: “A partir deste momento as fronteiras extremas do antropocentrismo idolátrico tinham sido atingidos. Não estava em questão se o homem acreditava ou não, mas bastava que fosse o ‘centro e o ápice’ (Gaudium et Spes 12) de todos os valores criados, queridos e ordenados por Deus ao seu serviço, subordinados ao desenvolvimento integral de sua pessoa (Gaudium et Spes 59). Logica é a conseqüência: a Igreja tem um único escopo, o de ‘ajudar todos os homens de nosso tempo, seja aqueles que acreditam em Deus, seja aqueles que explicitamente não o reconhecem, a descobrir o mais claramente a plenitude da própria vocação, tornar o mundo mais conforme à eminente dignidade do homem e aspirar a uma fraternidade superior e universal. (Gaudium et Spes 91) ’ (pag. 190). “A base antropocêntrica do diálogo ecumêmico estava, dessa maneira, estabelecida; sobre ela podia-se tranqüilamente erigir o edifício dos ‘princípios católicos do ecumensimo’, com o escopo não de colocar-se em acordo com as diversas e contrapostas denominações cristãs em vista do único rebanho sob um só pastor (Jo 10, 16), mas com o escopo de facilitar o esforço cristão comum a serviço do homem, com cada denominação cristã permanecendo firme no ponto de partida.” (pag. 190) Tudo isso decorre da má interpretação da afirmação de que “o homem é a única criatura querida por Deus por ela mesma” contida na Gaudium et Spes número 24. A análise aqui feita por Monsenhor Gherardini tira as últimas conseqüências do texto conciliar. Hic taceo.

Uma Igreja do vaticano II?

Quanto à Eclesiologia presente na Constitutio Dogmatica Lumen Gentium, ele lembra que a serpente esconde-se no meio das vegetações: “latet anguis in herba”. Quer dizer que embora eclesiologia do concílio tenha muitos pontos positivos, há problemas sérios no que concerne ao “subsistit in” e o “subjectum quoque” (a colegialidade), de forma que é possível fazer interpretações que estejam de acordo com a Tradição, mas que a ambigüidade permitiu no pós-concílio a difusão quase exclusiva de interpretações que se opõem à identidade da Igreja de Cristo e da Igreja Católica Apostólica Romana e ao poder supremo de jurisdição, universal, pleno, direto, verdadeiramente episcopal do Romano Pontífice sobre toda à Igreja de Cristo. Ademais, Brunero Gherardini destaca a insistência da afirmação da Igreja como mistério e sacramento a fim de acentuar seu caráter invisível e a total ausência da noção de Igreja como “sociedade perfeita”, quer dizer auto-suficiente, dotada por seu divino fundador com todos os meios necessários para alcançar o seu fim. Assim, também no que se refere à Igreja é preciso uma análise científico-teológica séria do texto conciliar.

“Faz pensar e obriga a tomar uma posição”

É impressionante como o autor relaciona em seu livro os documentos conciliares com o antropocentrismo e um antropocentrismo de índole anti-racional, dando-se ênfase ao viver juntos em detrimento da verdade e mesmo da verdade revelada. Dando-se preponderância ao sentimento em detrimento da razão, como se assim, abandonando o que lhe é próprio (a inteligência), o homem pudesse se tornar mais humano. E como me disse um Bispo muito bom: “o livro faz pensar e obriga a tomar uma posição”. A frase nos indica duas coisas importantíssimas: 1) o problema referente ao Concílio é inegável e 2) diante desse problema é preciso fazer algo que se evitou fazer durante quase cinqüenta anos: tomar uma posição clara, a partir da análise científica dos dezesseis documentos conciliares.

E aqui nos unimos à súplica de Monsenhor Brunero Gherardini ao Santo Padre o Papa Bento XVI para que com sua autoridade faça um grandioso e possivelmente definitivo esclarecimento quanto ao Concílio, a partir de uma consideração verdadeiramente científica dos documentos conciliares considerados em si e em sua relação com os outros. E “assim se a conclusão científica do exame levar à hermenêutica da continuidade como a única possível e devida, será agora necessário demonstrar – para além de toda afirmação declamatória – que a continuidade é real, e tal se manifesta somente na identidade dogmática de fundo. Se porém esta, em toda ou em parte, não resultasse cientificamente provada seria necessário dizê-lo com serenidade e franqueza em resposta à exigência de clareza sentida e esperada faz quase meio século” (pag. 256) “Basta, Santo Padre, uma palavra sua para que tudo, sendo ela a Palavra própria, retorne à clareza da pacífica, luminosa e alegre profissão da única Fé na única Igreja” (pag. 257). Não pode deixar de nos acudir a idéia de que a discussão doutrinária com a Fraternidade São Pio X seja a ocasião para tal palavra do Santo Padre. Rezemos para que Nossa Senhora esmague as heresias que triunfaram in castris modernistarum et per eos in sinu Sanctae Matris Ecclesiae.

A quoddam clerico Sanctae Romanae Ecclesiae

O livro Concilio Ecumenico Vaticano II. Un discorso da fare, de Monsignor Brunero Gherardini pode ser obtido escrevendo para CASA MARIANA EDITRICE, Via dell'Immacolata, 83040 Frigento (Av) telefonando ou enviando um fax ao 0825.444015 - 444391 ou então na Chiesa Maria SS. Annunziata, Via Lungo Tevere Vaticano, 1 - 000193 Roma. Tel. 06.6892614 (apertura: 9.00 – 12.00; 16.00-20.00) . Todos os livros de "Casa Mariana Editrice" não têm um preço comercial, mas pode-se fazer uma oferta segunda as possibilidades e bondade do leitor.

Ps final: a parte ocultada é referente à liturgia, que foge um pouco do assunto e, portanto, quem quiser saber, pode conferir nos comentários.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

'Fundamentalistas' que criticam o PNDH-3 e os infiéis que o defendem

Dessa vez extrapolou:

"O bispo de Jales (SP), dom Luiz Demétrio Valentini, criticou ontem o "fundamentalismo" de religiosos da Igreja Católica, que querem condenar todo o 3º PNDH (Plano Nacional de Direitos Humanos). Os bispos estão reunidos em Brasília, na 48ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), e deverão apresentar nesta quarta-feira um documento com críticas ao plano dos direitos humanos.

De acordo com dom Valentini, parte dos bispos vê o plano como uma "provocação" e, por isso, quer condenar em bloco todo o PNDH-3. Ele disse temer que seja fechado um documento "marcado pelo fundamentalismo", pois para ele o plano de direitos humanos traz muitos avanços.

"A gente percebe que existe um patrulhamento externo, mandam centenas de e-mails [para os bispos], invocando o evangelho para condenar em bloco [o plano], para mandar o presidente para o inferno e mais não sei quem junto", disse dom Valentini.

"Alguns bispos parece que se sentem mais motivados por esse tipo de posicionamento, que para mim é caracterizado por um fundamentalismo incompatível com os nossos tempos", completou.

O PNDH-3 tem provocado polêmica desde o início do ano, por tratar de temas como o aborto, o que enfureceu setores da Igreja Católica. Após pressões, o governo resolveu modificar o trecho que tratava do aborto e poderá também alterar o item sobre a ostentação de símbolos religiosos, como crucifixos nas paredes. A versão final do plano dos direitos humanos deverá ser assinada pelo presidente Lula e divulgada pelo governo.

Segundo dom Valentini, a discussão sobre o PNDH-3 na última segunda-feira foi marcada por tensão e falta de consenso. De acordo com o bispo de Jales, parte dos religiosos não aceita que o plano de direitos humanos trate de questões como a profissionalização de prostitutas, a adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo e a união civil gay."

"Tenho esperança de que prevaleça o bom senso. Tenho a esperança de que não vamos fazer um documento marcado pelo fundamentalismo", afirmou.

HAHAHAHAHAH, que hilário. Como um católico pode ser a favor da união GAY? Que respaldo teológico existe para a adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo? Como esse Bispo consegue ver nisso algo bom?

Bem no dia que o Papa disse que a fé corre o perigo de se apagar, esse Bispo solta mais uma desta. Amigos, o fim dos tempos está próximo. Tomara que esta redação esteja errada e que o Bispo tenha se equivocado nas suas posições.
.
Fonte:

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mons. Klaus Gamber , o Vaticano II e o Rito Paulo VI


Mons. Klaus Gamber, fundador do Instituto Litúrgico de Ratisbona, talvez o maior liturgista do século passado, escreveu obras que são motivo de controvérsias. Se há um nome que, para alguns é um verdadeiro mestre e para outros um verdadeiro fanático, este é Klaus Gamber.

Mas, quem realmente conhece sua obra? Quem realmente leu, debateu e fez estudos sobre o tema? Posso dizer que são poucos. Já vi várias afirmações sobre o Rito Paulo VI e o Vaticano II (no que tange à liturgia) e que geraria uma lista imensa, maior que uma escalação da seleção brasileira. Por isso, infelizmente não se pode tratá-las uma a uma (até porque algumas são insignificantes). Resolvi, portanto, encontrar o ‘coração’ de toda essa controvérsia. Quem de nós nunca ouviu frases como “a Missa do Vaticano II”, “a Missa de Lutero”, ou algo como “a Missa cancerígena”, “a Missa Fabricada” e por aí vai.

Este texto tem a intenção de somente passar a posição do autor sobre alguns pontos essenciais. Não é para defender a posição do fulano, do cicrano ou criticar a do beltrano; somente passar a posição do autor. Todos os textos citados são da obra “A Reforma da Liturgia Romana”, traduzida por Luís Augusto Rodrigues Domingues para a língua portuguesa, no ano de 2009.

O Rito Paulo VI e o Vaticano II

Para Klaus Gamber, não há nenhuma ligação entre o Rito promulgado por Paulo VI e o Concílio Vaticano II, isto fica bem claro quando o autor pergunta, “O que se ganhou, com a nova liturgia, em favor da “participação ativa” (“Actuosa participatio”) dos fiéis, tão desejada pelo Concílio? Nossa resposta não pode ser outra: nada que não se pudesse obter sem modificar substancialmente o rito existente até hoje.” Mais adiante, ele afirma: “Desgraçadamente não se contentaram com algumas reformas prudentes e necessárias; negligenciaram a recomendação do Concílio, que no artigo 23 de sua Constituição sobre a liturgia diz: “não se introduzam inovações, a não ser que uma utilidade autêntica e certa da Igreja o exija”. Quiseram mais: quiseram mostrar-se abertos à nova teologia tão equívoca, abertos ao mundo de hoje. Por isto, os artífices do novo rito da missa não podem apelar ao Concílio, ainda que não cessem de fazê-lo. (...)

É necessário também indicar o seguinte: muitos elementos, que não tinham sido experimentados

ainda, encontraram seu lugar no novo “Ordo”, como os “ritus initiales”, o que é totalmente contrário aos costumes seculares da Cúria. E estes elementos sem ter sido previamente experimentados foram seguidamente introduzidos de forma definitiva. Desta forma o novo “ordo missae”, como em geral o novo “Missale romanum”, impediu uma reforma autêntica e durável da missa no espírito do Concílio Vaticano II.” (pág. 24)

Ora, o Concílio não pediu uma liurgia nova e de origem “artificial”, “inventada”, muito menos isso foi demonstrado no documento conciliar sobre tal.

Por fim, quando o autor trata de dar uma sugestão para o enriquecimento do rito, ele declara: “Quanto ao “ritus romanus”, se cuidará de enriquecer a missa segundo o espírito do Concílio

Vaticano II, por meio de um número maior de prefácios próprios, extraídos do tesouro dos antigos sacramentários romanos e por uma seleção de perícopes suplementares.

De fato, o Rito Paulo VI só pode ser considerado romano no sentido lato do termo, pois de romano não tem nada, já que a tradição romana foi amputada nesta reforma. E são estes “antigos sacramentários romanos” (pág. 36) que precisam voltar. Portanto, na visão do autor, não há razão para associar o Rito Paulo VI ao Vaticano II.

A Missa de Lutero.

Klaus Gamber diz:

“Quando, por exemplo, o reformador e seus partidários começaram a suprimir o cânon, ninguém se deu conta, pois, como se sabe, o cânon se dizia sempre em voz baixa. Prudentemente Lutero não suprimiu em seguida a elevação da hóstia e do cálice: seria a primeira que os fiéis iriam perceber. Continuou, como anteriormente, empregando o latim e o canto gregoriano, ao menos nas grandes igrejas, quanto ao canto em alemão, já era muito conhecido antes da Reforma e, em muitas ocasiões, cantado no decorrer da missa. Nada parecia constituir uma coisa nova.

A nova reorganização da liturgia, sobretudo as profundas modificações do rito da missa, que tiveram lugar sob o pontificado de Paulo VI e que com o tempo chegaram a ser obrigatórias; foram ainda mais radicais que a própria reforma litúrgica de Lutero, pelo menos no concernente ao rito externo, e não levaram em conta o sentimento popular.”(pág. 24)

Acredito que todos concordam aqui: a reforma de Paulo VI foi mais radical que a de Lutero, só que no seu rito externo! Internamente isso seria impossível. As alterações de Lutero foram ‘mínimas’, ao contrário do que fez o Rito Paulo VI ao ir muito mais longe do que pedia o Concílio, fazendo coisas até então impensáveis, por exemplo, introduzindo elementos da liturgia Oriental no rito “romano”. O autor enfatiza: “Mas da forma que se fez, abandonou-se tanto a tradição da Igreja do Ocidente como a do Oriente e se aventurou no perigoso atalho da experimentação, sem ver a possibilidade de regressar facilmente aos usos antigos. Alguém poderá estranhar se os padres progressistas irem ainda mais além na “renovação da liturgia” e em lugar de leituras bíblicas lerem algumas passagens de Karl Marx ou de Mao Tse Tung; ou, se lhes agradar, um trecho de algum periódico? Destruir uma antiga ordem é algo relativamente fácil; criar uma nova é difícil.” (Pág. 31)


O uso do vernáculo


Para alguns isto será um pouco triste, mas Klaus Gamber NÃO era contra o uso do vernáculo na liturgia. Inclusive, ele se baseia no que diz o Concílio Vaticano II para se guardar e conservar o Latin na liturgia, bem como o Gregoriano:

“O ato penitencial na forma de uma confissão pública dos pecados (confessio publica) é conhecido desde a idade média. Não era recitado no começo da missa, mas depois da homilia. As mais antigas fórmulas que nos foram conservadas remontam ao ano 800. Pertencem junto com o “Pater” e o questionário do batismo, aos mais antigos monumentos litúrgicos do antigo alto-alemão.

No que se refere à liturgia da Palavra (“liturgia Verbi”) do novo “ordo” da missa, pode-se observar simplesmente que não há nenhuma objeção à possibilidade de uma leitura suplementar (tirada do Antigo Testamento) e menos ainda a proclamação de perícopes na língua do país, como o prevê o artículo 36, 2 da Constituição litúrgica.

O emprego da língua vulgar do país nas leituras não era raro na liturgia romana dos primeiros

tempos. No século IX os propagadores da língua eslava, os santos Cirilo e Metódio, empregaram em suas atividades missionárias, na Morávia, uma tradução em eslavo do Evangeliário latino – feita por eles mesmos.

Na mesma Roma, pelo menos em certos dias, as leituras se faziam em grego para a parte do povo que falava esta língua, permanecendo este costume até o coração da idade média.

Todavia temos nossas reservas quanto ao novo ordenamento das leituras! Para responder ao artigo 35 da Constituição litúrgica, teria sido totalmente normal criar outra série de perícopes para os domingos e uma leitura continua (“lectio continua”) para os dias da semana. Isto teria sido um enriquecimento do antigo missal. Mas por que razão abolir ao mesmo tempo a ordenamento das antigas perícopes? Voltaremos a falar sobre isto.

Era um antigo costume eclesiástico que o celebrante permanecesse sentado enquanto o leitor

proclamava as leituras, o que no rito romano se reserva nada mais que para as missas pontificais; a este respeito não há nada que objetar no novo rito. Tampouco a oração universal que, conforme o artigo 55 da Constituição litúrgica, se coloca ao final da liturgia da Palavra. No mesmo lugar e em todos os ritos se encontram orações deste tipo. Também são encontradas na mais antiga liturgia romana. O “Oremus” isolado, antes do ofertório, é um testemunho de que isso permaneceu no antigo rito.

Desde a idade média até uma época muito recente, se tinha uma homilia. O sacerdote a pronunciava do alto do púlpito e em língua vernácula, assim como também a “confissão pública” após a homilia.” (Pág. 32)

Ele considerava que, “A proclamação das leituras em língua vernácula – e eventualmente, como temos dito, perícopes suplementares opcionais para os domingos e uma leitura contínua para os dias da semana –, a reintrodução da oração universal antes do ofertório, a possibilidade de outros cantos ao lado dos gregorianos, tudo isto teria sido suficiente para incitar os fiéis a participar ativamente na missa.” (Pág. 28)

Como todos podem ver, Klaus Gamber não era contra o uso do vernáculo na lirtugia; ao contrário, advoga a favor dele. Não é preciso dizer mais nada.


O “câncer” na Missa


Por último, deixo aqui a conclusão do autor, para que você, caro leitor, faça agora uma nova interpretação da mais famosa citação desta obra, que se encontra na última página:


À MANEIRA DE CONCLUSÃO


A confusão é enorme. Quem vê claro hoje em dia, em meio a esta escuridão? Onde estão os

responsáveis da Igreja que nos possam mostrar o bom caminho? Onde estão os bispos que tenham o valor de fazer desaparecer este tumor canceroso, que é a teologia modernista, implantada no tecido da celebração dos santos mistérios, antes que se prolifere mais e mais?

Precisamos hoje de um novo Atanásio, um novo Basílio, algum daqueles bispos que durante o séc. IV se lançaram com valentia contra a heresia, quando quase toda a cristandade tinha sucumbido ante o arianismo. Precisamos hoje de santos capazes de reunir, para uma luta comum contra a heresia, todos os que ainda permanecem firmes na fé, e que também sejam capazes de animar os mais fracos.

Só nos resta rezar e esperar que a Igreja romana retorne à tradição e autorize de novo em todas as partes a liturgia da missa antiga, com mais de mil anos de antigüidade. Duas formas, a do antigo e do novo rito, por que não poderiam subsistir pacificamente uma ao lado da outra? Como no Oriente, onde existem numerosos ritos e liturgias e também no Ocidente, onde também hoje, há ritos particulares como em Milão.


Sem falar do fato de que atualmente cada padre fabrica a missa a seu capricho.

Mas em todo caso, é necessário que o novo rito melhore em relação a como é praticado em nossos dias.


Nesta época de enfraquecimento da fé em que vivemos hoje, a chamada para salvar o que ainda se pode, se faz mais urgente. Por paradóxico que possa parecer, não são os pretendidos adeptos do progressismo (esses que esquecem cada vez mais tudo o que harmoniosamente se desenvolvia na igreja, para substituí-lo por suas duvidosas experiências) os que são verdadeiramente “modernos” em nossos dias, mas os conservadores, que conhecem o valor do que nos foi transmitido. Com a condição de que permaneçam abertos às exigências pastorais de nosso tempo.”

Apostolado Shemá
Seja nosso parceiro. Cole o código em seu blog.

VISITE TAMBÉM