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domingo, 11 de abril de 2010

Neoconservadores contra as palavras do Mons. Pozzo?

Esive envolvido nos últimos dias, em um debate sobre o Vaticano II na Comunidade 'Católicos' do Orkut.
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Em um certo momento do debate, eu disse que há ambiguidades nos textos Conciliares. Vejam qual foi o tratamento que recebi:
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Luciano disse: O problema não está nos textos conciliares, mas em uma interpretação errônea e fora de contexto dada tanto por modernistas quanto por rad-trads e afins para disseminação de seus erros.
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Prova disso foi o que o Diabo fez com a Bíblia, ao usá-la como base para tentar Jesus. Onde isso pode parar? Uso sempre o protestantismo como paradigma para responder a esta pergunta, não somente o proveniente de Lutero e Cia, mas daqueles que exaltam Boff, Betto, Lefèbvre, dentre outros.

Ah, claro! É tudo culpa dos "rad-trad's", e dos "Modernistas", pois no Concílio está tudo claro e cristalino, certo? E vejam como ele é um bom entendedor do assunto, coloca D. Lefebvre no mesmo patamar que Boff e Betto. É nisso que dá quando se quer discutir teologia, da mesma forma com que se discute novela.

Quando perguntei por que minhas postagens tinham sido apagadas, David, que é moderador da Comunidade,, disse:
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"Alguns posts foram apagados.

Daqui em diante postagem que colocarem em xeque os textos conciliares serão deletados.

Satanás usou o Salmo 91 para tentar Jesus, nem por isso ninguém acusou o capítulo de ambiguidade ou algo do gênero."

Então, leitores de sempre, ou de agora, será que eu não tenho o direito de concordar com as palavras do Mons. Pozzo? Aliás, quem é Mons. Pozzo? É o Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. A menos que o Papa tenha designado um 'rad-trad', ou um "Modernista" para a comissão que está em debate com a FSSPX, creio que suas palavras são de quem entende do assunto. Vejam as respostas dele:

"Quando lhe foi respondido que a FSSPX conhecia bem esse discurso e persistia em sustentar que há problemas graves nos próprios textos do Concílio, Mons. Pozzo modificou sua posição:
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– É verdade, acrescentou, que há passagens mal formuladas e pouco claras nesses textos. Isso se deve ao fato de que os padres conciliares queriam evitar a linguagem teológica clássica, para falar de uma maneira “mais acessível aos homens da época”. Isso pôde provocar ambigüidades, mas não significa uma intenção de negar ou mudar a doutrina católica tradicional. Pelo contrário, os padres consideravam que a doutrina católica era uma coisa estabelecida. Tratava-se apenas de alterar a maneira de se exprimir por razões pastorais. Nesta ótica, é, portanto, legítimo criticar as passagens que não são muito claras do ponto de vista da doutrina tal como fora ensinada anteriormente. Mas não é necessário lhes atribuir um significado heterodoxo, pois não havia nenhuma intenção de mudar a doutrina tradicional. Conforme uma sã hermenêutica, é necessário compreender tais passagens do Vaticano II que geram dificuldade num sentido que não contradiz o Magistério constante anterior, pois é o mesmo Magistério que ensina a todas as épocas.
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– É necessário, então, distinguir nos documentos, e em cada documento, as reafirmações do dogma e da fé tradicional, as propostas ensinadas como doutrina do Magistério autêntico, das exortações, diretrizes, e, finalmente, das opiniões e explicações teológicas que o Concílio propôs sem qualquer pretensão de vincular (pretesa di vincolare) a consciência católica. Não se deve, portanto, impor aos católicos a aceitação pura e simples de opiniões que o próprio Concílio não impôs com a pretensão de exigir o assentimento intelectual. A esse respeito, seria útil fazer uso das notas teológicas que a teologia e o Magistério formaram durante os séculos. Infelizmente, hoje até mesmo os bispos não são capazes de fazer tais matizes nos documentos da Igreja." [1]
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Ah, então o Mons. Pozzo seria um infiel que faz interpretações para dissiminar os seus erros? Aliás, que erros? Será que já não basta que os neoconservadores sejam acríticos, assumindo uma posição legalista, é preciso negar até mesmo o que autoridades da Igreja afirmam na imprensa livre? E isso é um caso sério, porque qualquer 'boi' sabe fazer uma pesquisa no "Google". Essa visão irreal sobre a Igreja, só piora o estado atual, como que se adimitir que os textos Conciliares são ambíguos em alguns pontos, fosse algo como o "Apocalipse". Se há ambiguidades no Concílio de Trento, no de Florença, e essas ambiguidades são reconhecidas pela Igreja e tratadas em manuais de teologia, por que o Vaticano II tem que ser 'intocável'? E não é que eu esteja 'procurando "Chifre em cabeça de cavalo", são questões que estão evidenciadas até por parte de Roma. Qual o problema de aceitar isso e tomar uma atitude madura perante a situação? Não há nenhum problema, isso só traria bem para a Igreja, pois a classe de Católicos bem preparados estaria aumentando, mas não, dissemina-se um mundo de faz de conta, um conto de fadas que não faz ninguém dormir, só traz 'pesadelos'.

Eu quero poder ter a liberdade de concordar com o Mons. Pozzo, sem ser taxado de 'rad-trad', cismático, e todos esses pejorativos, e isso é um direito que eu exijo.

3 comentários:

  1. Fonte: http://fratresinunum.com/2010/02/24/monsenhor-guido-pozzo-a-exclusividade-do-rito-tradicional-e-o-concilio-vaticano-ii/

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  2. Caríssimo Junior Pereira, Laudetur Dominus!

    Seja bem-vindo ao clube dos que apanham por tentar mostrar que há ambigüidades no texto do CVII! A censura sofrida por você mostra como os moderadores da comunidade Católicos do Orkut é tolerante...

    O que mais me impressiona nesta polêmica é a empáfia do sr. Luciano e do sr. David que colocam no mesmo patamar a Bíblia Sagrada e os textos do Vaticano II! O senso de proporção desses sujeitos está seriamente comprometido.

    A ambigüidade em alguns textos do CVII é qustão de fato, não é questão de gosto. Essa comunidade do Orkut pode tentar esconder o quanto for estas conclusões, mas o orkut não é senão um dos meios pelos quais a verdade pode vir à luz.

    Pax et Salutis

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  3. Prezado Captare, salve Maria!

    A noção de proporcionalidade é só um dos pontos que estão comprometidos na mente dos que pensam assim. E não são somente esses dois sujeitos.

    Pude perceber, com meus estudos, que há sim, ambiguidades nos textos conciliares. Agora, uma coisa é eu dizer que são ambíguos, outra coisa diferente é dizer que essa ambiguidade é causa da má vontade dos Bispos, como que se eles estivessem sendo inresponsáveis. O que, absolutamente, não creio. Mas, se há ambiguidade na letra do Concílio, ela precisa, somente, de uma precisão. Não significa que há contrariedade nos textos.

    Vou publicar um texto, onde mostrarei como o nível de conhecimento teológico das pessoas que defendem vários absurdos absurdos é pífio. E isto é apenas o começo! É de uma catástrofe gigantesca que pessoas estejam na moderação da maior comunidade Católica do orkut, causando males às almas.

    Paz e Bem!

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