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quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Família Cristã

A família, conforme o Papa Bento XVI constitui um patrimônio da humanidade. Vale, pois a pena investir nela. Em primeiro lugar, no seu valor de unidade e de amor. Depois, na situação de sua precariedade atual. Encontram-se casais de segunda união, com enormes problemas pela frente. Toca-se ali numa chaga pastoral que deixa angustiadas muitas pessoas e se enfrentam crises capazes de sacudir a própria estrutura da família. Sabemos que o ser humano não é apenas indivíduo, ou seja, o indivíduo humano constitui uma abstração. Não corresponde à realidade humana. Desconhece seus relacionamentos e suas circunstâncias. Na verdade, o ser humano é família. Atingir um de seus membros é afetar toda a família. Costuma ser mais dolorosa a perda de um membro da família que a amputação de um membro do próprio corpo. Viver, na realidade, é conviver, o que vale dizer que quem não convive também não vive humanamente.


Olhando o conspecto histórico dir-se-ia ser difícil definir o que seja a família. Pergunta-se, por isso, mais especificamente não o que os homens dizem ou pensam ser a família, mas o que Deus nos revelou a seu respeito. Podemos partir do modelo da Sagrada Família - José, Maria e Jesus - e ampliá-lo para seu parentesco, de modo a, semiticamente, se falar dos irmãos e irmãs de Jesus, para designar todo o envolvimento familiar. É casal que se transforma em pai e mãe; são filhos e, conseqüentemente, irmãos e demais parentes, de linha reta e colateral. Em síntese, a família é relação de amor: amor conjugal, amor paterno-materno para com os filhos; amor filial para com os pais e amor fraterno entre os irmãos, para classificar a múltipla e complexa relação familiar.

Falamos, em conseqüência, de um tríplice parentesco; de consangüinidade, quando envolve o DNA; afinidade, que resultado casamento, entre parentes de um lado com os do cônjuge; e de espiritualidade, produzido pelos sacramentos, através do apadrinhamento. O primeiro é, sem dúvida, indissolúvel porque se baseia no sangue. O segundo sofre os revezes da instabilidade dos laços matrimoniais, e o terceiro se prende à firmeza da fé. A revelação divina nos certifica da indissolubilidade do matrimônio. Liga-a ao Sacramento e, por isso, a torna símbolo da união indefectível entre Cristo e a Igreja. O casal cristão, ao contrair o matrimônio, recebe uma graça especial que o configura por este amor indissolúvel à relação que existe entre Cristo e a Igreja. Visibiliza assim o amor que Cristo tem pela Igreja e vice-versa. Não pode, pois, ser mentiroso nem infiel.

A Igreja assumiu a realidade terrestre do matrimônio em tal profundidade que a tornou critério da vivência cristã de seus membros. Não admite, em seu seio, uma união conjugal que não se conforme a este ditame. Considera toda tentativa de outro modelo de família uma negação da identidade cristã. De outro lado, porém, a mesma família tem consciência, expressa pelo Concílio Vaticano II, de ser, ao mesmo tempo, santa e pecadora. Compõe-se de membros pecadores, que necessitam continuidade da misericórdia divina. Passa, por isso, para a vanguarda da a parábola do Pai misericordioso, do Bom Pastor, do Perdão até setenta vezes sete. Não é, pois, de estranhar que acolha, com especial carinho e cora pastoral, os casais de segunda união. Sabe que enfrentam problemas. Inclina-se sobre eles como o Bom Samaritano, para colocar lenitivo sobre suas feridas. O Papa João Paulo II, em sua exortação apostólica possinodal, Familiaris Consortio, exorta vivamente os pastores da Igreja e toda a comunidade eclesial a acolherem com carinho a estes casais e abrir-lhes espaço em seu seio.



Dom Dadeus Grings - Arcebispo de Porto Alegre

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