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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Caminho espiritual-pastoral para casais em segunda união

A Igreja não quer discriminar nem punir os casais em segunda união, mas sim, oferecer-lhes um caminho espiritual – pastoral adaptado à sua situação. Este caminho espiritual-pastoral é apontado claramente pela “Familiaris Consortio”. Este caminho pode ser chamado e é de fato um caminho espiritual-pastoral, muito rico de frutos espirituais de vida cristã, mesmo que o “status permanente” de segunda união e sem retorno seja uma situação “irregular”.


A Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 1981, de João Paulo II, no n. 84, exorta os casais divorciados a participar de um caminho de vida cristã que deve consistir em:

“Ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência... que se resume em "perseverarem na oração, na penitência e na caridade".

A Exortação Apostólica “Sacramentum caritatis”, 2007, de Bento XVI, no n.29, reafirma o convite de cultivar, quanto possível: “Um estilo cristão de vida, através da participação da Santa Missa, ainda que sem receber a comunhão, da escuta da Palavra de Deus, da adoração Eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos”.

1. A comunhão com a Palavra de Deus

Escutar é algo mais que ouvir. É atender ao que se diz. É ir assimilando e tornando pessoal o que foi dito. É algo ativo, não passivo. É uma abertura a Deus que a eles dirige a Sua Palavra. Por intermédio de Isaías ou de Paulo fala-lhes aqui e agora. Algumas vezes, esta Palavra os consola e os anima. Outras, julga suas atitudes e desautoriza seu estilo de vida, convidando-os para a conversão. Sempre os ilumina, os estimula e os alimenta.

A Palavra que Deus lhes dirige é sobretudo uma Pessoa: o Seu Verbo, a Sua Palavra, Jesus Cristo. Ele não se dá somente no Pão e no Vinho, mas está realmente presente na Palavra que nos é proclamada e que escutamos. Também a nós o Pai continua a dizer: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O”.

A leitura da Sagrada Escritura, acompanhada pela oração, estabelece um colóquio de familiaridade entre Deus e o homem, pois a Ele falamos quando rezamos, a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (DV 25). Este colóquio torna-se mais intenso pela “Lectio divina”, ou seja pela leitura meditada da Bíblia, que se prolonga na oração contemplativa. A Lectio é divina, porque se lê a Deus na Sua Palavra e com o Seu Espírito, pode ajudar os casais em segunda união na consecução de uma grande familiaridade não só com a Palavra, mas com o mesmo Deus.

2. A visita e a adoração ao Santíssimo Sacramento:

Jesus, sendo vivo e presente no Sacrário, pode ser visitado e adorado. Ele espera, ouve, conforta, anima, sustenta e cura. Por conseguinte, a visita e a adoração ao Santíssimo é um verdadeiro e íntimo encontro entre o visitante e o Visitado, que é Jesus. A visita e a adoração são uma escolha pessoal do visitante, e, acima de tudo, um ato de amor para com o Visitado. A simples visita ao Santíssimo transforma-se em adoração, que é o ponto mais alto desse encontro.

Os casais em segunda união são chamados e convidados para serem os adoradores do Santíssimo através da prática tradicional da hora santa, que muito os ajudará na espiritualidade, seja do grupo como também do próprio casal. A prática frequente da hora santa não é um opcional, por isso não se pode deixar facilmente de lado, pois ela é necessária para a perseverança.

3. A visita a Maria Santíssima: um conforto para o seu povo.

Se o próprio Jesus, moribundo na cruz, deu Maria como Mãe ao discípulo: “Mulher, eis aí teu filho” e a você discípulo como mãe: “eis aí, tua mãe!” (João 19, 26-27), é bom e recomendável que o casal em segunda união não tenha medo em fazer esta visita de carinho para receber conforto, força e consolação de sua Mãe. Essa visita pode ser feita numa capela dedicada a Virgem Maria ou em casa junto com a família ou na intimidade do seu quarto. Pensando nisso, é bom e confortável que o casal em segunda união não se esqueça de visitar, quantas vezes puder, Maria Santíssima.

Visitar Maria, a Mãe de Jesus, é ir ao seu encontro sem reservas, é entregar-se de coração a um coração que não tem limites para amar. Nossa Senhora em Medjugorie disse aos videntes e a nós seus filhos: “Se soubésseis quanto vos amo choraríeis de alegria”. Maria nos ama muito, como filhos queridos. O que ela mais deseja é ver seus filhos deixarem-se AMAR POR ELA. O seu desejo é o de seu Filho: salvar a todos. A Santíssima Virgem nos espera todos os dias, e ela sabe que quanto mais perto estivermos dela, mais perto ficaremos de Jesus, pois a sua meta é a de nos levar a Jesus.

4. Perseverança na Oração

O casal em segunda união é convidado para perseverar na oração. A oração pode ser pessoal, pode ser oração como casal ou como oração da família com os filhos, ou oração comunitária com os outros casais ou com outros fiéis.

5. Participação da Santa Missa: um encontro de amor.

O casal de segunda união, como todo bom cristão, considerando este amor infinito de Jesus, deve participar da Santa Missa com amor fervoroso, de modo particular no momento da consagração, pois é nesse momento que Jesus é vivo e presente.

Bento XVI, em recente discurso ao clero de Aosta, valoriza a participação dos casais recasados da Santa Missa mesmo sem a comunhão Eucarística. A esse respeito o Papa fez este lindo e confortável comentário:

“Uma Eucaristia sem a comunhão Eucarística não é certamente completa, pois lhe falta algo essencial. Todavia, é também verdade que participar na Eucaristia sem a comunhão Eucarística não é igual a nada, é sempre um estar envolvido no mistério da Cruz e da ressurreição de Cristo. É sempre uma participação no grande Sacramento, na dimensão espiritual, pneumática, e também, eclesial, se não estreitamente sacramental.


E dado que é o Sacramento da Paixão de Cristo, Cristo sofredor abraça de modo particular estas pessoas e comunica-se com elas de outra forma; portanto, elas podem sentir-se abraçadas pelo Senhor crucificado que cai por terra e sofre por elas e com elas.


Por conseguinte, é necessário fazer compreender que mesmo que, infelizmente, falte uma dimensão fundamental, todavia tais pessoas não devem ser excluídas do grande mistério da Eucaristia, do amor de Cristo aqui presente. Isso parece-me importante, como é importante que o pároco e a comunidade paroquial levem tais pessoas a sentir que, se por um lado, devemos respeitar a indissolubilidade do sacramento e, por outro, amamos as pessoas que sofrem também por nós. E devemos também sofrer juntamente com elas, porque dão um testemunho importante, a fim de que saibam que no momento em que se cede por amor, se comete injustiça ao próprio Sacramento, e a indissolubilidade parece cada vez mais menos verdadeira”.

O mesmo Sumo Pontífice também recorda que o sofrimento faz parte da vida humana e no caso dos casais em segunda união é “um sofrimento nobre”. O sofrimento é considerado, de uma certa maneira, como o oitavo sacramento.

Outros meios que auxiliam os casais em segunda união viver o caminho espiritual-pastoral:

A). Formação Pessoal e de Casal

É necessário para eles, como para todos os casais, uma formação pessoal e uma formação como casal, podendo participar da formação e da catequese que a paróquia ou outra realidade propõe para todos.

B). Grupos de Oração

O casal em segunda união tem a possibilidade de participar de grupos de famílias e de grupos de oração para a sua formação, como também para se ajudar mutuamente.

C). Obras de Caridade

O casal em segunda união, como todo cristão, deve empenhar-se nas obras de caridade organizadas pela paróquia ou por outras entidades, como voluntários... lembrando-se de que “a caridade cobre uma multidão dos pecados” (I Pedro 4,8).

D). Praticar a Justiça

O casal em segunda união pode e deve participar das iniciativas em favor da justiça.

E). Diálogo em família

O casal em segunda união como família procure viver o diálogo com os vários membros para que haja paz e colaboração; aceite fazer a vontade de Deus, sobretudo quando ela é difícil ou quando o sofrimento bater à sua porta; abra o seu coração aos parentes e aos vizinhos, aos colegas... especialmente em necessidade.

F). Viver no cotidiano a vida cristã

O casal em segunda união procure viver de maneira cristã a vida cotidiana no trabalho, em casa, no relacionamento com os vizinhos e com a sociedade: este é o caminho que os aproxima da salvação.

G). Um caminho espiritual valorizando a família.

O caminho de vida espiritual, comum a todos os casais, levará certamente o casal em segunda união a valorizar a importância da família também para o bem da sociedade; a valorizar a própria casa como lugar onde se constrói o Reino de Deus e se opera o bem imitando a Família de Nazaré.

16 comentários:

  1. Prezado Angelo, Laudetur Dominus!

    Ótimo artigo! E um dos grandes méritos dele é citar a Familiaris Consortio que, assim como a Humanæ Vitæ, é normal e comodamente esquecida pelos católicos quando se vêem diante do questionamento de qual a visão da doutrina cristã sobre estes temas - principalmente quando estão falando com não-cristãos!

    O problema dos casais de segunda união se trona mais espinhoso porque, afetados pela "supersensibilidade" em matéria de direitos - tão típica dos nossos tempos - estas pessoas reclamam que sofrem discriminação por parte da Igreja. O nome disso é chantagem, e os católicos não deveriam aceitar se submeter a esta manipulação imoral!

    Estas pessoas devem entender que há coisas que transcendem infinitamente seu "sentimentos feridos" e "inadequações conjugais", e que a Igreja tem como missão zelar por um patrimônio espiritual e moral, do qual ela não pode retirar uma única letra sequer. Não porque ela seja teimosa, mas porque Deus mesmo a dotou com este múnus.

    Pax et Salutis

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  2. A Igreja não pode negar o ensinamento do Cristo, porém vem em boa hora esta reflexão, pois, se por um lado estes casais estão em situação irregular, por outro podem e devem continuar caminhando na Igreja.
    "Manipulação imoral" não é uma qualificação cristã para o sentimento de pessoas que querem continuar a caminhada rumo a Casa do Pai e não encontram em suas comunidades estrutura nem vontade em acolhê-los. "Discriminação" não é bem a palavra também, pois o que ocorre é um conjunto de circunstâncias que somadas tornam muito difícil e sofrida a participação desses casais nas comunidades: o zelo pela instituição da Família faz com que sequer se queira conhecer as condições que fizeram surgir o novo casamento; a falta de conhecimento dos ensinamentos da Igreja para casais nesta situação - como os citados no artigo acima - aliada à falta de caridade de muitos gera má vontade no acolhimento...
    Note, em nenhum momento no artigo é afirmado que a indissolubilidade do Matrimônio seja relativa, o que está sendo sim afirmado é que há um caminho espiritual-pastoral para casais nesta situação.
    É nosso dever abrir as portas de nossas comunidades para acolher tais casais e trazê-los ao convívio do Cristo que especialmente se compadece dos sofredores.
    Sei que fica difícil para aqueles que sonham com uma Igreja só de santos aceitar que os pecadores, pequeninos, perseguidos, desprotegidos e tantos outros que estão a margem da sociedade e da mesma Igreja, possas ser admitidos na grande festa do Cordeiro. Quero apenas lembrar que no tempo de Jesus eram pessoas assim que seguiam Sua mensagem e também eram impedidos de louvar a Deus no Templo, enquanto os Fariseus e outros da elite podiam entrar. Me parece que hoje não é diferente em muitas comunidades.
    Quanto mais nos aproximamos da pessoa de Jesus, mais podemos sentir esse mesmo Jesus nos necessitados. Parece também que para muitos é mais fácil propagar a Igreja através do que está escrito e ensinado pelo Magistério do que envolver-se pessoalmente no contato com os irmãos em dificuldade.
    Atuar na comunidade do Cristo com amor mesmo sabendo que não poderá receber a Eucaristia por causa da condição de segunda união é um grande testemunho da indissolubilidade do Matrimônio e do respeito ao Santíssimo Sacramento.
    É preciso estar em comunhão com a pessoa de Jesus para compreender isto!

    In Charitate Non Ficta

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  3. Prezado Angelo, Laudetur Dominus!

    Não sei nada sobre pessoas que "sonham com uma Igreja só de santos". Para mim esta é uma idéia que não faz o menor sentido. Também não me importo muito com o que os Fariseus faziam para impedir as pessoas de louvar no Templo, ou as razões que eles acreditavam ter para isso, pois não foi a doutrina ensinada por eles que eu recebi da Igreja. Portanto, não sei o que essas duas questões têm a ver com o meu comentário.

    Eu sei bem que "discriminação" não é a palavra para o que a Igreja faz. O que ela faz é guardar o tesouro que recebeu do Senhor com zelo. Mas existem casais de segunda união que se sentem discriminados por serem impedidos de comungar. Não sei se você teve mais sorte do que eu, mas a grande maioria das pessoas com quem já tive oportunidade de conversar pensam que isto é uma discriminação injusta, mesmo que essas pessoas não estejam em situação de segunda união. Ora, essa é uma visão totalmente errada, e é isso que deve estar na base de toda consideração posterior. A realidade do erro nesta visão não se desfaz por mais caridade, carinho e atenção que você coloque no exame da questão.

    Não sei por que você pensou que eu chamei de manipulação imoral este "sentimento de pessoas que querem continuar a caminhada rumo a Casa do Pai e não encontram em suas comunidades estrutura nem vontade em acolhê-los". Só se você tomar como premissa que os casais não encontram acolhimento devido a problemas de estrutura, ou de má vontade. Então não é possível que um casal simplesmente não se porte com o respeito devido? Se eles ultrapassam a linha desse respeito mínimo, porque isso não pode ser chamado de "manipulação"? Porque essa manipulação não é imoral? Você realmente acredita que esse tipo de coisa não acontece, e que TODOS os adúlteros desejosos de continuar católicos são humildes e cordatos?

    Não sei se é mais fácil propagar a Igreja através do que está escrito. Eu sei que é muito fácil associar caridade a qualquer coisa, desde mera afeição até mera filantropia. E eu sei que uma excelente garantia para que não haja esse tipo de confusão, e para que esses casais recebam um tratamento dentro do que verdadeiramente pode ser chamado de caridade, é antentar para o que está escrito, pelo menos na Bíblia e na Tradição Bimilenar da igreja.

    Pax et Salutis

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  4. Repito"Quanto mais nos aproximamos da pessoa de Jesus, mais podemos sentir esse mesmo Jesus nos necessitados. Parece também que para muitos é mais fácil propagar a Igreja através do que está escrito e ensinado pelo Magistério do que envolver-se pessoalmente no contato com os irmãos em dificuldade.
    Repito:Atuar na comunidade do Cristo com amor mesmo sabendo que não poderá receber a Eucaristia por causa da condição de segunda união é um grande testemunho da indissolubilidade do Matrimônio e do respeito ao Santíssimo Sacramento.
    É preciso estar em comunhão com a pessoa de Jesus para compreender isto!"

    Posturas como a tua afastam, não trazem de volta os irmãos à Mãe Igreja.
    É como eu disse: é mais fácil pregar a Igreja com os escritos, difícil é envolver-se nas mazelas dos irmãos necessitados.
    Acolher os casais em segunda união nada tem a ver negar o que Igreja sempre ensinou, mas tem a ver com a proposta do Cristo.

    In Charitate Non Ficta

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  5. Prezado Angelo, Laudetur Dominus!

    Já que, ao que parece, minhas perguntas não foram dignas de serem levadas a sério - pois você não respondeu a nenhuma, e a resposta a elas te mostraria o que eu realmente quero dizer - vou fazer outras baseadas no que você me falou por último:

    Por que você repetiu dois parágrafos do seu comentário se o que eu disse não contradiz em nada o que você diz neles? Por acaso ser firme ao repetir o que está na Tradição impede de "sentir Jesus nos necessitados"? Por acaso isto impede alguém de "envolver-se pessoalmente no contato com os irmãos em dificuldade"? Por acaso o que você descreve no seu segundo parágrafo não é exatamente o que a Tradição propõe aos casais de segunda união? Por acaso insistir oportuna e inoportunamente naquilo que a Tradição ensina não é "estar em comunhão com a pessoa de Jesus"? O que é "estar em comunhão com a pessoa de Jesus" então?

    O que eu tou propondo é tão somente que uma pessoa deva se manter firme na verdade. Você não pode dizer que isso é uma postura que "não traz de volta os irmãos à Igreja". E se é verdade que não traz, você não pode estar lamentando isso, pois é o mesmo que lamentar que alguém diga a verdade.

    Além do mais é uma afirmação totalmente gratuita. Não propus nenhum "modo de tratar casais de segunda união recém chegados". Comentei sobre um perigo real (o de um agente paroquial comovido "afrouxar" na sua fidelidade à Doutrina) e o que pensar disso. Não faz o menor sentido que isso afaste as pessoas, a não ser que você pense que uma pessoa que pensa dessa forma, automaticamente irá tratar uma casal de segunda união "com grosseria ou má vontade". Se você pensa assim, lamento, mas isso é um preconceito terrível.

    Ainda na esperança de que eu tenha sido apenas mal-compreendido, me despeço.

    Pax et Salutis

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  6. Não vejo como o apego à doutrina possa interferir no relacionamento paroquial com os casais em segunda união. Acredito que tratar bem, ou tratar mal o casal, dependa de quem faz parte da comunidade, não do apego à doutrina.

    Certamente, o que o Captare disse no comentário dele, está mais ligado ao que pode acontecer, que é o fato de alguém deixar de lado o que ensina a Igreja, a fim de 'acolher melhor', por exemplo, dizendo que o casal pode comungar da santa Eucaristia, o que é um erro, que acontece muito por aí.

    A mesma coisa está na 'discriminação', o casal tem que entender que a Igreja não discrimina ngm, e que está sempre aberta ao povo, que é mãe e mestra, acolhedora e pilar da verdade, e, se a pessoa não pode comungar, não é uma discriminação, é uma condição que a Igreja não vai, nem pode mudar.

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  7. Eduardo Lino Vieira -18 de abril de 2010 12:03

    Sou um Homem que vive todas as consequencias do divórcio. Já vivo uma segunda união. Sou Católico, Apostolico e Brasileiro. Com a maior coragem que pude encontrar em minha vida, totalmente baseada na Palavra de Deus, não tenho a carga imputada pela doutrina. Pedro e Paulo discutiram sobre a questão da Circuncisão, que foi lei de Deus e depois da vinda do CRISTO, se tornou doutrina, e estes dois amigos de CRISTO, inspirados pelo ESPIRITO, concluiram: que maior é o AMOR(CRISTO). AMOR este que forja o caráter com o dom do ESPIRITO, que sopra por onde ELE quer e como quer, fazendo de pecadores, Santos da Igreja, e que por sua vez, a Igreja, nada mais é que o Corpo Místico de CRISTO. Não há excludente no AMOR. Me perdoem a pretensão, mas se a doutrina saisse por sí mesma, e infundisse nos corações do homem, será que o mundo, que é formado por famílias, estariam nesta miséria da VERDADE? Portanto, meus irmão em CRISTO, a doutrina pode até ser necessária, mas sózinha, sem fiéis, e sem a VERDADE de nada vale. Sómente o ESPIRITO determina o que é certo ou errado, inclusive dentro da própria doutrina, pois o homem é ser caído pelo pecado, o primeiro Adão trouxe a morte ao mundo, e este homem caído não tem a capacidade de fazer o bem. Então deixemos a doutrina, que não tem vida por si só, e comecemos o mais breve possivel a evangelizar com a VERDADE, que é o EVANGELHO, que é o CRISTO. Para que o Segundo Adão veio? Para que todos os nossos irmãos, inclusive os religiosos, que muitas vezes não conhecem a VERDADE, nossos irmãos que ainda não experimentaram o divórcio e outros pecados, e outras condições doutrinárias excludentes, não o experimentem a MORTE, que é o pecado. O que é a nossa missão: de evangelizar. E quanto aos que ja pecaram, como eu, que possamos professar nossa fé em CRISTO, O CABEÇA DA IGREJA e nos permitamos que através do ESPIRITO SANTO, construamos um carater igual ao de Cristo, para não ser um membro paralítico ou doente ou reprovado neste corpo. E que esta construção de um novo caráter, não será realizada através da doutrina, pois a doutrina só tem valor para quem ja conhece o CRISTO, e sim através da VERDADE(EVANGELHO). E cientes que tudo isto não por capacidade ou querer nosso, mas sim pela GRAÇA DE DEUS.

    JESUS EM SUA MISSÃO SALVIFICA, DESMISTIFICOU OS PODEROSOS DA ÉPOCA, DOUTORES DA LEI, QUE SÓ ENXERGAVAM SEUS UMBIGOS!!! ISTO MATA A FÉ!!! O AMOR LIBERTA E DÁ VIDA.
    DIZ JESUS: EU SOU O CAMINHO, A VERDADE(UNICA) E A VIDA, NINGUÉM( NINGUÉM MESMO) CHEGA AO PAI SE NÃO FOR POR MIM( NO MEU CORPO MISTICO, COM VIDA SEMELHANTE A MINHA, COM O MEU CARÁTER).
    AMÉM!

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  8. Caríssimos no Cristo, Laudetur Dominus!

    Júnior, obrigado por, como sempre, ajudar a esclarecer a questão.

    Eduardo, quanta confusão!

    Espero que com "Católico, Apostólico e Brasileiro" você não queira dizer que é membro daquela que se diz "'Igreja Católica Apostólica' Brasileira", seita cismática fundada pelo bispo Dom Carlos Duarte da Costa. Se for, então nada do que for dito aqui adiantará para você, pois as pessoas que fazem parte dessa "Igreja" não fazem parte da única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Católica Apostólica Romana.

    Se não for isso que você quis dizer, então é bobagem juntar o título de "brasileiro" ao de "católico" e "apostólico", pois a Igreja no Brasil é exatamente a mesma que está em Roma e em toda parte do mundo.

    Permita-me fazer uma correção: São Pedro e São Paulo não "discutiram", nem "concluíram" nada. Quem discutiu foi o Concílio de Jerusalém, uma questão foi - aí sim! - levantada por São Paulo e por outros que foram convertidos do paganismo. E São Pedro definiu, com o poder que é próprio dele e que concedido por Nosso Senhor Jesus Cristo, que a circuncisão não era necessária, pois não era mais o seguimento da Lei o princípio da Aliança com Deus, uma vez que ela era preparação para a Aliança definitiva, no sangu do Cristo. Além do mais, ficou confuso esse negócio de que "antes era lei" e "depois se tornou doutrina". Essas não são duas coisas comutáveis entre si. Doutrina é uma coisa e Lei é outra totalmente diferente.

    Não sei o que você quer dizer com "não tenho a carga imputada pela doutrina". Se o que você quer dizer é que a Doutrina não tem nenhum efeito ou não tem aplicação para você, você simplesmente não pode dizer que sua vida é "totalmente baseada na Palavra de Deus", pois são duas coisas contraditórias. Ora, a Palavra de Deus é justamente a Doutrina ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo aos seus Apóstolos, e que foi guardada e transmitida até hoje para nós pela Igreja Católica.

    O que eu sei é que é muito fácil tagarelar, dizendo que "Cristo é maior que a Lei", que "o que importa é o Amor", que "somente o Espírito determina o que é certo e o que é errado", mas essas coisas são extremamente vagas. Um católico verdadeiro pode dizer essas coisas, como também um herege, um protestante e até mesmo um espírita ou um esotérico. E todos eles querem dizer coisas totalmente diferentes, apesar de usar palavras iguais. Ora, palavras podem ter vários sentidos, cada um interpreta de um jeito. Elas só ganham substância concreta através da Doutrina ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo e transmitida pela Igreja Católica Apostólica Romana (Romana, hein! Veja bem!). Quem disse isso primeiro não fui eu, foi a Bíblia. Veja lá: II Pe 1, 20 e I Jo 4, 1.

    Eu ainda não consegui descobrir o que raios os fariseus têm a ver com essa questão: por que sempre que alguém fala sobre fidelidade à doutrina outra pessoa sempre saca do bolso um fariseu, com as fitas de couro e o rolo de pergaminho?

    Deixe de lado essa bobagem de "deixemos a doutrina", pois não há verdade fora dela, só falatório e enganos. Estude mais e procure não tomar posturas que dêem ocasião à rebeldia, pois este sim é um pecado gravíssimo.

    Pax et Salutis

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  9. Amados irmãos Captare, Júnior e Eduardo,

    A proposta do artigo é mostrar que a Igreja não abandona, discrimina ou exclui os casais em Segunda União. Aponta de forma direta o caminho a ser seguido por pessoas nesta condição.
    Cabe às comunidads paroquiais acolher e orientar tais casais, fazendo saber de sua condição, dos impedimentos gerados por tanto e, principalmente, apresentar o caminho espiritual-pastoral a ser seguido.
    Quanto à "possibilidade" de alguém se queixar de "discriminação" cabe à toda estrutura comunitária averiguar o caso específico, mas não armar-se para, volto a dizer: a "possibilidade", pois quem realmente tem conciência da sua condição em Segunda União, saberá como proceder e só vai saber como proceder quem for bem acolhido e orientado.

    Insisto, ver com maus olhos o acolhimento destes casais não está de acordo com o Evangelho do Cristo.
    Um bom acolhimento e orientação conforme propôe a Igreja levará tais irmãos e encontrar a paz que só se encontra em Jesus.
    É lógico que podem haver pessoas que não se adaptem, mas neste caso, cabe ao orientador espiritual corrigir.
    Aqui em Porto Alegre há muito tempo existe o Movimento Bom Pastor, que acolhe, orienta e encaminha ao trabalho pastoral os casais em Segunda União.

    A Paz de Cristo a todos!



    In Charitate Non Ficta

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  10. Prezado Angelo, Laudetur Dominus!

    Eu entendi desde o começo a proposta do artigo. Tanto que disse "Ótimo artigo!", e eu não retiro isso! Mas como não estava explícito no artigo, resolvi fazer um alerta.

    Infelizmente meu alerta é necessário. Se todos os agentes de pastoral que se encarregam de casais de segunda união agissem de acordo com seu artigo, meu alerta não teria sentido nenhum e eu não o faria.

    Eu nunca vi com maus olhos o acolimento do casais que passam por essa situação difícil, pois o que importa é Salvação de cada pessoa e ela está aí para todos. Só que não dá para tapar o Sol com uma peneira: nem todos os casais nessa dificílima situação são tão compreensivos e respeitadores como deveriam ser, infelizmente. Por isso, os agentes de pastoral devem tomar cuidado para não esmorecer em sua fidelidade à doutrina ao lidar especificamente com estes últimos.

    Só isso.

    Pax et Salutis

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  11. Correto.
    Devemos sim a fidelidade ao eninamento de sempre da Igreja.
    A paz.


    In Charitate non Ficta

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  12. Tudo explicado, Angelo. O texto está ótimo mesmo. Parabéns!

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  13. Captare,

    Sempre sábio e preciso nas respostas. Não preciso acrescentar uma vírgula.

    Paz e Bem!

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  14. Eduardo Lino Vieira20 de abril de 2010 22:22

    Caros irmãos em Cristo.
    Primeiramente perdoe-me Captre, perdoe-me, se ressentiu-se quando me expressei sobre os fariseus, não tive a pretensão de fazer nenhuma apologia a voce, como a ninguém desta era contemporânea, porém, continuemos como Deus nos orienta: Vigiai e orai sem cessar!!
    Ainda sou Católico Apostólico e Romano. Se tens algo realmente importante para nos mostrar através da Doutrina em como acolher casais em segunda união, que como eu cairam em pecado, agradeço! Inclusive devia ler Romanos 10,9-13 .
    Confesso que não conhecia proposta de Deus para a vida de uma só carne, de vida em abundância, antes de meu divórcio. Naquela época ninguém me ensinou!!. Fica ai a pergunta:(mas responda pra Deus em oração, em secreto, pois como esta escrito: não convem que a mão direita saiba o que fez a esquerda) -Aonde estão pessoas com profundo conhecimento das escrituras e da doutrina como voce, e o que estão fazendo na prática para com seus irmãos que se encontram longe de Cristo?
    Esta é a orientação de nosso Lider Espiritual o "PAPA" -> EVANGELIZAR - DIVULGAR A BOA NOVA. Aqui estamos tentando, mesmo sob a optica de seu julgamento:- (sic) "Estude mais e procure não tomar posturas que dêem ocasião à rebeldia, pois este sim é um pecado gravíssimo."
    Com pouquissimo conhecimentos das escrituras, "Graças a Deus",não estamos parados e muito menos falando besterias, pois só falamos o que lá esta escrito! Cristo peregrinou por este mundo falando das maravilhas do Reino e de como chegar lá! e Ele disse: Sede Meus Imitadores!! Ame teu próximo como a si mesmo. Ele nos chamou de irmão!!!! e ainda disse: Ninguém vai ao Pai se não for por mim!! Quero continuar a ser feliz e deixar isto claro a todos aqueles que estão participando desta web e lembro, que seguindo a recomendação de Cristo, quando diz: padecem porque desconhecem as escrituras( Conhecer e Viver as escrituras). Não quero mais padecer, por isto estou lendo e aprendendo não por sua orientação, mas por orientação de Cristo. Recordo que quando pesquisei rapidamente na Bíblia, não achei nenhum trecho que faça acepção a tipos de pecados, somente diz sobre o pecado contra o Espirito!!, Então me sinto feliz por estar indo em busca da VERDADE. Participo em uma comunidade, no grupo Bom Pastor, e acolhemos Cristãos que como eu, se converteram a Cristo, com muito amor e carinho e estamos sendo agraciados com curas, bençãos e milagres, como casais, unidos cada vez mais em Cristo Jesus e com uma aliança feita agora com Cristo, sobre a ROCHA. Somente a um cabe o julgamento diz as escrituras: Ao Pai Celestial. Damos graças a Deus por tudo isto e louvamos a Ele diariamente. Oramos em Nome do Senhor Jesus Cristo, e restauramos nossas familias nele, não em pessoas de carne. Abençoamos a vida de nossos filhos e nossos irmãos com a unção do Espirito Santo em nós, por graça de Deus. Hoje conhecemos Cristo Jesus, participamos das missas e fazemos nossa comunhão Espiritual, Graças a Deus. Somos obedientes e vivemos o que na doutrina(Catecismo da Igreja Católica) esta de acordo com a Bíblia! Não achei nada em desacordo!!! Mas que tem doutores que tentam impor seus principios e pensamentos tem e muitos, ai é muito ruim, tem cheiro de falsidade, e o cristão foge!!!! Estamos orando e vigiamos constantemente, como diz o Apóstolo Paulo, pois nossa luta não é contra a carne( eu e voce não precisamos brigar ou mostrar quem mais conhece as escrituras e doutrinas, pois o importante é vive-las)mas lutar contra os principados e potestades, nos lugares celestiais. Foi por falta deste conhecimento Biblico que vivi o pecado (divórcio e outros inumeros)!!!! Mas hoje muitos não cristãos, quando nos conhecem, perguntam? A que igreja voces pertencem? Dizemos: Ao corpo de Cristo!! Ele é indivisivel!!!!!!
    QUE DEUS SEJA MISERICORDIOSO CONOSCO!!!
    Amém!!!

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  16. Na Arquidiocese de Porto Alegre existe há 17 anos o Grupo Bom Pastor, um serviço da Pastoral Familiar, objetivando o acolhimento e a evangelização dos casais em segunda união, proporcionando-lhes uma caminhada de evangelização e de vida familiar cristã, mostrando-lhes sua pertença a Igreja, buscando integrá-los à comunidade paroquial e, com isso, atender os apelos do Papa João Paulo II – de feliz memória – no documento “Familiaris Consortio” nº 84.
    O grupo Bom Pastor é pioneiríssimo na experiência do acolhimento e evangelização de casais em segunda união no Brasil. Surgiu em 20 de maio de 1993 na paróquia Menino Deus, em Porto Alegre, através do impulso do Espírito Santo pelo padre Luis Francisco Ledur e pela Irmã Angelina Della Rosa,, sendo aprovada pelo então Arcebispo de Porto Alegre, Dom Altamiro Rossato e ratificado posteriormente pelo seu sucessor Dom Dadeus Grings.
    Foi apresentada e acolhida pela Comissão Regional da pastoral Familiar Sul 3 (1996), pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar, pelos Seminários Nacionais de Assessores da Pastoral Familiar e Congressos Nacionais da Pastoral Familiar em 1996 e 2002, sendo considerado o mais “sério e mais maduro trabalho com casais em segunda união que se faz no Brasil”

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Apostolado Shemá
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