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domingo, 18 de abril de 2010

A auto-consciência e o tradicionalismo - Para que serve o conhecimento?

Recentemente, recebi de um amigo e leitor deste blog, a seguinte indagação: "Júnior, como você evoluiu de maneira tão depressa?" Ele dizia isto por ter percebido uma descomunal diferença entre o 'Júnior do passado', e o atual. Além desta questão, também estive diante de outra pergunta feita por outro leitor, via email: "Júnior, o que você quis dizer com a frase 'o tradicionalismo está certo (...), em certos assuntos'.

Não tendo muito tempo de vida, apenas alguns anos de fé, menos ainda de apostolado intelectual, não sou, certamente, a melhor pessoa para ser ouvida, ou ainda, ser uma pessoa de opinião de peso. Mas, claro, vou aqui expressar a minha pequenês.

Em primeiro lugar, por que você estuda um determinado assunto? Um certo dia, percebi que ganhava muito mais lendo os manuais de teologia dogmática, virando madrugadas na frente do PC devorando os livros que baixei, ao ficar falando da frase polêmica que o Padre disse, sobre os abusos existentes nas missas por aí, tentar enfiar na cabeça de todos que aparecem na internet idolatrando Boff, aquilo que a Igreja ensina, etc. Atente para isto: o problema não é este tipo de catequese, mas o problema está em só fazer isto. Resolvi seguir o mesmo caminho do Olavo de Carvalho: "Preservando minha inteligência dessa centrifugação mortífera e da influência corruptora de orientadores ignorantes, estudei para saber, para aplacar minhas dúvidas, sem nenhuma esperança fútil de glórias escolares provincianas. Não nego que ganhei algo além do puro conhecimento. Ganhei o prazer de poder chamar os fulanos de burros sem nenhuma intenção insultuosa e com estrito realismo científico"

Enquanto eu via alguns se restringirem ao simples ato de copiar e colar partes de textos da internet, enquanto eu via alguns ciaterem Prof. Felipe Aquino como um GRANDE Historiador (isto só mostra que a pessoa não conhece um nome para indicar), enquanto eu via alguns repetirem, repetirem e repetirem o que o fulano de tal disse ( é o tal do X+1), fui buscar nas fontes dos conhecimentos de cada área a minha formação intelectual, cercando-me de livros, revistas e contatos pessoais com estudiosos das mais diversas áreas.

Pois bem, o ser humano não tem a capacidade de julgar? De discriminar? Para que serve a formação intelectual da pessoa, senão lhe dá a capacidade de separar o 'joio do trigo'? E é aqui que entra o legalismo idiotizador tabajara: O Papa reformou o Rito Paulo VI? Ótimo! O Papa acabou com o Rito de São Pio V? Ótimo! O Papa colocou o Rito de São Pio V como o ordinário da Igreja Romana? Ótimo! Deu para perceber? São pessoas sem opinião formada, com posturas mais camaleônicas que alguma consciência pode ter. São pessoas que nunca leram um livro sobre o tema, aqueles que, em
última instância, pensam assim por que sabe que o fulano também pensa, e não há diferença entre um legalista sabichão, e uma alma que acredita que " a melhor religião é aquela que te faz bem", no dizer do Pe. Fábio de Melo.

Os tradicionalistas sempre criticaram a reforma do Rito Paulo VI, sempre disseram que o Concílio Vaticano II tem ambiguidades, e sempre estiveram errados. Atualmente, todos sabem das declarações do mestre de cerimônias do Papa, Mons. Guido Marini, que afirma claramente que a reforma do Rito Paulo VI não está alinhada à Tradição, nem com o Concílio Vaticano II. Eai? Agora as críticas estão certas? Qual a diferença entre as críticas de antes com as de agora? Nenhuma. E as declarações do Mons. Pozzo, que afirmam que o Vaticano II possui ambiguidades? Pois é nisso que eu concordo com as críticas dos tradicionalistas, e não é porque são dos tradicionalistas, mas porque eu preferi optar pelo estudo e cheguei à conclusão que as críticas estão certas, não porque o fulano falou ou deixou de falar. E, claro, não é porque eu concordo com o tradicionalismo nestes pontos, que eu vou ter que concordar com TUDO que ele fala. Sua mãe e seu pai concordam em tudo? Por que eu tenho que concordar em tudo com o tradicionalismo? Aliás, muitos nem sabem o que é o tradicionalismo, acreditam que esses jovenszinhos que aparecem por aí no orkut e que só falam besteira são o referencial do tradicionalismo. E concordar com os pontos criticados, não quer dizer que eu concorde como essas críticas são feitas, muito menos com as conclusões que aparecem na grande rede, por exemplo, me dá vontade de bater na cabeça do cidadão, nem que seja virtualmente, que diz que a 'Missa Nova" é fruto do Vaticano II, o que é uma afirmação absurda. Qualquer boi sabe que não existe nenhuma ligação entre o Vaticano II e o Rito Paulo VI. Se eu já não dava crédito para a fala do fulano quando ele concordava comigo, imagine agora que ele está como meu opositor? E existe o outro lado também, certa vez, fui proibido de fazer 'propaganda do Fedeli', isto é, indicar um vídeo em que o Fedeli fala sobre história, pois 'o Fedeli está fora da Igreja, é cismático'. Uma mente com um pensamento assim, não sabe nem o que é cisma. Se eu sei que a pessoa é entendedora do assunto, certamente eu irei atentar para todas as colocações da mesma. Mas, se a pessoa não sabe nem porque ela pensa dessa maneira, aí eu prefiro nem continuar com o diálogo.

Não é questão de prepotência, orgulho, ou arrogância, mas de honestidade. O fato de eu não ter escrito nada sobre a presciência e o concurso divino para o blog, mostra que eu não domino o assunto o suficiente para escrever sobre ele. A Igreja nunca foi uma máquina de churros. Dentro daquilo que ela definiu, é aquilo e acabou. Mas, existe um mar de coisas que eu posso me colocar a favor de um grupo e contra outro, sem que um seja mais ou menos católico. Devemos dar glórias a Deus pela intensa discussão entre os Tomistas e os Molinistas, devemos dar graças a Deus pelos teólogos discordarem de um, concordarem com outro, ou ainda, pelos que defendem algo sozinho. Dentro da liberdade que a Igreja oferece, é claro (uma opinião de um Hans Kung, não serve para nada). E a melhor coisa que a consciência pode oferecer é que, através do conhecimento adiquirido por você, a razão de concordar ou discordar. E não ficar com o conhecido: "Leia só 'x' e 'y', não leia 'f' e 'Montfort', ops, dei nome aos bois, afinal de contas, eu leio o que eu quero, não sou um cavalo para usar um cabresto. É certo que muitos se perdem por aí em conclusões irreais, mas isso aí é culpa do fulano. A Igreja sempre ensinou que se pode chegar ao conhecimento da existência de Deus pela reta filosofia, se existem filósofos ateus a culpa é do pequeno-doido.
Como um declarado adimirador do Olavo de Carvalho que sou, me dá prazer ir lendo textos e mais textos e pensando:"esse autor é bom", "esse cara é muito burro", "esse cara não devia nem ter blog", "discordo de vc, colega, nos pontos tais e tais", "esse texto está certo nisso, e nisso, e errado naquilo e naquilo outro", e assim vou abraçando o que me é de bom.

Para finalizar, deixou um recado: esses assuntos (Vaticano II e Reforma litúrgica) são complexos e profundos, antes de tudo, descubra quem estuda o assunto, descubra o melhor ambiente para se tratar deste assunto, e aí sim você poderá exercer sua apologética. Que sigam-me os Bons.

12 comentários:

  1. bom blog.
    vai para os meus favoritos
    abs

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  2. Caríssimo Junior Pereira, Laudetur Dominus!

    Boa, rapaz! Me identifiquei muito com esse texto, seja pela descoberta em algum ponto da minha vida de que "estudar é essencial", seja pelo fato de que eu também tenho críticas ao CVII, embora isso ainda não me torne um tradicionalista, seja porque eu também sou admirador do Olavo de Carvalho.

    Hoje em dia acontece muito freqüentemente um fenômeno que é assaz preocupante: o de que quando uma pessoa pessoa dada ao estudo apresenta como argumento o conteúdo que ela adquiriu através do seu esforço em estudar, o interlocutor a acuse de estar tentando humilhá-lo. Essa postura é muito comum em pessoas liberais em matéria de moral, pessoas sentimentalistas em geral e até em muitos neo-conservadores. Mas eu já passei por essa situação desconcertante com uma pessoa que é reconhecida por muitos como tradicionalista e o que me causou tamanha estranheza é que até aquele ponto eu pensava que o fato mesmo do tradicionalismo tornava uma pessoa mais afeita ao estudo e eo debate franco.

    Felizmente, os tradicionalistas com a postura descrita pelo seu texto existem e eles têm certa relevância na blogosfera católica. Deixo aqui ao demais leitores, como exemplos disso os Blogs Tradição Católica, Contra Impugnantes e o blog do Angueth. O primeiro é de uma amiga minha lá de Portugal, inteligentíssima e uma pessoa importante de fato para a propagação da Forma Extraordinária do Rito Romano lá em Portugal; ela também já contribuiu com uma carta enviada ao blog do Apostolado Shemá. Este último é de um professor tradicionalista e que também é admirador do Olavo de Carvalho (E existe isso?!).

    Parabéns pelo artigo e pelo empenho em estudar, Júnior!

    Pax et Salutis

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  3. Gostei muito. Também me identifiquei com o que foi escrito.

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  4. Luís afonso, salve Maria!

    Obrigado pelas palavras de felicitações, e por ser um dos nossos leitores. Toda a equipe agradece.

    Continue nos acompanhando, caríssimo.

    Paz e Bem!

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  5. Captare, Salve Maria!

    Muito obrigado pelas palavras caridosas, caro amigo. Estava pensando aqui, será que quando uma pessoa começa a se aprofundar nos estudos ela descobre o Olavo, ela também começa a ler a Montfort (mesmo que seja para discordar) e acaba tendo críticas ao Vaticano II (Pe. Paulo Ricardo tbm tem) ?

    Que bom que este texto fez com que você se indentificasse bastante, e que minhas conclusões estão alinhadas às suas, bem como algumas destas características, que já vimos ter em comum.

    Ainda sobre o texto, com os recentes acontecimentos nos ares virtuais do orkut, só nos faz ter razão 'que há muita opiniagem, e pouca teologagem', no dizer de um amigo. Que tenhamos cada vez mais estudos e argumentos, do que sofismas, opiniões irrelevantes e discussões tolas.

    Mais uma vez, obrigado.

    Paz e Bem!

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  6. Anônimo, Salve Maria!

    Por favor, deixe seu nome no final da postagem, assim fica melhor para respondermos o seu comentário. Nunca deixamos comentários sem resposta aqui no blog.

    Seja bem-vindo ao blog, e que você esteja sempre conosco. E obrigado por parabenizar o texto.

    Paz e Bem!

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  7. Somente o estudo fiel e sincero das coisas do Cristo na Sua Igreja habilita para o debate.
    Parabéns! Sou testemunha do teu crescimento.

    Angelo Corassini

    In Charitate Non Ficta

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  8. Também me identifico com o texto e identifico no Junior um ótimo crescimento intelectual. Crescimento que percebe-se nele, mas que não é só dele, mas também de todos os participantes do blog, sejam colaboradores ou leitores ativos.
    Porém ainda falta bastante chão a este caminho. A alguns muito a outros mais ainda, no entanto todos somos participantes ativos de uma nova geração de católicos que decidiram formar-se buscando o que nos vinha sendo negligenciado e passamos a ser formadores da próxima geração que terá subsídios, infelizmente, de leigos, pois no clero, ao menos o brasileiro salvo raríssimas exceções, deixa-se muito a desejar quanto a formação catequética da igreja leiga.
    O que digo não é vaidade, mas realidade. E não o digo com alegria, pois preferiria estar sendo catequizado por sacerdotes eruditos que ter que discutir e dar cabeçadas até chegar a verdade e ainda assim estar sempre em dúvidas. Queria poder confiar mais na palavra do clero brasileiro de forma geral, sem ter que estar sempre peneirando tudo o que me é apresentado e quando não ter que desmenti-lo aos que me apresentam tal argumento. Seremos nós a mudar tudo isso?

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  9. Peço desculpas por alguns erros de grafia no texto, já corrigi. Não revisei o texto antes de publicar. ;D

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  10. Obrigado, Anderson e Leonardo, que todos estejam sob a proteção de Deus para continuar a obra desse apostolado.

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  11. não é o tipo de blog que eu gosto de ver, mas você tem uma proposta interessante.

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