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quarta-feira, 10 de março de 2010

Renascimento: Ruptura ou Continuidade? - Parte I

Não existe acordo de pontos de vista entre os especialistas sobre o que significou o Renascimento e qual é o seu lugar na história da civilização ocidental. Tentarei abordar o assunto sob dois prismas.

Há autores que o colocam como o marco que separa a Idade Média da Época Moderna, como ruptura em relação a modos de pensar e atitudes perante a vida, que se expressaram por meio de uma esplêndida produção intelectual. Nesse contexto, certamente o alvo da observação são os temas e a forma como são abordados, contrastando com a Época Medieval.

Para outros, a própria expressão "Renascimento" seria uma impropriedade. Não teria ocorrido de maneira alguma uma ruptura entre o mundo medieval e o mundo moderno. Haveria, sim, um longo e contínuo desenvolvimento de padrões culturais e modos de pensar, o qual tornaria sem sentido dizer que, em algum momento na história da época, teria havido verdadeiramente uma ruptura. Para estes autores, não houve um rompimento com a religiosidade dominante da época, já que os papas foram os grandes patrocinadores dos artistas. Seus temas são dominantemente religiosos - como poderia haver ruptura?

Tais controvérsias ainda permanecerão por muito tempo, e é muito difícil chegar-se a uma conclusão descartando uma ou outra postura.

Razões do Renascimento - O Poder do Dinheiro

É muito difícil uma única resposta - e talvez até não haja uma resposta satisfatória - à pergunta: porque ocorreu o Renascimento? Ainda, porque na Itália? Existem alguns fatores de ordem mais geral e outros mais específicos podem ser levados em consideração. Um fator de ordem geral que pode ser destacado é o crescimento das cidades desde o século XI e, particularmente, as cidades do Norte da Itália, que muito enriqueceram intermediando as atividades de comércio. A partir disso, formou-se um grupo de pessoas poderosas, nobres ou não, que controlavam as finanças e o governo, tinham condições de patrocinar o trabalho dos artistas, dos pensadores, e o que é mais importante, valorizar esse trabalho.

Além do poder do dinheiro, pode-se também destacar as constantes lutas pela hegemonia entre os vários estados que formavam a Itália, inclusive os Estados Pontifícios. Na Itália, pelo menos o papa era um senhor entre senhores, com os mesmos problemas que os governantes de outras cidades tinham de enfrentar. A reverência, a mística na autoridade papal eram menos marcantes na Itália, se comparadas as outras regiões. Tais fatos abriam campo para uma maior ousadia em atitudes indagativas que, em outros contextos, talvez nem teriam sido possíveis.

Ambiente Cultural Italiano

Afirma-se que um outro estímulo para o Renascimento ter ocorrido na Itália teria sido o ambiente cultural lá existente. A Itália era o berço das grandezas da Roma Antiga. Segundo alguns autores, a existência de monumentos da cultura clássica na Itália teria contribuído para esse ambiente cultural.

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