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sexta-feira, 12 de março de 2010

Os motivos para não crer no Deus, no inferno e no subjetivismo de Caio Rossi.


Para esclarecer a minha tarefa e a minha intenção, com relação ao tema, parecem-me necessárias algumas observações preliminares:

1) Caio Rossi é o autor do Blog ‘evanessencias’, e escreve sobre vários assuntos ligados à religião. O autor é islâmico.

2) Usarei como referência uma perspectiva filosófica, tendo em vista que a teologia cristã não é conhecida pelo autor.

3) Esse texto é uma análise de um pequeno ‘debate’ que eu tive com o Caio Rossi. No final do texto, está o link para o acesso do blog.

Ainda como introdução, o debate ainda possui assuntos secundários que podem ser percebidos ao longo do texto. Caio Rossi defende em seu texto a possibilidade da existência de duas ou mais ‘revelações’ de origem divina, isto é, de várias formas de Deus se revelar ao homem. Seus critérios para saber que uma religião é ‘revelada’ são: “civilização tradicional (normal, em termos guenonianos), arte sagrada e santidade.”

Minha primeira pergunta: “Caio, Deus pode se contradizer? Deus pode se enganar? Ora, Deus não pode dizer algo hoje e dizer algo contrário amanhã. Logo, não é possível que o Cristianismo e o Islã sejam religiões reveladas. Só uma é a verdadeoira.”

Caio disse: “Eu sei q vc é cristão, pois o site do qual participa aparece nos avisos que o blog me envia de novos comentários, então sei q vc acredita em pelo menos duas alianças, e que na Nova Aliança Deus teria mudado uma série de condições, que é o que diferencia a prática cristã da judaica. Então, para ser cristão, vc necessariamente tem de admitir que partiram de Deus pelo menos duas revelações. E o que é para os cristãos Jesus Cristo descendo aos infernos e salvando as almas que Deus havia mandado para lá senão Deus abrogando seus desígnios anteriores qto ao destino daquelas almas?”

Vemos claramente que o autor desconhece a teologia cristã, e que tenta justificar a sua resposta em conclusões precipitadas. Sabemos que a revelação divina é uma só, Cristo não veio mudá-la, mas dar o seu devido cumprimento, interpretação. Mais ainda, Cristo desceu aos ‘infernos’ para salvar os justos que ali esperavam pela redenção. Caio errou.

Ele ainda conclui:
“Qto ao Islã, o conceito de abrogação é essencial tanto em relação às revelações anteriores, como qto às instruções que Allah estipulou dentro do próprio Islã (o principal exemplo sendo a mudança da direção das orações de Jerusalém para Meca).”
.
Esse que é cerne da questão: Deus pode se enganar? Deus não é o ser perfeito? Ele pode mentir? Que Deus é esse que ensina o erro aos seus filhos. A liberdade de Deus tem limites! Isso mesmo: existem coisas impossíveis para Deus. Deus não pode errar, Deus não pode mentir, Deus não pode pecar. Deus só pode agir para aquilo que é de sua natureza, que é a perfeição. 1º motivo para não crer no Deus do Caio.

Sob uma perspectiva filosófica, Deus não pode ser ‘movido’. Tomando como base as ‘provas da existência de Deus’ que são trabalhadas por Tomás de Aquino, Deus não pode ser movido pois não há nada antes d’Ele. Estas características foram abordadas por Santo Tomás envolvendo o ‘ser, não ser, potência de ser’ de Aristótales. Algo muito simples.

Do outro lado da argumentação, temos Platonismo; se existem o bem, a beleza e a verdade, tem de existir algo que seja perfeitamente bom, perfeitamente belo e perfeitamente verdadeiro. Como disse o Prof. Orlando Fedeli,’ Deus é, portanto, ATO puro. É o ser que não muda. Ele é aquele que é. Por isso, a verdade não muda. O dogma não muda. A moral não evolui. O bem é sempre o mesmo.A beleza não muda’. É capaz do Caio estar pensando que estas conclusões são saídas que o cristianismo conseguiu para salvar o seu Deus. Mas, isto não tem nada a ver, tendo em vista que isso foi defendido pelos gregos que chegaram à esta definição de forma totalmente racional. É impossível crer em duas verdades metafísicas, verdades metafísicas são absolutas. Bem, se dizem que o cristianismo, em geral, é contra a ciência - sobre a teoria da criação-, imaginem o que devem pensar do islâ...

Mas, Caio insiste e diz: A contradição está na decisão de colocar as almas no inferno e depois tirá-las [expliquei isso para ele, mas ele não entendeu ou não deu atenção]. Digo, isso demonstra que Deus é totalmente livre para tomar decisões, mm que sejam em sentido contrário das anteriores, o que, por extensão, e esse era o meu ponto, inclui a abrogação de revelações anteriores, e até, caso pretendesse, a manutenção da validade de todas elas simultaneamente.

AGORA É GRAVE: Caio diz que Deus é ‘relativista’. E, para piorar de vez, quando eu perguntei se Deus não poderia abrogar o islâ também, Caio disse:

“Deus informou que não enviaria mais nenhuma revelação após o Islã, mas nada impede que Ele o faça, apesar de ser muito pouco provável que Ele dissesse que faria uma coisa e não a cumprisse. Aquilo a que me referi anteriormente não tinha nada a ver com coisas que Ele disse que faria ou não faria, mas com coisas que Ele mandou fazer ou não fazer.”

Caio disse que é muito pouco provável que Deus venha a fazer algo que disse que não o faria. Ora, isso é subjetivo também? Cristo disse para que os apóstolos permanecessem firmes na féaté a sua volta, Cristo abrogou a sua volta e todos os Cristãos estão perdidos, Cristo não é aquele que não desampara as suas ovelhas? Isso é loucura! O mais interessante de tudo isso, é o MOTIVO que Deus teria para se auto contradizer tantas vezes: “Qto ao sentido de tradição [ religião revelada] q eu utilizei – o perenialista-, posso lhe garantir que a Igreja Católica e o protestantismo estão fora, de acordo com Guénon, e eu concordo com ele.

Ou seja, a única certeza que o Caio tem para que o islã esteja certo e o Catolicismo errado é a concordância dele com o René Guénon. René Guénon ensinou de forma humana, ou divina? Tanto faz, o Deus do Caio pode se contradizer. Vejam como eu fui simples e singelo nesse texto, poderia aqui fazer muito mais sobre os conceitos do Caio, mas desmoralizá-lo não é a minha intenção. Só para não perder o costume, vou ser um pouco sarcástico: Caio Rossi cai no inferno que ele próprio criou, e assim como o Deus dele, ele se auto contradiz muitas vezes, ao chegar no fundamento de dizer que é assim por que ele concorda com o fulano de tal. Não estou dizendo que o Caio Rossi tenha uma visão equivocada sobre revelação, muito menos desqualificada sobre o tema, ele simplesmente não tem NENHUMA. Nem mediana, nem péssima ,ele não tem nenhuma. Por fim, ele ainda disse: Se eu dissesse que Deus é um ser subjetivo, os cristãos, que fizeram dele um homem, não estariam em boas condições de me recriminar. De qq forma, o q eu disse só signfiica que Ele, sendo Absoluto, não conhece limitações externas.

Deixo uma frase do Peter Kreeft, que ilustra bem essa filosofia: Kant afirmou que todo o nosso conhecimento é subjetivo. Bem, essa afirmação é um conhecimento subjetivo? Se é, então o conhecimento desse fato também é subjetivo, et cetera, e todos estamos aprisionados num infinito salão de espelhos. A filosofia kantiana é perfeita para o inferno. É possível que os condenados creiam não estar realmente no inferno; seria apenas coisa da cabeça deles. E talvez seja isso mesmo: é possível que o inferno seja exatamente assim.

1 comentários:

  1. Deus não tem limitações e eu concordo. Não seria "mudar de idéia" uma limitação? Mudar de idéia estaria condicionado a não conhecer o que está por vir ou não concordar com sua própria atitude anterior. Isso é uma limitação humana. Deus não se limita nem mesmo a sua própria mente para que sua psiquê seja mutável. Lembrando que Deus não muda porque ele é causa primeira de todos os Efeitos. Qualquer coisa que mude será mudado por uma causa anterior, logo este passaria a ser efeito. Se Deus for efeito não seria mais Deus e seria provado que existe algo anterior a Ele.

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