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domingo, 21 de março de 2010

Aonde está a catolicidade da música católica atual?

Tendo escolhido o apostolado intelectual para contribuir com mundo católico virtual, não costumo redigir textos sobre o ambiente musical. A primeira escrita sobre música católica que foi aqui publicada foi um texto sobre a banda Rosa de Saron [1], em Dezembro de 2009.

O mundo liberal em que vivemos, que a cada dia arrasta mais adeptos, certamente faz da mente individual seu próprio cativeiro. As pessoas que vivem neste inferno cutlural deixam de ser apreciadores de arte, e passam a serem somente 'estetas'. A busca insana por novidades, a idolatria ao ideal da 'necessidade de renovação', essa insaciável busca pelo que é novo que carrega todo um ódio ao 'antigo', essa pretensa busca por 'originalidade' e tantos outros subjetivos que aqui poderiam ser escritos, são características dessa irracional cultura liberal. O que isso tem a ver com o tema do texto? Ora, desde que a Dança do Espetinho [2] invadiu os ares virtuais, apresentando jovens na Missa dançando funk, certamente o conceito de música católica foi enterrado. Por isso que eu te pergunto, caro leitor, aonde está a catolicidade da música católica?

Ao contrário do que os historiadores relativistas pensam - aqueles que pensam que todo fato histórico deve ser 'contextualizado', sem relacioná-los com acontecimentos anteriores -, a história caminha num processo de renovação de modo 'cíclico e não linear', no dizer de Hegel. O Papa Pio XII, na Encíclica "Humani generis", nº 21: Também é verdade que os teólogos devem sempre voltar às fontes da revelação; pois, a eles cabe indicar de que maneira "se encontra, explícita ou implicitamente" na Sagrada Escritura e na divina Tradição o que ensina o magistério vivo. Ademais, ambas as fontes da doutrina revelada contêm tantos e tão sublimes tesouros de verdade que nunca realmente se esgotarão. Por isso, com o estudo das fontes sagradas rejuvenescem continuamente as sagradas ciências; ao passo que, pelo contrário, a especulação que deixa de investigar o depósito da fé se torna estéril, como vemos pela experiência". Deixando de lado a minha reitórica de costume, a linguagem que os leitores assíduos gostam, usarei uma simples e reta linguagem nesta minha análise onde fundirei todos os conceitos apresentados até então, a fim de perplexar o leitor com a minha conclusão.

A renovação que a música católica deve assumir neste século XXI é aquela que visa um retorno às suas fontes, isto é, uma familiaridade com toda o riquíssimo legado da arte católica para o mundo, senão a impressão que é dada é de um desenvolvimento sem raízes, totalmente perdido, desconfigurado, e sem um horizonte. Como já dizia Aristóteles, 'o NADA, nada pode gerar'. Pois bem, enquanto a música católica deixar-se levar por estes pilares tão frágeis do liberalismo e não buscar sua identidade no que é próprio do catolicismo, teremos estes 'funks de Cristo', 'axés de Cristo', e, a novidade, os 'emos de Cristo', mas não será, de modo algum, música católica. Quando é que veremos algo que nos lembre Tomás Luís de Victoria, Palestrina, ou o grande Johann Sebastian Bach sair destes músicos dos dias atuais? Eu não condeno o ritmo musical, o rock, pagode, axé, etc,. Muito pelo contrário, num churrasco você não quer ouvir uma música mais animada? Você pode deixar o canto gregoriano de lado nesse momento e saborear uma boa música católica atual. Mas não é colocando 'Jesus' no refrão da música que ela se torna 'religiosa', que dirá católica. Já dizia Olavo de Carvalho, "um conceito é obtido a partir da síntese abstrativa de traços notados num certo grupo de fenômenos tomados como exemplares de uma espécie. Se o conjunto dessas notas conseguiu apreender adequadamente a essência da espécie, o conceito poderá ser generalizado para outros fenômenos da mesma espécie. A prova de que a generalização é adequada -- insisto -- reside na coincidência entre as propriedades deduzidas do conceito e aquelas observadas nos novos fenômenos que se pretende abranger nele".

Se a própria formulação do conceito de música católica atual prevê a exclusão daquilo que foi inicialmente tomado como referência, pode-se sair qualquer coisa, menos música católica. Simplificando: não há como uma árvore ficar de pé sem suas raízes bem fortalecidas. E é assim que a música católica no Brasil está rumando. Não falo das bandas e artistas que possuem um caminho percorrido, como Adriana, Adoração e Vida, Eugênio Jorge, Vida Reluz, Ir. Paulinas, Rosa de Saron, etc. Estes já possuem sua identidade própria e sua ligação com as 'fontes', falo desses artistas recentes que sentem dificuldade - se é que todos têm essa preocupação - de buscar na riqueza da Igreja os elementos que junto com os dons que Deus derramou sobre cada um, pegando ainda a questão do estilo que querem seguir, fazer resplandecer a luz de Cristo.

E isto não é algo 'paranóico', depois de séculos de livre-interpretação das escrituras, de séculos de relativismo epistemológico em filosofia, de séculos de iluminismo e racionalismo, depois da revolução francesa, depois de séculos de materialismo e consumismo, de centenas de anos de romantismo subjetivista e relativista, depois de um puritanismo exacerbado seguido de um sentimentalismo quietista, depois de cem anos de "biologismo" que nega a diferença entre homem e animal, depois de cem anos de psicoanálise que incentiva e liberação do "id", depois de cem anos de heresia modernista, depois de duas grandes guerras mundiais e de décadas de guerra fria, depois de décadas de televisão e cinema dominados por inimigos da Igreja, depois de décadas de campanha de liberalismo sexual, depois disso e de muito mais o que sobraram dos valores católicos na sociedade? E a música católica atual só faz transparecer todo este vazio que é causado por séculos de ideais anti-católicos, bem como uma mentalidade esteticista fruto do liberalismo que infiltraram-se em todas as dimensões da Igreja militante. Não quero escandalizar os pequeninos, não me refiro ao povo de fé simples e humilde que carrega a fé católica em seu peito, falo da marginalização que existe quanto às referências católicas na formação da identidade do artista. O músico estuda e aprende sobre música, aprimora suas técnicas vocais e instrumentais, investe em iluminação e aparelhos de qualidade, mas o essencial é deixado de lado. Tendo em vista que Pe. Zezinho é tido como uma referência quando o assunto é música católica por parte da grande 'crítica especializada', já é de se notar que o fim dos tempos está próximo.


Eu poderia colocar aqui nomes de artistas que eu simplesmente não consigo identificar NADA como católico, é com letras do tipo 'joga a mão pra cá, joga a mão pra lá, bate palma lá no alto e ao Senhor venha louvar' que eu certamente digo que o compositor não tem nenhum conceito de música católica. Aliás, o catolicismo sempre se diferenciou das outras religiões por ter a fé como algo racional, algo que não é coercivo, o catolicismo é por si atrativo ao coração das pessoas, e não é com um refrão destes que um agnóstico, marxista, ou qualquer outra tranquera vai passar a se 'interessar' por Deus. Quem quiser saber de nomes que perguntem nos comentários.

Por fim, uma profecia: Oh, grande levada de fiéis, ainda teremos uma Missa emo para que as escrituras se cumpram, conforme Cristo afirmava existir sinais firmes do fim-dos-tempos.
___

[1]http://www.apostoladoshema.com/2009/12/banda-rosa-de-saron-e-tao-profundo-que.html
[2]http://www.youtube.com/watch?v=rThWKfCSHyQ

5 comentários:

  1. Interessante seu ponto de vista Junior.. Em alguns aspectos vou ter que concordar com você, pois acredito que nem sempre é válida aquela máxima: "vou fazer um axé católico para conquistar os axezeiros", acho que as vezes pode surtir efeito contrário..
    Mas, vamos ter esperança que a música católica não vai se esvaziar de conteúdo, como aconteceu com a música secular, em sua quase totalidade.
    Claro, temos que ser realistas, não podemos esperar uma música na linha do "Adorote devote" composto no Século XXI.. ou podemos?
    Acho que estou dizendo isso porque ando meio desacreditada..

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  2. Tati, é possível sim, e existem artistas assim. Vide ENYA. Mas, aqui no Brasil, tudo que é 'antigo' é visto com maus olhos. Ou chamam de coisa da época da minha vó, ou chamam coisa pra 'rico', sendo que, se vc analisar, qualquer músico bem entendido, quando fala de música, é desses caras que eles falam. Qualquer metaleiro conhece Bach.

    Por que o Brasil não produz música 'pesada'? Porque não vende. Por que não vende? Por que não tem público. Por que não tem público? Ora, a sociedade é secularizada e antiquada, só músico internacional faz sucesso com Heavy Metal.

    Se é assim com o Metal - não gosto, mas é de uma ótima qualidade-, imagine o que deve ser para com o Canto Gregoriano?

    Mas, tomara que as coisas mudem por aqui, né?

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  3. Caríssimo Junior Pereira, Laudetur Dominus!

    Sua análise está muito boa e vai direto ao ponto. Não tenho muito com o que contribuir para complementá-la.

    Apenas gostaria de ressaltar - ainda utlizando os conceitos de Olavo de Carvalho - que a imaginação é a base mais remota de tudo o que é cultural ou intelectual, isto é, só entendemos a Doutrina que recebemos através dos modelos adquiridos pela imaginação nas diversas formas de arte - entre elas a música. Apesar de aprecer paranóia botar a culpa da atual decadência intelectual da sociedade nas músicas idiotas que ela ouve, a conexão entre uma coisa e outra é tão direta quanto a relação entre causa e efeito.

    Neste espírito, tem uma importância fundamental para que haja uma restauração do verdadeiro espírito cristão esta discussão sobre a qualidade das músicas ouvidas pelos cristãos. Vale dizer - até com um pouco de ousadia - que os cristãos estão simplesmente deixando de ser cristãos por rejeitarem o Canto Gregoriano, o Canto Polifônico e até mesmo a música clássica no geral.

    Eu gosto - e muito - de Heavy Metal. Mas sei que não pode existir um Heavy Metal cristão, senão apenas com motivos cristãos ou conservadores, pois a própria musicalidade do Metal, com seu caráter violento e inquieto, não tem nada de cristã.

    Pax et Salutis

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  4. Junior, vou falar na qualiade de metaleiro e músico, que sou.

    O metal pode não ser a música mais bonita do mundo, considerando letra e canto, mais uma das mais melhores se levarmos em conta arranjo, execução, harmonia e etc.

    No brasil fazem sucesso, principalmente, músicas com conotação sexual, malandra ou comica (sempre levando a agitação, pois muita gente não quer ter que pensar ou analisar o que esta escutando. Só querem balançar o corpo de forma sensual e até erótica e por isso precisam de músicas que contribuam para esta ação).
    Nada que te leve a refletir muito fará sucesso.

    Na música neoclássica se destacam o Yanni, Enya, Vangelis entre outros, e muita gente por aqui me olha com preconceito quando escuto isso.

    É verdade também que , geralmente (mas não sempre) , os metaleiros se interessam por essas músicas. No fim isso mostra frutos interessantes, pois são geralmente os metaleiros que viram músicos (isso mostra como esse tipo de música tem boa influencia no intelecto, não levando o ouvinte a uma mera vontade de beber cerveja e fazer sexo) , só que infelizmente, no brasil, o músico só ganha dinheiro se for tocar essas baixarias que se espalham por ai.
    Pode ver em qualquer banda dessas de pagode, axé e etc.
    Os Baixistas, bateristas e etc, que geralmente são ótimos músicos (CONTRATADOS) são geralmente Metaleiros que tiveram que se prestar a isso para sobreviver como músico.

    Toda essa... coisa, acaba se refletindo na Igreja também, logicamente.
    É necessário que voltemos a ouvir músicas que realmente nos impulsionem a melhorar.

    Nada contra ao pagode, sertanejo e etc, mas tudo isso foi usurpado de suas raízes e trasformado nesta mer** que ai está.

    Sou muito mais minhas músicas do Almir Sater do que Cesar Menoti (se é que é assim que se escreve) e Fabiano. Sou mais meu Fundo de quintal do que este tal de revelação. Sou muito mais meu Dream Theater do que NXzero. Sou mais O Sabastian Bach (seja ele o classico ou do Skid Row)do que a MPB que temos hoje.
    Não é apenas questão de gosto, é de qualidade também. Quem come só miojo estranha feijoada.

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  5. Hahauhauh.. lá em cima quando eu disse desacreditada, quis dizer descrente.
    Perdão pelo erro.

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Apostolado Shemá
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