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quarta-feira, 31 de março de 2010

FSSPX, os católicos querem a sua volta!

Mesmo com o levantamento das excomunhões dos Bispos da FSSPX, realizado pelo Papa Bento XVI, gloriosamente reinante, em Janeiro do ano passado, ainda existe uma irracional postura de rejeição à Fraternidade. O que a falta da razão não faz...

Primeiramente, a FSSPX não é católica?

Existem alguns argumentos aí já, digamos, 'obsoletos', com muitos 'motivos' para não considerar a FSSPX católica. Isso só pode ser teoria da conspiração. Em tempo, se alguém quiser contestar meus argumentos, pode fazer via comentários, ou me mande um texto para uma refutação. Não tratarei neste texto sobre o Vaticano II, crise, etc.

As circunstâncias que separam da comunhão com a Igreja são quatro: a heresia, o cisma, a apostasia e a excomunhão.

A FSSPX não é herética, nem apóstata, pois mantém tudo aquilo que é de fé divina e católica;
A FSSPX não é cismática, pois não recusa a sujeição ao Pontífice, nem a comunhão com os fiéis a ele sujeitos;
A FSSPX não é excomungada, pois a excomunhão não se aplica a um grupo, e aqueles que estavam excomungados - tomando como válida a excomunhão (se ela foi válida ou não é outra história)-, ou estão mortos ou tiveram a pena retirada (a morte também anula todas as penas).

Logo, por que a FSSPX não seria católica? Ela é, sim, católica. Ela não mantém uma comunhão perfeita, mas essa falta de comunhão não é com respeito à fé que todos devem ter para permanecerem católicos, e sim com respeito à doutrina católica ensinada pelo Magistério autêntico pós-conciliar.

Agora, é possível ser a favor do Vaticano II e ser contra a plena comunhão da FSSPX com a Igreja? Que ecumenismo é esse que busca uma aproximação com não-cristãos, protestantes, 'ortodoxos', e rejeitam aqueles que são católicos?

Depois da entrevista do Luciano, em dezembro, recebi várias 'advertências', de alguns leitores, para não pegar informações de 'terceiros', mas somente as dadas pelos representantes da FSSPX, ou, melhor, de seu superior Dom Bernard Fellay:
"Longe de querer parar a Tradição em 1962, nós desejamos considerar o Concílio Vaticano II e o ensino pós-conciliar à luz desta Tradição que São Vicente de Lérins definiu como “o que foi crido sempre, por toda a parte e por todos” (Commonitorium), sem ruptura e num desenvolvimento perfeitamente homogêneo. É assim que nós poderemos contribuir eficazmente à evangelização pedida pelo Salvador. (cf. Mateus 28,19-20).
E certamente a FSSPX, que está em diálogo doutrinal com a Santa Sé, pode contribuir eficazmente para este desenvolvimento homogêneo e sem ruptura, tendo em vista que o magistério autêntico não é irreformável e nem indefectível, o que eu tratei de maneira clara no texto "Qual a verdadeira teologia do Vaticano II".

O Mons. Teixeira Lite Penido, na sua obra O Mistério da Igreja (p. 293), confirma isso:

Nem sempre a Igreja exerce o seu Magistério solene ou ordinário universal, e por conseguinte, nem sempre assiste-lhe garantia absoluta de não errar. O Papa raramente fala "ex-cathedra"; entretanto ensina diariamente, já por exortação ou cartas a indivíduos, grupos, nações, já por documentos destinados à Igreja universal: encíclicas, decisões doutrinárias das Congregações romanas.

Quanto a estas últimas, é de notar que são infalíveis, logo irreformáveis, quando o Papa - rara vez - as faz pessoalmente suas. Aprovadas porém, "na forma comum", não são absolutamente isentas de erro, logo, podem vir a ser reformadas.

Mas a frente (p. 205) ele completa:

O "silêncio respeitoso" liga somente a lingua e a pena; rompê-lo implica malícia da vontade que se não submete; a "adesão interna" liga também a inteligência - conquanto não absolutamente; negá-la implica temeridade intelectual. Todavia, como a decisão romana, no caso, não é irreformável, será lícito ao teólogo ou ao exegeta que encontrassem proventura novos e fortíssimos argumentos, propô-los com a devida reverência. O que já sucedeu, sobretudo em matéria de interpretação bíblica.

Hurter (Theol. Dogm. Comp., vol. I, p. 492):

(…) se à mente do fiel se apresentarem razões graves e sólidas, sobretudo teológicas, contra (decisões do Magistério autêntico, quer episcopal que pontif´cio) ser-lhe-á lícito recear o erro, assentir condicionalmente, ou até mesmo suspender o assentimento (...)

Se a conversão dos protestantes e dos ortodoxos é algo querido por Deus, a união da FSSPX com Roma também é. Portanto, que constem nos autos que a FSSPX não é cismática, herética, e qualquer uma dessas coisas. Textos, ou qualquer manifestação que é conrária à FSSPX, deve ser bem embasado, e sabemos que 'armas nas mãos de crianças' é sinal de catástrofe. Não há mais nada para acrescentar. É só esperarmos o acordo.

12 comentários:

  1. A FSSPX não é excomungada, pois a excomunhão não se aplica a um grupo, e aqueles que estavam excomungados - tomando como válida a excomunhão (se ela foi válida ou não é outra história)-, ou estão mortos ou tiveram a pena retirada (a morte também anula todas as penas).
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    Junior,
    Ao que eu entendo, houve uma condiçÃo para que as excomunhões fossem retiradas. Nào sei dizer se essas exigencias foram cumpridas.
    Quanto a excomunhão ser anulada pela morte, isso não é correto. A busca pela anulação ou retirada da excomunhão deve ser procurada em vida. Após a morte encontra-se a verdade. Se a excomunhão , neste caso, for válidade, o excomungado haverá rompido com a Igreja e será julgado por isso. A Morte não anula a pena, faz que ela seja cumprida.

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  2. Leo,

    As excomunhões foram retiradas por que a FSSPX pediu, ela quer a estar em plena comunhão com Roma.
    Quanto à noção de excomunhão, não entendi nada do que vc disse entre a relação dela com a Morte. A excomunhão é anulada com a morte sim.

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  3. Junior, primeiro vamos a relação da excomunhão com a morte.
    A excomunhão é estar fora da comunhão com a igreja. para o retorno da comunhão com a igreja é necessário o arrependimento e (se possível) a confissão.
    Pensando em um caso hipotético onde alguém esteja excomungado por heresia e esta pessoal acredita firmemente na heresia e não se arrepende até a morte. Após a morte ela entrará novamente em comunhão com a Igreja?

    Quanto a excomunhão dos Bispos da FSSPX (até onde sei), elas foram revista a pedido deles, mas não retirada a pedido deles. Foi feita novamente uma análise para a retirada das excomunhão e foi colocada uma condição para essa retirada. Não sou entendedor do assunto, mas até onde pude ler sobre o caso, houveram condição para a revogação das excomunhões. Houve condições? quais foram? Foram cumpridas?

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  4. Leo,

    Você está confundindo conceitos. A excomunhão é uma pena eclesiástica, ela nada tem a ver com a fé, ou com o estado de graça, portanto, nada tem a ver com a codnenação. O seu exemplo é real, pois, quem está excomungado por heresia, está fora completamente da Igreja, tanto de modo real, e sem o estado de graça, pois a heresia é pecado mortal. No caso dos Bispos, eles foram excomungados por sagrarem 4 Bispos sem mandato Pontífico. Como esta previsto no Código de Direito Canônico. E, sim, a morte anula todas as penas eclesiásticas. Se morreram em estado de graça, estão salvos, se morreram em pecado mortal, inferno. Nada a ver com a excomunhão.

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  5. Sim Junior, agora te entendi. No entanto (claro que é um campo perigoso e que nào nos cabe) existem os motivos para a deliberada desobediência. O CDC nem mesmo cogita a ideia de que um bispo não saiba da Excomunhão latae sententiae neste caso. Então houve deliberada vontade de ir contra o CDC e a Santa Sé, mesmo sabendo da Excomunhão e , automáticamente, de suas proibições quanto ao exercício dos sacramentos, inclusive o recebimento, consagração e distribuição das hóstias consagradas, das missas e etc.
    Toda a revisão do CDC e dos atos ocorridos enquanto estavam em excomunhão latae sententiae (Que não tem como dizer que não conheciam) podem agravar o delito, sendo incluidos em outros delitos que não somente o problema das ordenações episcopais. Entende?

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  6. Leo,

    O CDC prevê excomunhão para quem ordenar Bispos sem mandato Pontífico. Aqui concordamos. Mas, não é tão simples assim. Pe. Murray defendeu a tese de que a excomunhão dada aos Bispos que ordenaram sem mandado pontífico eram INVÁLIDAS! E ele recebeu nota máxima nessa tese. E foi tese de Doutorado na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma. Então, a questão é mais complexa.

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  7. Sem dúvidas é bem mais complexa. No entanto ao que está em vigor no CDC é que não pode haver ordenação sem o o mandato Pontífico. Até que isso mude...
    O que ligares...

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  8. Leo,

    O Papa pode errar em seus atos de governo, Sto. Atanásio foi excomungado invalidamente pelo Papa da Época, a Igreja mesmo reconheceu que a excomunhão era inválida, e que este nunca tinha saído da perfeita comunhão.
    .
    E no CDC está em vigor que a ordenação sem mandato Pontifício é causa de excomunhão, exceto, quando o ordenante age seguido de sua reta consciência em caso de necessidade. Mas, aí é outra coisa...

    Se houve ou não caso de necessidade, só o tempo e a Igreja, ou Deus poderão dizer.

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  9. Isso é verdade. Mas a possibilidade ainda paira. Esperamos, sinceramente, de que o erros seja completo neste caso.

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  10. Caríssimos no Cristo, Laudetur Dominus!

    O decreto do levantamento das excomunhões não faz nenhuma menção a "condições" do levantamento das excomunhões. Ele fala simplesmente do pedido dos bispos da FSSPX, expressando sua angústia pela situação em que se encontravam, e a atitude do papa em resposta ao pedido. A tradução do decreto, com foto do original podem ser encontradas aqui.

    As condições pedidas pelo papa, a que o Leonardo se refere, foram condições anteriores ao levantamento das excomunhões e são tão somente condições para que haja um acordo entre a Santa Sé e a FSSPX, do qual o levantamento mesmo das excomunhões faz parte, sendo uma das condições colocadas pelos bispos da FSSPX (a outra era a liberalização total do Rito Gregoriano).

    Pax et Salutis

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  11. Prezado Captare, salve Maria.

    Muito obrigado pela informação, agora o assunto está esclarecido para todos, inclusive os leitores.

    Gostaria de contribuir com um comentário sobre a argumentação do texto?

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  12. Caríssimo Junior Pereira, Laudetur Dominus!

    Quanto à argumentação, me parece que está tudo em ordem. O artigo está muito bem fundamentado, inclusive com a opinião deste que foi um dos maiores teólogos brasileiros (Pe. Penido).

    Achei especialmente interessante quando você pergunta "como pode haver um verdadeiro Ecumenismo excluíndo a FSSPX?". Parece que muita gente boa por aí ainda não pensou por este ângulo.

    Pax et Salutis

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