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quinta-feira, 25 de março de 2010

Contracultura e antijudaismo

Senhores,
No site Mídia Sem Mascaras pude ler um texto bem sucinto sobre a contracultura em voga nos dias de hoje. Contracultura esta que visa à destruição dos princípios Judaico-cristãos que deram origem as bases da nossa sociedade como tal.
Neste artigo, retirado do Jornal Visão Judaica Curitiba - PR e publicada no MSM por HEITOR DE PAOLA, poderemos ter , logicamente, a visão dos judeus sobre o processo em questão.
Boa leitura.
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Contracultura e antijudaismo
HEITOR DE PAOLA | 24 MARÇO 2010
ARTIGOS - CONSERVADORISMO

Os Dez Mandamentos: são estes os princípios que a contracultura combate e visa destruir totalmente para estabelecer o mundo imaginado por Lennon, Marcuse e os movimentos estudantis.

A contracultura dos anos 60-70 do século passado pode ser definida pelas frases 'é proibido proibir' e 'faça amor não faça a guerra', seu grande momento foi o Festival Woodstock Music & Art Fair, seu manifesto o Port Huron Statement of the Students for a Democratic Society, de 1962, seu hino a música Imagine, de John Lennon e sua "bíblia" Eros and Civilizaton, de Herbert Marcuse.

Não cabe aqui um exame aprofundado destes documentos, mas sucintamente pode-se dizer que Marcuse argumenta que a essência da ordem "capitalista" é a repressão, disto resultando o indivíduo com todos os complexos e neuroses em função da repressão dos impulsos sexuais, numa perversão das idéias de Freud - de quebra, permitindo aos detratores deste acusá-lo do que ele jamais disse, pois considerava a repressão como o fator civilizatório par excellence. Marcuse defendia para o futuro que "um mundo melhor é possível", no qual Eros (a libido) seria libertado conduzindo ao reino da 'perversidade polimórfica' onde "cada um pode fazer o que quiser". Se este é o germe da defesa da satisfação plena e ilimitada de todos os desejos - levando à atual catástrofe das drogas, da animalização da juventude criada pelos pais daquelas décadas, até ao reconhecimento da "legitimidade" da pedofilia e outras perversões - não o é menos a música de Lennon.

Ao persistir no rumo atual, o mundo caminha inexoravelmente para ser um mundo "sem céu ou inferno, todos vivendo apenas para o dia de hoje, sem países e sem causas pelas quais possamos nos sacrificar e sem religião". Um mundo "sem posses, onde não haverá ambição, nem fome, nem diferenças". Este mundo é apresentado como um mundo "de paz, harmonia e irmandade entre os homens", mas é outro ídolo naquela época, Bob Dylan, que já advertia (Man of Peace):

I can smell something cooking

I can tell there's going to be a feast

You know, baby, that sometimes

Satan comes as a man of peace!

O que isto tem a ver com judaísmo, perguntarão os leitores? Muito, pois significativamente todos os diplomas legais que fundaram a Civilização Ocidental se baseiam nos Dez Mandamentos, a Lei Mosaica. Numa leitura ortodoxa, D'us entregou as Tábuas a Moisés para servir de guia de estruturação da nova nação judaica constituída pelo seu povo eleito que se fundaria em Canaã depois de salvos da escravidão no Egito. Porém, simbolicamente, entregou-as a todos os povos, e alguns deles passaram a fazer uso, principalmente no Ocidente, onde impera o Cristianismo, e no Islã. Deve-se notar, contudo, que não agradou a D'us a conduta de seu povo após tê-lo salvo: além de reconstruírem ídolos pagãos, abandonaram todas as tradições religiosas e se entregaram de forma desenfreada aos impulsos instintivos (*).

Simbolicamente, pode-se interpretar que, enquanto durou o cativeiro de 400 anos, o Povo foi submetido à brutal repressão externa da qual, vendo-se livres, puderam dar vazão aos sentimentos e desejos reprimidos naquele período. Os Dez Mandamentos da Lei de D'us foram enviados para substituir a repressão externa por outra, interna, a Aliança do povo Judeu com D'us livremente aceita, impondo severas restrições aos impulsos mais primitivos e condutas específicas com relação a Ele e aos semelhantes. São exatamente estes fundamentos que a contracultura combate e visa destruir totalmente para estabelecer o mundo imaginado por Lennon, Marcuse e os movimentos estudantis que se fundaram nas décadas referidas.

Não obstante, por paradoxal que possa parecer, foram exatamente estes Mandamentos, que instituíram a liberdade individual e o amor ao próximo. Se, por um lado, impõem enormes restrições aos nossos impulsos e desejos, por outro nos permitem ficar livres da pior das ditaduras: a dos próprios impulsos.

Considero que esta é uma das causas do antijudaísmo, a intolerância com o povo escolhido para trazer ao mundo as Tábuas da Lei. Sugiro que seja um bom tema secundário para refletir no próximo Pessach (Páscoa).

Nota:

(*) Como os povos não aprendem, a contracultura do século passado está levando o mundo à mesma situação daquela época.

Artigo publicado no Jornal Visão Judaica, Curitiba, PR.

2 comentários:

  1. Acredito que vou falar besteira, mas ai vai. Sou ateu, mas acredito que religião, na sua versão pura, estabelece valores que de certa forma organizam a vida em sociedade. Como leitor apixonado de Nietzsche não sou adepto da moral estabelecida, mas em contraponto não aprovo a total imoralidade que vivemos. Tudo muito confuso mesmo, se Lennon tinha boas intensões, suas idéias não foram utilizadas (ou mesmo não eram precisas) para construia a paz. Hobbes já havia dito que o homem é o lobo do homem e disso não há dúvida. Hoje, entre frear os instintos ou reprimí-los, adoto uma postura particular. Não me vinculo a ideais religiosos mas também procuro ocupar meu espaço na sociedade sem provocar o mal ou a destruição. Se não tenho as respostas certas, apenas tento não contribuir para a destruição da sociedade.

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  2. Cláudio, O problema esta na visão deturpada que se faz da moral cristã. Como você mesmo afirma, ela moldou a sociedade e até mesmo você e você a utiliza mesmo sem sabe. Nietzsche teve muita dificuldade em entender isso.
    De onde vem a noção de que matar e roubar consiste em um crime?
    Você precisa procurar ler o contraponto das ideias de Nietzsche.

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