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quarta-feira, 31 de março de 2010

FSSPX, os católicos querem a sua volta!

Mesmo com o levantamento das excomunhões dos Bispos da FSSPX, realizado pelo Papa Bento XVI, gloriosamente reinante, em Janeiro do ano passado, ainda existe uma irracional postura de rejeição à Fraternidade. O que a falta da razão não faz...

Primeiramente, a FSSPX não é católica?

Existem alguns argumentos aí já, digamos, 'obsoletos', com muitos 'motivos' para não considerar a FSSPX católica. Isso só pode ser teoria da conspiração. Em tempo, se alguém quiser contestar meus argumentos, pode fazer via comentários, ou me mande um texto para uma refutação. Não tratarei neste texto sobre o Vaticano II, crise, etc.

As circunstâncias que separam da comunhão com a Igreja são quatro: a heresia, o cisma, a apostasia e a excomunhão.

A FSSPX não é herética, nem apóstata, pois mantém tudo aquilo que é de fé divina e católica;
A FSSPX não é cismática, pois não recusa a sujeição ao Pontífice, nem a comunhão com os fiéis a ele sujeitos;
A FSSPX não é excomungada, pois a excomunhão não se aplica a um grupo, e aqueles que estavam excomungados - tomando como válida a excomunhão (se ela foi válida ou não é outra história)-, ou estão mortos ou tiveram a pena retirada (a morte também anula todas as penas).

Logo, por que a FSSPX não seria católica? Ela é, sim, católica. Ela não mantém uma comunhão perfeita, mas essa falta de comunhão não é com respeito à fé que todos devem ter para permanecerem católicos, e sim com respeito à doutrina católica ensinada pelo Magistério autêntico pós-conciliar.

Agora, é possível ser a favor do Vaticano II e ser contra a plena comunhão da FSSPX com a Igreja? Que ecumenismo é esse que busca uma aproximação com não-cristãos, protestantes, 'ortodoxos', e rejeitam aqueles que são católicos?

Depois da entrevista do Luciano, em dezembro, recebi várias 'advertências', de alguns leitores, para não pegar informações de 'terceiros', mas somente as dadas pelos representantes da FSSPX, ou, melhor, de seu superior Dom Bernard Fellay:
"Longe de querer parar a Tradição em 1962, nós desejamos considerar o Concílio Vaticano II e o ensino pós-conciliar à luz desta Tradição que São Vicente de Lérins definiu como “o que foi crido sempre, por toda a parte e por todos” (Commonitorium), sem ruptura e num desenvolvimento perfeitamente homogêneo. É assim que nós poderemos contribuir eficazmente à evangelização pedida pelo Salvador. (cf. Mateus 28,19-20).
E certamente a FSSPX, que está em diálogo doutrinal com a Santa Sé, pode contribuir eficazmente para este desenvolvimento homogêneo e sem ruptura, tendo em vista que o magistério autêntico não é irreformável e nem indefectível, o que eu tratei de maneira clara no texto "Qual a verdadeira teologia do Vaticano II".

O Mons. Teixeira Lite Penido, na sua obra O Mistério da Igreja (p. 293), confirma isso:

Nem sempre a Igreja exerce o seu Magistério solene ou ordinário universal, e por conseguinte, nem sempre assiste-lhe garantia absoluta de não errar. O Papa raramente fala "ex-cathedra"; entretanto ensina diariamente, já por exortação ou cartas a indivíduos, grupos, nações, já por documentos destinados à Igreja universal: encíclicas, decisões doutrinárias das Congregações romanas.

Quanto a estas últimas, é de notar que são infalíveis, logo irreformáveis, quando o Papa - rara vez - as faz pessoalmente suas. Aprovadas porém, "na forma comum", não são absolutamente isentas de erro, logo, podem vir a ser reformadas.

Mas a frente (p. 205) ele completa:

O "silêncio respeitoso" liga somente a lingua e a pena; rompê-lo implica malícia da vontade que se não submete; a "adesão interna" liga também a inteligência - conquanto não absolutamente; negá-la implica temeridade intelectual. Todavia, como a decisão romana, no caso, não é irreformável, será lícito ao teólogo ou ao exegeta que encontrassem proventura novos e fortíssimos argumentos, propô-los com a devida reverência. O que já sucedeu, sobretudo em matéria de interpretação bíblica.

Hurter (Theol. Dogm. Comp., vol. I, p. 492):

(…) se à mente do fiel se apresentarem razões graves e sólidas, sobretudo teológicas, contra (decisões do Magistério autêntico, quer episcopal que pontif´cio) ser-lhe-á lícito recear o erro, assentir condicionalmente, ou até mesmo suspender o assentimento (...)

Se a conversão dos protestantes e dos ortodoxos é algo querido por Deus, a união da FSSPX com Roma também é. Portanto, que constem nos autos que a FSSPX não é cismática, herética, e qualquer uma dessas coisas. Textos, ou qualquer manifestação que é conrária à FSSPX, deve ser bem embasado, e sabemos que 'armas nas mãos de crianças' é sinal de catástrofe. Não há mais nada para acrescentar. É só esperarmos o acordo.

Todo mundo é corrupto, inclusive você

Li este artigo interessantíssimo que resume bem, desde seu título, o nível cultural e moral que se encontra o Brasil hoje. Boa leitura.

Artigo publicado e escrito por blog do Mr. X
http://blogdomrx.blogspot.com/2010/03/todo-mundo-e-corrupto-inclusive-voce.html


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Terça-feira, 23 de março de 2010
Todo mundo é corrupto, inclusive você

Leio no jornal que Bernie Madoff, o especulador que roubou 65 bilhões de dólares de seus associados em um "esquema piramidal" ou "Ponzi scheme", levou uma surra de um companheiro de cela na prisão. Seus colegas de reclusão são traficantes, mafiosos e outros criminosos comuns. Ele provavelmente teve sorte de não ser estuprado.

Não apóio a surra. É verdade que Maddoff arruinou a vida, ou ao menos a economia, de muita gente. Nem todos seus clientes eram ricos, mas nenhum era pobre (e quase todos eram colegas da comunidade judaica). Por outro lado, às vezes me parece que quem cai em contos do vigário tem ao menos uma pequena parcela de culpa: o vigarista quase sempre engana apenas a quem quer ganhar mais do que deve. Ou será que não? (E não é o Obamacare também um gigantesco "Ponzi scheme", no qual alguns poucos vão se dar bem e muitos outros vão se dar mal? E não há otários que estão celebrando esse desastre, achando que vão conseguir "something for nothing"?)


Mas é verdade que há gente que sabe enganar muito bem, e Madoff abusou da confiança de pessoas que o consideravam até um amigo, talvez até da própria família. Em todo caso: basta a merecida prisão para Madoff, deixemos as surras para os estupradores de crianças.

Enquanto corruptos e especuladores ladrões ainda vão para a cadeia nos Estados Unidos (ao menos alguns deles, ainda falta o Obama), no Brasil leio uma curiosa notícia, em que estudantes de administração chamam Delúbio Soares para conseguir dinheiro para uma festa. É ler para crer (dica C. Avolio):


O ex-tesoureiro petista foi homenageado pela turma de futuros administradores por seu principal talento - a capacidade de arrumar dinheiro. Conta o presidente da comissão de formatura: “A gente ficou sabendo que o Delúbio gostava de participar desse tipo de festa, inclusive ajudando financeiramente. Fomos até sua fazenda e fizemos o convite para ele ser o nosso padrinho. Ele topou na hora e, aí, a gente perguntou se ele poderia dar uma ajudazinha nas despesas. Ele perguntou de quanto. Deixamos por conta dele”. Dias depois do convite, em novembro, o ex-tesoureiro depositou 6 000 reais, o equivalente a 13% das despesas da festa, na conta da comissão. “A gente sabe que a fama dele é horrível, mas fazer o quê, se ele pode bancar a festa?”, justifica Cezar Barros.

O pior é que na festa Delúbio fez um discurso falando, acreditem, sobre ética... (Bem, o Bernie Madoff não estava disponível.)


Vejam que beleza. Esses garotos são os futuros administradores do Brasil. Que, no futuro, irão pagar às autoridades para receber favores, e aceitar como normal fazer mutretas, afinal, "A gente sabe que a fama dele é horrível, mas fazer o quê, se ele pode bancar a festa?"

Pois é. Fazer o quê? Que ninguém mais diga que o problema do Brasil são os "políticos corruptos". Não, meu caro. O problema é você.


terça-feira, 30 de março de 2010

O ateísmo contemporâneo

É fenômeno inédito em toda a história da humanidade.


Diversas são as modalidades do ateísmo moderno: vão de teoria filosófica (materialismo radical) até a atitude prática de quem ignora a Deus. Alguns sistemas ateus vêm a ser autenticas profissões de fé na matéria, à qual são atribuídos predicados divinos: a existência por si, a eternidade, a necessidade absoluta...

Na verdade o ateu não pode provar que Deus não existe; o ateísmo resulta de uma opção voluntária; o homem se faz ateu porque quer, não porque tenha a evidência de que o ateísmo é verdade.



Entre as causas do ateísmo contemporâneo assinala-se:



1. A exaltação do homem com sua razão e sua ciência. O mito da ciência, “chave para todos os problemas”, empolgou indevidamente muitas gerações;

2. A psicologia materialista, que reduz a religião a uma atitude meramente subjetiva e ocasional do ser humano, sem que lhe responda a realidade objetiva de Deus;

3. O hedonismo ou a tendência ao prazer, que tem aberto os caminhos da permissividade e vem embotando as consciências frente aos valores transcendentais;

4. A deturpação da doutrina e da vida cristãs por parte dos próprios cristãos.



Qual a resposta cristã para o fenômeno do ateísmo?



1. O homem foi feito para o Bem Absoluto e Infinito, que é Deus. É em Deus que o homem encontra a plena realização das suas aspirações, de modo que não há oposição entre o desenvolvimento dos valores humanos e o culto prestado a Deus. Carl Jung afirmava: “Entre todos os meus parentes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de trinta e cinco anos de vida, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão de sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religião viva sempre deu em todos os tempos a seus adeptos; e nenhum se curou realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria” (extraído do livro de N. da Silveira, Jung, vida e obra, 6ª Ed., PP 141s).

2. O homem, dotado de anseios para a Verdade e para o Bem como tais, é para si mesmo um problema insolúvel; só Deus lhe pode dar a resposta cabal. O homem é grande demais em suas aspirações para contenta-se definitivamente com a resposta de alguma criatura. É como uma agulha magnética que, atraída pelo Norte, só encontra repouso quando se volta para este (Deus).

3. Sem esperança numa existência póstuma, a vida presente se torna incompreensível. De modo especial o problema do mal pede o além, no qual restaure a ordem e implante a justiça, que são constantemente burladas nesta terra; se não há nada após a morte este mundo se torna absurdo, porque nele a injustiça e desordem moral frequentemente prevalecem impunemente sobre o bem moral; a iniqüidade e o cinismo não podem ser as palavras finais da história.

Como remédio ao ateísmo o cristão deve propor:

1. Correta exposição doutrinaria. A mensagem da fé nada tem a recear por parte da ciência. Ao contrário, a pouca ciência pode afastar de Deus, ao passo que muita ciência leva a Deus. É preciso que os cristãos conheçam bem o que professam, não apresentando como proposições de fé o que de fato não integra a fé;

2. Coerente conduta de vida. É necessário que os fiéis ilustrem sua mensagem com um comportamento adequado. O mundo de hoje é muito sensível a sinceridade ou a coerência dos pregadores, de tal modo que a mais bela e verídica doutrina, quando apregoada por quem não a vive, pouco ou nada lhe significa.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Carta aos agentes de música liturgica do Brasil

(Dainte da dificuldade encontrada na realidade das paróquias no serviço de música litúrgica, posto novamente este artigo)

Brasília-DF, 25 de setembro de 2008



ML – C – Nº 0845/08

A liturgia ocupa um lugar central em toda a ação evangelizadora da Igreja. Ela é o “cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana toda a sua força” (SC 10). Nela, o discípulo realiza o mais íntimo encontro com seu Senhor e dela recebe a motivação e a força máximas para a sua missão na Igreja e no mundo (cf. DGAE nº 67).


Há uma relação muito profunda entre beleza e liturgia. Beleza não como mero esteticismo, mas como modalidade pela qual a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcança, fascina e arrebata, fazendo-nos sair de nós mesmos e atraindo-nos assim para a nossa verdadeira vocação: o amor (cf. SCa 35). Unida ao espaço litúrgico, a música é genuína expressão de beleza, tem especial capacidade de atingir os corações e, na liturgia, grande eficácia pedagógica para levá-los a penetrar no mistério celebrado.

Acompanhamos, com entusiasmo e alegria, o florescer de grupos de canto e música litúrgica, grupos instrumentais e vocais, que exercem o importante ministério de zelar pela beleza e profundidade da liturgia através do canto e da música. Sua animação e criatividade encantam muitos daqueles que participam das celebrações litúrgicas em nossas comunidades. Ao soar dos primeiros acordes e ao canto da primeira nota, sentimos mais profundamente a presença de Deus.

Lembramos alguns aspectos importantes que contribuem para a grandeza do mistério celebrado.


1. A importância da letra na música litúrgica - a letra tem a primazia, a música está a seu serviço. A descoberta da beleza de um canto litúrgico passa necessariamente pela análise cuidadosa do conteúdo do texto e da poesia. A beleza estética não é o único critério. Muitas músicas cantadas em nossas liturgias estão distanciadas do contexto celebrativo. “Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; é necessário evitar a improvisação genérica e o canto deve integrar-se na forma própria da celebração” (SCa 42). Não é possível cantar qualquer canto em qualquer momento ou em qualquer tempo. O canto “precisa estar intimamente vinculado ao rito, ou seja, ao momento celebrativo e ao tempo litúrgico” (DGAE 76). Antes de escolher um canto litúrgico é preciso aprofundar o sentido dos textos bíblicos, do tempo litúrgico, da festa celebrada e do momento ritual.



2. A participação da assembléia no canto - o Concílio Vaticano II enfatiza a participação ativa, consciente, plena, frutuosa, externa e interna de todos os fiéis (cf. SC 14). O canto litúrgico não é propriedade particular de um cantor, animador, ou de um seleto grupo de cantores. A liturgia permite alguns momentos para solos (tanto vocais quanto instrumentais), porém a assembléia deve ter prioridade na execução dos cantos litúrgicos. O animador ou o cantor tem a importante missão, como elemento intrínseco ao serviço que presta à comunidade, de favorecer o canto da assembléia, ora sustentando, ora fazendo pequenos gestos de regência, contribuindo para a participação ativa de toda a comunidade celebrante.



3. Cuidado com o volume dos instrumentos e microfones - em muitas comunidades, o excessivo volume dos instrumentos, como também a grande quantidade de microfones para os cantores, às vezes, não contribuem para um mergulho no mistério celebrado, antes, provocam a agitação interior e a dispersão, além de inibir a participação da assembléia no canto. Pede-se cuidado com o volume do som, a fim de que as celebrações sejam mais orantes , pois tudo deve contribuir para a beleza do momento ritual.



4. Cultivar uma espiritualidade litúrgica - os cantores e instrumentistas exercem um verdadeiro ministério litúrgico (SC 29). A celebração não é um momento para fazer um show, para apresentação de qualidades e aptidões. Os cantores e instrumentistas devem, antes de tudo, mergulhar no mistério, ouvir e acolher com a devida atenção a Palavra de Deus e participar intensamente de todos os momentos da celebração. Música litúrgica e espiritualidade litúrgica devem andar juntas, são duas asas de um mesmo vôo, duas nascentes de uma mesma fonte.



Invocamos as luzes do Espírito Santo sobre todos os agentes de música litúrgica de nosso país. Reconhecemos o valoro do ministério exercido a serviço de celebrações reveladoras da beleza suprema do Deus criador e da atualização do Mistério Pascal de Jesus Cristo.


D. Joviano de Lima Júnior, SSS
Arcebispo de Ribeirão Preto

Pregação na Canção Nova - Profecia, fanatismo, realismo, ou uma mescla de tudo isso ?



Em fevereiro desse ano, um pregador de Sete Lagoas- MG, chamado Moisés Rocha, fez uma palestra na CN e fez uma série de denúncias. Em certo momento, o palestrante disse que era bem provável que, depois daquela palestra, ele nunca mais aparecesse por lá. Havia outra palestra com ele à tarde, e foi cancelada. A Canção Nova não colocou à venda a ‘pregação’, alegando erro na gravação.

Mas a palestra vazou pela internet: www.scjesus.com/Filmes/moiseis.html

Como se pode ver, o palestrante diz haver na Igreja, principalmente na música católica, ‘estrelismo’, que está corrompendo a pregação do evangelho, e faz sérias críticas ao que acontece atualmente na Igreja e cita músicos e Padres cantores como exemplos.

Agora é assistir e tirar conclusões.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Contracultura e antijudaismo

Senhores,
No site Mídia Sem Mascaras pude ler um texto bem sucinto sobre a contracultura em voga nos dias de hoje. Contracultura esta que visa à destruição dos princípios Judaico-cristãos que deram origem as bases da nossa sociedade como tal.
Neste artigo, retirado do Jornal Visão Judaica Curitiba - PR e publicada no MSM por HEITOR DE PAOLA, poderemos ter , logicamente, a visão dos judeus sobre o processo em questão.
Boa leitura.
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Contracultura e antijudaismo
HEITOR DE PAOLA | 24 MARÇO 2010
ARTIGOS - CONSERVADORISMO

Os Dez Mandamentos: são estes os princípios que a contracultura combate e visa destruir totalmente para estabelecer o mundo imaginado por Lennon, Marcuse e os movimentos estudantis.

A contracultura dos anos 60-70 do século passado pode ser definida pelas frases 'é proibido proibir' e 'faça amor não faça a guerra', seu grande momento foi o Festival Woodstock Music & Art Fair, seu manifesto o Port Huron Statement of the Students for a Democratic Society, de 1962, seu hino a música Imagine, de John Lennon e sua "bíblia" Eros and Civilizaton, de Herbert Marcuse.

Não cabe aqui um exame aprofundado destes documentos, mas sucintamente pode-se dizer que Marcuse argumenta que a essência da ordem "capitalista" é a repressão, disto resultando o indivíduo com todos os complexos e neuroses em função da repressão dos impulsos sexuais, numa perversão das idéias de Freud - de quebra, permitindo aos detratores deste acusá-lo do que ele jamais disse, pois considerava a repressão como o fator civilizatório par excellence. Marcuse defendia para o futuro que "um mundo melhor é possível", no qual Eros (a libido) seria libertado conduzindo ao reino da 'perversidade polimórfica' onde "cada um pode fazer o que quiser". Se este é o germe da defesa da satisfação plena e ilimitada de todos os desejos - levando à atual catástrofe das drogas, da animalização da juventude criada pelos pais daquelas décadas, até ao reconhecimento da "legitimidade" da pedofilia e outras perversões - não o é menos a música de Lennon.

Ao persistir no rumo atual, o mundo caminha inexoravelmente para ser um mundo "sem céu ou inferno, todos vivendo apenas para o dia de hoje, sem países e sem causas pelas quais possamos nos sacrificar e sem religião". Um mundo "sem posses, onde não haverá ambição, nem fome, nem diferenças". Este mundo é apresentado como um mundo "de paz, harmonia e irmandade entre os homens", mas é outro ídolo naquela época, Bob Dylan, que já advertia (Man of Peace):

I can smell something cooking

I can tell there's going to be a feast

You know, baby, that sometimes

Satan comes as a man of peace!

O que isto tem a ver com judaísmo, perguntarão os leitores? Muito, pois significativamente todos os diplomas legais que fundaram a Civilização Ocidental se baseiam nos Dez Mandamentos, a Lei Mosaica. Numa leitura ortodoxa, D'us entregou as Tábuas a Moisés para servir de guia de estruturação da nova nação judaica constituída pelo seu povo eleito que se fundaria em Canaã depois de salvos da escravidão no Egito. Porém, simbolicamente, entregou-as a todos os povos, e alguns deles passaram a fazer uso, principalmente no Ocidente, onde impera o Cristianismo, e no Islã. Deve-se notar, contudo, que não agradou a D'us a conduta de seu povo após tê-lo salvo: além de reconstruírem ídolos pagãos, abandonaram todas as tradições religiosas e se entregaram de forma desenfreada aos impulsos instintivos (*).

Simbolicamente, pode-se interpretar que, enquanto durou o cativeiro de 400 anos, o Povo foi submetido à brutal repressão externa da qual, vendo-se livres, puderam dar vazão aos sentimentos e desejos reprimidos naquele período. Os Dez Mandamentos da Lei de D'us foram enviados para substituir a repressão externa por outra, interna, a Aliança do povo Judeu com D'us livremente aceita, impondo severas restrições aos impulsos mais primitivos e condutas específicas com relação a Ele e aos semelhantes. São exatamente estes fundamentos que a contracultura combate e visa destruir totalmente para estabelecer o mundo imaginado por Lennon, Marcuse e os movimentos estudantis que se fundaram nas décadas referidas.

Não obstante, por paradoxal que possa parecer, foram exatamente estes Mandamentos, que instituíram a liberdade individual e o amor ao próximo. Se, por um lado, impõem enormes restrições aos nossos impulsos e desejos, por outro nos permitem ficar livres da pior das ditaduras: a dos próprios impulsos.

Considero que esta é uma das causas do antijudaísmo, a intolerância com o povo escolhido para trazer ao mundo as Tábuas da Lei. Sugiro que seja um bom tema secundário para refletir no próximo Pessach (Páscoa).

Nota:

(*) Como os povos não aprendem, a contracultura do século passado está levando o mundo à mesma situação daquela época.

Artigo publicado no Jornal Visão Judaica, Curitiba, PR.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Tornamos o Homem o centro da nossa fé?




Após assistir a um programa religioso de TV (do qual mostrava um tendência demasiada ao imanente, ainda que tocasse no assunto transcendente) e posteriormente ler a ultima postagem escrita pelo meu amigo Junior, pode notar certa tendência não da Igreja, mas da sociedade e que tem influenciado, logicamente, as pessoas dentro da Igreja, pois toca em seu interior.

A lógica da Religião Cristã se encontra nos mandamentos “Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, essas duas leis encerram em si mesmas as outras, pois só a luz destas se podem compreender o restante dos mandamentos e toda a teologia e filosofia cristã.

No entanto existe uma nova tendência que inverte os valores deste mandamento pervertendo-o em “Amaras a Ti sobre todas as coisas e a deus como a Ti mesmo”.

Esta visão hedonista vem prevalecendo na sociedade e também nos meios religiosos da seguinte forma:

E aceito dentro da fé aquilo que não me custa (quando aceito algo) e construo uma imagem de mim mesmo e do que preciso para a minha felicidade e a idealizo como dogma sobre qualquer idéia e rechaço qualquer argumento que contrarie o que idealizei mesmo que ele seja impraticável ou imoral.

Com isso esta pessoa se fecha em uma identidade ideológica (que pode ser grupal ou individual) onde estas idéias são deturpadamente propagadas, ruminadas e alto afirmadas, oferecidas como a solução cabal para a infelicidade.

Com isso, está acontecendo dentro de alguns movimentos da Igreja Católica, e por influencia de pessoas mal formadas e também influenciadas pela sociedade hedonista, exatamente aquilo que a Igreja lutou e luta contra, que é a idéia da felicidade que só pode ser alcançada sem sacrifícios, pois o próprio sacrifício significaria infelicidade.

Isso contraria toda a teologia e a lógica Cristã Católica, mas está sendo lentamente injetada na idéia de católicos por pessoas que vivem sua fé a margem do ensino do magistério da Igreja, formulando suas próprias doutrinas e filosofias (entendendo que neste caso seja infiltrada na Igreja por pessoas da Igreja sem intenção proposital de deturpar o magistério).

Com a contribuição da cultura brasileira, que foge da leitura e do estudo (principalmente o estudo que não trará vantagens financeiras) como o diabo foge da Cruz, Cria-se uma inércia intelectual e doutrinal da qual é complicadíssimo sair.

Qualquer um que tenha um pouco de interesse sobre a doutrina Católica e o estudo de apologética e catequese já deve ter tentado passar adiante o pouco que recebeu de Deus e da sua Igreja, no entanto percebe como esse conteúdo é constantemente rejeitado principalmente quando tocam em pontos sensíveis de choque entre a Moral clássica Cristã e a “moral” moderna contemporânea, tais como, aborto, castidade, união civil, divórcio, namoro, fé e etc. (Obs.: Nem sempre o que tem o nome moderno é bom e trás contribuições benéficas).

Chama a atenção apenas a leitura escatológica, quase que esotérica, dos textos, bíblicos e magisteriais e afasta-se ou relativa-se as leituras sobre moral e comportamento cristão.

Muitos não querem saber destes assuntos por medo de descobrir que estão errados ou tentam relativizá-los para provaram a si mesmos que as coisas não são bem como dizem e, com isso, não sentirem a necessidade de mudar, primeiramente, o pensamento e, consequentemente, as atitudes. Com isso são desonestos consigo mesmos e se auto-manipulam para não correrem o risco de verem seus ideais de felicidade se desfazendo em suas próprias mãos. Evitam a todo custo o contato com a verdade e começam a afirmar não haver verdades, pensamento que em si mesmo prova-se impossível.




Isso tem dificultado muito os fiéis a encontrar motivos para a confissão de seus pecados, pois começam a achar que o pecado deixará de sê-lo sob determinada ótica.

Nisto muitos fiéis tem ajuda de sacerdotes, que com um discurso humanista demais ao invés de levar a conversão e a radicalidade da santidade provocam o efeito da conformação do estado de pecado e a reativação da moral por medo de ferir o ego e atentar contra a psiquê do outro. O "não julgar", assim como fala o evangelho de ontem (21/Mar/2010) é importante, mas tão importante quanto é o "vá e não peques mais".

Precisamos de católicos que confrontem suas idéias com a Moral Clássica Cristã, deixada como legado pelo Nosso Senhor Jesus Cristo não para tornarem-se super-homens, mas para buscar sempre a perfeição que está em Deus.

Precisamos de pessoas que não tenham medo de olhar para a própria vida e ver que existem algumas arestas a serem aparadas e é exatamente este o convite que a Igreja faz nesta quaresma para uma melhor vivência da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O momento é de reflexão, não simplesmente sobre os erros, mas sobre tudo que o possibilitou ou contribuiu e é exatamente aqui que muitos fogem.

Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis aflições; mas tende bom ânimo; Coragem! Eu venci o mundo - João 16,33

domingo, 21 de março de 2010

Aonde está a catolicidade da música católica atual?

Tendo escolhido o apostolado intelectual para contribuir com mundo católico virtual, não costumo redigir textos sobre o ambiente musical. A primeira escrita sobre música católica que foi aqui publicada foi um texto sobre a banda Rosa de Saron [1], em Dezembro de 2009.

O mundo liberal em que vivemos, que a cada dia arrasta mais adeptos, certamente faz da mente individual seu próprio cativeiro. As pessoas que vivem neste inferno cutlural deixam de ser apreciadores de arte, e passam a serem somente 'estetas'. A busca insana por novidades, a idolatria ao ideal da 'necessidade de renovação', essa insaciável busca pelo que é novo que carrega todo um ódio ao 'antigo', essa pretensa busca por 'originalidade' e tantos outros subjetivos que aqui poderiam ser escritos, são características dessa irracional cultura liberal. O que isso tem a ver com o tema do texto? Ora, desde que a Dança do Espetinho [2] invadiu os ares virtuais, apresentando jovens na Missa dançando funk, certamente o conceito de música católica foi enterrado. Por isso que eu te pergunto, caro leitor, aonde está a catolicidade da música católica?

Ao contrário do que os historiadores relativistas pensam - aqueles que pensam que todo fato histórico deve ser 'contextualizado', sem relacioná-los com acontecimentos anteriores -, a história caminha num processo de renovação de modo 'cíclico e não linear', no dizer de Hegel. O Papa Pio XII, na Encíclica "Humani generis", nº 21: Também é verdade que os teólogos devem sempre voltar às fontes da revelação; pois, a eles cabe indicar de que maneira "se encontra, explícita ou implicitamente" na Sagrada Escritura e na divina Tradição o que ensina o magistério vivo. Ademais, ambas as fontes da doutrina revelada contêm tantos e tão sublimes tesouros de verdade que nunca realmente se esgotarão. Por isso, com o estudo das fontes sagradas rejuvenescem continuamente as sagradas ciências; ao passo que, pelo contrário, a especulação que deixa de investigar o depósito da fé se torna estéril, como vemos pela experiência". Deixando de lado a minha reitórica de costume, a linguagem que os leitores assíduos gostam, usarei uma simples e reta linguagem nesta minha análise onde fundirei todos os conceitos apresentados até então, a fim de perplexar o leitor com a minha conclusão.

A renovação que a música católica deve assumir neste século XXI é aquela que visa um retorno às suas fontes, isto é, uma familiaridade com toda o riquíssimo legado da arte católica para o mundo, senão a impressão que é dada é de um desenvolvimento sem raízes, totalmente perdido, desconfigurado, e sem um horizonte. Como já dizia Aristóteles, 'o NADA, nada pode gerar'. Pois bem, enquanto a música católica deixar-se levar por estes pilares tão frágeis do liberalismo e não buscar sua identidade no que é próprio do catolicismo, teremos estes 'funks de Cristo', 'axés de Cristo', e, a novidade, os 'emos de Cristo', mas não será, de modo algum, música católica. Quando é que veremos algo que nos lembre Tomás Luís de Victoria, Palestrina, ou o grande Johann Sebastian Bach sair destes músicos dos dias atuais? Eu não condeno o ritmo musical, o rock, pagode, axé, etc,. Muito pelo contrário, num churrasco você não quer ouvir uma música mais animada? Você pode deixar o canto gregoriano de lado nesse momento e saborear uma boa música católica atual. Mas não é colocando 'Jesus' no refrão da música que ela se torna 'religiosa', que dirá católica. Já dizia Olavo de Carvalho, "um conceito é obtido a partir da síntese abstrativa de traços notados num certo grupo de fenômenos tomados como exemplares de uma espécie. Se o conjunto dessas notas conseguiu apreender adequadamente a essência da espécie, o conceito poderá ser generalizado para outros fenômenos da mesma espécie. A prova de que a generalização é adequada -- insisto -- reside na coincidência entre as propriedades deduzidas do conceito e aquelas observadas nos novos fenômenos que se pretende abranger nele".

Se a própria formulação do conceito de música católica atual prevê a exclusão daquilo que foi inicialmente tomado como referência, pode-se sair qualquer coisa, menos música católica. Simplificando: não há como uma árvore ficar de pé sem suas raízes bem fortalecidas. E é assim que a música católica no Brasil está rumando. Não falo das bandas e artistas que possuem um caminho percorrido, como Adriana, Adoração e Vida, Eugênio Jorge, Vida Reluz, Ir. Paulinas, Rosa de Saron, etc. Estes já possuem sua identidade própria e sua ligação com as 'fontes', falo desses artistas recentes que sentem dificuldade - se é que todos têm essa preocupação - de buscar na riqueza da Igreja os elementos que junto com os dons que Deus derramou sobre cada um, pegando ainda a questão do estilo que querem seguir, fazer resplandecer a luz de Cristo.

E isto não é algo 'paranóico', depois de séculos de livre-interpretação das escrituras, de séculos de relativismo epistemológico em filosofia, de séculos de iluminismo e racionalismo, depois da revolução francesa, depois de séculos de materialismo e consumismo, de centenas de anos de romantismo subjetivista e relativista, depois de um puritanismo exacerbado seguido de um sentimentalismo quietista, depois de cem anos de "biologismo" que nega a diferença entre homem e animal, depois de cem anos de psicoanálise que incentiva e liberação do "id", depois de cem anos de heresia modernista, depois de duas grandes guerras mundiais e de décadas de guerra fria, depois de décadas de televisão e cinema dominados por inimigos da Igreja, depois de décadas de campanha de liberalismo sexual, depois disso e de muito mais o que sobraram dos valores católicos na sociedade? E a música católica atual só faz transparecer todo este vazio que é causado por séculos de ideais anti-católicos, bem como uma mentalidade esteticista fruto do liberalismo que infiltraram-se em todas as dimensões da Igreja militante. Não quero escandalizar os pequeninos, não me refiro ao povo de fé simples e humilde que carrega a fé católica em seu peito, falo da marginalização que existe quanto às referências católicas na formação da identidade do artista. O músico estuda e aprende sobre música, aprimora suas técnicas vocais e instrumentais, investe em iluminação e aparelhos de qualidade, mas o essencial é deixado de lado. Tendo em vista que Pe. Zezinho é tido como uma referência quando o assunto é música católica por parte da grande 'crítica especializada', já é de se notar que o fim dos tempos está próximo.


Eu poderia colocar aqui nomes de artistas que eu simplesmente não consigo identificar NADA como católico, é com letras do tipo 'joga a mão pra cá, joga a mão pra lá, bate palma lá no alto e ao Senhor venha louvar' que eu certamente digo que o compositor não tem nenhum conceito de música católica. Aliás, o catolicismo sempre se diferenciou das outras religiões por ter a fé como algo racional, algo que não é coercivo, o catolicismo é por si atrativo ao coração das pessoas, e não é com um refrão destes que um agnóstico, marxista, ou qualquer outra tranquera vai passar a se 'interessar' por Deus. Quem quiser saber de nomes que perguntem nos comentários.

Por fim, uma profecia: Oh, grande levada de fiéis, ainda teremos uma Missa emo para que as escrituras se cumpram, conforme Cristo afirmava existir sinais firmes do fim-dos-tempos.
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[1]http://www.apostoladoshema.com/2009/12/banda-rosa-de-saron-e-tao-profundo-que.html
[2]http://www.youtube.com/watch?v=rThWKfCSHyQ

quinta-feira, 18 de março de 2010

Qual a verdadeira Teologia do Vaticano II ? - Parte I

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer aos caríssimos Rui Machado e Thiago Santos de Moraes, que me ajudaram tanto direta e indiretamente no decorrer desse estudo.


Neste tempo de crise, poucos são os que conseguem guiar-se no campo da teologia da Igreja. Há os grupos que erram por ‘excesso’, outros por ‘falta’, e outros por ignorância, e assim são gerados mais e mais problemas dos mais diversos níveis de conhecimento e formação teológica. Este texto, espero, abordará o Vaticano II de forma ainda não muito conhecida, a fim de desmistificar os erros espalhados por todos os lados, sejam eles virtuais ou não.

Já de início, vou enumerar os 5 pontos principais que vou abordar durante o texto:

1º ponto: O Concílio Vaticano II ENSINOU algo de modo infalível? R: Não.

2º ponto: O Concílio Vaticano II é Magistério Ordinário infalível? R: Não.

3º ponto: O Concílio Vaticano II pode ser negado? R: Não.

4º ponto: O Católico deve assentimento de fé ao Vaticano II? R: Não.

5º ponto: O Vaticano II pode ser criticado? R: Sim.

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1º Ponto: O Vaticano II ensinou algo de modo infalível? R: Não.

"Há quem se pergunte que autoridade, que qualificação teológica o Concílio quis atribuir aos seus ensinamentos, pois bem se sabe que ele evitou dar solenes definições dogmáticas envolventes da infalibilidade do Magistério Eclesiástico. A resposta é conhecida, se nos lembrarmos da declaração conciliar de 6 de Março de 1964, confirmada a 16 de Novembro desse mesmo ano: dado o caráter pastoral do Concílio, evitou este proclamar em forma extraordinária dogmas dotados da nota de infalibilidade. Todavia, conferiu a seus ensinamentos a autoridade do supremo Magistério ordinário" (Paulo VI, Discurso no encerramento do Concílio, 12 - I 1966. Apud Compêndio do Vaticano II, Editora Vozes, Petrópolis, 1969, pg. 31).

No ponto em que estamos, fica claro que o último concílio universal (o Vaticano II), declarado não-dogmático, não pode reivindicar por si o carisma da infalibilidade nos documentos em que não propõe um ensinamento tradicional. E nem o ensino que se apresenta como Magistério ordinário pontifical dos últimos Papas pode reivindicar para si – com exclusão de alguns atos – a qualificação de “Magistério ordinário infalível”. É suficiente considerar que os documentos pontificais sobre as “novidades” que “perturbaram” e “turvaram” a consciência dos fiéis (ecumenismo, diálogo inter-religioso, liberdade religiosa, etc.) não demonstram nenhuma preocupação de se reportar ao ensino dos “veneráveis predecessores”, ou mais exatamente, estão na impossibilidade de o fazer devido à ruptura em relação a eles ( não estou julgando se há ou não uma verdadeira ruptura). Mas, isso fica evidente, por exemplo, quando percorremos as notas da Dominus Iesus: exceto por uma frase tirada da Mystici Corporis, é como se não existisse o Magistério dos Papas precedentes.*

O Concílio, onde reafirma a doutrina de sempre da Igreja, empregando sua máxima autoridade, é infalível, como nos diz a declaração da comissão doutrinal que Paulo VI citou em seu discurso: "Tendo em conta a praxe conciliar e o fim Pastoral do presente Concílio, este sagrado Concílio só define aquelas coisas relativas à fé e aos costumes que abertamente declarar como de fé. Tudo o mais que o Sagrado Concílio propõe, como doutrina do Supremo Magistério da Igreja, devem-no os fiéis receber e interpretar segundo a mente do mesmo Concílio, a qual se deduz quer do assunto em questão, quer do modo de dizer, segundo as normas de interpretação teológica". (Compêndio do Vaticano II, Ed. Vozes, Petrópolis1969, p. 21-22.)

Mons. Gherardini confirma isso:
“Concílio Ecumênico Vaticano II é indubitavelmente magisterial; sem dúvida alguma ele não é dogmático, mas pastoral, dado que sempre se apresentou como tal; suas doutrinas são infalíveis e irreformáveis somente onde são retiradas de declarações dogmáticas; as que não gozam de fundamentos tradicionais constituem, tomadas em conjunto, um ensino autenticamente conciliar e portanto magisterial, embora não dogmático, que gera por conseguinte não a obrigação de fé, mas um acolhimento atento e respeitoso, na linha de uma adesão leal e deferente; aquelas, finalmente, cujas novidades aparecem inconciliáveis com a Tradição ou mesmo opostas a ela, poderão e deverão ser seriamente submetidas a um exame crítico com base na mais rigorosa hermenêutica teológica”.

2° Ponto: Refutando a tese de erro por excesso: o Vaticano II é Magistério ordinário infalível.

Alguns tendem ao erro por creditar ao magistério do Vaticano II, o caráter de infalibilidade que ele não possui, afirmando que o Concílio é magistério ordinário infalível. Como demonstrei, onde o Vaticano II reafirma a doutrina de sempre da Igreja, engajando toda a sua autoridade, ele é magistério extraordinário infalível, e onde trouxe ‘novidades’, ele é autêntico. Em absoluto, um Concílio ecumênico não pode se expressar no nível de magistério ordinário infalível.

Pe. Dr. Maurílio Teixeira-Leite Penido, em sua obra, Iniciação Teológica I: O Mistério da Igreja. (Petrópolis: Ed. Vozes, 1956. Pág. 291), diz:

“1º. Magistério solene ou extraordinário: a) o Sumo Pontífice falando “ex cathedra*” (por ex.: Pio XII definiu a Assunção); b) os Bispos em comunhão com o Papa, reunidos em concílio universal (por ex.: o Concílio do Vaticano definiu a infalibilidade pontifical).

2o. Magistério ordinário universal: a generalidade dos Bispos em comunhão com o Papa — e não reunidos em concílio — ensinando uma doutrina como de fé (Se estão reunidos em Concílio, recaímos no caso do Magistério solene. Aqui se trata da pregação ordinária, unânime do episcopado)”.

É, portando, falsa a tese de que o Vaticano II é magistério ordinário infalível, pois, o magistério ordinário infalível não se exerce em um Concílio ecumênico, como já foi demonstrado.

O ensinamento do Vaticano II não pode ser considerado infalível porque o Concílio não quis ser dogmático (Magistério extraordinário infalível) e o próprio Paulo VI lhe imprimiu a nota teológica: “Magistério ordinário, manifestamente autêntico (audiência geral de 12.01.1966; Encíclicas e discursos de Paulo VI, Paulinas, 1966, pp. 51-52; negrito meu).

3) O Concílio Vaticano II pode ser negado como um todo? Não.

Assim disse o Cardeal Ratzinger:

“Quem nega o Vaticano II nega a autoridade que sustenta os outros dois Concílios e, dessa forma, os separa do seu fundamento.
É impossível para um católico tomar posição a favor do Vaticano II contra Trento ou Vaticano I. Quem aceita o Vaticano II, assim como ele se expressou claramente na letra, e lhe entendeu o espírito, afirma ao mesmo a ininterrupta tradição da Igreja, em particular os dois concílios precedentes. Do mesmo modo, é impossível decidir-se a favor de Trento e do Vaticano I contra o Vaticano II.”
(Joseph Ratzinger, Diálogos sobre a Fé, 1985)


De fato, o fiel pode negar assentimento às doutrinas do magistério autêntico do Vaticano II, mas não no sentido de negar a autoridade que fundamentou o Vaticano II e os demais concílios, isto é, a autoridade suprema da Igreja, o Papa e o episcopado pleno a ele unido, etc.
, que culminaria em dizer que o Concílio é ilegítimo, o que é um erro. Ademais, não podemos deixar de lado onde o concílio reafirmou e definiu como de fé os ensinamentos tradicionais da Igreja, e foi infalível.


4) O Católico deve assentimento de fé ao Vaticano II? R: Não.

“A infalível garantia da assistência divina não está limitada somente aos atos do Magistério solene. Ela estende-se também ao Magistério ordinário, sem, no entanto, cobrir e assegurar do mesmo modo todos esses atos (P. Labourdette, Revista Tomista, 1950, p. 38; o negrito é meu) e, logo, o assentimento dado ao Magistério ordinário “pode ir desde o simples respeito até um verdadeiro ato de fé” (Mons. Guerry, A doutrina social da Igreja, Paris, Bonne Presse, 1957, p. 172).

“Dado que tudo que o Magistério ordinário ensina não é infalível, é necessário perguntar que tipo de adesão devemos a essas diferentes decisões. O assentimento de fé é exigido por parte do cristão para todas as verdades doutrinais e morais definidas pelo Magistério da Igreja. Ele não é exigido para o ensinamento do Soberano Pontífice que não é imposto a toda a coletividade cristã como dogma de fé. Nesse caso é suficiente a adesão interna e religiosa que damos a autoridade religiosa legítima. Esse assentimento não é absoluto, pois seus decretos não são infalíveis, é apenas prudencial e condicional. Nas questões de fé e de moral presume-se que o superior esteja certo (...). A possibilidade de submeter a doutrina a outro exame, se isso parecer necessário pela gravidade da questão, não é eliminada por essa adesão prudencial” (Nicolas Jung, O Magistério da Igreja, 1935, pp. 153-154; negrito meu).

É preciso distinguir o que é ou não, magistério, seja ele autêntico, seja ele tradicional (ordinário infalível do Papa ou da da Igreja), seja ele extraordinário, já tivemos casos claros de erros por parte dos Papas. Quando o mundo católico conhecia claramente esses princípios, o perigo de ser arrastado ao erro era muito menor. E, de fato, vemos na história da Igreja que a resistência de cardeais, de universidades católicas, de príncipes católicos, de religiosos, de simples fiéis, bloquearam os passos em falso de alguns papas, como João XXII e Sixto V.*

São Roberto Bellarmino escreveu a Clemente VIII (F. Vigouroux, Dicionário da Bíblia, t. III, col. 1407-1408, art. Jesuítas: trabalhos sobre as Sagradas Escrituras):

“Vossa Santidade sabe a que perigo Sixto V expôs-se a si próprio e a toda a Igreja quando empreendeu a correção da Sagrada Escritura segundo as luzes da ciência pessoal e realmente não sei se a Igreja jamais correu perigo mais grave.”

Guido de Vienne (Calisto II), São Godofredo de Amiens, Santo Hugo de Grenoble e outros bispos, reunidos no Sínodo de Vienne (1112), enviaram ao Papa Pascoal II as decisões que adotaram, escrevendo-lhe ainda: “Se, como absolutamente não cremos, escolherdes uma outra via, e vos negardes a confirmar as decisões de nossa paternidade, valha-nos Deus, pois assim nos estareis afastando de vossa obediência” (citado por Bouix, Tract. de Papa, tom. II, p. 650)


Papa São Leão II: “Anatematizamos (...) Honório, que não ilustrou esta Igreja apostólica com a doutrina da tradição apostólica, mas permitiu, por uma traição sacrílega, que fosse maculada a fé imaculada” (Denz.Sch. 563)

Então, sim, o mundo católico poderia correr o risco de ser arrastado ao erro, mas não porque a infalibilidade da Igreja estivesse falhando (nas devidas condições o Papa goza da infalibilidade, bem como um Concílio Ecumênico). A causa seria porque o Papa não estaria sabendo corresponder a esta graça. O mesmo vale para o Concílio Ecumênico. E quanto mais os princípios ressaltados neste texto caem no esquecimento, mais esse perigo aumenta.

Conclusão: O Vaticano II não exige assentimento de fé dos fiéis, mas, de ‘inteligência’, aquele que é marcado pela prudência e pelo condicional. Quem nega assentimento ao Magistério autêntico do Vaticano II, não está em cisma, nem em heresia, bem como continua católico.

5º Ponto: O Vaticano II pode ser criticado? R: Sim.

Primeiramente, o que se entende por ‘crítica’? Se ‘crítica’ estiver no sentido de uma análise feita por pessoas competentes, o sentido está correto. Diz a Instrução Donum Veritatis:


27. Ainda que não esteja em questão a doutrina da Fé, não deverá o teólogo expor suas opiniões ou suas hipóteses contrárias como se fossem conclusões indiscutíveis. Esta exigência é devida por causa da reverência para com a verdade, como também pelo respeito para com o povo de Deus (cf. Rm 14, 1-15; 1 Cor 8; 10,23-33). Pelos mesmos motivos, o teólogo se absterá de manifestação pública e intempestiva delas.

28. O que se disse acima se aplica de modo peculiar ao teólogo que tenha, por razões que lhe pareçam fundadas, sérias dificuldades em receber um ensinamento não irreformável do Magistério.

(...)

30. Se, apesar de um leal esforço, persistirem as dificuldades, é dever [officium] do teólogo fazer saber às autoridades do Magistério as questões levantadas pelo próprio ensinamento, pelas provas que oferece, ou ainda pelo modo com que é proposto. O teólogo o fará com espírito evangélico, movido por forte empenho [vehementi studio] em resolver as dificuldades. Suas objeções poderão contribuir assim para um verdadeiro progresso, estimulando o Magistério a propor, de modo mais aprofundado e melhor argumentado, o ensinamento da Igreja.

E é esse o caminho que os ‘críticos’ do magistério autêntico do Vaticano II devem percorrer. Na próxima parte desse estudo, tratarei das correntes teológicas e dos ‘grupos’ do Vaticano II.

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Nota: * Textos: http://apologetica.ning.com/forum/topics/estudando-o-sedevacantismo - com alumas modificações.

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