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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Revolucionários, tradicionalistas ou conservadores: de qual grupo você quer fazer parte?



Diante da crise interna que a Igreja vive, apresento uma relação onde existem 3 grupos: os revolucionários, os tradicionalistas e os conservadores. Cada um deles assume uma posição em relação ao momento que a Igreja vive. Certamente, existem alguns grupos intermediários e grupos específicos, que tratam de assuntos como a ‘reforma da reforma’, a reforma do Direito Canônico, passando pela formação dos sacerdotes e sobre a função dos leigos.


Pe. Paulo Ricardo Azevedo Júnior, Reitor do seminário ‘Cristo Rei’ de Cuiabá (MT), é o responsável pela análise:


"O que é um revolucionário? É aquele que afirma, ao olhar para a árvore frondosa da Igreja: 'Vamos arrancar a árvore e colocar em seu lugar um pé de abóbora'.

O que é um tradicionalista? É aquele que vê a árvore frondosa da Igreja perdendo folhas e corre para colá-las novamente à árvore, porque nela nada pode ser mudado. O revolucionário quer mudar tudo, o tradicionalista não quer mudar nada.

E o conservador? É aquele que deseja conservar a vida da árvore. Para conservá-la, por vezes é preciso podar um galho, cavar ao redor, colocar adubo. Conservar, como se vê, não é transformar a Igreja num museu.

Entre tradicionalista e conservador há, como indicado, muita diferença. Não obstante, as pessoas tendem a confundi-los.

'Não se pode mudar nada', diz o tradicionalista. Pode e deve mudar, porque a Igreja é um organismo vivo, e todo organismo precisa mudar para crescer. Entretanto, uma coisa é Nosso Senhor Jesus Cristo ter deixado na Terra um carvalho e alguém querer substituí-lo por um pé de abóbora, ou em algo sem vida, como em um museu onde só há coisas antigas que não podem ser mudadas". (...)


A atitude do Papa é a de saber o que precisa conservar, mas de forma viva. Essa é a mentalidade de Bento XVI. Por esse motivo, o verdadeiro conservador é agredido por ambos os lados: pelo revolucionário, pelo fato de querer conservar; pelo tradicionalista, pelo oposto, por querer mudar. Essa é a grande dificuldade.

Concluindo: a suprema autoridade da Igreja é o Papa, juntamente com os Bispos. Estes têm a missão, delegada por Nosso Senhor Jesus Cristo, de conservar. Fica evidente o que significa conservar: a vida da Igreja"


(Vaticano II - ruptura ou continuidade? Ecclesiae - 2009. Págs. 8-9)

Só para dar uma descontraída no texto:

“Os verdadeiros amigos do povo não são revolucionários, nem tradicionalistas, mas conservadores”.


8 comentários:

  1. Caríssimo Junior Pereira, Laudetur Dominus!

    A análise do Pe. Paulo Ricardo contém um erro: Se as folhas da "Árvore Frondosa" da metáfora estivessem caindo naturalmente, os tradicionalistas estariam errados em tentar fazer alguma coisa. Mas as folhas não estão caindo naturalmente. Elas estão sendo arrancadas! E justamente por aqueles "que querem plantar o pé-de-abóbora", que ainda estão jogando veneno na raiz da árvore para as folhas caírem mais facilmente.

    Mudando, assim, a situação narrada na metáfora, o posicionamento de cada um dos gurpos se torna mais evidente e realista: os revolucionários(hereges modernistas) são os que estão arrancando as folhas e galhos para - quando não sobrar mais nada da árvore - plantar o pé-de-abóbora; os tradicionalistas são aqueles que se recusam a podar a árvote e cavar em volta das raízes para não se parecerem com os que arrancam as folhas e jogam veneno nas raízes; e os conservadores podam a árvore e cavam em volta, sempre tentando deixar claro que não arrancam folhas e não jogam veneno nas raízes. E, é claro, existem tradicionalistas e conservadores que, além de continuarem com suas posturas habituais, também tentam segurar as mãos dos revolucionários para que parem de atacar a árvore. Estes são os combativos.

    É claro que a metáfora do padre era muito mais simples e fácil de assimilar, e talvez eu a tenha estragado neste aspecto. Mas se é para fazer metáforas, que elas sejam um espelho fiel da realidade. Ou então elas correm o risco de confundir mais do que explicar.

    Pax et Salutis

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  2. Prezado Captare, salve Maria!


    Você disse: "A análise do Pe. Paulo Ricardo contém um erro: Se as folhas da "Árvore Frondosa" da metáfora estivessem caindo naturalmente, os tradicionalistas estariam errados em tentar fazer alguma coisa. Mas as folhas não estão caindo naturalmente."
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    Bem, na verdade, existem muitas folhas sendo arracandas. Mas, a análise do Pe. Paulo Ricardo fala das folhas que caem mesmo. Os Tradicionalistas são o que agem da forma descriminada pelas folhas que caem.
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    Essa analogia se encaixa perfeitamente na questão do debate da Reforma litúrgica.
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  3. Caríssimo Junior Pereira, Laudetur Dominus!

    O mal em debater em cima de metáforas é que não se tem uma visão clara exatamente do que se está falando. :)

    Mas vamos lá, exatamente que folhas estavam caindo *naturalmente* e que os tradicionalistas estão tentando colar?

    No mais, você admitiu que muitas folhas estão mesmo sendo arrancadas. Por que o Pe. Paulo não fez nenhuma referência a isso na metáfora?

    Pax et Salutis

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  4. Prezado Captare, salve Maria!
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    Como não sabemos da posição do Pe. Paulo Ricardo, falarei por mim mesmo em exemplos claros:
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    PS: Vou pegar a lituriga como centro da exposição.
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    Exemplos de folhas que estão sendo arrancadas: o latim deveria ser mantido e esforços educacionais promovidos para o povo cantar ou dizer certas partes (nº 36 e 54). O tesouro da música sacra deveria ser preservado e ao canto gregoriano devia ser dado seu lugar de destaque (nº 114-116). Não deveriam haver inovações, a não ser que o genuíno bem do povo as requeresse e as novas formas adotadas deveriam crescer organicamente das anteriores (nº 23). Os ritos reconhecidos deviam ser promovidos (nº 4)(tudo isso está na SC). E por aí vai...
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    Bem, agora sobre as folham que caem e que os tradicionalistas querem colar, terei de citar João Paulo II:
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    O uso do vernáculo certamente abriu os tesouros da liturgia a todos o que tomam parte nela, mas isto não significa que o latim – e especialmente os cânticos, que são tão incrivelmente adaptados ao gênio do rito romano - devam ser completamente abandonados.
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    Se a prática subconsciente é ignorada no serviço, um vácuo afetivo e devocional são criados, e a liturgia pode se tornar não só muito verbal, mas também muito cerebral. No entanto, o rito romano é novamente distinto no equilíbrio que ele alcança entre a
    disponibilização e a riqueza da emoção: alimenta o coração e a mente, o corpo e a alma.
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    Tem sido escrito com bastante razão que na história da Igreja toda renovação verdadeira tem sido associada a uma releitura dos Pais da Igreja. E o que é verdade em geral, é verdade a respeito da liturgia em particular. Os Pais eram pastores com um zelo ardente pela tarefa de propagação do Evangelho; e portanto eles estavam profundamente interessados em todas as dimensões da cerimônia, deixando-nos alguns dos mais significativos e permanentes textos da tradição cristã, que são tudo, menos o resultado de um esteticismo árido.

    Os Pais eram pregadores ardentes, e é difícil imaginar que pudesse haver uma renovação eficaz da pregação católica, como desejava o Concílio, sem uma familiaridade suficiente com a tradição patrística. O Concílio promoveu uma mudança no modo homilético de pregação que exporia, como os Pais, o texto bíblico de uma forma que abre suas riquezas inesgotáveis aos fiéis.

    A importância que a pregação assumiu na cerimônia católica desde o Concílio significa que os padres e diáconos devem ser treinados a fazer bom uso da Bíblia. Mas isto também envolve familiaridade com toda a tradição patrística, teológica e moral bem como o conhecimento penetrante de suas comunidades e da sociedade em geral. Senão, a impressão que é dada é de um ensinamento sem raízes, sem aplicação universal inerente na mensagem do Evangelho. A síntese excelente da riqueza doutrinária da Igreja contida no Catecismo da Igreja Católica ainda tem que ser experimentada mais amplamente como uma influência na pregação católica."
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    Texto na íntegra aqui:
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    http://www.apostoladoshema.com/2009/05/liturgia-e-sua-renovacao-no-vaticano-ii.html
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    E então, o que acha?

    Paz e Bem!

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  5. Caríssimo Junior, Laudetur Dominus!

    Não conseguir abstrair do excerto do texto do papa os elementos que poderiam ser considerados as "folhas que caem naturalmente". Ele fala de alguns frutos positivos que poderiam ser conseguidos se os fiéis entendessem a liturgia e a pregação. Mas não fala de algo que esteja acontecendo naturalmente e que o modo de agir tradicionalista estivesse tentando frear.

    Pax et Salutis

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  6. Captare

    O padre fala sobre as folhas. Existem Folhas que caem e folhas que são arrancadas.
    Como disse, algumas são arrancadas pelas modernidades aloucadas de algumas alas dissonantes e revolucionárias, Outras caem naturalmente.
    O que muitas vezes ocorre é que tradicionalistas querem colar de volta as folhas que caíram naturalmente.
    Então vemos dois extremos.
    Um que arranca folhas e danifica a arvore, e outro que quer deixar a arvora mumificada, querendo até mesmo colar de volta as folhas que caíram naturalmente.

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  7. Prezado Captare, salve Maria!

    Bem, se vc considerar que os tradicionalistas são contra o vernáculo, e alguns elementos litúrgicos presentes na liturgia do Papa Paulo VI, temos aí um exemplo. Poderia citar outros, mas aí já perderíamos o foco da liturgia.

    Paz e Bem!

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  8. Caríssimo Junior Pereira, Laudetur Dominus!

    Pois é, mas eu não consigo pensar em nenhum exemplo concreto de algo que possa ser considerado um desenvolvimento natural na Reforma e que os tradicionalistas estejam tentando jogar areia.

    Se formos tratar do vernáculo, onde ele é mais conveniente? Posso pensar de cara: nas leituras bíblicas e na homilia. Mas os tradicionalistas não são contra isto especificamente. Tem mais algum lugar do Rito onde o vernáculo seria conveniente e que é rejeitado pelos tradicionalistas? Você também fala sobre "alguns elementos litúrgicos presentes na liturgia do Papa Paulo VI". Tudo bem, mas quais??? E por que você acredita que eles eles sejam desenvolvimentos naturais rejeitados pelos tradicionalistas?

    Faço estas perguntas porque metáforas são úteis, mas elas têm que ser bem pensadas, senão elas trazem armadilhas dentro dos seus próprios símbolos que podem transformá-la apenas numa figura bonitinha, mas sem valor. E pergunto também porque vocês parecem convictos de que os tradicionalistas querem colocar de volta na liturgia coisas que já não deviam estar ali, devido a um processo de desenvolvimento natural. Tudo bem, me parece possível. Mas ficam faltando os exemplos que comprovem este ponto de vista. Em tese parece sensato, mas na prática funciona assim?

    Pax et Salutis

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