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sábado, 27 de fevereiro de 2010

O que os marxistas pensam de João Paulo II?

Péssima leitura a todos!


O papa foi um santo?


RODRIGO RICUPERO
Doutor em História do Brasil pela USP



• O papa João Paulo II faleceu no sábado, 2 de abril, após longa agonia, explorada pela Igreja católica com a ajuda dos meios de comunicação de todo o planeta. O clima de comoção, principalmente entre os cerca de um bilhão de católicos no mundo, deve continuar. Aos que, hoje, sofrem a morte do papa como um dos seus, queremos recordar o papel de João Paulo II na direção da Igreja católica, abraçando não o povo, mas os ditadores, o imperialismo norte-americano e os setores mais conservadores do clero


Nas últimas semanas, surgiram livros, revistas e artigos biográficos, que, com raras exceções, enaltecem João Paulo II. Ele aparece como lutador pela paz e defensor dos povos oprimidos. Foi chamado de “o homem do século”, que “mudou o mundo”. Forma-se, assim, um mito em torno do papa, abrindo caminho, até, para sua canonização, ou seja, para que seja declarado como mais um santo da Igreja.

Escolhido para ser o líder da Igreja católica em 1978, o polonês Karol Wojtyla, que adotou o nome de João Paulo II, foi o primeiro papa não italiano em séculos.

Simbolicamente, pouco depois foi rezar no túmulo do fundador da organização ultra-reacionária Opus Dei, depois santificado pelo papa, deixando claro sua identidade com os objetivos do grupo, como o anticomunismo e a defesa de posições conservadores em matéria de comportamento moral, sexual e familiar.

Rapidamente, o papa assumiu uma postura política ativa, utilizando como principais instrumentos suas viagens pelos vários países, seus discursos e textos. João Paulo foi o papa da globalização, utilizando-se da mídia como nunca. As suas viagens moviam grandes massas, como nas três visitas ao Brasil.

Dois anos depois de sua posse, Ronald Reagan chegaria à presidência dos EUA, com forte discurso conservador, iniciando um novo período de convergência entre o Vaticano e a Casa Branca, formando o que Richard Allen, presidente do Conselho de Segurança Nacional de Reagan, chamou de “a maior aliança secreta dos tempos modernos”.

Colaborando com a contra-revolução
João Paulo II atuou em dois pontos-chave da cena internacional na virada da década 70 para 80: Polônia e Nicarágua. Visitou a Polônia, em 1979, iniciando uma mudança na posição adotada até então pela Igreja, a de dialogar com o regime stalinista, o Vaticano passou a apoiar abertamente os grupos de oposição.

A ação do papa em conjunto com a CIA, como confirmou recentemente seu antigo diretor, o general Vernon Walters, tinha como objetivo contribuir moral e financeiramente com os setores da oposição que defendiam a restauração capitalista, contra os que combatiam a burocracia, mas defendiam a propriedade social. A justa luta do povo polonês contra o stalinismo foi conduzida, com o apoio do papa, para a restauração do capitalismo, por meio de Lech Valesa e da direção do sindicato Solidariedade.

Na Nicarágua, em 1983, o papa condenou a participação de padres no governo da Frente Sandinista e apoiou a cúpula da Igreja, que fazia oposição ao novo regime, inclusive promovendo o arcebispo de Manágua a cardeal. Novamente o Vaticano associou-se aos EUA em uma grande campanha contra os sandinistas, que contou com o envio de fundos da Agência de Desenvolvimento Internacional, órgão do governo dos EUA, para a oposicionista arquidiocese de Manágua.

Na sua visita a Cuba, em 1998, o papa tinha como objetivo, declarado por ele próprio, produzir os mesmos efeitos que sua visita provocou na Polônia, ou seja, auxiliar o processo de restauração capitalista.

Apoiando as ditaduras
Ainda na América Latina, o papado, antes e depois de João Paulo II, apoiou claramente as diversas ditaduras militares. No Chile, um dos grandes aliados do general Pinochet foi o arcebispo Angelo Sodano, núncio apostólico, ou seja, embaixador do Vaticano naquele país. Sodano, até a morte do papa, era a segunda autoridade do Vaticano, ocupando a função de secretário de Estado. A velha amizade com Pinochet levou o Vaticano a solicitar a libertação do ditador, quando este esteve detido na Inglaterra, a pedido da Justiça espanhola.

Na Argentina, os generais encontraram no núncio Dom Pio Laghi um leal parceiro, o que levou a Associação das Mães da Praça de Maio a processá-lo junto à Justiça italiana. Ainda nesse país, recentemente, o bispo capelão-mor do exército disse que os defensores do aborto deveriam ser jogados no mar – prática de que a ditadura se valeu para assassinar presos políticos –, tendo recebido total apoio do Vaticano após essa infame declaração.

Alguns artigos da imprensa procuram mostrar o papa como crítico tanto do socialismo como do capitalismo: nada mais falso. Para João Paulo II e o Vaticano, o socialismo, de maneira geral, é uma das “ideologias do mal”. Ao passo que as críticas ao capitalismo são pontuais, e, na maioria, tratam de questões como a perda dos valores religiosos na sociedade moderna, causadas pelo consumismo ou pela nova moral sexual.

Mesmo o discurso pela solidariedade mundial não passa de palavras vazias, sem atacar as causas da miséria ou da exploração. Afinal, um dos conselheiros do órgão encarregado de elaborar a doutrina social da Igreja católica, a Comissão de Justiça e Paz, é Michel Camdessus, ex-chefe do FMI.

Perseguição aos setores progressistas
Na América Latina, o alvo foi a Teologia da Libertação (TL) e os setores da Igreja ligados às lutas populares, acusados de introduzir temas marxistas no catolicismo. Um dos principais mecanismos usados foi a Congregação para a Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício da Inquisição), dirigida pelo cardeal Ratzinger, um dos membros mais poderosos do Vaticano. Por sua iniciativa, muitos teólogos ligados à TL foram censurados, como Leonardo Boff, tiveram suas obras banidas ou foram proibidos de continuar ensinando em suas universidades.

Dessa forma, enquanto a TL, as Comunidades Eclesiais de Base e as pastorais sociais perderam espaço, movimentos como a Renovação Carismática Católica, da qual o Padre Marcelo é o mais conhecido representante, ganharam força.



Condenações ao aborto, à homossexualidade e aos preservativos: uma interferência criminosa da Igreja


João Paulo II também defendeu toda uma série de posições extremamente reacionárias sobre comportamento sexual. Mais do que posições pessoais, o papa expressava as posições defendidas pelo conjunto da Igreja católica.

Nesse ponto, novamente se percebe a afinidade do Vaticano com a Casa Branca, particularmente durante os governos republicanos de Ronald Reagan, de Bush “pai” e de Bush “filho”. Entre os vários temas, três merecem destaque: a ardorosa condenação do aborto, do uso da camisinha e da união civil entre homossexuais.
Em seu último livro, João Paulo II comparou o aborto, atualmente permitido em vários países, com as formas de extermínio praticadas pelos nazistas nos campos de concentração, e acusou as uniões entre gays e entre lésbicas de serem uma grave violação às leis de Deus e da natureza.

A condenação ao uso da camisinha só pode ser vista como uma atitude criminosa, já que é o único método conhecido para se prevenir a disseminação da epidemia da Aids.
****

Achei esse texto no site do PSTU. Chega a ser cômico, não?

7 comentários:

  1. A igreja é criticada, tudo é criticado, Na casa branca tá cheio de maçom, o importante é acreditar em deus, mial é isso ae !!!

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  2. Após ler o texto, a resposta para a pergunta do título para ser "sim".

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  3. Engraçado é que em diversas partes do texto o escritor coloca os valores no em posição de contra valores.
    Dai você percebe o quanto está invertido o julgamento deste senhor.

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  4. Caríssimo Junior Pereira, Laudetur Dominus!

    Enquanto os marxistas criticarem o Papa João Paulo II, isto indica algo de bom em favor do Papa.

    Pax et Salutis

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  5. Sou aluna do professor Rodrigo Ricupero na Universidade de São Paulo e agradeço por ter ajudado a divulgar a obra dele. Se tentava atacá-lo, não conseguiu, só deu visibilidade ao texto! Uma dissertação denunciativa das ligações da Igreja Católica com o que há de mais execrável na política internacional, e como só podia ser vindo de um historiador, está muito bem embasado em fatos e documentos. Seu único comentário ("Chega a ser cômico, não?") é raso e não rebate com argumentos bem fundamentados ou dignos de crédito nenhuma das colocações expostas. Também estou aqui dando risada - o que realmente é cômico é que alguém seja tão iludido ao ponto de não enxergar, mesmo com uma denúncia tão contundente, o quanto aquele homem, e qualquer um que esteja à frente da igreja católica, é fomentador de preconceitos e problemas sociais.

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  6. PS: sério que seus comentários são censurados? Hilário... "Seu comentário estará visível depois de ser aprovado." É por isso que o nível dos comentários do seu blog é tão baixo: porque passam pelo filtro de um blogueiro de visão de mundo limitada. Eu sabia que não era possível que ninguém tivesse notado o absurdo que isto era...

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  7. Prezada Líliam, Salve Maria!

    Caríssima, nossos comentários não são censurados. Os aprovamos por medidas de controle e por não publicarmos comentários com palavras chulas. Como pode ver, seus coementários estão aí.

    Agora, caríssima, que bom que seu professor (que quase seria meu) escreveu este texto, pois ele demonstra claramento tudo aquilo que é a visão de um comunista. Agora, se você quer um debate com argumentos bem fundamentados, lhe dou a honra de começar, mas não vá fazer como um de seus amigos que esteve por cá tempos atrás.

    Paz e Bem!

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