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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Freud, propulsor da revolução sexual


A doutrina freudiana — muito conforme à teoria marxista — colide com a moral católica e a própria Lei natural, revoluciona os costumes tradicionais, destruindo as barreiras morais que todo homem deve manter


Carlos Eduardo Schaffer


Passeando por Viena, ainda hoje sentimos que pairam no ar, em alguns lugares, restos do perfume que fez desta cidade imperial, durante muitos séculos, a cidade européia do charme por excelência.

Como neste mês cumprem-se 150 anos do nascimento de Sigmund Freud (6 de maio de 1856), meus passos se dirigiram ao famoso nº 19 da Bergstrasse. Uma rua comum, não longe do prédio central da Universidade de Viena. Ali viveu por quase 50 anos o inventor da psicanálise. Além de seu domicílio, ele tinha ali também seu consultório.

No local onde examinava seus pacientes, não encontramos nada de especialmente pessoal. Chama a atenção apenas o famoso “divã”, onde se recostavam os que aceitavam submeter-se a seus exames.

Nada fazia prever que naquele lugar, pacato durante os anos em que Freud exerceu suas atividades, montava ele uma verdadeira revolução dos costumes. Com efeito, as tendências desordenadas da sensualidade sem freios, que vinham crescendo ao longo de todo o século XIX, lutavam para encontrar no terreno ideológico uma doutrina que as justificasse; e assim mais facilmente as libertasse das leis, da moral, dos costumes e da mentalidade provenientes de épocas de fé católica, que contrariavam profundamente essas más tendências.(1) Tal foi o papel da doutrina freudiana.

Contagiando com a “peste”


Freud e o freudismo estão intimamente ligados à "revolução sexual".(2) Conta Ernest Jones –– discípulo de Freud que escreveu sua vida –– que, chegando ambos a Nova York, comentou Freud olhando do convés do navio para o porto dessa cidade: “Estamos lhes trazendo a peste”,(3) referindo-se ao método de psicanálise que iria espalhar entre os americanos. Com efeito, das doutrinas de Freud surgiu e se afirmou a “revolução sexual” do século XX, expandindo-se sobretudo a partir dos EUA.

Fabricou-se então o homem dito do século XX –– “descomplexado”, quer dizer, sem barreiras morais –– o qual assistiu sem espanto à instalação da inteira liberdade sexual dos jovens antes do matrimônio, o aborto, a queda das barreiras do horror diante da homossexualidade, etc. Este foi o resultado da revolução freudiana — até o momento, pois uma locomotiva sem freios não se detém numa rampa descendente.

Surgimento do “homem novo”


É possível cair mais baixo? Infelizmente, sim. Freud o tentou quando quis divinizar o instinto sexual, como fizeram algumas religiões pagãs da Antiguidade na Grécia e na Índia, por exemplo.

Para consegui-lo, não basta dar livre curso às tendências desordenadas do homem, que o levam a afastar-se de Deus e até odiá-lo. É preciso dar-lhes uma nova visão do mundo, idéias e meios para modificar tudo aquilo em que se acreditava”.

O marxismo e o freudismo estão intimamente ligados, na revolução do século XX. A filosofia marxista é uma práxis que pretende modificar o mundo. “Os filósofos não fizeram mais do que dar diversas interpretações ao mundo; mas o de que se trata é de transformá-lo", dizia Engels. E acrescentava: "Marx Über Feuerbach" (Marx acima de Fuerbach).(4) De maneira semelhante, o freudismo não é apenas uma teoria sobre a psicologia humana, mas sobretudo uma práxis — a técnica psicanalítica tem como meta transformar o homem a partir de seus fundamentos instintivos e tendenciais. De tal maneira as metas da Revolução comportam uma mudança radical na cultura e na civilização, que a natureza do homem range ao tentar acomodar-se ao novo mundo desejado por ela. É necessário pois que surja um "homem novo".

Um "homem novo" coletivizado, não “egoísta”, amoral, em uma nova relação com a natureza, que terá repudiado especialmente a Religião católica como uma "ilusão". Tal é a meta da evolução da psique, segundo a teoria freudiana, e que vem ao encontro das necessidades dos teóricos do comunismo, que edificam sua utopia sobre a base desse homem-massa, homem escravo.

O "deus" Eros


Segundo Freud, existem dois instintos básicos que governam absolutamente a vida do homem e da sociedade: o instinto de morte, que prevaleceu até agora por meio da civilização moderna, industrial, dominada pela técnica, que tende a impor a violência de uns sobre os outros e dos homens sobre a natureza, levando pouco a pouco e inevitavelmente à destruição da humanidade. Opondo-se a thanatos (o instinto de morte), surge das profundidades da psique o instinto sexual, o "deus" Eros, que tende a unir todos os homens pelo amor. A maturação final desse instinto deve resultar — mediante a união panteística de todos os seres humanos no seio desse "deus" — numa paz universal e perfeita.

"Poderes obscuros, insensíveis e com desamor determinam o destino do homem", escrevia Freud em seu artigo “Weltanschauung”,(5) onde expunha sua visão do mundo. Poderes ocultos estes que, para ele e seus mais imediatos colaboradores, foram tomando cada vez mais claramente a forma de uma religião.

“Freud tinha um interesse apaixonado pelo diabo. Rodeou-se de pessoas interessadas pelo diabólico, como Jung, Frenczi, Rank, Reik, Lou Salomé, etc. Vivia atraído por dois pólos: o racional e o irracional. Materialista e mecanicista por um lado, e interessado em ocultismo, parapsicologia, religião e magia por outro”.(6) Que relação existia, na mente de Freud, entre o "homem novo" psicanalítico e sua fascinação pelo ocultismo?

No museu da Bergstrasse 19, após lançar um último olhar sobre as figurinhas esotéricas, que evocam o preternatural, sobre a escrivaninha de Freud, saímos à rua, onde o homem do século XXI se agita inquieto, cheio de ilusões de felicidade; e onde a fé encontra apenas um pequeno espaço, na grande maioria das pessoas, enquanto o neopaganismo avassalador torna-se terreno fértil para a aceitação dos mitos religiosos do mundo antigo, que não conheceu Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele, que nos redimiu com seu sangue, nos ensinou ser "o caminho, a verdade e a vida”. É a única senda para alcançarmos o Céu.

Notas:

1. Cfr. Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, I, 5, Artpress, 4ª ed., S. Paulo, 1998.

2. Cfr. Wilhem Reich, La Révolution sexuelle, prólogo da 4ª edição.

3. "Ils ne savent pas que nous leur apportons la peste", Freud a Jung, lorsqu'ils arrivent en Amérique www.grigri.tv/blablas/livre-noir-psychanalyse-

4. Quelle: Marx-Engels Werke, Band 3, Seite 553 ff. Dietz Verlag Berlin, 1969.

5. Std. Ed. tomo XXII, p.167.

6. Cfr. Freud e o Diabo, Luise Urtubey.

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Fonte: Revista Catolicismo.

2 comentários:

  1. Fica cada vez mais clara o problema que se espalharia no mundo, segundo Nossa Senhora, Com essas duas vertentes.
    Uma, o marxismo, que adota uma nova práxis ao homem, abandonando a moral. Mas abandonando a moral, haveria no homem, o sentimento de culpa, intrínseco pela lei natura neste mesmo homem, é justamente ai que a psicanálise entra, tentando (e conseguindo) justificar esta práxis segundo uma nova e falsa interpretação do mundo.

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  2. Vocês conhecem o tomista Rudolf Allers, esquecido por todos os católicos na área da psicologia? Todos só leêm Frankl, mas esquecem seus equívocos para não terem de abraçar o tomismo, o 'demônio' dos relativistas.

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