ÚLTIMAS POSTAGENS

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Prof. Orlando Fedeli X Pe. Joãozinho: Imprecisões tradicionalistas e carismatismo em debate.


Já faz tempo que tudo isso ocorreu, mas, eu creio que o assunto é muito relevante. De um lado, Prof. Orlando Fedeli, fundador e presidente da Associoação Cultural Montfort. Do outro lado, PE. Joãozinho, Teólogo com 3 doutorados, escritor, músico, palestrante e membro da Comunidade Canção Nova. Agora vamos ao que interessa:

.

Primeiro, vamos ver o que o Pe. Joãozinho diz: O comentário do “missionário” que postei ontem tá dando o que falar. Um deles resumiu o sentimento geral: “ufa… sempre as mesmas questões…” Mas pelo tom de nossos debates poderia parecer que não reconhecemos santidade e inteligência entre os evangélicos. Nada mais absurdo. O primeiro curso de teologia a ser reconhecido pelo MEC, no Brasil, foi o dos Luteranos de São Leopoldo, no RS. Eles têm o único doutorado com nota máxima pela CAPES.

Agora, vejamos o que o Prof. Orlando diz: Esse Padre Joãozinho não tem boa doutrina. Ainda agora estamos em polêmica com ele por causa de uma entrevista dele com um tal padre Fábio de Melo, que é um horror, pelas heresias que diz. Padre Joãozinho apoiou as heresias desse padre exibida e escandalosamente galã.

Que entre os protestantes possa haver pessoas dotadas de inteligência, é possível.

Padre joãozinho deve achar que há muitos hereges inteligentes... É uma questão que se pode explicar, porque ele deve comparar outros com ele mesmo...

E que ele admire notas de doutoramento alheio, também é bem compreensível, pois ele revela um tão grande desconhecimento doutrinário, que é normal ele chegar a essa conclusão.

Mas que haja santos protestantes não é possível.

Diz São Paulo — que não foi avaliado pelas notas da Capes — que “Sem a fé é impossível agradar a Deus”(Heb, XI, 6).

Ora, os protestantes não têm Fé verdadeira. Logo, eles não podem agradar a Deus e, portanto, não podem ser santos.

Embora muitas linhas estejam aqui transcritas, nenhum dos dois diz algo concreto no debate. Se Fedeli nega a possibilidade de haver santidade sem incorporação real à Igreja, nega que alguém possa pertencer-lhe por voto, o que é assumir uma posição heterodoxa. Isso chama-se feeneyismo, onde o Arcebispo de Boston recebeu uma notificação do Santo Ofício (Sagrada congregação para Doutrina da Fé), sobre os erros de interpretação do Pe. Feeney. Já o Pe. Joãozinho também erra ao pressupor que a doutrina da Igreja foi corrigida nessas últimas décadas, o que é assumir também uma posição heterodoxa. Sem contar que, embora tenha tanto conhecimento, Pe. Joãozinho não fala concretamente sobre essa santidade nos protestantes; o termo certo seria dizer que nao há santidade em protestantes, mas, santidade em Católicos em ingnorância invencível em comunhão espiritual com a Igreja. No caso, acreditar que os protestantes podem ser ‘santos’, é o mesmo que dizer que da heresia ‘pode-se sair coisa boa’. Aliás, me estranha o fato de não citarem a diferença de heresia formal, e heresia material. Nessa hora que vemos dois extremos: Fedeli não diz nada de concreto, aliás, leva seus leitores a um pensamento heterodoxo, mesmo que de maneira subjetiva.

Depois desse pequeno embate, Fedeli responde:

Enquanto redigia esta minha resposta a seu desafio desastrado, chegou-me um texto seu dizendo que subscreve em gênero, número e grau o dogma de que fora da Igreja não há salvação.
Mas logo em seguida o senhor desmentiu o que subscreveu. E já provei essa sua contradição entre o que senhor diz que subscreve e o que o senhor realmente pensa. Sua sinceridade, Padre, não dura dois parágrafos.
Se o senhor segue a doutrina do Vaticano II, afirmando que esse Concílio pastoral rompeu com o ensinamento tradicional da Igreja, o senhor cai sob a condenação de Bento XVI, pois estará assumindo a doutrina da hermenêutica da ruptura.
De qualquer modo, o senhor e suas teses estarão condenados.
E quanto à possibilidade de salvação de quem está em ignorância invencível – o que não é absolutamente o seu caso – já lhe provei que isso é possível, porque esses que estão em ignorância invencível. Pertencem, sim, à Igreja, pois que pertencem à alma da Igreja

Prof. Orlando deu uma resposta quase que completa, mas poderia ter falado tudo logo no começo, , como nos ensina o Beato Pio IX encíclica (Quanto conficiamur):

"Aqueles que estão em ignorância invencível a respeito de nossa Santa Religião, mas observam fielmente os preceitos da lei natural gravados por Deus no coração de todos e, prontos a obedecer a Deus, levam uma vida proba e honesta, podem, pela luz divina e pela operação da graça, obter a vida eterna: porque Deus penetra, perscruta e conhece os corações, os espíritos, os pensamentos e a conduta. Em sua bondade e clemência supremas, não consentirá jamais em punir com suplícios eternos um homem que não é culpável de falta voluntária."

Um protestante não estaria em comunhão espiritual com a Igreja por causa da heresia, mas, pela ignorância invencível a sua alma pertence à Igreja. Essa adesão por voto à Igreja é necessariamente uma adesão à Graça santificante, isto é, a dita ‘santidade’.

Agora, outro detalhe: lendo os dois textos, Fedeli não cita a necessidade de se crer num Deus para se justificar. Um dos critérios para que o batismo de desejo ocorra, é que se creia num ser sobrenatural, e isso faz toda diferença. Significa a infusão das virtudes sobrenaturais. O cumprimento dos mandamentos é exigido de todos nós, batizados ou pagãos em ignorância invencível. E isso não é pouca coisa, isso pode ser um desvio material ao pelagianismo.

Pela segunda vez, Fedeli foi impreciso, ele não cita que se deva crer num ser sobrenatural para se salvar. Ele pode ter defendido que alguém pode ser salvo pela lei natural, quando essa não tem poder algum de justificar (S. Th., IaIIae, q.100, a.12).

Para concluir, tanto Pe. Joãozinho, quanto o Prof. Orlando, não erraram, mas foram sempre imprecisos em seus discursos. Se a imprecisão do Pe. Joãozinho foi suficiente para o Fedeli dizer que o Pe. Joãozinho é heterodoxo, as imprecisões do Fedeli também deixam espaços para várias conclusões. A questão é: por que durante o debate não foi buscado o entender o ponto de vista do interlocutor? Seria bem melhor se isso ocorresse Fedeli não entende a perspectiva do Pe. Joãozinho, assim como ele também dá vários pontos de imprecisão em seus textos. Enfim, de um lado, temos o tradicionalismo da Montfort, do outro, o carismatismo do Pe. Joãnzinho. Ambos discutem e pouco falam na verdade. Ambos os lados poderiam ter feito melhor. Quem sabe na próxima....

2 comentários:

  1. Verifiquem os link's aqui:
    .
    http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=apologetica&artigo=20090823154146&lang=bra
    .
    http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/08/05/evangelicos-santos-e-inteligentes/

    ResponderExcluir

Apostolado Shemá
Seja nosso parceiro. Cole o código em seu blog.

VISITE TAMBÉM