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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Primeira entrevista de Dom Fellay: “Estou confiante”.


Nossa tradução da publicação de Rorate-Caeli (original em Le Temps):

- [Patricia Briel, Le Temps:] Você condena as declarações negacionistas de Dom Williamson?

- [Fellay]: Não cabe a mim condená-las. Não tenho competência para isso. Mas eu lamento que um Bispo possa ter dado a impressão de envolver a Fraternidade com uma posição que não é nossa.

- Segundo observadores, a decisão do Papa poderia criar divisões dentro da Fraternidade. Todos os fiéis e padres não estariam prontos para a unidade.

- [Fellay:] Não temo isso. Sempre pode existir uma voz dissonante aqui ou ali. Mas o zelo com que os fiéis rezaram o Rosário para pedir o remoção das excomunhões diz muito sobre a nossa união; 1.700.000 rosário foram rezados em dois meses e meio.

- Em sua carta aos fiéis de 24 de Janeiro, você demonstra seu desejo de examinar, com Roma, as causas profundas da “crise sem precedentes que aflige a Igreja hoje”. Quais são essas causas?

- [Fellay]: Em essência, essa crise é causada por uma nova aproximação do mundo, uma nova visão do homem, isto é, um antropocentrismo que consiste numa exaltação do homem e num esquecimento de Deus. A chega das filosofias modernas, com sua linguagem menos precisa, levou à confusão na teologia.

- O Concílio Vaticano Segundo é também responsável pela crise na Igreja, em sua opinião?

- [Fellay:] Nem tudo vem da Igreja. Mas é verdade que nós rejeitamos uma parte do Concílio. O próprio Bento XVI condenou aqueles que invocam o Espírito do Vaticano II para pedir uma evolução da Igreja numa ruptura com seu passado.

- Ecumenismo e liberdade religiosa estão no centro das críticas que você faz ao Vaticano II.

- [Fellay:] A procura pela unidade de todos no Corpo Místico da Igreja é nosso desejo mais querido. Entretanto, o método que é usado não é apropriado. Hoje, há tal foco no pontos que nos une a outras confissões Cristãs que aqueles que nos separam são esquecidos. Cremos que aqueles que deixaram a Igreja Católica, isto é, os Ortodoxos e Protestantes, devem voltar para ela. Concebemos ecumenismo como um retorno à unidade de Fé. A respeito da liberdade religiosa, é necessário distinguir duas situações: a liberdade religiosa da pessoa, e as relações entre Igreja e Estado. A liberdade religiosa implica liberdade de consciência. Concordamos com o fato de que não há um direito de forçar a qualquer um aceitar uma religião. Quanto à nossa reflexão sobre as relações entre Igreja e Estado, é baseada no princípio da tolerância. Parece claro para nós que onde existirem múltiplas reliões, o Estado deve ser vigilante em sua boa coexistência e paz. Entretanto, há apenas uma religião verdadeira, e as outras não são. Mas toleramos essa situação para o bem de todos.

- E se as negociações falharem?

- [Fellay:] Estou confiante. Se a Igreja diz hoje algo que está em contradição com o que ela ensinou ontem, e se ela nos força a aceitar essa mudança, então ela deve explicar a razão para tal. Creio na infalibilidade da Igreja, e penso que chegaremos a uma verdadeira solução.

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