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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

“As universidades brotaram do coração da Igreja Católica” Parte II

Continuando com a ‘destruição dos sofismas e absurdos medievais’, vamos agora analisar o nível cultural que floresceu na Idade Média graças à Igreja Católica. Muitos escritores ingratos não explicam que o elo entre a cultura clássica e a da chamada Idade Média (e, portanto até nós), se deu pela transcrição dos textos antigos nos

mosteiros católicos. O que nos teria chegado de Homero, Platão, Aristóteles, Sófocles, Arquimedes, Pitágoras, Cícero, se não fossem os monges medievais cristãos?

Muito mais de resgatar toda uma cultura perdida em meio ao caos de uma civilização destruída, a Igreja elevou de tal modo a intelectualidade que superou todas as civilizações já existentes. Em “Science and Creation”, Jaki examina à luz dessa tese sete grandes culturas – a árabe, a babilônica, a chinesa, a egípcia, a grega, a hindu e a maia – e conclui que em todas elas a ciência sofreu um “aborto espontâneo”. “A razão disso é que, por carecerem da crença em um Criador transcendente que dotou a sua criação de leis físicas consistentes, essas culturas conceberam o universo de modo panteísta, como um gigantesco organismo dominado por um panteão de divindades e destinado a um ciclo sem fim de nascimento, morte e renascimento. Isso tornou impossível o desenvolvimento da ciência.
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Para o cristianismo o divino repousa estritamente em Cristo e na Santíssima Trindade, que transcende o mundo; exclui-se assim qualquer tipo de imanentismo e panteísmo, e não se impede os cristãos, muito pelo contrário, de enxergarem o universo como um reino de ordem e previsibilidade, ou seja, em ultima analise como o domínio próprio da ciência.

(Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental, Thomas Woods, Ed. Quadrante, 2008)


Um dos mitos grandiosamente repetidos é que a Igreja 'barrava' o progresso intelectual, quando declarava o 'fulano' herege, ou condenava a sua tese teológica (teologia e ciência, tudo a ver, né?). Mas, as fontes históricas confirmam outras coisas. Pois,"uma vez que lutavam contra uma heresia , os Soberanos Pontífices e os Padres do Concílio deram às suas definições contornos tão fortemente acentuados que nos arriscamos a perder de vista as riquezas positivas que continham e das quais não havia necessidade de falar. Pela força das coisas, as fórmulas que condenam erros são sempre parciais: só iluminam um dos aspectos da verdade. Convém, no entanto, não esquecer que a verdade revelada é mais rica e mais fecunda que as definições podem expressar". ("L'Eglise catholique: Moyen Age et temps Modernes", G. Bardy, em Année Théologique, 1947)


A 'moda' agora é dizer que a Igreja criou as universidades somente por causa de seu 'domínio intelectual', mas o fato de as ações intelectuais estarem ligadas à Igreja, foi uma consequência do compromentimento da Igreja em ensinar a população, não uma espécie de obscurantismo manipulador.


Teodulfo, bispo de Orléans no século VIII, promulgou o seguinte decreto:

" Os sacerdotes mantenham escolas nas aldeias, nos campos; se qualquer dos fiéis lhe quiser confiar seus filhos para aprender as letras não os deixem de receber e instruir, mas ensinem-lhes com perfeita caridade. Nem por isto exijam seu salário ou recebam recompensa alguma a não ser por exceção, quando os pais voluntariamente a quiserem oferecer por afeto ou reconhecimento (Sirmond, Concília Galliar II 215; T. Woods, 2005).

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"Pela autoridade dos Apóstolos Pedro-Paulo, dou-lhe a licença de ensinar, fazer palestras, escrever, participar de discussões... e exercer outros atos do magistério, ambos na Faculdade de Artes em Paris e outros lugares, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém " ( Daly, 1961; p. 135).

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O sistema universitário na Idade Média:

No plano superior havia as escolas monásticas e as escolas das catedrais e capitulares, corresponde ao ensino secundário. No século XII havia só na França 70 abadias com escolas. Todos os grandes bispos também quiseram ter escolas; na França, no século XII havia mais de 50 escolas episcopais. Dos sete ao vinte anos as crianças e os jovens eram recebidos nessas escolas sem distinção de classes. Havia escolas só para meninas e moças. As disciplinas dividiam-se em "trivium" (gramática, dialética e retórica) e "quadrivium" (aritimética, geometria, astronomia e música). Mas um grande pedagogo da época Thierry de Chartres, mostrou que o "trivium e o quadrivium" eram apenas um meio e que fim era "formar almas na verdade e na saboria". O importante era o conjunto do saber humano, hoje tão desprezado.

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Naturalmente, a garantia para o funcionamento de uma universidade era uma dessas indicações do papel do papado; oitenta e uma universidades tinham sido criadas no tempo da Reforma. Desses, 33 tinham uma autorização do Papa, 15 tinham uma autorização do rei, 20 possuíam ambas, e 13 tinham ao menos uma autorização ( Univertities, Catholic Encyclopedia, 1913; T Woods, 2005 ).

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Após o bacharelado, enquanto aguardavam a licença para ensinar , os estudantes iam para a universidade de Pareis ouvir palestras sobre as obras de Aristóteles: "Física", "Sobre a Geração e a Corrupção", " Sobre os Céus e a Natureza"; "Os tratados de Aristóteles Sobre Sentido e Sensação", "Caminhando e Dormindo", "Sobre a Memória e a Lembrança", Sobre a Extensão e Rapidez da Vida". Eles ainda tinham que assistir palestras sobre Metafísica; matemática, artes liberais: em gramática, "Retórica de Aristóteles", "Tópicos de Boécio", ou "Poemas de Virgílio"; em lógica: "De Interpretatiare" de Aristóteles, ou "Tópicos" de Boécio ( 3 livros ), ou "Tópicos" ( Aristóteles): em Aritmética e Música, Boécio; em Geometria: Euclides, Alacen ou Vitélio, Perspectiva; em Astronomia: "Teoria dos Planetas" ( dois termos ) ou Ptolomeu, "Almagesta". Em Filosofia Natural, as obras complementares eram " "A Física", ou "Sobre os Céus" ( três termos ), ou "Sobre a Porpriedade dos Elementos", ou "Meteoritos", ou "Sobre os Vegetais e as Plantas", "Sobre os Animais"; em Filosofia Moral: a Ética ou Economia ou Política de Aristóteles e Metafísica. ( Daly, 1961).

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Dessa forma, não é possível crer que a Igreja Católica tenha sido essa instituição manipuladora, obscurantista a ponto de dizerem que a Idade Média era a ‘Idade das Trevas’.

1 comentários:

Apostolado Shemá
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