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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Prof. Orlando Fedeli X Pe. Joãozinho: Imprecisões tradicionalistas e carismatismo em debate.


Já faz tempo que tudo isso ocorreu, mas, eu creio que o assunto é muito relevante. De um lado, Prof. Orlando Fedeli, fundador e presidente da Associoação Cultural Montfort. Do outro lado, PE. Joãozinho, Teólogo com 3 doutorados, escritor, músico, palestrante e membro da Comunidade Canção Nova. Agora vamos ao que interessa:

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Primeiro, vamos ver o que o Pe. Joãozinho diz: O comentário do “missionário” que postei ontem tá dando o que falar. Um deles resumiu o sentimento geral: “ufa… sempre as mesmas questões…” Mas pelo tom de nossos debates poderia parecer que não reconhecemos santidade e inteligência entre os evangélicos. Nada mais absurdo. O primeiro curso de teologia a ser reconhecido pelo MEC, no Brasil, foi o dos Luteranos de São Leopoldo, no RS. Eles têm o único doutorado com nota máxima pela CAPES.

Agora, vejamos o que o Prof. Orlando diz: Esse Padre Joãozinho não tem boa doutrina. Ainda agora estamos em polêmica com ele por causa de uma entrevista dele com um tal padre Fábio de Melo, que é um horror, pelas heresias que diz. Padre Joãozinho apoiou as heresias desse padre exibida e escandalosamente galã.

Que entre os protestantes possa haver pessoas dotadas de inteligência, é possível.

Padre joãozinho deve achar que há muitos hereges inteligentes... É uma questão que se pode explicar, porque ele deve comparar outros com ele mesmo...

E que ele admire notas de doutoramento alheio, também é bem compreensível, pois ele revela um tão grande desconhecimento doutrinário, que é normal ele chegar a essa conclusão.

Mas que haja santos protestantes não é possível.

Diz São Paulo — que não foi avaliado pelas notas da Capes — que “Sem a fé é impossível agradar a Deus”(Heb, XI, 6).

Ora, os protestantes não têm Fé verdadeira. Logo, eles não podem agradar a Deus e, portanto, não podem ser santos.

Embora muitas linhas estejam aqui transcritas, nenhum dos dois diz algo concreto no debate. Se Fedeli nega a possibilidade de haver santidade sem incorporação real à Igreja, nega que alguém possa pertencer-lhe por voto, o que é assumir uma posição heterodoxa. Isso chama-se feeneyismo, onde o Arcebispo de Boston recebeu uma notificação do Santo Ofício (Sagrada congregação para Doutrina da Fé), sobre os erros de interpretação do Pe. Feeney. Já o Pe. Joãozinho também erra ao pressupor que a doutrina da Igreja foi corrigida nessas últimas décadas, o que é assumir também uma posição heterodoxa. Sem contar que, embora tenha tanto conhecimento, Pe. Joãozinho não fala concretamente sobre essa santidade nos protestantes; o termo certo seria dizer que nao há santidade em protestantes, mas, santidade em Católicos em ingnorância invencível em comunhão espiritual com a Igreja. No caso, acreditar que os protestantes podem ser ‘santos’, é o mesmo que dizer que da heresia ‘pode-se sair coisa boa’. Aliás, me estranha o fato de não citarem a diferença de heresia formal, e heresia material. Nessa hora que vemos dois extremos: Fedeli não diz nada de concreto, aliás, leva seus leitores a um pensamento heterodoxo, mesmo que de maneira subjetiva.

Depois desse pequeno embate, Fedeli responde:

Enquanto redigia esta minha resposta a seu desafio desastrado, chegou-me um texto seu dizendo que subscreve em gênero, número e grau o dogma de que fora da Igreja não há salvação.
Mas logo em seguida o senhor desmentiu o que subscreveu. E já provei essa sua contradição entre o que senhor diz que subscreve e o que o senhor realmente pensa. Sua sinceridade, Padre, não dura dois parágrafos.
Se o senhor segue a doutrina do Vaticano II, afirmando que esse Concílio pastoral rompeu com o ensinamento tradicional da Igreja, o senhor cai sob a condenação de Bento XVI, pois estará assumindo a doutrina da hermenêutica da ruptura.
De qualquer modo, o senhor e suas teses estarão condenados.
E quanto à possibilidade de salvação de quem está em ignorância invencível – o que não é absolutamente o seu caso – já lhe provei que isso é possível, porque esses que estão em ignorância invencível. Pertencem, sim, à Igreja, pois que pertencem à alma da Igreja

Prof. Orlando deu uma resposta quase que completa, mas poderia ter falado tudo logo no começo, , como nos ensina o Beato Pio IX encíclica (Quanto conficiamur):

"Aqueles que estão em ignorância invencível a respeito de nossa Santa Religião, mas observam fielmente os preceitos da lei natural gravados por Deus no coração de todos e, prontos a obedecer a Deus, levam uma vida proba e honesta, podem, pela luz divina e pela operação da graça, obter a vida eterna: porque Deus penetra, perscruta e conhece os corações, os espíritos, os pensamentos e a conduta. Em sua bondade e clemência supremas, não consentirá jamais em punir com suplícios eternos um homem que não é culpável de falta voluntária."

Um protestante não estaria em comunhão espiritual com a Igreja por causa da heresia, mas, pela ignorância invencível a sua alma pertence à Igreja. Essa adesão por voto à Igreja é necessariamente uma adesão à Graça santificante, isto é, a dita ‘santidade’.

Agora, outro detalhe: lendo os dois textos, Fedeli não cita a necessidade de se crer num Deus para se justificar. Um dos critérios para que o batismo de desejo ocorra, é que se creia num ser sobrenatural, e isso faz toda diferença. Significa a infusão das virtudes sobrenaturais. O cumprimento dos mandamentos é exigido de todos nós, batizados ou pagãos em ignorância invencível. E isso não é pouca coisa, isso pode ser um desvio material ao pelagianismo.

Pela segunda vez, Fedeli foi impreciso, ele não cita que se deva crer num ser sobrenatural para se salvar. Ele pode ter defendido que alguém pode ser salvo pela lei natural, quando essa não tem poder algum de justificar (S. Th., IaIIae, q.100, a.12).

Para concluir, tanto Pe. Joãozinho, quanto o Prof. Orlando, não erraram, mas foram sempre imprecisos em seus discursos. Se a imprecisão do Pe. Joãozinho foi suficiente para o Fedeli dizer que o Pe. Joãozinho é heterodoxo, as imprecisões do Fedeli também deixam espaços para várias conclusões. A questão é: por que durante o debate não foi buscado o entender o ponto de vista do interlocutor? Seria bem melhor se isso ocorresse Fedeli não entende a perspectiva do Pe. Joãozinho, assim como ele também dá vários pontos de imprecisão em seus textos. Enfim, de um lado, temos o tradicionalismo da Montfort, do outro, o carismatismo do Pe. Joãnzinho. Ambos discutem e pouco falam na verdade. Ambos os lados poderiam ter feito melhor. Quem sabe na próxima....

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

“As universidades brotaram do coração da Igreja Católica” Parte II

Continuando com a ‘destruição dos sofismas e absurdos medievais’, vamos agora analisar o nível cultural que floresceu na Idade Média graças à Igreja Católica. Muitos escritores ingratos não explicam que o elo entre a cultura clássica e a da chamada Idade Média (e, portanto até nós), se deu pela transcrição dos textos antigos nos

mosteiros católicos. O que nos teria chegado de Homero, Platão, Aristóteles, Sófocles, Arquimedes, Pitágoras, Cícero, se não fossem os monges medievais cristãos?

Muito mais de resgatar toda uma cultura perdida em meio ao caos de uma civilização destruída, a Igreja elevou de tal modo a intelectualidade que superou todas as civilizações já existentes. Em “Science and Creation”, Jaki examina à luz dessa tese sete grandes culturas – a árabe, a babilônica, a chinesa, a egípcia, a grega, a hindu e a maia – e conclui que em todas elas a ciência sofreu um “aborto espontâneo”. “A razão disso é que, por carecerem da crença em um Criador transcendente que dotou a sua criação de leis físicas consistentes, essas culturas conceberam o universo de modo panteísta, como um gigantesco organismo dominado por um panteão de divindades e destinado a um ciclo sem fim de nascimento, morte e renascimento. Isso tornou impossível o desenvolvimento da ciência.
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Para o cristianismo o divino repousa estritamente em Cristo e na Santíssima Trindade, que transcende o mundo; exclui-se assim qualquer tipo de imanentismo e panteísmo, e não se impede os cristãos, muito pelo contrário, de enxergarem o universo como um reino de ordem e previsibilidade, ou seja, em ultima analise como o domínio próprio da ciência.

(Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental, Thomas Woods, Ed. Quadrante, 2008)


Um dos mitos grandiosamente repetidos é que a Igreja 'barrava' o progresso intelectual, quando declarava o 'fulano' herege, ou condenava a sua tese teológica (teologia e ciência, tudo a ver, né?). Mas, as fontes históricas confirmam outras coisas. Pois,"uma vez que lutavam contra uma heresia , os Soberanos Pontífices e os Padres do Concílio deram às suas definições contornos tão fortemente acentuados que nos arriscamos a perder de vista as riquezas positivas que continham e das quais não havia necessidade de falar. Pela força das coisas, as fórmulas que condenam erros são sempre parciais: só iluminam um dos aspectos da verdade. Convém, no entanto, não esquecer que a verdade revelada é mais rica e mais fecunda que as definições podem expressar". ("L'Eglise catholique: Moyen Age et temps Modernes", G. Bardy, em Année Théologique, 1947)


A 'moda' agora é dizer que a Igreja criou as universidades somente por causa de seu 'domínio intelectual', mas o fato de as ações intelectuais estarem ligadas à Igreja, foi uma consequência do compromentimento da Igreja em ensinar a população, não uma espécie de obscurantismo manipulador.


Teodulfo, bispo de Orléans no século VIII, promulgou o seguinte decreto:

" Os sacerdotes mantenham escolas nas aldeias, nos campos; se qualquer dos fiéis lhe quiser confiar seus filhos para aprender as letras não os deixem de receber e instruir, mas ensinem-lhes com perfeita caridade. Nem por isto exijam seu salário ou recebam recompensa alguma a não ser por exceção, quando os pais voluntariamente a quiserem oferecer por afeto ou reconhecimento (Sirmond, Concília Galliar II 215; T. Woods, 2005).

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"Pela autoridade dos Apóstolos Pedro-Paulo, dou-lhe a licença de ensinar, fazer palestras, escrever, participar de discussões... e exercer outros atos do magistério, ambos na Faculdade de Artes em Paris e outros lugares, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém " ( Daly, 1961; p. 135).

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O sistema universitário na Idade Média:

No plano superior havia as escolas monásticas e as escolas das catedrais e capitulares, corresponde ao ensino secundário. No século XII havia só na França 70 abadias com escolas. Todos os grandes bispos também quiseram ter escolas; na França, no século XII havia mais de 50 escolas episcopais. Dos sete ao vinte anos as crianças e os jovens eram recebidos nessas escolas sem distinção de classes. Havia escolas só para meninas e moças. As disciplinas dividiam-se em "trivium" (gramática, dialética e retórica) e "quadrivium" (aritimética, geometria, astronomia e música). Mas um grande pedagogo da época Thierry de Chartres, mostrou que o "trivium e o quadrivium" eram apenas um meio e que fim era "formar almas na verdade e na saboria". O importante era o conjunto do saber humano, hoje tão desprezado.

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Naturalmente, a garantia para o funcionamento de uma universidade era uma dessas indicações do papel do papado; oitenta e uma universidades tinham sido criadas no tempo da Reforma. Desses, 33 tinham uma autorização do Papa, 15 tinham uma autorização do rei, 20 possuíam ambas, e 13 tinham ao menos uma autorização ( Univertities, Catholic Encyclopedia, 1913; T Woods, 2005 ).

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Após o bacharelado, enquanto aguardavam a licença para ensinar , os estudantes iam para a universidade de Pareis ouvir palestras sobre as obras de Aristóteles: "Física", "Sobre a Geração e a Corrupção", " Sobre os Céus e a Natureza"; "Os tratados de Aristóteles Sobre Sentido e Sensação", "Caminhando e Dormindo", "Sobre a Memória e a Lembrança", Sobre a Extensão e Rapidez da Vida". Eles ainda tinham que assistir palestras sobre Metafísica; matemática, artes liberais: em gramática, "Retórica de Aristóteles", "Tópicos de Boécio", ou "Poemas de Virgílio"; em lógica: "De Interpretatiare" de Aristóteles, ou "Tópicos" de Boécio ( 3 livros ), ou "Tópicos" ( Aristóteles): em Aritmética e Música, Boécio; em Geometria: Euclides, Alacen ou Vitélio, Perspectiva; em Astronomia: "Teoria dos Planetas" ( dois termos ) ou Ptolomeu, "Almagesta". Em Filosofia Natural, as obras complementares eram " "A Física", ou "Sobre os Céus" ( três termos ), ou "Sobre a Porpriedade dos Elementos", ou "Meteoritos", ou "Sobre os Vegetais e as Plantas", "Sobre os Animais"; em Filosofia Moral: a Ética ou Economia ou Política de Aristóteles e Metafísica. ( Daly, 1961).

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Dessa forma, não é possível crer que a Igreja Católica tenha sido essa instituição manipuladora, obscurantista a ponto de dizerem que a Idade Média era a ‘Idade das Trevas’.

Primeira entrevista de Dom Fellay: “Estou confiante”.


Nossa tradução da publicação de Rorate-Caeli (original em Le Temps):

- [Patricia Briel, Le Temps:] Você condena as declarações negacionistas de Dom Williamson?

- [Fellay]: Não cabe a mim condená-las. Não tenho competência para isso. Mas eu lamento que um Bispo possa ter dado a impressão de envolver a Fraternidade com uma posição que não é nossa.

- Segundo observadores, a decisão do Papa poderia criar divisões dentro da Fraternidade. Todos os fiéis e padres não estariam prontos para a unidade.

- [Fellay:] Não temo isso. Sempre pode existir uma voz dissonante aqui ou ali. Mas o zelo com que os fiéis rezaram o Rosário para pedir o remoção das excomunhões diz muito sobre a nossa união; 1.700.000 rosário foram rezados em dois meses e meio.

- Em sua carta aos fiéis de 24 de Janeiro, você demonstra seu desejo de examinar, com Roma, as causas profundas da “crise sem precedentes que aflige a Igreja hoje”. Quais são essas causas?

- [Fellay]: Em essência, essa crise é causada por uma nova aproximação do mundo, uma nova visão do homem, isto é, um antropocentrismo que consiste numa exaltação do homem e num esquecimento de Deus. A chega das filosofias modernas, com sua linguagem menos precisa, levou à confusão na teologia.

- O Concílio Vaticano Segundo é também responsável pela crise na Igreja, em sua opinião?

- [Fellay:] Nem tudo vem da Igreja. Mas é verdade que nós rejeitamos uma parte do Concílio. O próprio Bento XVI condenou aqueles que invocam o Espírito do Vaticano II para pedir uma evolução da Igreja numa ruptura com seu passado.

- Ecumenismo e liberdade religiosa estão no centro das críticas que você faz ao Vaticano II.

- [Fellay:] A procura pela unidade de todos no Corpo Místico da Igreja é nosso desejo mais querido. Entretanto, o método que é usado não é apropriado. Hoje, há tal foco no pontos que nos une a outras confissões Cristãs que aqueles que nos separam são esquecidos. Cremos que aqueles que deixaram a Igreja Católica, isto é, os Ortodoxos e Protestantes, devem voltar para ela. Concebemos ecumenismo como um retorno à unidade de Fé. A respeito da liberdade religiosa, é necessário distinguir duas situações: a liberdade religiosa da pessoa, e as relações entre Igreja e Estado. A liberdade religiosa implica liberdade de consciência. Concordamos com o fato de que não há um direito de forçar a qualquer um aceitar uma religião. Quanto à nossa reflexão sobre as relações entre Igreja e Estado, é baseada no princípio da tolerância. Parece claro para nós que onde existirem múltiplas reliões, o Estado deve ser vigilante em sua boa coexistência e paz. Entretanto, há apenas uma religião verdadeira, e as outras não são. Mas toleramos essa situação para o bem de todos.

- E se as negociações falharem?

- [Fellay:] Estou confiante. Se a Igreja diz hoje algo que está em contradição com o que ela ensinou ontem, e se ela nos força a aceitar essa mudança, então ela deve explicar a razão para tal. Creio na infalibilidade da Igreja, e penso que chegaremos a uma verdadeira solução.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cruzados, heróis ou vilões???





Por Prof. Deborah Azevedo:

É incrível como as pessoas têm a tendência de criar heróis e vilões dentro da historiografia, Fazem isso, sem ao menos analisar o contexto histórico, os valores sócio-culturais-econômicos de uma determinada época, e pior, transportam seus valores atuais, para um passado onde estes, nunca existiram, criando seus “bandidos e mocinhos”.
Muitos destes, ou são desinformados sobre os acontecimentos e personagens históricos, ou em muitos casos, podemos dizer que são desonestos mesmo, pois usam determinados recortes históricos para passar uma visão totalmente falseada dos fatos, de acordo com seus interesses.
Como exemplo, podemos citar as acusações contra a Inquisição Católica pelos protestantes. Eles acusam enquanto também tiveram a sua Inquisição.
Um outro exemplo do qual gosto muito são dos marxistas-comunistas, que usam Lênin como bandeira, um homem que pretendia a igualdade de todas as classes, este dizia que iria destruir a mentalidade pequeno-burguesa, mas na prática, a incentivou, causando mais desigualdades sociais, dando privilégios e benefícios a algumas lideranças étnicas locais, enquanto outras ficaram à margem da sociedade soviética, em um país composto de mais de 100 nacionalidades, apenas 15 foram reconhecidas.
Estes são alguns exemplos de vilões e heróis, criados pela historiografia tendenciosa. O mesmo pode-se dizer que acontece com os Cruzados, eleitos os vilões da História, enquanto os muçulmanos são as vítimas, Saladino foi eleito o herói!!!
Mas o quanto existe de real em tudo isso?
A primeira pergunta que devemos fazer, quanto ao episódio das Cruzadas e a tomada de Jerusalém é a seguinte:
O que cristãos e muçulmanos estavam fazendo neste local, em meados de 1097, época da Primeira Cruzada?

Como é sabido de todos, o cristianismo nasceu em Jerusalém com seu fundador Jesus, e após sua morte, foi expandido por seus discípulos e principalmente por Paulo para regiões adjacentes e Europa.
É então natural que os primeiros cristãos tenham se fixado em Jerusalém, com sua crença tendo neste solo, seus locais sagrados e de peregrinação, afinal este é seu berço.
E os muçulmanos, de onde vieram, onde nasceu o Islã?
O Islamismo nasceu em Meca com seu fundador Maomé, na Península Árabe, por volta do ano 610. Após a morte do profeta, em 632, sucessores começaram a política de dominação e expansão islâmica, aliás, islã, em árabe significa submissão, e em menos de um século chegaram à Europa. Enfim, em 637 chegaram a Jerusalém, que na época fazia parte do Império Bizantino.
Durante toda expansão islâmica é sabido que onde encontraram resistência converteram povos à força da espada, com os locais cristianizados não seria diferente!

Mapa da expansão Islâmica, retirado do livro: História Geral, Para a Criação de uma História Consciente, 2º Grau. Gilberto Cotrim Editora Saraiva, pág. 95

Ao dominar Jerusalém, impuseram a princípio a destruição de igrejas e sinagogas, um bom exemplo é que construíram sua Mesquita, Al-aksa, terceiro local mais sagrado para o Islã, em cima de um local sagrado para os judeus e cristãos, as ruínas do Templo, e obrigaram aos judeus e cristãos a pagarem pesados impostos e os escravizavam segundo suas necessidades.
Enquanto dominavam a terra que pertencia ao povo judeu, continuava sua expansão rumo a Europa.
Segundo documentação histórica, o Papa Urbano II em 1097, ao convocar soldados para a defesa dos lugares santos, e de Bizâncio, lembrou a população todos os atentados sofridos e males causados aos cristãos na Terra Santa e na Europa, como documentou Foucher de Chartres. Segue parte do discurso usado por Urbano II:
“De fato, como a maioria dentre vós já tem conhecimento, um povo vindo Pérsia – os turcos – invadiu o país deles. Avançou até o Mediterrâneo e, mais precisamente, ao que chamamos de Braço de São Jorge. Nas terras da România, eles aumentaram seus territórios continuamente, em detrimento das terras de cristãos, depois terem-nos vencido em sete ocasiões fazendo guerra.Muitos tombaram sob seus golpes, muitos foram reduzidos á escravidão. Estes turcos destroem igrejas, saqueiam o reino de Deus.”
Como o leitor pode observar, o Papa falava a um povo conhecedor de todas as misérias causadas pelos muçulmanos. É natural que a população tivesse muita mágoa deste povo, afinal tomaram suas terras, escravizavam os seus, destruíram suas igrejas, é compreensível que os homens, as mulheres, os jovens e os velhos quisessem ir às cruzadas. É sabido, também, que durante toda Idade Média, ocorriam peregrinações européias à Jerusalém, e que os maometanos capturavam os peregrinos no meio do caminho, para servi-los e no caso de resistência e não conversão, matavam sem pensar duas vezes!
É fato conhecido, como afirma José Jobson A. Arruda em sua obra, História Antiga e Medieval, que os muçulmanos compravam jovens escravas cristãs capturadas na Costa do mar Adriático para mandar para os seus haréns no Egito e Síria, e isso tudo com certeza revoltava a população do Ocidente.
Portanto, quanto o Imperador de Bizâncio Aleixo Commeno, pediu ajuda a Urbano II, contra os muçulmanos, sabia exatamente o que iria acontecer à sua bela cidade e capital Bizâncio, visto que estes, já tinham ocupado e dominado a cidade cristã de Nicéia.
Poderia o Papa deixar o Ocidente e Oriente cristão a mercê do Islã? Poderia ele deixar de prestar socorro a Igreja do Oriente? Isso, segundo sua mentalidade medieval talvez não parecesse falta de caridade? Não sabia ele, que depois da conquista de Bizâncio, Roma seria o próximo destino? Deveriam os cristãos ficar esperando seu fim, sem fazer nada?
Ora, qualquer um no lugar, teria feito o mesmo! Se defender! E por isso foi reunida uma força militar organizada, os Cavaleiros Pobres de Cristo, embora seja sabido que a primeira vez, o que se reúne para ir a Jerusalém, é exatamente um exército de homens e mulheres pobres e maltrapilhos, que não estavam preparados militarmente, e que foram exterminados pelo exército muçulmano, mas quem os pode acusar? Todos só queriam defender aquilo que estava sendo profanado, sua cidade Santa, todos só foram lutar pelo Cristianismo, que estava sendo ameaçado, juntamente com sua vida e dignidade! E sim, como prometera o Papa, aqueles que lutassem para que o Cristianismo não acabasse, ganhariam o céu! E acredito que o ganharam!
Este é o tempo que começam a surgir também as Ordens como a dos Mercedários.
Segundo o Pe. José Herculano de Negreiros O.M, em seu livreto: Novena a N. Senhora das Mercês:
“Os cristãos eram capturados e submetidos a trabalhos forçados e à dura escravidão, da qual podiam melhorar ou livrar-se renunciando à fé Católica e abraçando as doutrinas e costumes muçulmanos. Infelizmente, muitos, ante a impossibilidade de agüentar uma vida tão ignominiosa, terminavam fazendo a vil troca de Cristo e sua Igreja por Maomé e seus costumes.”
Foi devido a esse tipo de situação que surgiu a Ordem dos Mercedários, para o resgate dos cristãos escravos.
Segundo o mesmo padre:
“Os maometanos saíam da península Ibérica onde também dominavam para ir aos mares da Itália e França assaltar embarcações, roubar, matar e levar para o cativeiro no norte da África os homens, mulheres e crianças que encontravam.”
A História registra também o surgimento de uma outra Ordem, Ordem dos Hospitalários segundo o Historiador George Tates, especialista em Oriente dos séculos III ao XII D.C e professor na Universidade de Versailles, esta surge para cuidar dos doentes e peregrinos, que se encontravam próximos a Igreja do Santo Sepulcro em por volta de 1070, esta Ordem de caridade acabou se transformando em Ordem militar, para proteger peregrinos dos sarracenos, aos monges de tal Ordem também foram dados numerosas fortalezas no Condado de Trípoli, e a eles cabia a defesa das mesmas.
Agora leitor, pense comigo: Se não houvesse necessidade, para quê os monges deixariam suas orações para pegar em armas? Se não houvesse perigo porque fazer fortalezas fortificadas? Será que a Terra Santa era tão segura? De quê tinham medo? Afinal de contas, não afirma a historiografia que a Igreja neste tempo, era a toda poderosa?!
Antes da chegada dos maometanos, todas as casas dos Hospitalários eram conventos, casas de oração, tiveram então, que se adaptar aos novos tempos tão perigosos!
Segundo Tates, surge também a “Cavalaria dos Pobres de Cristo” ou, os Cavaleiros do Templo, como passaram a ser chamados pela população, os Templários, sua função, a proteção dos peregrinos, que seguiam nas estradas que conduziam a Jerusalém e Jericó.
Surge então no cenário uma figura tão criticada nos dias de hoje, São Bernardo, com bases nas opiniões e moralismos atuais, que não leva em conta os tempos difíceis em que este homem viveu.
São Bernardo foi então convocado para animar os cavaleiros de Cristo, afirmando que aqueles que morressem em batalhas o fariam por amor a Cristo, portanto não tivessem medo de matar ou morrer para defender a Terra Santa que pertencia a Cristo. Infelizmente, essa defesa teria que ser feita com armas, pois o inimigo não deixava outra escolha!
Caro leitor, São Bernardo tinha razão!!! Não há como imaginar os cristãos pedindo educadamente para os maometanos irem embora, e vê-los partindo sem reação. Os conflitos existentes entre judeus e palestinos até hoje, e o 11 de setembro, nos mostram que eles são guerreiros, que não desistem fácil daquilo que querem!
É perfeitamente compreensível que os homens da Idade Média pensassem assim, afinal, em toda parte estava o flagelo muçulmano. Porém é interessante ressaltar o seguinte trecho do discurso de São Bernardo, segundo documentação histórica, citada por Jean Richard, in L’ Espirit de croisade, Paris, 1969:
“Contudo não convém matar os pagãos, se for possível encontrar um outro meio de impedi-los de perseguir ou de oprimir os fiéis.”
Outro trecho interessante diz o seguinte:
“Que sejam repelidos para longe da cidade do Senhor, aqueles que contém a iniqüidade, aqueles que se esforçam para roubar as inestimáveis riquezas que Jerusalém reserva ao povo cristão, aqueles que querem profanar lugares santos e se apropriar dos santuários de Deus.”
Percebe-se que no primeiro fragmento exposto, a intenção não era simplesmente matar, como sugerem muitos professores e historiadores desonestos, quando falam dos Cruzados, mas sim, se fosse possível manda-los embora sem conflitos, mas sabemos que isso não ocorria, não havia como evitar a luta.
No segundo fragmento S. Bernardo nos fala de igrejas e lugares santos profanados, porque será que diz isso?
A arqueologia atual tem a resposta, qualquer um que visite Israel em turismo, hoje pode verificar as ruínas desse período. Os guias explicam aos turistas que a partir do ano de 969, começaram as perseguições contra cristãos e judeus, igrejas e sinagogas foram destruídas e o Santuário do Santo Sepulcro também o foi.
Por isso a defesa do legado cristão e da gente cristã era necessária!!!
A partir desta mesma época, com a expansão islâmica, sabe-se que em todos os lugares ocupados pelos muçulmanos, as peregrinações de cristãos tanto a Israel como a outros lugares santos ocupados, foram proibidas, e os cristãos neste lugares, oprimidos pelo novo sistema, que os obrigava à escolher entre conversão forçada ou morte!
Diante desta opção não tinham os cristãos outra opção a não ser lutar!
Quando chegaram às portas de Bizâncio, ficou claro, que a capital, onde existiam tantas relíquias cristãs e Igrejas e centro comercial da Europa deveria sim ser defendida, uma vez que já tinham tomado a cidade cristã de Nicéia, tão cara aos cristãos! Entram em cena os Cruzados!
Saladino “herói” e vencedor, no episódio da tomada de Jerusalém, é retratado no filme hollywoodiano “A Cruzada”, como um homem justo que permitiu que todos os cristãos fossem embora sem sofrer prejuízo. Mas será que ele foi tão bonzinho assim?
Segundo o professor de História francês Damien Carraz, em sua tese intitulada Ordres militaires, croisades et sociétés méridionales. L’ordre du Temple dans la basse vallée du Rhône. 1124-1312. A história não foi bem assim.
Ele cita que cristãos capturados eram em geral executados, embora todos saibam que o costume medieval em guerras, era as trocas de prisioneiros e os resgates.
Após a derrota Cristã de Haittin, em julho de 1187, Saladino mandou decapitar 200 Templários e Hospitalários, e ainda teria dito:
“Quero purificar a terra dessas duas ordens imundas, cujas práticas são sem utilidade, e jamais renunciarão à sua hostilidade e jamais servirão como escravos.”
Ao contrário da imagem que Hollywood quis passar, Saladino não foi tão bonzinho assim e a intenção dele era clara, fazer dos cristãos, escravos, aqueles que para ele não serviam, acabavam mortos!
Sabemos ainda que após Saladino um outro sultão inflingiu grande perseguição aos cristãos e judeus. Ainda hoje o turista ao ir a Israel, pode ver as ruínas de cidades cruzadas, de igrejas e sinagogas destruídas por Baibars I, sultão mameluco que reinou no Egito e na Síria, por volta de 1260 a 1277.
Portanto é muito conveniente para aqueles que não viveram as difuculdades dos cristãos da Idade Média apontar o dedo no rosto daqueles que apenas tentaram defender os seus, e sua religião. O julgamento daquela gente não pertence a nós, que não vivemos e não entendemos os sentimentos, as dificuldades e necessidades deles, e sim a Deus que tudo vê e tudo sabe.
Você que está lendo este texto agora, permitiria que alguém entrasse na sua casa, destruísse todos seus móveis, roubasse seus bens, destruísse sua casa, matasse seus amigos e parentes, levasse seus filhos como escravos e ainda sua esposa e suas filhas para um harém? Se sua resposta for sim, então, caro leitor, pode começar a dormir sem passar trancas nas portas de sua casa, e esperar o ladrão.
Quem de nós numa situação dessas podendo pegar em armas para se defender não o faria?
Fica claro que aos cristãos não restou outra opção, a não ser se organizar e lutar. E se eles não o tivessem feito, você, caro leitor, talvez nem soubesse hoje o que é cristianismo.

Por Deborah Azevedo - Professora de História.

Fonte:
O Oriente das Cruzadas, George Tate, editora Objetiva, 2008.
Discurso de Urbano II pág. 130
Discurso de São Bernardo pág. 146 e 147
Tese do professor Damien Ferraz, Ordres militaires, croisades et sociétés méridionales. L’ordre du Temple dans la basse vallée du Rhône. 1124-1312. Disponível em:
Livreto: Novena a N. Senhora das Mercês, Pe. José Herculano de Negreiros, OM, edições Loyola, págs. 3 e 4.


domingo, 17 de janeiro de 2010

O Papa não está em apostasia (heresia), claro, claro...CLARO!


Parafraseando com a famosa frase de Mons. Lefrebvre, alguém que assuma a posição de um Papa é apóstata ou herético, está formalmente assumindo o sedevacantismo. Aprofundando o tema, não é válida a tese de que um apóstata ou herege possa governar a Igreja de Cristo. Ainda hoje, alguns teólogos divergem quanto à possibilidade do Papa cair em heresia, alguns dizem que há a possibilidade em tese, mas não em fato; isto significa que um há a possibilidade de haver um Papa herege, mas não que essa possibilidade se torne um fato.

A Infalibilidade do Papa é intrínseca à infalibilidade da Igreja., Sabemos que o herege está “separando-se da Igreja pela natureza do seu delito” (D.S. 3803). Leão XIII ensina: “É absurdo que presida na Igreja quem está fora da Igreja” (Satis cognitum). O Direito Canônico reitera isso (Cânon 188,4). Donde ser herético é não ser papa. Isso foi exposto no Concílio Vaticano I pelo bispo Relator da Fé, Mons. Vicente Gasser: “Hinc non loquimur de infalibilitate personali – quamvis personae Romani Pontificis eam vindicemos – sed non quatenus est persona singularis, sed quatenus est persona Romani Pontificis, seu persona pública” (Mansi, 53, col. 1213, A). Eu havia lido no “Batlle Site”, do caríssimo Captare, que dizia que quem diz que o Papa é um apóstata, está dizendo que JURIDICAMENTE não é mais Papa. Porém, ensina Paulo IV, confirmando o que a Sé Romana sempre ensinou, que a perda do cargo se dá “ipso facto” no ato público do antes papa agora “a fide devius” (desviado da Fé). Não é necessária nenhuma declaração posterior (sine ulla declaratione). Só que a perda do cargo em virtude da heresia, traz a perda da comunhão da Igreja. Eis o que eu vos explico agora.


Na análise das diversas sentenças dos teólogos sobre a hipótese de um Papa herege, a classificação de São Roberto Bellarmino parece ser a mais aceita. Baseado nas considerações dele, Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, sistematizou a seguinte relação de sentenças:

1- O Papa não pode cair em heresia (seus defensores se subdividem em três grupos:

a) autores segundo os quais esta sentença constitui verdade de fé;

b) autores segundo os quais está sentença é de longe a mais provável;

c) autores aos quais esta sentença parece apenas mais provável que as outras);

2- Teologicamente não se pode excluir a hipótese de um Papa herege. Possui as seguintes variantes:

A) Em razão de sua heresia, o Papa nunca perde o pontificado (dos 136 teólogos examinados por Arnaldo Xavier, apenas Bouix é defensor desta sentença);

B) O Papa herege perde o Pontificado:

I- Perde assim que cai em heresia interna, isto é, antes de manifesta-la externamente (sentença que tinha como defensor o famoso teólogo Torquemada – tio do inquisidor de mesmo nome -; hoje está abandonada pelos teólogos);

II- Perde quando sua heresia se torna manifesta (seus adeptos se subdividem em três grupos: a) autores que entendem por “manifesta” a heresia apenas exteriorizada; b) autores que entendem por “manifesta” a heresia que, além de exteriorizada, chegou ao conhecimento de outrem; c) autores que entendem por “manifesta” a heresia que se tornou notória e divulgada de público. OBS: alguns autores não deixam inteiramente claro a qual desses três grupos se filiam).

3- Perde apenas quando intervém uma declaração de sua heresia por um Concílio, pelos Cardeais, por um grupo de Bispos, etc. Possui duas vertentes:

A) Essa declaração será uma deposição propriamente dita (tal sentença é considerada herética, foi condenada pela Igreja, por aderir ao “conciliarismo”; é defendida por autores ditos progressistas nos dias atuais);

B) Essa declaração não será uma deposição propriamente dita, mas mero ato declaratório da perda do Pontificado pelo Papa.

Dentre essas várias sentenças nos inclinamos (já que a Igreja não se manifestou oficialmente por nenhuma delas, todas podem ser aceitas, exceto a 3 A) pela 2 II c, que é defendida por numerosos teólogos de renome, como o próprio São Roberto Bellarmino, Sylvius, Pietro Ballerini, Wernz-Vidal, Cardeal Billot, etc.

Vejamos a defesa dessa posição por São Roberto Bellarmino:

“Logo, a opinião verdadeira é a quinta, de acordo com a qual o Papa herege manifesto deixa por si mesmo de ser Papa e cabeça, do mesmo modo que deixa por si mesmo de ser cristão e membro do corpo da Igreja; e por isso pode ser julgado e punido pela Igreja. Esta é a sentença de todos os antigos Padres, que ensinam que os hereges manifestos perdem imediatamente toda jurisdição, e nomeadamente de São Cipriano (lib. 4, epist. 2), o qual assim se refere a Novaciano, que foi Papa (antipapa) no cisma havido durante o Pontificado de São Cornélio: ‘Não poderia conservar o Episcopado, e, se foi anteriormente feito Bispo, afastou-se do corpo dos que como ele eram Bispos e da unidade da Igreja’. Segundo afirma São Cipriano nessa passagem, ainda que Novaciano houvesse sido verdadeiro e legítimo Papa, teria contudo decaído automaticamente do Pontificado caso se separasse da Igreja. Esta é a sentença de grandes doutores recentes, como João Driedo (lib. 4 de Script. Et dogmat. Eccles. cap. 2, par. 2, sent. 2), o qual ensina que só se separam da Igreja os que são expulsos, como os escomungados, e os que por si próprios dela se afastam e a ela se opõem, como os hereges e os cismáticos. E, na sua sétima afirmação, sustenta que naqueles que se afastaram da Igreja, não resta absolutamente nenhum poder espiritual sobre os que estão na Igreja. O mesmo diz Melchior Cano (lib. 4 de loc., cap. 2), ensinando que os hereges não são partes nem membros da Igreja, e que não se pode sequer conceber que alguém seja cabeça e Papa, sem ser membro e parte (cap. ult. ad argument. 12). E ensina no mesmo local, com palavras claras, que os hereges ocultos ainda são da Igreja, são partes e membros, e que portanto o Papa herege oculto ainda e Papa. Essa é também a sentença dos demais autores que citamos no livro 1 ‘De Eccles.’

O fundamento desta sentença é que o herege manifesto não é de modo algum membro da Igreja, isto é, nem espiritualmente nem corporalmente, o que significa que não o é nem por união interna nem por união externa. Pois mesmo os maus católicos estão unidos e são membros, espiritualmente pela fé, corporalmente pela confissão da fé e pela participação nos sacramentos visíveis; os hereges ocultos estão unidos e são membros, embora apenas por união externa; pelo contrário, os catecúmenos bons pertencem à Igreja apenas por uma união interna, não pela externa; mas os hereges manifestos não pertencem de modo nenhum, como já provamos”. (São Roberto Bellarmino, “De Romano Pontífice”, lib. II, cap. 30, p. 420).


É bom lembrar que o próprio São Roberto Bellarmino diz que a possibilidade do Papa cair em heresia é somente em tese, e também que existem vários tipos de ensinamentos dos teólogos sobre a questão da governança da Igreja pelo Papa, além de algumas doutrinas Banezianas como a da Premoção Física. Só para concluir, há a tese de que um Papa possa cair em heresia, mas é impossível que um Papa herege manifesto governe a Igreja de Cristo, assim como é impossível que a Igreja permaneça sem Papa.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Resquiescat In Pace + ZILDA ARNS


O Apostolado Shemá se une ao mundo inteiro para agradecer a Deus pelo periodo que nos presentiou com o dom da vida da Dra. Zilda Arns, morta com milhares de vítimas do terremoto do Haiti, uma mulher como poucas, que fez de sua vida uma doação ao Evangelho, cumprindo com perfeição o chamado de Jesus <<Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará."Mc 10. 14-15>> como também cumpriu aquilo que todo cristão deve fazer, amar o proximo como a si proprio. << Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.Mt 25. 34-36>>

Uma mulher que trabalhava na simplicidade e no silêncio, devota de Sao Francisco, que a presentiou com dois irmãos franciscanos, um chegou a Catédra de Sao Paulo e depois recebeu o Barrete Cardinalício, uma mulher que rezava, vivia Jesus e não aceitava a idéia que milhares de crianças morriam de fome, atendendo o convite Fundou a Pastoral da Criança e como uma vela se deixou consumir toda, e se apagou fazendo o que mais gostava trabalhando em prol das crianças, morreu dentro de uma Igreja.

A Santa Mãe Igreja nos ensina que “para ressuscitar com Cristo é preciso morrer com Cristo, é preciso deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor” (cf. II Cor 5,8; CIC §1005) Este é o grande mistério da morte, onde o “enigma da condição humana atinge o seu ponto mais alto” (cf. CIC § 1006) Para aqueles que – como Zilda – morrem em meio à graça de Cristo, tal morte é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também de Sua Ressurreição.

Este é o grande sentido e esperança da morte para o cristão, pois, “graças a Cristo a morte tem um sentido positivo. “Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro” (Fl 1,21). “Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos” (2Tm 1,11). A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Batismo, o cristão já está sacramentalmente "morto com Cristo", para Viver de uma vida nova; e, se morrermos na graça de Cristo, a morte física consuma este "morrer com Cristo" e completa, assim, nossa incorporação a ele em seu ato redentor ” (cf. CIC §1010) Por este sentido positivo da morte para o cristão, entendemos a expressão de Santo Inácio de Antioquia que dizia: “É bom para mim morrer em ("eis") Cristo Jesus, melhor do que reinar até as extremidades da terra. É a Ele que procuro, Ele que morreu por nós: é Ele que quero, Ele que ressuscitou por nós. Meu nascimento aproxima-se. (...) Deixai-me receber a pura luz; quando tiver chegado lá, serei homem.” (Carta de S. Inácio de Antioquia aos Romanos, 6,1-2)Entendemos também o desejo de São Paulo: “O meu desejo é partir para estar com o Cristo” (cf. Fl 1,2).
A morte nao é o fim pois quem em Cristo crê ainda que morra viverá, nossa Igreja tem um rito especial aos irmaos que morrem e com essa oração nós Apostolado Shemá manifestamos nossa homenagem a essa mulher que foi a Madre Tereza de Calcutá brasileira.

Nas vossas mãos, Pai de misericórdia, entregamos a alma de nossa irmã Zilda Arns. na firme esperança de que ela ressurgirá com Cristo no último dia, como todos os que no Cristo adormeceram nós vos damos graças por todos os dons que lhe concedestes na sua vida mortal para que fossem sinais da vossa bondade e da comunhão de todos em Cristo. Escutai na vossa misericórdia as nossas preces: abri para as portas do paraíso e a nós que ficamos concedei que nos consolemos uns aos outros com as palavras da fé até que o dia em que nos encontraremos todos no Cristo e assim estaremos sempre convosco) e com esta nossa irmã.Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

"Pai tende misericórdia e Deus de toda consolação, vós nos acompanhais com amor eterno, transformando as sombras da morte em aurora de vida.Olhai agora compassivo as lágrimas dos vossos filhos. Dai-nos, Senhor, vossa força e proteção para que a noite da nossa tristeza se ilumine com a luz da vossa paz. O vosso Filho e Senhor nosso, morrendo, destruiu a nossa morte, e ressurgindo, deu-nos novamente a vida. Dai-nos a graça de ir ao seu encontro para que, após a caminhada desta vida, estejamos um dia reunidos com nossos irmãos onde todas as lágrimas serão enxugadas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Resquiescat In Pace Dra. Zilda Arns Neumann + 2010

A Playboy e o Papa

Qual a utilidade que você dá para o seu corpo? O corpo humano serve para diversas coisas, veja essa comparação feita neste vídeo sobre o uso do nosso corpo.

A PALESTRA DE ZILDA ARNS. OU: O SIGNO DA CRUZ

ReproduçÃo do texto do Blog do Reinaldo Azevedo


Confesso que fiquei muito emocionado ao ler o discurso que Zilda Arns fazia no Haiti quando aconteceu o terremoto, e a igreja em que estava desabou, matando-o antes que pudesse concluir a leitura (íntegraaqui).

Aos 75 anos, líder e fortaleza espiritual inconteste da Pastoral da Criança, a mais importante entidade voltada para a infância no Brasil e uma das maiores do mundo, replicada em vários outros países, a médica católica poderia se dar algum descanso. Mas não! Foi a um país acometido de toda sorte de sortilégios, os humanos e os da natureza, para relatar a sua experiência e convocar os católicos haitianos a seguir os mesmos passos.

Os números são impressionantes. No seu texto: “Atualmente, existem 1.985.347 crianças, 108.342 mulheres grávidas de 1.553.717 famílias. Sua metodologia comunitária e seus resultados, assim como sua participação na promoção de políticas públicas com a presença em Conselhos de Saúde, Direitos da Criança e do Adolescente e em outros conselhos levaram a mudanças profundas no país, melhorando os indicadores sociais e econômicos. Os resultados do trabalho voluntário, com a mística do amor a Deus e ao próximo, em linha com nossa mãe terra, que a todos deve alimentar, nossos irmãos, os frutos e as flores, nossos rios, lagos, mares, florestas e animais. Tudo isso nos mostra como a sociedade organizada pode ser protagonista de sua transformação. Neste espírito, ao fortalecer os laços que ligam a comunidade, podemos encontrar as soluções para os graves problemas sociais que afetam as famílias pobres.”

De fato, o trabalho da Pastoral é um dos mais bem-sucedidos do mundo no combate à desnutrição e, acreditem, à irresponsabilidade familiar. Enquanto expõe a sua técnica, fica claro que Zilda nunca se distancia da palavra de Deus. Num país varrido pela miséria, ousa falar em proteção à criança “desde a concepção”,o que deve deixar alguns ongueiros um tanto chateados, já que preferem o proselitismo abortista como “um direito”. Zilda preferia falar em vida — e em “vida em abundância”.

Segundo seu filho Nelson Arns Neumann, ele próprio dirigente da Pastoral, antes que concluísse a sua fala, a igreja em que falava a religiosos veio abaixo. Não teve tempo de ler o último parágrafo:
“Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.”

Entendo, juro, os motivos que levam muita gente a não acreditar em Deus. O que não entendo — e creio que estas pessoas das quais falo deveriam indagar-se a si mesmas sobre os motivos — é por que a mensagem cristã a tantos causa repúdio. Se não aceitam o mistério, ao menos deveriam ponderar sobre os valores éticos que ela enseja. Mas isso fica para outra hora.

Há quem pretenda, em nome da tolerância (???), eliminar os crucifixos das repartições públicas, como se fosse outra a história do Brasil. E há as pessoas que preferem levar adiante a mensagem da Cruz. A primeira escolha faz as Dilmas; a segunda, as Zildas. Umas tentaram melhorar o mundo com as VPRs da vida (ou da morte); outras, com a Pastoral da Criança. No texto que Dilma assina, está a defesa do aborto. No texto que Zilda assinada, a proteção à vida desde a concepção.


Apostolado Shemá
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