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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Luiz Felipe Pondé arrebenta com os ateus

"O ateísmo é uma conclusão óbvia, não há nenhuma grande inteligência nisso", afirma Luiz Felipe Pondé, professor da PUC-SP, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 14-12-2009. Segundo ele, "Copenhague foi aquele tipo de concílio onde se discutia se a roupa de Jesus era dele ou não. Temperamentos autoritários gozaram de tesão em Copenhague".

Eis o artigo.

O "assunto Deus" é complicado. Em jantares inteligentes, é mais fácil você confessar que faz sexo com dobermans, prova de que seu gosto ultrapassou formas sexuais conservadoras. Mas, se falar sobre Deus, há risco grave de que não te convidem mais. E aí nunca mais aquela cozinha vietnamita. Melhor se dizer um budista light.

Mas a mania que muito religioso tem de achar que tudo na vida se deve a Deus (ou similares) é um saco! Isso fala mais de sua preguiça e medo do que de Deus.

Entendo o bode dos ateus com essa gente. Para mim, essa conversa é semelhante ao papo de que você tem câncer porque não resolveu adequadamente seus conteúdos emocionais. Ora bolas, isso quer dizer que, se todo mundo um dia for feliz, ninguém vai ter câncer? Ou que, pior, além de ter câncer, você é um babaca responsável pelo câncer porque não fez terapia? Conheço gente que se diz ateia (e com isso se acha mais inteligente, como de costume) e acredita nessa baboseira de que o amor cura câncer.

Mas, desculpe-me, ateísmo é coisa banal. Quando eu tinha oito anos era ateu. O ateísmo é óbvio (por isso comecei a desconfiar dele), diante do lamentável estado da vida: somos uma raça abandonada (Horkheimer). Ateísmo não choca mais ninguém (pelo menos quem já leu uns três livros sérios na vida), porque ateus já são vendidos às dúzias em liquidações. E mais: ser ou não ateu não diz nada acerca de como a pessoa se comporta com os outros (ao contrário do que muitos ateus e não ateus pensam). Existem canalhas de ambos os lados do muro.

Deus, como se diz em filosofia, "é uma variável sem controle epistemológico", isto é, não se testa Deus em um laboratório.

Mas, antes, uma pequena heresia.

Mais chocante hoje é alguém confessar que não crê no aquecimento global, pelo menos na versão que aconteceu nesse espetacular concílio bizantino em Copenhague, reunindo toda a gente legal do mundo.
Confesso minha fraqueza: sou um herege, não acredito que meu pequeno carro aqueça o planeta, mas já estou pagando mais imposto por isso e tenho certeza de que outros virão. Acho essa história uma mistura de ego inflado (disputamos com o Sol para ver quem aquece mais?) e tédio (que tal salvar o planeta? A vida está tão chata na Dinamarca!). Meu cachorro anda triste? Deve ser o aquecimento global.

Sei que dizem que é fato científico, mas, para mim, que sou um medieval, só acredito na ciência quando vem no formato de resultados de exames do Fleury ou do Delboni, e não quando tem a ONU no meio e gente ganhando milhares de euros salvando o planeta.

Para mim, Copenhague foi aquele tipo de concílio onde se discutia se a roupa de Jesus era dele ou não. Temperamentos autoritários gozaram de tesão em Copenhague.

E o ateísmo? A constatação de que o mundo é péssimo e, por isso, Deus não deve existir é razoável. A primeira vez que isso me ocorreu foi quando descobri que existiam colegas mais felizes do que eu na escola, e aí eu julguei o mundo injusto. Se Deus, como todo mundo me dizia, era bom, por que eu não era o cara mais forte do mundo? Decidi que Deus não existia. Ou não era bom. O ateísmo é uma conclusão óbvia, não há nenhuma grande inteligência nisso. Qualquer golfinho consegue ser ateu.

Anos mais tarde, fosse eu uma dessas pessoas legais que creem no marketing do bem, concluiria que o mais justo seria que todos fossem igualmente felizes, e aí Deus teria sido democrático. Graças a Deus nunca passei pelo ridículo de pensar assim. Quanto a Deus ser mau, concluí que melhor seria mesmo considerar o universo indiferente e cego e mecanicamente cruel. Naquele dia, tornei-me um trágico (antes de ler Nietzsche ou Darwin).

Poucos ateus não são descendentes de uma criança infeliz e revoltada (e, veja, 110% das crianças, esses pequenos lindos monstros malvados, são infelizes porque sempre existem crianças mais felizes do que você). A prova disso é que ateus gostam de falar mal da igreja (nunca superaram aquela freira azeda), de Deus (esse malvado que não me fez mais forte), ou do pai judeu (que me obrigou a só namorar judias).Ou acham que, se formos todos ateus, o mundo será melhor. Se você é assim e tem orgulho de ser ateu, você é um rancoroso.

Quando se deixa de acreditar em Deus, passa-se a acreditar em qualquer besteira (Chesterton): na Natureza, na História, na Ciência, na Dinamarca, em Si Mesmo. Essa última crença, eu acho, é a pior de todas. Coisa de gente cafona.

12 comentários:

  1. Caro Junior Pereira, Laudetur Dominus!

    Parece que o Luiz Felipe pondé tem se tornado bastante popular nos meios de opinião, principalmente em textos ironizando os ateístas. Este é o segundo de dois textos bem divertidos dele que eu li. Apesar de que ele não é muito profundo e, esteticamente, existe algo nos textos dele que me causam certo incômodo. Ainda não atinei para o que é.

    Já foi o tempo em que ser ateu militante era associado nos meios pensantes com a figura de alguém "original", "cheio de atitude". Este tempo foi precisamente o de Voltaire. De lá para cá, o ateísmo é típico apenas de quem tem preguiça de pensar.

    Aproveitando o ensejo, desejo a você e a todos do Apostolado Shemá um Santo e Feliz Natal!

    Pax et Salutis

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  2. "Poucos ateus não são descendentes de uma criança infeliz e revoltada"

    Basta ligar a televisão para ver que é o contrário. É aquele que adoece, que é mais pobre, que tem que carregar fardos pesados, os que se tornam mais religiosos. A Igreja Universal por exemplo lucra exatamente com as pessoas que passam as maiores dificuldades. Como diz o anúncio deles a todo momento "calafrios, desemprego, doença, insonia.... PARE DE SOFRER". E você vem falar de ateu???

    Ateus 80% dos suecos bem de vida são. Eu sei que você vai vir com papo de "mas eles cometem muito suicidio", mas o fato é que sua teoria sobre a psiquê do ateu é obviamente furada.

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  3. Caro Marco Mugnatto,

    Desculpe, mas suas argumentações são bem precárias.
    .
    Primerio que, segundo o site oficial da suécia, os ateus são minoria absoluta.
    .
    I- http://www.swedenabroad.com/Page____44636.aspx
    Superfície: 450 000 km2
    População: 9,1 milhões
    Idioma: Sueco (línguas minoritárias reconhecidas: sami, finlandês, finlandês de Tornedal, iídiche e romani)
    Densidade demográfica: 20 habitantes/km2
    Capital: Estocolmo
    Regime política: monarquia constitucional, democracia parlamentar
    Parlamento: Riksdag, com 349 deputados
    Rei: Carlos Gustavo XVI
    Primeiro-ministro: Fredrik Reinfeldt
    Montanha mais alta: Kebnekaise 2 111 m
    Maior lago: Vänern 5 585 km2
    Religião: 80 % da população pertence à Igreja evangélica-luterana
    .
    Ora, se um País de 9 milhões de habitantes tem 80% de luteranos, alguns muitos mulçumanos e Católicos, sobram quantos ateus? Agora, diga-me de onde tiram bem esta estatísta?

    Alás, muitos ateus da suécia vivem bem por lá ser um país que todos vivem bem, inclusive os mulçumanos-extremistas que tornam-se homens bomba.

    Aliás, atribuir a religiosidade de um país às questões sociais, é algo muito, mas muito baixo. Ser ateu é apenas uma maneira de querer se dizer superior aos outros que se apóiam em princípios religiosos para viver.

    Paz e Bem!

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  4. "Primerio que, segundo o site oficial da suécia, os ateus são minoria absoluta."

    O que ocorre é que o sueco é declarado membro da igreja automaticamente ao nascer. Mas as pesquisas indicam que 80% não acreditam em deus depois de adulto. É só pesquisar no Google que você encontra ambas estas informações.

    "Aliás, atribuir a religiosidade de um país às questões sociais, é algo muito, mas muito baixo."

    Eu apenas respondi ao autor do texto, que relacionou ateísmo a "problemas pessoais que causam revolta". A pobreza certamente é algo revoltante, então é válida a comparação. Se você não acha a pobreza algo revoltante é direito seu, mas eu pessoalmente acho. Ninguem deveria achar pobreza algo "bom" no meu ver. E é verdade que igrejas por aí lucram com as dificuldades inclusive financeiras das pessoas, tirando os pouco que essas pessoas já tem em troca da promessa de "mudar a situação através da fé em deus", como se teístas estivessem mais "imunes" a tragédias, algo que o dia a dia mostra que não é verdade, até mesmo dentro dos templos dessas igrejas cujos tetos de vez em quando desabam por aí... Em meu discurso eu estou pelo contrário é defendendo essas verdadeiras vítimas do discurso demagogo das igrejas.

    "Ser ateu é apenas uma maneira de querer se dizer superior aos outros que se apóiam em princípios religiosos para viver."

    Você taxa negativamente e generaliza os ateus e eu que sou "baixo"?

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  5. Marco,

    O protestantismo não é mais a religião oficial da suécia faz quase 30 anos. O estado é laico desde o fim da década de 70, se não me engano.

    Existem mais mulçumanos do que ateus lá. ¬¬

    Eu entendo a sua lógica...

    Exsitem pastores e padres são pedófilos, crenças indígenas matam crianças gêmeas, os adventistas não fazem nada no sábado,.... Enfim, viu como a religião deve ser banida da face da sociedade? O que ela traz de bom para o homem, né?

    É assim que é a sua lógica, não?

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  6. Você parece que insiste em partir sempre pro lado pessoal. Ateu é quem não acredita em deus, e só. A lógica para os motivos ou para outros fatores da vida de cada ateu é própria de cada ateu. Existem ateus dos mais diversos tipos. A única coisa em comum neles é a não crença na existencia de um deus. O resto é resto.

    E nenhum ateu é mais "ateu" que qualquer teísta em relação a todos os outros deuses dos outros teístas. Eu apenas acredito em um deus a menos que você.

    Então acho besteira ficar tentando estereotipar. Cada um na sua e todos devemos agradecer a existência da liberdade que todos temos para escolher no que vamos acreditar ou não. Ou você preferia a guerra? Espero que a moral cristã seja melhor que isso... Viva a diversidade e a liberdade. Uma sociedade toda igual tende a não variar, não evoluir nunca, e a história já mostrou que isso não dura muito tempo antes de ficar para trás...

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  7. Marco, realmente você tem razão.

    O ateísmo é uma questão pessoal, não devemos criticar uma pessoa por ela ser atéia, ou até mesmo expressar a sua religiosidade.

    Mas, e os ateus? Pegando Dawkins como exemplo, o que acha de suas ações ateías tão fanáticas quanto os islâmicos que explodem pessoas por aí?

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  8. Prezado Marco Mugnatto, Laudetur Dominus!

    Você reclama - e com todo direito! - da generalização que é feita contra os ateus. Mas você não percebe que você mesmo comete uma generalização ao dizer "E nenhum ateu é mais "ateu" que qualquer teísta em relação a todos os outros deuses dos outros teístas. Eu apenas acredito em um deus a menos que você". Pois não existem só esses "vários deuses", existem as respectivas metafísicas que tem uma forma própria de descrever o que seja a divindade.

    Desta feita, um ateu é sim "mais ateu" do que, por exemplo, um cristão em relação aos deuses deuses gregos. Pois um cristão não se fecha simpliciter à idéia da divindade grega, mas com base na sua descrição da divindade ele não pode nivelar os deuses gregos com a Trindade. A inexistência dos deuses gregos não é um pressuposto, e sim, conclusão de seu exame à luz da metafísica cristã.

    Pax et Salutis

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  9. Eu não acredito em ateus...

    São os primeiros a clamar Deus nos problemas, são sim é uns relaxados e comodistas!


    Paz e Bem!

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  10. Liberdade de pensamento é a base para uma sociedade sem preconceito e que respeitar os príncipios de cada um. Ser ateu é apenas uma manifestação contrária a uma idéia dita como verdade absoluta. Respeitar a opinião dos outros é respeitar si próprio.

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  11. é verdade Junior, ja vi Ateus clamaem a Deus quando estavam com algum problema...

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  12. Junior, Romilio Ap e CIA

    Se um único Ateu não clamar por Deus essa teoria de vocês já não tem fundamento.
    Vocês conhecem todos os ateus do mundo? Como podem generalizar desse jeito? Com que direito vocês podem generalizar desse jeito?
    Essa teoria de que todos os Ateus são preguiçosos e clamam por Deus nas dificuldades só será valida se vocês conhecerem e precensiarem tal acontecimento em todos os Ateus do Mundo, por acaso vocês conhecem todos os Ateus do Mundo?

    Outra coisa, ja que vocês gostam de generalizar estereotipando os Ateus essa fórmula deveria ser válida para os padres pedofilos não acham? Já que a vida é assim tão simples generalizando tudo vamos generalizar os padres dizendo que todos são pedofilos. O que vocês acham da idéia?

    Isso vai contra as práticas que foram aplicadas por Jesus que pregava a libertade e não a exclusão do diferente. Cristo acolheu os pecadores, os mal-falados, os doentes, os esquecidos. Essa prática de Jesus não combina com a condenação de doutrinas heterodoxas, com práticas moralistas, com a imposição de qualquer verdade que seja.

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Apostolado Shemá
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