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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Heresias Medievais e Heresias Contemporâneas – Os hereges mudam, as heresias, nem tanto.

Após estudos sobre as diversas heresias presentes na Era Medieval e no mundo Contemporâneo, é possível constatar que, apesar da desconectividade histórica, possuem ligações fortíssimas, desde a formulação “teológica”, passando pelo discurso, chegando até mesmo nas práticas “religiosas”.

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Para começar irei apresentar uma comparação entre o Catarismo, a Teologia da Libertação, o Modernismo, e o Espiritismo – este último foi derivado do Catarismo.

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Quem eram os Cátaros?

O Catarismo nasceu no interior da Igreja e pregava um evangelismo radical, fundamentando-se exclusivamente em textos bíblicos. Podemos dizer que eles foram os primeiros pregadores da “Sola Scriptura”. Jean Louis Biget, professor emérito da Escola Normal Superior de Fontenay-Saint-Cloud, define o Catarismo como “evangelismo radical transmutado em dualismo”.

O Catarismo negava a Encarnação, e tinham a Paixão e os Sacramentos como elementos simbólicos. Constituíam uma “Igreja” menos hierarquizada, dizendo estarem voltando aos tempos apostólicos, “que tinham tudo em comum”. Cito agora (Histoire de l’Inquisition au Moyen-Age, I, pág. 108)

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"Aliás, quando um homem estava moribundo, seus parentes acreditavam cumprir um dever de caridade acelerando seu fim [...] Se o Catarismo se houvesse tornado dominante, ou pelo menos igual ao Catolicismo, não há dúvida de que sua influência teria sido desastrosa” (pág. 121).

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João Bernardino Gonzaga em “ A Inquisição em seu mundo”, retrata: “A Inquisição nunca foi um tribunal meramente eclesiástico; sempre teve a participação (e participação de vulto crescente) do poder régio, pois os assuntos religiosos eram, na Antiguidade e na Idade Média, assuntos de interesse do Estado; a repressão das heresias (especialmente dos cátaros, que pilhavam e saqueavam as fazendas) (Pág 9).

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Dar aspectos simbólicos aos elementos sacralizados, sejam eles Dogmas ou Sacramentos, são características do Modernismo Simbolista, mais conhecido como Pragmatismo. Juntamente com estes, horizontalizar a fé, e “justificar” práticas condenadas (como roubo, assassinato, etc.) através da livre interpretação bíblica, são características presentes na Teologia da Libertação.

O Catarismo pregava que um ciclo de reencarnações permitiria a salvação de cada um no final dos tempos. Essa escatologia otimista não comportava nem julgamento nem condenação ao inferno. Temos ai a base da doutrina Espírita.

Todavia, o Catarismo tinha Cristo como o autor da “Revelação Divina” e ensinara os preceitos de uma boa vida.

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O Catarismo esmaeceu progressivamente a partir de 1270. A Inquisição teve um papel para o seu desaparecimento, mas o fator essencial de seu enfraquecimento residiu na reconquista, pelas ordens mendicantes, das elites que o sustentavam.

Os albigenses, os cátaros que residiam na França, estavam infiltrados na maioria das famílias poderosas e mesmo no clero; ocupavam altos cargos públicos, o povo os recebia com naturalidade e muitos mandavam os filhos estudar em suas escolas. Vários nobres aberta ou encobertamente os apoiavam, inclusive disso se servindo para usurpar bens eclesiásticos, encontraram assim terreno extremamente fértil para progredir.

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Os Valdenses e a Teologia da Libertação.

Em fins do século XII, importante dissidência brota em Lião, sob a liderança de um tal Pietro Valdo (ou Pierre de Vaux). São os valdenses, que pregam a pobreza absoluta e usurpam aos clérigos

o direito de pregar. Fazem logo enorme sucesso, espalhando-se rapidamente por vários países. Dirigem-se então a Roma, para buscar o seu reconhecimento, mas o papa Alexandre III os admoesta, negando-lhes o direito de divulgar suas idéias, o que eles continuam entretanto a fazer, com maior vigor. No século seguinte, nova corrente herética surge em Anvers, que põe em dúvida a eficácia sacramentos; organiza-se militarmente, em milícias, e assim enfrenta as autoridades civis e eclesiásticas.

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Por todo canto e cada vez mais, enfim, pululam desvios religiosos, que geram perplexidade, confusão, desassossego e alarma na cristandade.

Os valdenses pregavam aquilo que mais tarde veio a se chamar “luta de classes”. A grande diferença entre os átaros e os valdenses é que os cátaros não tinham um credo que visava as pobreza. Os valdenses também tinham muita ligação com o paganismo, pois tinham uma filosofia panteísta, que queria sincretizar tudo e adorar um Deus desconhecido, sem definições. Nada mais TL do que um discurso que relativize a fé, pregue contra as posses individuais, semeie a discórdia, e seja condenado pela Igreja. Realmente, a história se repete.

5 comentários:

  1. Já leram algum livro espírita? O principal, pelo menos: O Livro dos Espíritos? Dizer que a Doutrina Espírita possui base catarista parece forçado...

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  2. Juan,

    Li sim. Não estou dizendo que o Espiritismo é um Ctarismo reformado, mas estou dizendo que as heresias presentes no Catarismo são base para a doutrina espírita.

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  3. Vocês são simplististas demais ao tentar relacionare a Teologia da Libertação aos cátaros e erram ao definir suas características. Acho que vocês deveriam conhecer um pouco mais sobre a Teologia da Libertação para terem o que falar sobre ela.

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  4. A TL não prega a luta de classes... nem nunca pregou... faz uma leitura da realidade a partir do materialismo histórico... difundido por Marx... mas não há erro aí... pois a TL nunca negou os ensinamentos da igreja... e apropriou-se de um teórico que preocupou-se em analisar a sociedade em que vivia... e propor sua visão de mundo... que na minha opinião ratifica o que a igreja prega... um mundo de irmãos...

    O que a TL sempre criticou... foi um certo afastamento da igreja... do seu povo... e isso aconteceu em vários momentos ao longo dessa linda tradição... isso não podemos negar... assim como não podemos negar que em muitos momentos esteve muito presente... na vida desse mesmo povo...

    Bom isso posto... me dou o direito de dar um conselho fraterno... cuidado com a forma com que coloca suas palavras... prinicpalmente quando você chama qualquer forma diferente de pensar da sua... ou ainda da nossa querida Igreja católica... pois nossos irmãos de outras denominações... podem sentir-se ofendidos... e não creio que sejam hereges... e você já parou para pensar que podem estar considerando voce herege também...

    abraços
    Aureo pejoteiro ainda no coração

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  5. Aureo,

    Entre o que vc pensa e o que o Papa e a Igreja, ensina, fico com o que não podem errar.

    Aliás, suas colocações já foram refutadas neste blog.

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