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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Bento XVI e a Aids – existem razões para apoiar a castidade na África?

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Desde que o Papa Bento XVI fez a sua viagem ao continente africano e proferiu um discurso condenando o uso de preservativos, a mídia não tem poupado críticas ao pronunciamento do Santo Padre. Recentemente, Hans Kung, teólogo adepto do modernismo, disse: “Bento XVI será lembrado por ter fomentado a pandemia do vírus HIV no continente africano”. A África, além de ser o continente mais pobre do planeta, é também o com maior número de infectados pelo vírus HIV. A pergunta é: por que então incentivar a castidade num continente onde o contagio com o vírus HIV é tão propício?

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Atualmente, o Brasil mantém estável o número de pessoas infectadas, e o programa de combate ao vírus da Aids é parabenizado pela ONU. Porém, o mesmo tipo de programa implantado em Unganda não deu sequer resultados perceptíveis. Primeiramente por que o Brasil gasta cerca de 300 milhões de reais com o programa, custo que é inviável num país que tem uma renda percapta de 457,00 dólares. Mas, mesmo com toda ajuda financeira mundial, esse quadro não se reverte, anualmente cresce cerca de 3% o número de pessoas infectadas. Só a ONU distribui anualmente uma quantidade suficiente para que na África não haja mais casos de expansão do vírus HIV. Então, eu interrogo, se o mesmo programa de combate aos vírus HIV é parabenizado no Brasil, por que ele não possui o mesmo resultado em Unganda? Questões sociais não podem ser equalizadas numa conta matemática, onde se pode ter certeza que 2+2 são 4. Recentemente, “o diretor do Aids Prevention Research Project da Harvard School of Public Health, Edward Green, assegurou que na polêmica sobre a Aids e o preservativo Bento XVI tinha razão.
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Ao intervir no “Meeting pela amizade entre os povos” de Rímini o cientista, considerado como um dos máximos especialistas na matéria, confessou que “lhe chamou a atenção como cientista a proximidade entre o que o Papa disse no mês de março passado no Camarões e os resultados das descobertas científicas mais recentes”.
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“O preservativo não detém a Aids. Só um comportamento sexual responsável pode fazer frente à pandemia”, destacou.
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“Quando Bento XVI afirmou que na África se deviam adotar comportamentos sexuais diferentes porque confiar só nos preservativos não serve para lutar contra a Aids, a imprensa internacional se escandalizou”, continuou constatando.
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Na realidade o Papa disse a verdade, insistiu: “o preservativo pode funcionar para indivíduos particulares, mas não servirá para fazer frente à situação de um continente”."(1)

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Em 1990 na Polônia cerca de 12% das crianças estavam infectadas pelo vírus HIV, pois a ONU incentivou a transfusão de sangue para se combater a anemia, porém, a Polônio a não é a Finlândia, onde a prática deu muito certo.

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Mas, o sentido principal do texto está na questão: Se o preservativo é tão eficaz, por ainda há de persistir os grandes índices de HIV?

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Transcrevo agora uma entrevista feita ao portal Zenit:

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“Para tentar compreender quais são os argumentos que subjazem ao debate e que parecem implicar tantos interesses, ZENIT entrevistou os doutores Renzo Puccetti e Cesare Cavoni, o primeiro médico e o outro professor de Bioética e jornalista de Sat2000, condutor do programa “2030 entre ciência e consciência”, que acabam de entregar ao editor o livro em italiano Il Papa ha ragione! L’Aids non se ferma con il condom (Fede & Cultura).

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– Mas o preservativo serve ou não para deter a Aids?
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– Puccetti: Não é fácil responder de forma taxativa, mas se tenho que dizer se o preservativo serve para deter a Aids nas epidemias generalizadas, a resposta que posso dar segundo o corpo de conhecimentos científicos disponíveis é “não”.
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Para que pudesse funcionar, o homem deveria ser não muito diferente que um rato em uma jaula à qual antes de cada cópula alguém dosa o preservativo. Nesse caso, o preservativo poderia ser útil.
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Mas como o homem não é um rato, não vive em jaulas e não há profissionais dispostos a dosar-lhe o preservativo, não há que surpreender-se de que a eficácia teórica não aconteça na vida real.
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– Por que decidiram escrever um livro sobre este tema?
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– Cavoni: Este livro nasce de uma triste constatação, a de que com frequência a informação fala de fatos que não conhece e, também, os deforma. É o que aconteceu durante a primeira visita do Papa à África em março deste ano.
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O livro nasce desta tristeza e, também, da raiva de ver pisoteados os princípios fundamentais de uma correta informação. Ao mesmo tempo, parecia-nos necessário dar a conhecer ao público os fatos assim como sucederam e, de algum modo, abrir os olhos da opinião pública, de modo que não tome como ouro fino torpes instrumentalizações, perpetradas por motivos ideológicos, por superficialidades, ou por ambos fatores.” (2)

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Para René Ecochard, professor de medicina, epidemiologista, chefe do serviço de bioestatística do Centro Hospitalar Universitário de Lyon, "as palavras de Bento XVI sobre o preservativo são simplesmente realistas".

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"Se o preservativo funciona quatro de cada cinco vezes", isto pode ser suficiente "quando a Aids não está estendida". "Mas em um país em que 25% dos jovens de 25 anos estão afetados (Quênia, Malaui, Uganda, Zâmbia), isto não é suficiente". "O fracasso desta forma de prevenção é uma realidade epidemiológica".(3)

A vida humana está em primeiro lugar, logo, proteger o ser humano, faz parte da missão da Igreja. O Papa não está sendo hipócrita ao defender a cultura da castidade na África. Desde a queda do muro de Berlin, a ONU realizou diversas intervenções no território africano, seja ela de caráter militar como em Ruanda, ou apenas diplomáticas como na República Popular do Congo, e todas estas fracassaram. Ruanda foi palco de um dos maiores genocídios civis da história da humanidade, e o Congo continua sem ter uma divisa coerente com a vontade da população. Isto podemos equacionar, “a cultura de morte”, denominada assim pelo Papa Pio XII, não pode gerar um bem maior do que aquele proposto pela Igreja. “Soluções fáceis, para problemas difíceis”, está é outra verdade que o Romano Pontífice nos alertou em seu Papado.

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Não podemos deixar que almas sejam colocadas em tentativas de erro e acerto, sendo jogadas à sorte, ao acaso. Defender a vida é concretamente a missão da Igreja, por tanto, para nós, defender a castidade na África é perfeitamente defender a vida.

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Notas:

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1 - http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=55975&tid=5374353145115254038&kw=Olavo+de+carvalho+e+a+Aids&na=1&nst=1

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2 - http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=55975&tid=5374353145115254038&kw=Olavo+de+carvalho+e+a+Aids&na=2&nst=40

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3 - http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=55975&tid=5374353145115254038&kw=Olavo+de+carvalho+e+a+Aids&na=2&nst=40

10 comentários:

  1. No continente Africano, com excessão de alguns poucos países, a situação está para lá de calamitosa. Penso que tais programas, independente da opinião do Papa tem de ser implementados a todo custo, com a obtençaõ de resultados a longo prazo. Os que já estão infectados? Uma pena! Mas que ao menos as gerações futuras possam ter uma qualidade de vida melhor...

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  2. Guttwein

    O problema é justamente o sistema de prevenção que além de não funcionar 100% contra o vírus ainda incita ao uso do sexo desregradamente.

    Os país com os melhores resultados contra a AIDS é justamente Uganda, por incluir em sua campanha a promoção das relações monogâmicas, a fidelidade e a castidade.

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  3. Outra coisa que precisa ser dita é que o Papa au falar ao povo não emite uma mera opinião pessoal. Ele não apenas diz ¨Eu acho¨ e pronto.
    Existe um grande estudo de médicos , teólogos, sociólogos, cientistas e todo um aparato intelectual envolvido.

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  4. Tem q haver prevenção sempre! existem muitas campanhas, mas precisam ser reforçadas, principalmente na africa!

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  5. o problema é que quano se fala nao ao uso do preservativo e se prega a castidade a maioria das pessoas só segue o primeiro ponto, ainda mais quando a pobreza é extrema e a informaçao é escassa!!

    adorei o blog!

    estou seguindo e desejando sucesso!!

    xeru

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  6. Bem incentivar a castidade tudo bem! é importante, mas voce deve levar em consideração que nem todos na áfrica seguem a mesma doutrina da igreja católica, e nem todos consentem em deixar de lado algo a sexualidade, que já faz parte de suas naturezas, portanto, é importante se pronunciar a favor da castidade, mas condenar o uso da camisinha ao meu ver é errado! as pessoas que querem, devem manter relações sexuais antes do casamento, isso é uma vontade pessoal e que ninguem pode interferir, o que o governo tem de fazer é aumentar e muito as campanhas para o uso de preservativos! O Papa tem o direito de se pronunciar, mas com a influência que ele tem, acho um equívoco tremendo ele condenar o uso da camisinha... Os dois lados são válidos!

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  7. Vinícius

    Creio que a Igreja tem influencia em seus membros e não em toda a sociedade, e mesmo que tivesse deveria ser um influencia total e não parcial.

    De que adianta o camarada dizer que segue a igreja no que ela diz sobre respeito da camisinha mas não a segue no que ela diz sobre castidade, isso é desonestidade, visto que a rejeição da igreja pela camisinha vem justamente da observância e aplicação da moral cristã, que antecede a invenção da camisinha.

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  8. Sou enfermeiro por formação e trabalhei algum tempo nos programas do Ministério da Saúde. Entendo que, apesar de Benedito XVI não apoiar o uso de preservativo, em razão de alguns estudos, ainda fico com os estudos do Ministério, da Organização Panamericana de Saúde - OPAS - e Organização Mundial de Saúde - OMS.

    O uso do preservativo é imprescindível! Sempre!!!

    Temos que entender que o Brasil é um Estado laico desde a criação da República e que a Igreja, pelo menos teoricamente, não deveria se intrometer com assuntos que dizem unicamente respeito ao Estado.Atualmente, mesmo um Bispo pode ser preso, assim como qualquer cidadão, algo quase impensável no Império e Colônia. Entendo as preocupações éticas propostas pela Igreja, mas enfatizo que a saúde biológica antecede a saúde ética - se é que existe!

    Esse debate me fez lembrar daquela psicóloga que pretendia "curar" homossexualidade. Atualmente, até onde sei, tramita um processo contra ela no Conselho Regional de Psicologia de São Paulo. Do meu ponto de vista, ela deveria perder seu registro por infração grave de seu próprio código de ética e deontologia do CRP. Da mesma forma que eu, caso desaprovasse irresponsavelmente o uso do preservativo, também deveria receber sanções administrativas e, porque não, também penais.

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  9. pois é, defendendo a castidade da africa, estara defendendo a vida, e é isso que dive faze

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  10. Breno,

    "Sou enfermeiro por formação e trabalhei algum tempo nos programas do Ministério da Saúde. Entendo que, apesar de Benedito XVI não apoiar o uso de preservativo, em razão de alguns estudos, ainda fico com os estudos do Ministério, da Organização Panamericana de Saúde - OPAS - e Organização Mundial de Saúde - OMS.

    O uso do preservativo é imprescindível! Sempre!!!"
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    Imprescindível para o quê?
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    "Temos que entender que o Brasil é um Estado laico desde a criação da República e que a Igreja, pelo menos teoricamente, não deveria se intrometer com assuntos que dizem unicamente respeito ao Estado.Atualmente, mesmo um Bispo pode ser preso, assim como qualquer cidadão, algo quase impensável no Império e Colônia. Entendo as preocupações éticas propostas pela Igreja, mas enfatizo que a saúde biológica antecede a saúde ética - se é que existe!"
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    Breno, não sei se vc leu o texto realmente, mas ele fala da questão do Papa na África. Os cientistas afirmam que o uso de preservaticos é falho como modo de coibir o progresso da Aids no continente. No Brasil é diferente, isso tbm é falado no texto. Agora, o Papa além de estar certo, tem o dever de intervir em questões morais, como já foi mostrado anteriormente.
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    "Esse debate me fez lembrar daquela psicóloga que pretendia "curar" homossexualidade. Atualmente, até onde sei, tramita um processo contra ela no Conselho Regional de Psicologia de São Paulo. Do meu ponto de vista, ela deveria perder seu registro por infração grave de seu próprio código de ética e deontologia do CRP. Da mesma forma que eu, caso desaprovasse irresponsavelmente o uso do preservativo, também deveria receber sanções administrativas e, porque não, também penais."
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    A mulher está sendo processada sim, mas os próprios clientes dela procuravam seus serviçoes para saírem da homossexualidade. Não era algo forçado, eram pessoas que procuravam ajuda para isto. Me diga, onde está o crime?

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Apostolado Shemá
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