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terça-feira, 21 de julho de 2009

Os Cristeros - Conflito contra a maçonaria




Quem estuda um pouco da história sabe bem dos diversos conflitos entre a Igreja e a maçonaria. Em diversas localidades, e isso inclui o Brasil com o exemplo de Bispo Dom Vital, que toma posse como Bispo de Olinda em 24 de maio de 1872, A Maçonaria tentou controlar ou exterminar a Igreja.

Dom Vital escreve: “Até 1872, a Maçonaria no Brasil respeitou a religião católica. Introduziu-se no clero, nos conventos, nos cabidos, nas confrarias. Mas quando teve um Grão-Mestre à frente do Governo nacional, julgou oportuno atacar a Igreja” (citado por Antônio Carlos Villaça, in História da Questão Religiosa no Brasil, pág. 7).

Usando de diversas formas, desde o infiltramento no clero até o próprio combate armado a maçonaria tentou desfigurar a Igreja Católica. A exemplo do Brasil, No México bastou que o Governo tivesse um líder maçon para que se tentasse extirpar a Igreja de seu território.

Assim é a história dos Cristeros.
Gente humilde, leigos e clérigos, que tentaram lutar em favor da Igreja e da liberdade religiosa no México.

Abaixo transcrevemos parte do texto da revista Pergunte e responderemos, de autoria de Dom Estevão Bettencourt, osb com parte de uma matéria do Jornal O LUTADOR de Belo Horizonte:

Reproduzimos, a seguir, artigo sobre a Maçonaria publicado no jornal belohorizontino O
LUTADOR, edição de 15 a 21 de junho de 1997, p. 8. São páginas que revelam aspectos pouco divulgados da Maçonaria, aptos a explicar o difícil diálogo entre tal sociedade secreta e a Igreja. Agradecemos à Redação daquele periódico o direito de reprodução.

“RELAÇÕES NADA CORDIAIS"

Tudo o que é secreto, desperta interesse. Tudo o que é proibido, seduz. O que parece beneficente, se faz simpático. Será por isso que tantos católicos ainda têm dúvidas sobre a “condenação” da maçonaria e recebem com desconfiança as advertências da Mãe-Igreja? Seja como for, o exame das relações entre cristãos e maçons na História do Brasil, bem como no México, traz à luz os sinais do ódio contra a Igreja de Jesus Cristo. Bispos presos, padres fuzilados, centenas de leigos assassinados a sangue frio ... Ao menos naquele tempo e naquelas circunstâncias.

MATANDO O ESCORPIÃO

Que é a Maçonaria ? Uma sociedade secreta. Qual o seu objetivo ? Tomar o poder. Como provar essa afirmação ? Pelo exemplo mexicano. A 5 de fevereiro de 1917, foi aprovada a Constituição do México, maçônica, ainda em vigor no México, após 80 anos. O presidente era Venustiano Corranza, também ele maçon, como todos os demais que se elegeram até hoje.

A Constituição restringia a liberdade religiosa, considerava crime o ensino religioso e a profissão dos votos. Ao mesmo tempo, desapropriava sumariamente os bens eclesiásticos, negando personalidade jurídica à Igreja e encerrando-a no âmbito das sacristias. Os sacerdotes foram privados de seus direitos políticos (votar e ser votado, herdar, possuir bens etc.), mas deviam prestar serviço militar.

Além disso, o Governo determinava o número de sacerdotes permitidos em cada localidade e decretava quem estava habilitado ao ministério. Só mexicanos de nascimento podiam ser sacerdotes. A partir de 1926, com a “Lei Calles”, Vera Cruz tinha um sacerdote “autorizado” para cada 100 mil habitantes.

Em Sonora, foram fechadas todas as Igrejas. Os sacerdotes sumariamente eliminados. Segundo Fidel Gonzáles, em artigo na revista “30 DIAS” (ago/93), “a violência contra a Igreja era dirigida sobretudo pelas lojas maçônicas e por um de seus grupos, o de Sonora, que alcançou com Calles (presidente de 1924 a 1928) o controle total do poder”.

Álvaro Obregón, um dos responsáveis diretos pelo assassinato do Pe. Agustin Pro (herói do conhecido livro Despistou Mil Secretas), declarou em discurso público: “Quando uma formiga nos pica, não procuramos a formiga para matá-la; pegamos um balde de água fervente e a derramamos no formigueiro. Quando um escorpião nos pica, nós o matamos; pegamos uma lanterna para procurá-lo e, se encontrarmos outro escorpião, não o deixamos viver, porque não foi ele que nos picou; nós o matamos, porque pode nos envenenar”.

UMA LEGIÃO DE MÁRTIRES

Em 1992, o Papa João Paulo II beatificou Miguel Agustin Pro e os 22 sacerdotes mártires mexicanos. Seu crime ? Exercer secretamente o seu ministério, confessando os penitentes, ungindo os enfermos e celebrando a Eucaristia. São mártires in odium fidei (por ódio à fé). Mas também o foram in odium Ecclesiae, (por ódio à Igreja), pois o objetivo do Governo maçon que mantinha o poder no México era não só erradicar a Igreja Católica, mas eliminar da vida nacional o próprio acontecimento cristão.

O episcopado tentou reagir desde o início. Uma Carta Pastoral dos Bispos mexicanos apontava sem medo o projeto governamental de “aniquilar o catolicismo”, entranhado na alma do povo. O Governo reagiu com decretos que visavam a “mexicanizar” a Igreja, tal como fizeram os países comunistas (China, Vietname etc), que favoreceram o surgimento de uma “igreja nacional”, “patriótica”, sem ligação hierárquica com Roma.

A 31 de julho de 1926, os Bispos suspenderam todas as celebrações no país. Explodia a perseguição contra o clero e as lideranças leigas. Lares invadidos, interrogatórios, tortura e julgamento de fachada. Dezenas de milhares de católicos (50 mil homens, segundo alguns historiadores) sublevaram-se e empunharam armas. Começava a guerra dos “cristeros”, que terminaria com o acordo de paz em junho de 1929. Embora sofrendo com a falta de armas, os “cristeros” estavam em seu apogeu e dominavam um vasto território. Os Bispos aceitaram um acordo com o Governo (as circunstâncias não são claras até hoje) e pediram aos fiéis para interromper a luta e cessar fogo. Tão logo as armas foram entregues, começou a matança. A Igreja tinha sido traída.

Dolores Ortega, 85 anos, remanescente de uma família de “cristeros” , declara: “Todos sabiam que era um truque, que o Governo nunca respeitaria o seu compromisso. Todos o sabiam, nós da Liga (para a Defesa da Liberdade Religiosa) e também os “Cristeros”. Quando nos pediram para interromper a luta, sentimos uma dor surda, uma angústia mais forte do que a provação que a guerra exigia”. Mesmo assim, obedeciam por fidelidade ...


Os Cristeros foram brutalmente e covardimente torturados e assassinados. Poucas chances haviam para eles tendo que combater com o exercito a polícia e todo o armamento bélico do estado. Contra isso tinham apenas alguns poucos armamentos, muitas vezes roubados de carregamentos do exeŕcito, muita coragem e fé.
Muitas famílias foram fuziladas por não negarem a fé em cristo. Desde os pais até as crianças e peincipalmente os jovens, que representavam boa parte da força da combate dos cristeros.

Fato também inegável foi a morte de vários Padres e o fechamento, como dito acima, de muitas igrejas. Vejamos abaixo o texto do Blog Observatório da Perseguição:


Por Arturo Fontagordo (Observatório da perseguição)


No período entre 1914 a 1934, o mais cruento da perseguição religiosa no México, sacerdotes, leigos, homens e mulheres ofereceram sua vida ao grito de “Viva Cristo Rei!”, de onde vem a designação “cristero”, inicialmente depreciativa, mas que hoje soa aos nossos ouvidos com um ar de martírio.

Uma tensa conciliação entre Estado e Igreja foi mantida a partir da promulgação da Constituição de 1917. A Igreja havia recuperado o poder espiritual perdido durante a guerra de reforma e exercia grande influência na formação de sindicatos de trabalhadores e camponeses.

Durante o governo de Álvaro Obregón ocorreu o primeiro conflito grave, que prenunciava como seriam as relações nos anos posteriores. Com a chegada do delegado apostólico Filippi para abençoar o Cerro del Cubillete em Silao, onde seria erigido um monumento ao Cristo Rei, o povo comparece em massa para venerá-lo e a resposta do governo é expulsar o emissário do país.

A partir de 1925, com Calles no poder, comandando os anticlericais do norte, as posições se polarizam. A perseguição religiosa teve seu ponto culminante entre 1925 e 1929, quando Calles promulgou uma lei de culto que levou à prática as disposições da Constituição de 1917.
Essas disposições, conhecidas como “Lei Calles”, estabeleciam o número de ministros consagrados por localidade, proibiam a presença de sacerdotes estrangeiros no país, limitavam o exercício dos atos de culto e, entre outras disposições, proibiam seminários e conventos.
Saíram do país 183 sacerdotes estrangeiros e 74 conventos foram fechados.

Perante essas restrições e após frustrantes negociações por parte dos bispos mexicanos com as autoridades do governo, a Igreja do México, em sinal de protesto, decidiu suspender os atos de culto.

Entretanto, a Liga Nacional de Defesa da Liberdade Religiosa assumiu a responsabilidade de organizar a resistência.
Nos primeiros dias de janeiro de 1927, depois de surtos espontâneos de rebelião e forte repressão por parte do exército, o povo se sublevava aos gritos de “Viva Cristo Rei!”, na parte ocidental do México (especialmente em Jalisco, Aguascalientes, Michoacán, Guanajuato e Colima).
Alguns sacerdotes, ainda que em número exíguo, se uniram a eles, mas a maior parte optou por uma resistência pacífica.

O número de cristãos que ofereceram suas vidas é altíssimo, com muitos mártires anônimos. Entre todos eles, se destacam 22 sacerdotes diocesanos e 3 jovens leigos que já foram canonizados.

O primeiro desses mártires é o pároco Cristóbal Magallanes.
Um caso não relacionado, mas da mesma época é o do jesuíta Miguel Agustín Pro Juárez.
Preso depois de um atentado contra o general Álvaro Obregón em 13 de novembro de 1927, o sacerdote foi fuzilado na delegacia de polícia. Seu nome se encontra hoje entre os beatos.

A luta foi desigual. O exército, bem armado e equipado, estava sob as ordens do Secretário de Marinha e de Guerra Joaquín Amaro, conhecido como “Come Padres” por sua postura anticlerical. Em 1927, o exército tinha 80.000 homens, porém a desigualdade de homens e armas não deteve os cristeros: onde a insurreição parecia ter sido abafada acabava ressurgindo em alguns dias.

A ferocidade da milícia e os ataques contra a população civil fizeram com que os cristeros fossem apoiados pelo povo e pelas autoridades políticas das localidades.
Taticamente, o movimento cristero superava a milícia regular. Estavam organizados em pequenos grupos e, por falta de meios e armas, atacavam intempestivamente, se retirando depois para a serra, onde seu profundo conhecimento do terreno e sua condição de excelentes cavaleiros lhes permitiam fugir rapidamente, enquanto e exército, com infantaria desenvolvida, se via impossibilitado de prosseguir a perseguição.

Ante a impossibilidade de controlar a rebelião, o general Amaro organizou as “concentrações”, onde os camponeses do local eram obrigados se reunir em determinado povoado, em uma data assinalada, se isso não acontecesse, as pessoas encontradas fora da zona de concentração eram fuziladas sem julgamento, o que também significou perda de colheitas, fome e enfermidades para a população civil.

Outro fator importante da luta cristera foi a formação das Brigadas Femininas de Santa Joana D’Arc. Seu trabalho era procurar dinheiro, provisões, relatórios, refúgio, cura e proteção para os combatentes, além de guardarem voto de silêncio, o que permitia um trabalho mais efetivo.
Em março de 1928, as Brigadas Femininas foram contabilizadas como tendo 10.000 militantes.

No final de 1928 a guerra estava em seu apogeu e os cristeros contavam com 30.000 homens.

As “concentrações”, só conseguiam aumentar os levantes entre a população pacífica e, além disso, os cristeros se organizaram para que os camponeses não perdessem suas plantações, colhendo o milho e o guardando para seus donos.
A falta de munição impediu que tivessem maiores vitórias, mas a rebelião já não podia ser contida e o êxito cristero parecia cada vez mais próximo.

Em 1929 a proximidade das eleições presidenciais trouxe a conjuntura política que resolveu o conflito.
Durante os anos de luta, Estado e Igreja mantiveram negociações secretas.
A Santa Sé encarregou o Monsenhor Ruíz y Flores das negociações e, por intermédio do embaixador norte-americano Morrow, foi estabelecida uma série de acordos com Calles.
Em junho de 1929 Ruíz y Flores chega ao México e entre 12 e 21 desse mês acaba a guerra.
Morrow redige o memorando e no dia seguinte são publicados os “acertos”: a Lei Calles é suspensa, mas não derrubada; é outorgada a anistia aos rebeldes; os templos são restituídos e a Igreja pode celebrar novamente os cultos.

Muitos, entre eles o general Gorostieta, que chegou a ser o chefe dos rebeldes, viram nos “acertos” uma claudicação da causa cristera.

A guerra foi dada como encerrada sem o consentimento dos que participaram das lutas, mas que aceitavam as ordens da hierarquia eclesiástica.

A verdade foi que, uma vez entregues as armas, os cristeros inermes e suas famílias foram sistematicamente aniquilados pelas forças governamentais.
Dezenas de milhares de gargantas que já não podiam gritar “Viva Cristo Rei!” no campo de batalha o fizeram de costas, no paredão.

Veja abaixo vídeos sobre os A Revolução dos Cristeros com Depoimento dos sobreviventes.









Fonte:
Revista Pergunte e Responderemos (Dom Estevão Bettencourt, osb).
Blog Observatório da perseguição.
Jornal O Lutador.
Arquivos do Youtube.

3 comentários:

  1. La hierarquia catolica en Mexico han traido lo pueblo catolico, eso es una vergona para los obispos del Mexico. El pueblo que enpunara armas por la fe fuera traido por sus padres. Valha-nos Dios!

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