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domingo, 26 de julho de 2009

Igreja muda ritos para evitar contágio da gripe A


William Cardoso
Do Diário do Grande ABC

A gripe suína ganha força neste inverno e já provoca mudanças até mesmo na Igreja Católica. O bispo da Diocese de Santo André, dom Nelson Westrupp, tomou uma medida inédita até o momento: para evitar o contágio entre fiéis, distribuiu comunicado recomendando que a hóstia não seja entregue na boca, que não se reze o Pai-Nosso de mãos dadas e que se suspenda o abraço da paz durante as missas no Grande ABC.

O contato espontâneo pode ocorrer a partir do momento em que os dedos do padre toquem a saliva de um fiel contaminado, levando até outro durante a comunhão. A oração de mãos dadas também favorece a transmissão do vírus influenza A (H1N1), assim como o abraço efusivo.

A preocupação de dom Nelson aumentou na última semana e a ideia de alertar os católicos durante as missas surgiu de forma espontânea. "Foi algo que brotou do meu coração, como um desejo de colaborar com as pessoas. A intenção é de, sobretudo, ajudar a população", explicou.

O bispo lembra que as recomendações não alteram a celebração e que tem autoridade suficiente para fazer as modificações na diocese, por não infringir leis universais da Igreja. "São pontos que não vão mudar em nada a substância, a própria essência da missa."

O líder católico lembra que, durante a gripe espanhola (1918), o interior de igrejas favoreceu a disseminação do vírus, por facilitar a agloremação de multidões em ambiente fechado. Baseado nisto, dom Nelson pode até mesmo solicitar a suspensão das missas em um limite extremo, caso o quadro se torne insustentável. "Temos que defender o bem maior, que é o dom da vida. Foi dado por Deus e podemos louvá-lo também em casa."

Relutância - As recomendações encontram resistência entre fiéis mais tradicionais. A aposentada Ana Maria de Oliveira, 65 anos, rezava na tarde de ontem na Matriz de São Bernardo e se dizia imune à doença. "Vou continuar a dar o abraço durante a missa. É algo que recebi da minha mãe. Estou protegida."

Na mesma paróquia, o padre Ervínio Vivian afirmou serem importantes as recomendações e que vai informar aos fiéis, especialmente nas missas dominicais. "As pessoas percebem mudanças no cotidiano. Isso choca e ao mesmo tempo conscientiza."

O choque visto como positivo por padre Ervínio é motivo de preocupação para o padre Nivaldo Lenzi. Na Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Santo André, ele se absteve de passar recomendações diretamente aos frequentadores da igreja no horário do almoço. Acredita que se pode criar pânico, por isso pretende utilizar pessoas próximas para falar aos congregados. "Temo apavorar a todos. E não se deve perder a alegria da celebração."

Para dom Nelson, a preocupação é outra. "Temos de ter simplicidade. Não dá para complicar. É algo maior que está em jogo, por isso a importância das recomendações."

1 comentários:

  1. Atitude muito nobre do Padre. Ele fez muito bem...tem que zelar pela vida do próximo mesmo. Na minha opnião o dom Nelson está corretíssimo!!

    Parabéns pelo excelente blog.

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