ÚLTIMAS POSTAGENS

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A origem dos Ritos Litúrgicos

Por Monsenhor Pedro Arbex

nos quatro primeiros séculos

Dos numerosos documentos que temos sobre as celebrações litúrgicas nos quatro primeiros séculos - como, por exemplo, a Didaqué (ano 90), a Apologia de São Justino (cerca de 150), as homilias de Orígenes (+254-255), as Constituições Apostólicas (entre 370 e 410) - pode-se concluir que em todas as Igrejas (Roma, Alexandria, Antioquia e norte da África) havia grande uniformidade nas linhas gerais, isto é:

  1. Liturgia dos catecúmenos com leituras, homilia, e oração.
  2. Liturgia dos fiéis com ósculo da paz, súplicas, anáfora ou ofertório, narração da última ceia, consagração, anamnese e comunhão.

Esta uniformidade restringia-se, todavia, às linhas gerais, pois o celebrante tinha grande liberdade na composição das orações e na ordenação dos pormenores rituais: desenvolvendo o mesmo tema (Ação de Graças pelos dons recebidos), cada celebrante o fazia a seu modo, por isso temos fórmulas parecidas no fundo e diferentes na forma.

Esta liberdade, porém, não será um obstáculo à unificação progressiva das celebrações: Com efeito, as cerimônias repetidas freqüentemente tornam-se costumes fixos, ritos mais imponentes e mais complicados que dificilmente o celebrante poderia modificar. Quanto às orações, o bispo ou sacerdote devia seguir uma norma geral no desenvolvimento das idéias; e quem reza pelas mesmas intenções acaba, forçosamente, repetindo as mesmas palavras; e fórmulas repetidas por muitos tornam-se tradicionais, especialmente se provenientes de grandes bispos: seus discípulos ou sucessores as guardarão com respeito e fidelidade.

Outra causa para esta unificação foi a influência das grandes metrópoles. As Igrejas de Antioquia, de Alexandria e de Roma empenhavam-se em propagar a fé cristã nas regiões vizinhas. As novas Igrejas adotavam os usos litúrgicos da Igreja-Mãe que as fundou. E assim os vários ritos foram conhecidos pelo nome da grande Igreja que os usava: Rito Antioqueno, Rito Alexandrino, Rito Romano, Rito Bizantino (relativo a Bizâncio-Constantinopla).

A partir do século V:

No fim do século IV e começo do século V encontram-se quase definitivamente constituídas 3 famílias litúrgicas, ou ritos, conhecidas pelos nomes das 3 grandes Igrejas patriarcais, a saber: o Rito Romano; o Rito Alexandrino e o Rito Antioqueno. O primeiro e suas ramificações formam o que se convencionou chamar ritos ocidentais e os dois últimos, ritos orientais.

1. O Rito Ocidental ou Latino teve duas ramificações principais: o rito romano (em uso em Roma) e o rito galicano (na Gália). Este último dividiu-se, dando origem ao rito celta (Ilhas Britânicas), africano do norte, moçárabe e ambrosiano. Atualmente o Rito Latino apresenta três liturgias: a romana, a mais importante e que inclui vários costumes particulares de dioceses e ordens religiosas (como, por exemplo, os das dioceses de Braga, em Portugal, e de Lyon, na França; e os dos Dominicanos, dos Beneditinos etc.). A moçárabe, em uso nas Catedrais de Toledo e Salamanca, na Espanha; e o ambrosiano, em uso em Milão e proximidades, na Itália.

2. Ao Rito Alexandrino, pertencem atualmente o Rito Copta, no Egito; e o Rito Etíope, ou Abissínio, na Etiópia; usados por católicos e não-católicos.

3. Do Rito Antioqueno, derivam a maioria dos ritos orientais em uso atualmente: o Siríaco, o Caldaíno, o Armênio, o Maronita e o Bizantino.

4. O Rito Bizantino

O Rito Bizantino tira o seu nome de Bizâncio, cidadezinha situada sobre o Bósforo, aos confins da Europa e da Ásia (na Antiga Ásia Menor, a atual Turquia). Constantino Magno transformou-a em cidade grande e lhe deu seu nome: Constantinopla, cidade de Constantino. Inaugurada em 330, passou a ser a Capital do Império Romano Oriental. Um de seus grandes e santos bispos foi São João Crisóstomo (398-404), morto no exílio em 407.

A Liturgia de Antioquia chegou até ela com as particularidades introduzidas por Cesaréia de Capadócia, sede episcopal de São Basílio Magno, (+379). Em razão da centralização civil e religiosa levada a efeito por Constantinopla, e das prerrogativas que lhe outorgavam os Concílios Ecumênicos de Constantinopla (381) e de Calcedônia (451, cânon 28) dando-lhe o nome de Nova Roma e o primeiro lugar após esta última, a cidade imperial tomou a preeminência no Oriente e as inovações, para serem legítimas, deviam ser aprovadas por ela; o Rito da capital difundiu-se rapidamente pelas províncias mais longínquas do Oriente Cristão, pela Europa e pela Ásia. No século XIII os patriarcados melquitas de Alexandria, de Jerusalém, de Antioquia, abandonaram seu antigo rito para adotar o de Bizâncio.

Em nossos dias seguem este rito mais de 200 milhões de fiéis entre católicos e ortodoxos, espalhados pelo mundo inteiro, até nas Américas. "Pode-se afirmar que, hoje, do ponto de vista da extensão geográfica e do número de fiéis, Rito Bizantino equivale a Rito Oriental, quase como Rito Romano a Rito Ocidental" (Salaville).

"Conhecer, venerar e conservar e fomentar o riquíssimo patrimônio litúrgico e espiritual dos orientais é de máxima importância para guardar fielmente a plenitude da tradição crista e realizar a reconciliação dos cristãos orientais e ocidentais (Decreto sobre Ecumenismo, 1_1)

"Longe de obstar a unidade da Igreja, certa diversidade de costumes e usos ... Antes aumenta-lhe o decoro e contribui não pouco para cumprir sua missão" (Decreto sobre Ecumenismo, 16).

Há no Rito Bizantino três liturgias:

  1. 1. A Liturgia dos Pré-santificados: é antes um ofício de Comunhão solene. É celebrada às 4as e 6as feiras da quaresma, nas Catedrais.
  2. 2. A Liturgia de São Basílio.
  3. 3. A Liturgia de São João Crisóstomo.

Esta última seria uma abreviação da de São Basílio. É ela que se celebra quase todos os dias e que vamos tentar explicar.

A Missa de São João Crisóstomo

A Missa de São João Crisóstomo divide-se em 3 partes:

  1. A preparação das oferendas ou da matéria do sacrifício
  2. A Liturgia dos Catecúmenos ou Liturgia da Palavra.
  3. A Liturgia dos Fiéis ou Liturgia Eucarística.

Simbolismo

As cerimônias da Missa são cheias de simbolismo. E não é de estranhar, pois o próprio Cristo, como vimos, quis que a Eucaristia seja um memorial da sua paixão, morte e ressurreição. E a Igreja ordenou a Divina Liturgia de modo a nos lembrar a pessoa do Salvador e os mistérios da sua vida sobre a terra.
Quanto ao simbolismo, divide-se a Missa em quatro partes:

  • A primeira vai da preparação até a procissão do Santo Evangelho, e simboliza a vida oculta de Cristo.
  • A segunda parte vai da procissão do Evangelho até a procissão do ofertório, e simboliza a vida pública de Cristo.
  • A terceira parte vai da procissão do Ofertório até depois da Comunhão, e simboliza a vida padecente de Cristo (Paixão e morte).
  • A quarta parte vai de depois da Comunhão até o fim, e simboliza a vida gloriosa de Cristo.

Celebração de frente para o povo

Na Liturgia Romana renovada o Celebrante é considerado como o Presidente da Assembléia, o anfitrião dos comensais na mesa do Senhor. Por isso lhe é recomendado (não prescrito) celebrar de frente para o povo.

Na Liturgia Bizantina o Celebrante é considerado mais como o guia, o introdutor dos fiéis ao banquete eucarístico, e seu porta-voz na sua audiência com Deus; como o pastor que "caminha diante do rebanho" para conduzi-lo às fontes da graça e da salvação. Ele é Cristo caminhando adiante de seus discípulos, quando subia a Jerusalém ao encontro de sua paixão e morte (Mc 10,32) que vai renovar misticamente sobre o Altar. Por isso não se adotou o uso de celebrar de frente para o povo. A Liturgia não é unicamente Ceia, é também sacrifício.

Freqüentemente, porém, o celebrante volta-se para a Assembléia para transmitir-lhe os ensinamentos e os preceitos do Mestre e desejar-lhe a paz. Duas vezes anda no meio dela como fazia Cristo (procissão do Evangelho e procissão do Ofertório).

0 comentários:

Postar um comentário

Apostolado Shemá
Seja nosso parceiro. Cole o código em seu blog.

VISITE TAMBÉM