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segunda-feira, 4 de maio de 2009

DO IT YOURSELF!



Por: Estevan Gracia Gonçalves


É verdade. Hoje vivemos as "benesses" de uma máxima cultural que surgiu na década de 1970 e se enraizou em todos os aspectos da cultura e da tecnologia. A cultura do "Faça você mesmo".

Influenciou a música, surgindo com o punk-rock em contraste com o chamado rock progressivo. Saltou da música para a mídia impressa. E surgiram os Fanzines em contraposição às revistas especializadas.

Passou rapidinho para a tecnologia com um tal Bill Gates popularizando o computador e, a partir daí o desenvolvimento de interfaces acessíveis, linguagens de programação simplificadas, a linguagem hipertextual, a internet e o que temos?

Um estúdio musical completo no quarto do seu filho de 17 anos que produziu seu próprio Cd a um custo de 0,70 centavos por unidade, uma editora no escritório do lado do banheiro do andar de cima, sua própria rádio disponibilizada em forma de podcasts ou então tocando ao vivo com programas de broadcast caseiros e até mesmo sua própria rede de televisão distribuída via Youtube. Blogs, Sites, Perfis em sites de relacionamento e, de repente todos tem seu pequeno espaço para expressar suas próprias opiniões.

O fato é que essa pequena revolução "Do it yourself" invadiu todos os campos da existência humana, moldou de modo quase irreversível o pensamento coletivo e não poderia deixar de penetrar no campo religioso também. Da mesma forma que não é mais necessário recorrer às grandes gravadoras para ter acesso a uma banda ou mesmo para divulgar a própria música, ou conseguir emprego em uma grande editora para distribuir seu próprio livro, julga-se que não é mais necessário uma grande religião para se aproximar de Deus. É o "Deus Do it Yourself".

Faça sua própria religião. Monte seu Deus aqui. Quer um Deus como? O que quer que Deus permita e o que quer que Deus proíba? Quando nos dizem que não podemos fazer nós mesmos, então nos revoltamos. Quem é você para me proibir?

Se por um lado, o cultura do "faça você mesmo" trouxe grandes avanços à liberdade de expressão e a vários campos da humanidade, por outro lado fez vir à tona o individualismo na sua pior forma. O culto à própria personalidade nunca esteve tão em voga como hoje. Um exemplo emblemático é o fato de que hoje, as pessoas se preocupam muito mais com a própria estética do que com a manutenção social. É mais barato gastar trezentos reais com uma escova progressiva do que gastar o mesmo dinheiro com cestas básicas para alimentar moradores de rua. Arranja-se um dia inteiro para cuidar da própria aparência, mas não conseguimos uma hora para trabalho voluntário. De fato essa comparação sequer existe na mentalidade do povo "Do It Yourself".

Nesse culto do "Eu supremo" não é possível compreender situações que exijam um mínimo senso de coletividade. Por isso mesmo encontramos pessoas que afirmam que na religião o importante é Jesus e não a Igreja. Que escolhem qual aspecto da religião querem aceitar e qual devem rejeitar e declaram ser sua escolha uma verdade absoluta. São o seu próprio "Papa Do It Yourself". Instâncias máximas de suas próprias e indiscutíveis verdades. E assim, reduzem o conceito absoluto de Deus - ser pessoal e único, anterior à criação - a uma mera especulação filosófica. Uma abstração que eu posso moldar como quero. Fast Food do Burger King onde escolho se quero meu Deus com ou sem picles, com um ou dois hamburgeres.

Nesse contexto, o Cristianismo só é atraente se ele me oferece alguma vantagem pessoal. Aceito Jesus se ele me der um carro novo, ou me deixar próspero e rico. O Jesus que me leva na direção do miserável, do doente, do leproso, que me encaminha para o chicote e para o martírio é sumariamente rejeitado.

Vivemos em um mundo "Do It Yourself". E por isso mesmo, estamos rodeados de "gente Do It Yourself". Políticos "Do It Yourself". Religiosos "Do It Yourself". Todos às voltas com sua própria concepção de mundo e com a manutenção de si mesmos a todo custo. Nesse mundo em que vivemos, desviar verbas públicas para construir castelos particulares, satisfazer-se com amantes em detrimento da esposa, adulterar a nota fiscal do almoço pago pela empresa para ficar com o troco, acelerar para impedir a ultrapassagem na estrada, matar os filhos no ventre para não colher as consequências do ato mal pensado, passar para trás o sócio ingênuo, tudo isso é válido, perdoável e até mesmo reformulado com termos mais brandos como "interromper a gravidez", "dar um jeitinho", "viver no mundo que é dos espertos", "ser arrojado".

Diante dessa realidade é sim necessário ter uma fé radical. Optar radicalmente por viver em comunidade. Uma comunidade viva que não é outra coisa senão o próprio Corpo de Cristo. Ser radical nessa proposta. Na proposta de ser Igreja. Partilhar aquilo que Ela mesma nos transmite, sua Doutrina, nos tornando - como um sinal de contradição nesses tempos individualistas - membros uns dos outros, uma coletividade.

Obrigado, Charles por me estimular a refletir sobre isso.

Paz e bem.

Mensagem postada na comunidade do Orkut (Católicos não adoram imagens)

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