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quinta-feira, 28 de maio de 2009

O Desenvolvimento da Missa na Igreja Primitiva:

Por Monsenhor Pedro Arbex

A Missa Através dos Tempos

Nos tempos apostólicos:

Sobre a celebração da Missa nos tempos apostólicos, encontramos algumas informações nos Atos dos Apóstolos, e nas Epístolas de São Paulo. Não nos fornecem, porém, uma descrição completa da liturgia primitiva, mas somente alusões ou referências esparsas que, juntadas, nos permitem, a certo ponto, ter uma idéia da maneira como os Apóstolos e seus primeiros sucessores celebraram a liturgia. Dizemos "a certo ponto", porque naquela época não havia ainda ritos rigorosamente unificados, determinados com antecedência e dados por oficiais e obrigatórios.

Os cristãos de origem judaica continuam durante um período não muito breve, a tomar parte no serviço religioso que se realizava no Templo de Jerusalém ou nas sinagogas, promovendo, porém, reuniões próprias, em casas particulares, para render a Deus o culto de acordo com sua nova fé. E, quando se afastaram definitivamente da sinagoga, não deixaram de seguir a mesma ordem que os judeus no serviço religioso, ou seja: leituras da Bíblia com uma homilia sobre o texto lido, canto dos salmos e orações. Esta parte herdada dos judeus - constitui o núcleo da primeira parte da nossa missa, conhecida como "Liturgia dos Catecúmenos" ou "Liturgia da Palavra". A este serviço religioso da Sinagoga, foram-se acrescentando elementos novos próprios às reuniões cristãs, que são:

1. O Ágape ou Ceia Fraternal que os cristãos tomavam no início das suas reuniões e do qual fala São Paulo em sua primeira epístola aos Corintios 11,20-21.

2. Certas manifestações de carismas ou dons espirituais que acompanhavam nos primeiros anos do cristianismo a efusão do Espírito Santo, como o dom da profecia e das línguas (1 Cor 12,13,14). O dom das línguas era a capacidade de falar em línguas desconhecidas até daquele mesmo que falava. Em excesso de entusiasmo e de gestos, o glossólago* cantava os louvores a Deus. Claro que não aproveitava ao próximo. Mas, como dava muito na vista, era muito desejado dos Corintios. Profecia, aqui, é sobretudo a pregação inspirada para "edificar, exortar e consolar". Por suas funções de utilidade comum, o Apóstolo lhe confere primazia sobre o dom das línguas. "Desejo que todos vós faleis línguas; mais ainda que profetizeis. Pois quem profetiza é superior a quem fala línguas - a não ser que ele traduza, para que a Igreja receba edificação" (14,5).

"Se dizes um louvor só em espírito, como poderá o não iniciado dizer o Amém à tua ação de graças. Porque ele não sabe o que dizes. Tu darás muito bem graças, porém o outro não se edifica. Dou graças a Deus que falo em línguas mais do que todos vós; porém, na Igreja, prefiro falar dez palavras inteligíveis para instruir aos outros do que dez mil palavras em línguas (estranhas)" (14,16-19).

[...]

3. A Ceia do Senhor que se celebrava especialmente aos domingos e na qual se fazia a consagração do pão e do vinho seguida da comunhão.

O Ágape e a manifestação dos carismas desapareceram rapidamente da Igreja por causa do desvirtuamento da sua finalidade: com efeito, no início os fiéis mais ricos traziam o necessário para a mesa, a que todos se assentavam como irmãos, numa demonstração de unidade e caridade cristã. Logo, porém, surgiram os abusos que o Apóstolo censura: não punham mais em comum, mas cada um comia o que levava; e os pobres, que nada podiam levar, ficavam com fome e humilhados; houve também excessos na bebida e desordens na manifestação dos carismas.

São Paulo censura nos Coríntios os abusos aos quais se entregaram, lembrando-lhes que não lhes ensinou a promover banquetes dominados pelo egoísmo e pela desordem, mas sim a fazer o que o Senhor Jesus fez na noite em que foi entregue, isto é, que competia àquele que preside a reunião tomar pão, benzê-lo, parti-lo, consagrá-lo com as mesmas palavras que Cristo pronunciou, comungar dele e distribuí-lo aos fiéis; e fazer o mesmo com o cálice.

Para dar uma significação mais clara a estes ritos e sobretudo para fazer compreender mais facilmente o verdadeiro sentido das palavras "isto é meu corpo..., isto é meu sangue...", o celebrante fazia a narração dos atos pelos quais Cristo instituiu a Eucaristia, na última Ceia, de modo que as palavras "isto é meu corpo, ... isto é meu sangue..." vinham em seu lugar como pronunciadas por Cristo pela boca do sacerdote (presbítero).

O preceito do Senhor: "Fazei isto em memória de mim", acrescentado após a consagração do cálice, dava ensejo à recordação da Paixão, da Morte, da Ressurreição e da Ascensão do Cristo ao céu.Com efeito, por estes mistérios o Salvador se ofereceu em sacrifício a Deus Pai. Assim também o celebrante, reproduzindo estes ritos e recordando estes mistérios, oferecia a mesma vítima ao Pai. Eis a origem natural da oração que segue as palavras da consagração em todas as liturgias: e anamnese (ou lembrança): Lembrando-nos deste [...].

Para a época que seguiu a morte dos Apóstolos, um dos documentos mais antigos e mais interessantes é uma apologia dos cristãos escrita por São Justino, que morreu em 165. Entre 150 e 155 dirigiu ele ao imperador Romano Antonino sua primeira apologia na qual descreve o que se pratica nas assembléias cristãs, a fim de mostrar que as atrocidades que lhes são atribuídas pelos pagãos são puras calúnias. Nele refere-se duas vezes às celebrações eucarísticas. Não nos transmite um texto completo da liturgia nem fórmulas de orações ou de exortações eucarísticas, mas a seqüência detalhada dos atos praticados nestas assembléias e a maneira como era celebrada a Eucaristia em Roma e nos países onde ele viveu, a Palestina (onde nasceu) e o Egito.

Eis sua descrição de uma reunião dominical:

  1. No dia dito do sol (domingo) reúnem-se em um mesmo lugar todos os cristãos, os que residem nas cidades e os que residem no campo.
  2. O leitor lê trechos tirados das memórias dos Apóstolos (Novo Testamento) e dos livros dos Profetas (Antigo Testamento).
  3. Terminada a leitura, aquele que preside toma a palavra para explicar aos presentes o que foi lido e exortá-los a pôr em prática tão belos ensinamentos (homilia).
  4. Em seguida, levantamo-nos todos e dirigimos a Deus orações e súplicas (súplica insistente ou ecteni, após o Evangelho).
  5. Suspendendo as orações, abraçamo-nos uns aos outros (Ósculo da paz).
  6. Depois levam àquele que preside a reunião dos irmãos em Cristo, pão e um cálice contendo vinho, misturado com água (Procissão do ofertório).
  7. O Presidente toma o pão e o cálice, louva e glorifica o Pai do universo em nome de seu Filho e Espírito Santo; dirige-lhe abundantes ações de graças por ter-se dignado dar-nos estes dons (Anáfora).
  8. Terminada esta ação de graças (Eucaristia) todos os presentes exclamam: Amém.
  9. Depois os ministros que chamamos diáconos distribuem a todos os presentes o pão da Eucaristia e o vinho misturado com água (Comunhão). Estes mesmos diáconos levam aos ausentes sua parte do pão e do vinho eucarísticos.
  10. Por fim, os ricos socorrem os indigentes (Coletas).

A partir do século IV as alusões à Eucaristia são mais numerosas mas menos precisas por causa da disciplina do "Arcano" ou segredo, que foi adotada pela Igreja e que proibia falar da Eucaristia aos não-cristãos.

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