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quarta-feira, 6 de maio de 2009

A Igreja Católica e o Cisma da Igreja Ortodoxa.

Por Nilson Pereira dos Santos Júnior

Introdução - o Acontecimento Histórico:

16 de julho de 1054.


O cisma começou com a seguinte fórmula:


No ano de 857 era Patriarca de Constantinopla um Bispo piedoso e reto chamado Inácio. Porque se negou a aprovar certas arbitrariedades do imperador Bardas, foi deposto do seu cargo e substituído pelo ambicioso Fócio. Os Papas Nicolau I, João VIII e Martinho I quiseram trazê-lo à obediência e ao bom caminho e repor Inácio no seu lugar. Fócio não se submeteu e levou os búlgaros à rebeldia. Não fez caso da excomunhão que contra ele lançaram os Papas. O cisma acalmou porque o imperador de Constantinopla depois o prendeu.

Passados duzentos anos, o Patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário rompeu com Roma e declarou-se único chefe da Igreja no Oriente. A 16 de julho de 1054 os legados pontifícios excomungaram o Patriarca Miguel Cerulário, que reagiu "excomungando" o Papa e todos os Cristãos que lhe obedeciam. Assim se originou o cisma do Oriente que dividiu a Cristandade e que dura até os nossos dias. A separação foi favorecida por diversas causas: o desejo dos imperadores de Constantinopla de terem uma Igreja às suas ordens (cesaropapismo), língua e cultura diferentes, dificuldade de comunicações e de compreensão, a ação dos Cruzados, em especial da IV Cruzada, durante a qual, Constantinopla foi infelizmente posta a saques, vexados e oprimidos os Cristãos orientais.

As conseqüências do Cisma:

Não existe Igreja Ortodoxa separada da Igreja Católica, existem sim as igrejas particulares do Oriente, que devido ao Cisma de 1054 se auto-denominaram ortodoxas, no entanto, Igreja Ortodoxa no sentido pleno só existe na Igreja Católica, da qual fazem parte todas as Igrejas Apostólicas, do Ocidente e do Oriente em plena comunhão com a Sé Romana.
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Estas Igrejas, do Oriente que comumente chamamos de "Igreja Ortodoxa", embora separadas, têm verdadeiros sacramentos e sobretudo, em virtude da sucessão apostólica, o Sacerdócio e a Eucaristia, por meio dos quais continuam ainda unidas a nós por “estreitíssimos vínculos". Merecem o título de "Igrejas particulares ou locais", e são chamadas Igrejas irmãs das Igrejas particulares católicas.

Antes de qualquer coisa temos que ter a consciência que o Concílio de Nicéia I definiu a ordem de honra e autoridade dos Patriarcados: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia, Jerusalém.

Vejamos o seguinte trecho recebido via E-mail por um membro da Igreja Ortodoxa da Polônia:

“A diferença fundamental é a questão da infalibilidade papal e a pretensa supremacia universal da jurisdição de Roma, que a Igreja Ortodoxa não admite, pois ferem frontalmente a Sagrada Escritura e a Santa Tradição.”

Vejamos esta Citação: "Segundo a Tradição, o bispo de Roma é o primeiro bispo de toda a Igreja. A dificuldade a respeito do primado petrino está no fato de que ele implica uma jurisdição universal pela qual o papa pode interferir na Igreja local. (Joannis Zizioulas, metropolita de Pérgamo, na Turquia, é um dos teólogos ortodoxos mais respeitados no Mundo)
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E é mesmo, vejamos estas Citações da Tradição da Igreja:

"Jesus disse [a Pedro] ‘Alimenta minhas ovelhas’. "Por que Jesus não leva em conta aos demais Apóstolos e fala do rebanho somente a Pedro? "Porque ele foi escolhido entre os Apóstolos, ele foi a boca de seus discípulos, o líder do coro. Foi por essa razão que Paulo foi procurar a Pedro antes que aos demais. E também o Senhor fez isso para demonstrar que ele devia ter confiança, uma vez que a negação de Pedro havia sido perdoada. Jesus lhe confia o governo sobre seus irmãos... Se alguém perguntar "Por que então foi Santiago quem recebeu a Sé de Jerusalem?", eu lhe responderia que Pedro foi constituído mestre não de uma Sé, mas do mundo todo” (São João Crisótomo)

"preside à irmandade de amor" “A onde está Pedro, ali está o Cristo e ali está a Igreja Católica”.
(Santo Inácio aos romanos)

"cátedra de Pedro, é a igreja principal da qual nasce a unidade episcopal"(ad Petri cathedram et ad ecclesiam principalem unde unitas sacerdotalis exorta est).
(São Cipriano)


Essa contestação é facilmente derrubada também pelos próprios Patriarcas Orientais na era pré-cisma que afirmam que sempre houve a Jurisdição Universal do Papa:

Macedônio, patriarca de Constantinopla:
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"Macedonius declarou, quando designado pelo Imperador Anastasius para condenar o Concilio de Calcedonia, que 'tal passo sem um Sínodo Ecumênico presidido pelo Papa de Roma é impossível.'
" (Macedonius, Migne PG 108:360a [Theophan Chronogr, pagina 234-346])
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João VI, patriarca de Constantinopla:
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"O Papa de Roma, a cabeça do sacerdócio cristão, quem em Pedro, o Senhor ordenou para confirmar os seus irmãos [Luke 22:31-32]."
(John VI, anúncio de Epist anúncio de Constantin Pap Combefis Auctuar Bibl)

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São Nicéforo, Patriarca de Constantinopla:
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"Sem que os Romanos que presidem o Sétimo Concilio uma doutrina apresentada na Igreja não poderia, embora confirmada por decretos canônicos e pelo uso eclesiástico, alguma vez obter a aprovação total ou a aceitação geral. Já que são eles (os Papas de Roma) quem tiveram destinado a eles a regra em coisas sagradas, e quem receberam nas suas mãos a dignidade da Chefia entre os Apóstolos."
(Santo. Nicephorus, Niceph Cpl pro s imag c 25)
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São Teodoro Estudita, chefe do mais importante mosteiro de Constantinopla, escreve nesses termos ao Papa São Leão Magno:
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"Já que o Grande Pedro, Cristo o nosso Senhor deu o ofício de Chefe Pastor depois de confiar-lhe as chaves do Reino do Céu, a Pedro ou ao seu sucessor, deve inevitavelmente toda novidade na Igreja Católica ser notificada. [Por isso], salve nós, oh mais divina Cabeça das Cabeças, o Chefe Pastor da Igreja do Céu." (Santo. Theodore, Reserve I, Epístola 23)

Escreve a São Pascal, Papa, reconhecendo o poder de jurusdição papal:
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"Ouça, ó Cabeça dos Apóstolos, divinamente escolhido Pastor das ovelhas de Cristo, Guardião das Chaves do Reino do Céu, a Rocha da Fé sobre a qual a Igreja Católica é construída. Pois Pedro és tu, quem adorna e governa a Cadeira de Pedro. Deste lado, então, do Oeste, o imitador de Cristo, surge e repele não para sempre. A ti falará Cristo o nosso Senhor: 'e eu um dia sendo convertido, converta os os seus irmãos.' Observe a hora e o lugar. Ajude-nos, tu que és estabelecido por Deus para isto." (Carta dos Santos. Theodore e Quatro Abades ao Papa Pascoal, Reserve 2, Epístola 12, Migne PG 99:1152-3)

No Concílio de Calcedônia temos o polêmico caso do Canôn 28, que segundo os cristãos orientais das igrejas particulares sem plena comunhão com a Sé Romana, coloca a Sé de Constantinopla em igualdade de honra com a Sé Apostólica (a Sé Romana), o que não é verdade, vejamos o que esse canôn 28 nos traz:

"...Os padres concordaram que a Nova Roma, honrada [pela residência] do imperador e do senado, e gozando dos mesmos privilégios que a antiga cidade imperial, deve possuir as mesmas vantagens na esfera eclesiástica e ser a segunda após ela". (Hefele-Leclerq "Histoire des Conciles" t. II b, p. 815)
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Notamos que Constantinopla, uma Sé importantíssima que de maneira honrada e dedicada guardava com temor e zelo o Depósito de Fé a ela confiada nesse Concílio recebe a solene confirmação da honra de ficar como a "segunda após Roma"! E de modo algum uma condição de paridade, como ficou decidido em Nicéia I.
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É importante ressaltar que o próprio Concílio em plenário solicitou a aprovação do Papa para o referido cânon:


Nós te pedimos que te dignes dar tua confirmação a esta decisão e, assim como nós nos submetemos a ti, que és a cabeça, temos confiança de que a cabeça consentirá aos filhos o que convém". (Inter Leonis Epist. XCVIII, PL LIV col. 960)

"Para provar que não agimos nem por parcialidade em favor de alguém, nem por espírito de oposição contra quem quer que seja, te damos a conhecer toda a nossa conduta, a fim de que a confirmes e dês o teu assentimento". (Hefele-Leclerq "Histoire des Conciles" t. II b, p. 837)´

Sobre a Contestação da Infabilidade Papal quando se Pronuncia em “Ex Cathedra”:

Temos que começar lembrando que os pronunciamentos “Ex Cathedra” vêm antes mesmo do Cisma de 1054, o que é omitido por partes dos Ortodoxos.

1 – Em 449, a carta do Papa São Leão Magno à Flaviano, Bispo de Constantinopla, expunha a sã Doutrina sobre o Mistério da Encarnação “em Cristo há uma só pessoa (divina) e duas naturezas (divina e humana).

2 – Em 680, a carta do Papa S. Agatão “aos imperadores” afirmava, em termos definitivos, haver em Cristo duas vontades distintas, a Divina e a Humana, sendo porém, que a vontade humana está sempre submissa a vontade Divina.

Como vimos, o Papa sempre se manifestou de modo definitivo e irrevogável como líder supremo da Igreja de Cristo, mesmo antes do Cisma de 1054, como pode agora os Ortodoxos não se lembrarem de tais acontecimentos?

Ainda sobre o E-mail recebido pelo ortodoxo da Igreja ortodoxa da Polônia temos:

I. A Virgem Maria, igual às demais criaturas, foi concebida em estado de pecado original. A Igreja Romana, por definição do papa Pio IX, no ano de 1854, proclamou como "dogma" de fé a Imaculada Concepção.

É lógico que não podemos cobrar dos ortodoxos os Dogmas proclamados na era pós-Cisma, mas colocar o Dogma da Imaculada Conceição como contrario a Tradição e a Escritura é muito ilógico, pois o Dogma é baseado tanto na Escrityura quanto na Tradição.

II. A Igreja Ortodoxa nega a existência do limbo e do purgatório.


A doutrina do Purgatório e do Limbo é fundamentada tanto na Tradição quanto na Escritura. Estas contestações estão fora do campo Teológico. Podemos ver claramente que os ortodoxos negam as penas temporais e as indulgências juntamente com o purgatório e o Limbo.

III. A Igreja Ortodoxa não admite a existência de um Juízo Particular para apreciar o destino das almas, logo após a morte, mas um só Juízo Universal.

A negação do Juízo particular é a mesma posição do protestantismo, que julgam haver somente o juízo final, porém nem se menciona a questão do intervalo que existe da morte e da Ressurreição dos corpos e o juízo Final.

Como vimos os as contestações feitas pelos ortodoxos foram rebatidas com base na doutrina da Igreja, na Tradição, e nos discursos dos próprios Patriarcas orientais na era pré-cisma. Fiquemos assim, na certeza que a Igreja de Cristo, na Infalibilidade, confiada ao sucessor de Pedro, venha a ter a conversão de todos os Cristãos, a verdade que é o próprio Cristo.

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