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sexta-feira, 3 de abril de 2009

PARAMENTOS ANTIGOS parte II

A TIARA PAPAL

Tradicionalmente, a palavra "tiara" refere-se a uma espécie de coroa, de forma alta, freqüentemente de forma cônica, afunilada para o lado do cimo, feita de tecido, couro ou metal e ricamente ornamentada. tiara papal (também conhecida como Tiara Tripla ou Triregnum) é uma tiara com três coroas, rematada por um globo encimado por uma cruz, usada pelo Papas como símbolo de sua autoridade e poder específicos e únicos É distinta da mitra , insígnia litúrgica própria dos bispos, portada igualmente pelos Papas.
Originalmente a tiara era uma cobertura cônica, de tecido bem engomado, forrada, sendo que no período gótico o cone de tecido foi substituído pelo de metal. A tiara, portanto, é uma cobertura de cabeça elevada, geralmente de prata, portando três coroas de ouro, terminada em ogiva , quase sempre, sobreposta por um globo e uma cruz. Atrás, como a mitra, há duas ínfulas, que são fitas franjadas caídas sobre a nuca, marcadas cada uma com uma cruz. A forma da tiara variou no decorrer dos séculos, apresentando-se mais ou menos bojuda, com ou sem globo e cruz, e também quanto à posição das ínfulas, mais ou menos centralizadas.

A Origem da tiara Papal:

Há discordância entre os autores, quanto à origem da tiara papal. A maioria deles admite ser a tiara originária do ‘’camelauco’’, uma espécie de barrete frígio, cônico, alto, de tecido branco, à moda frígia, que do oriente passou a Roma, simbolizando a liberdade; sendo que, pelo fim do século IV, foi adotado pelos papas. Não se confirmou, historicamente, a tradicional afirmação de que o Papa Silvestre I recebeu de Constantino I o camelauco, em sinal da liberdade da Igreja.

O certo é que os papas usavam, inicialmente o camelauco, símbolo tradicional de soberania no Oriente, com a intenção de portarem uma peça distinta da mitra dos bispos. A tiara era usada pelos reis da Ásia em ocasiões de paradas, sendo que ordinariamente aqueles usavam também uma espécie de mitra. Estando os romanos acostumados com o título de “Pontifex Maximus” dado à mais alta dignidade da religião, que a partir de César Augusto foi incorporado pelo imperador, os papas buscaram estabelecer um vínculo entre o seu poder e os antigos imperadores romanos, assumindo a cobertura de cabeça dos imperadores romanos do Oriente – os únicos imperadores romanos que então restavam – e adotando a idéia dos reis assírios e persas de um “Rei dos Reis”, ou seja um Imperador.

As três coroas da tiara papal:

Os autores também discordam quanto à afirmação de que Papa teria colocado a primeira coroa na base da tiara, sendo que alguns dizem ter sido o Símaco; outros, Leão III ou Nicolau I. Muitos historiadores franceses admitem que esta primeira coroa tenha sido colocada em 1130, sob Inocêncio II, como expressão da soberania papal sobre o Patrimônio de São Pedro. Outra corrente afirma que Clóvis, batizado por volta do ano 498, venceu os visigodos, na Batalha de Vouillé, em 507, graças ao apoio recebido de Anastácio, Imperador do Oriente, que lhe nomeou cônsul e lhe concedeu o uso dos ornamentos correspondentes à dignidade de augusto. Na igreja de São Martinho, em Tours, foi revestido destes ornamentos e teve sua fronte cingida por um diadema, o qual ele ofertou em seguida ao Papa Símaco, constituindo este diadema a primeira coroa da tiara papal (Pfeffel, Histoire d’Allemagne, citada por Anquetil, Histoire de France, Paris 1837, título I, p.323). Este gesto de Clóvis ratificou a afirmação de que a primeira coroa atesta que o Papa é pai dos reis. Assim esta cobertura de cabeça passou a se chamar Regnum. O termo tiara é citado pela primeira vez, na biografia do Papa Pascoal II, no Liber Pontificalis, em 1118. Até o final do século XIII, a primeira coroa era um aro denteado e radiante, quando então passou a ser adornada de florões e folhas de acanto.

Em decorrência do conflito entre Filipe, o Belo, e a Santa Sé; em 1301, o Papa Bonifácio VIII acrescenta uma segunda coroa à tiara papal, para simbolizar a superioridade de sua autoridade espiritual em relação à autoridade civil. Passou a tiara aser donominada Biregnum. Quanto à terceira coroa, com a qual a tiara passou a ser denominada Triregnum, os historiadores divergem quanto à data e quem a acrescentou.

Segundo Pfeffel, foi João XXII que a acrescentou e o Grande Dicionário Histórico (Grand Dictionnaire Historique), de Moreri, nas sua sexta edição, dá o Papa Urbano V , e o Dicionário de Expressões e Fábulas, de Brewer (‘’Brewer's Dictionary of Phrase & Fable’’ - millennium edition) dá como autor deste acréscimo o Papa Bento XI ou Clemente V. Mas, a maioria dos autores admite que, em 1342, o Papa Bento XII acrescenta à tiara sua terceira coroa, para simbolizar a autoridade moral do Papa sobre todos os soberanos civis. Com este ato ele também reafirmou a posse e Avinhão.

As duas ínfulas foram acrescentadas no século XIII, sendo que apenas no início do século XVI foram acrescentados o globo a cruzeta, como se pode ver na tiara de Júlio II. A primeira tiara de metal, surgida no período gótico, causou vicissitudes, em razão do poder temporal que ela representava. Levada para Avinhão, foi reconduzida a Roma, por Gregório XI e, novamente, transferida a Avinhão, por Clemente VII. Passou depois à Espanha, com o antipapa Bento XIII, antes de ser retomada por Martinho V, em 1429, desaparecendo em 1485, quando foi roubada (E. Müntz, La Tiare pontificale du VIIIe au XVIe s. - Mém. de l'Acad. des Inscriptions, 1897).


Durante a época da Revolução e da guerras da Itália, os soldados franceses pilharam muitas tiaras, das quais se perderam os rastros. Restaram entretanto as mais belas: a de Júlio II e de Paulo III.

As tiaras mais antigas foram destruídas, particularmente, a de Júlio II desenhada por Ambrósio Foppa ao custo de duzentos mil ducados, um terço das arrecadações anuais dos Estados Pontifícios, na época em que um pároco recebia vinte e cinco ducados ao ano; e a de São Silvestre Algumas tiaras antigas foram desmanchadas pelos papas outras saqueadas por invasores militares. O Papa Clemente VII mandou fundir todas as tiaras e jóias do papado, em 1527, para reunir os quatrocentos mil ducados pedidos em resgate pelo exército invasor do Imperador Carlos V. O saque realizado pelo exército de Louis Alexandre Berthier, em 1798, subtraiu inúmeras tiaras ao patrimônio dos papas. Demonstrando que a importância da tiara emas pelo que ela representa do que pelo seu valor material, quando Roma estava nas mãos dos franceses, o Papa Pio VII exilado em Veneza, foi coroado a 21 de março de 1800, com uma tiara de papel maché, feita pelas damas da cidade. Em decorrência do Tratado de Tolentino, o Papa Pio VI as entrega em pagamento, conservando apenas a de “papel maché”. Muitas tiaras foram oferecidas aos papas por líderes mundiais e Chefes de Estado, com a rainha Isabel II de Espanha, o kaiser Guilherme II da Alemanha, e o Imperador Francisco José I da Áustria.

Após a concordata, Napoleão oferece uma tiara suntuosa a Pio VII, a chamada “Tiara Napoleônica”, feita com peças das tiaras papais anteriormente pilhadas.



A última tiara usada numa coroação foi a de Paulo VI, que era muito mais cônica que as anteriores, sem jóias e gemas preciosas, e que, seguindo a tradição, foi ofertada ao pontífice eleito pelos fiéis da sua cidade de origem, no caso Milão.
Vinte e duas tiaras papais chegaram aos dias atuais e maioria dela estão em exposição no Vaticano. As mais apreciadas são: a chamada “Tiara Belga” de 1871, a de 1877 e a de 1903.
Simbolismo da tiara papa:

Os autores dão vários significados para as três coroas. Sendo que todos se referem a um triplo poder.

O significado das três coroas evoluiu no decorrer da história. Tradicionalmente, o triplo poder (militar, civil e religioso) era igualmente exprimido por três títulos:

  1. Pai de reis
  2. Regente do Mundo
  3. Vigário de Cristo

A maioria dos autores assim explicam:

  • A primeira coroa é símbolo do poder da Ordem Sagrada, pelo que o Papa é Vigário de Cristo sucessor de São Pedro , nomeando os bispos e sendo, por excelência, o grande Pai da Cristandade.
  • A segunda coroa representa o poder do Jurisdição, em virtude do poder das chaves, ou seja, o de ligar e desligar na terra e no céu.
  • A terceira coroa representa o poder do Magistério, em virtude da infalibilidade papal. Outros autores dizem que as três coroas expressam as três fases da Igreja: militante (na terra), padecente (no purgatório) e triunfante (no céu).


Outra explicação fala das três funções do papa:

  • Sacerdote: (bispo de Roma)
  • Rei: Chefe de Estado soberano
  • Mestre: árbitro e detentor do magistério supremo, dotado de infalibilidade


Ainda temos que o Papa é para os cristãos:

  • Sacerdote soberano
  • Grande juiz
  • Legislador


E por fim, outros dividem as coroas pelos poderes:


Temporal: Chefe de Estado soberano
Espiritual: Chefe da Igreja
Moral: superioridade em relação aos outros poderes do mundo



O uso da tiara papal:


Seu uso sempre foi extra-litúrgico, sendo utilizada na cerimônia de coroação papal e quando o Sumo Pontífice se dirigia e retornava das funções solenes, como por exemplo nas procissões. Era também colocada sobre o lado direito do altar (lado das leituras), nas missas solenes.
Quando usada nas procissões solenes, e quando o Papa era transportado na sede gestatória. Além disso, a tiara era usada nos atos jurídicos solenes, como por exemplo as falas ex cathedra , no uso da infalibilidade papal; e também na tradicional bênção Urbi et Orbi, no Natal e na Páscoa, cerimônias que prescreviam o seu uso.


Desde Clemente V até Paulo VI todos os papas foram corados com a tiara e a usaram como símbolo da sua autoridade, em ocasiões cerimoniais. Os papas não eram limitados a usar somente a sua tiara, sendo que poderiam livremente, usar outras antigas, de seus predecessores, desde que lhes adaptassem o tamanho.


O Papa Paulo VI, doou a sua tiara, que recebera dos fiéis de Milão, para socorro dos pobres da África. Esta tiara foi então adquirida pelos católicos dos Estados Unidos, através do cardeal Francis Joseph Spellman, arcebispo de Nova York, sendo o dinheiro arrecadado destinado às missões africanas. Esta tiara do Paulo VI, desde de 6 de fevereiro de 1968, está exposta na sala dos ”ex votos”, na Basílica da Imaculada Conceição, em Washington, juntamente com uma estola de João XXIII. É a eleição pelo Conclave e a aceitação do eleito que confere, ipso facto, a plena jurisdição do papa. A coroação ou a entronização com o juramento de fidelidade, apenas, marcam o início do ministério petrino, tendo valor apenas simbólico e não jurídico. O Papa João Paulo I não quis ser coroado com a tiara, iniciando seu pontificado com a cerimônia de entronização e juramento de fidelidade. O Papa João Paulo II fez o mesmo. Alguns veículos de comunicação relataram que este papa teria recebido uma tiara dos católicos húngaros, mas que nunca a usou. Mas a cerimônia de coroação não foi oficialmente abolida, ficando a cargo do eleito escolher como quer iniciar seu pontificado. Contudo, desde então, os papas eleitos têm optado por uma cerimônia de "início do pontificado", com a respectiva entronização e o juramento de fidelidade.


No dia 29 de junho, a tiara continua a ser usada na imagem de bronze de São Pedro, na Basílica Vaticana

A coroação papal:

O primeiro papa a ser solenemente coroado, depois de sua eleição, foi Nicolau II, em 1059. As primeiras coroações ocorreram na Arquibasílica de São João Latrão. Porém, tradicionalmente, as coroações passaram a ser na Basílica de São Pedro, sendo que algumas ocorreram em Avinhão. Em 1800. Pio VII foi coroado na igreja do mosteiro beneditino de São Jorge, em Veneza. Desde 1823, todas as coroações ocorreram em Roma, sendo que até a metade do século XIX, voltaram a ser realizadas na Arquibasílica de São João Latrão e depois, novamente, em São Pedro. Os papas Leão XIII e Bento XV foram coroados na Capela Sistina. Pio XI foi coroado na frente do altar-mor da basílica vaticana.
Já, os papas Pio IX, Pio XII, João XXIII e Paulo VI foram todos coroados no balcão principal da basílica, para que a multidão da Praça de São Pedro pudesse visualizar a cerimônia. A primeira coroação a ser filmada e transmitida por rádio foi a de Pio X II, que durou seis horas e contou com a presença de diversos reis, príncipes, chefes de Estado.


A cerimômia


A primeira parte da cerimônia, provavelmente, vem da época em que os papas eram combatentes ativos da ordem temporal. A cerimônia de coroação papal, tradicionalmente era celebrada, na Basílica de São Pedro, ou nas suas vizinhanças, era muito semelhante às cerimônias medievais de Constantinopla.
O papa era levado, processionalmente, ao local da coroação, paramentado de com estola rica e ampla capa pluvial, com mitra preciosa na cabeça, sentado na sede gestatória, sob o pálio, seguido por dois ministros que lhe abanavam com os flabelos.Paulo VI foi coroado, estando paramentado como que para a celebração da missa,com a estola, dalmática, casula, fano e o pálio.
De acordo com o Pontifical Romano, o Cardeal Proto-Diácono, retira a mitra do papa e, ao colocar a tiara na sua cabeça, diz: “Accipe tiaram tribus coronis ornatam et scias te esse Patrem Principum et Regum, Pastorem Orbis in terra, Vicarium Salvatoris nostri Iesu Christi, cui est honor in saecula saeculorum, Amen” (Recebei a tiara, ornada de três coroas e sabei que sois Pai de Príncipes e Reis, pastor de toda a terra e Vigário de Jesus Cristo, nosso Salvador, a quem é dada toda honra por todos os séculos dos séculos. Amém).


A seguir, um monge se apresenta por três vezes diante do novo Sumo Pontífice para queimar, a seus pés, uma mecha de estopa e lhe falar: “Sancte Pater, sic transit gloria mundi” (Santo Padre, assim passa a glória do mundo). As primeiras menções a este ritual remontam ao século XIII, nos escritos do dominicano Estevão de Bourbon (Étienne de Bourbon). O padre e cronista Adão de Usk fala também desta cerimônia em seu Chronicon, quando da coroação do Papa Inocêncio VII. O rito da queima da estopa é de inspiração bizantina, numa lembrança que ao Imperador também chega a morte. Na coroação papal lembra ao Soberano Pontífice que ele é um homem e deve-se guardar de todo orgulho e vaidade. Isto também é um resquício da antiga prática romana quando da parada triumfal, um escravo ficavam lado à lado com um general, lhe murmurando “Hominem te esse” ( Tu também és mortal).


Como já dito, a coroação ou a entronização com o juramento de fidelidade, apenas, marcam o início do ministério petrino, tendo valor apenas simbólico e não jurídico. Também há outras cerimônias como a tomada de posse do Palácio e da Arquibasílica de São João Latrão e a proclamação das indulgências. Contudo, há de observar que não houve uma abolição oficial da cerimônia de coroação.


A legislação


Apesar de ter doado a sua tiara, o Papa Paulo VI, na Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo, de 1975, manteve o rito da coroação, conforme o texto: “Enfim, o Pontífice será coroado pelo Cardeal proto-Diácono e, dentro de um tempo conveniente, tomará posse da patriarcal Arquibasílica Lateranenese, segundo o rito prescrito.Romano Pontifici Eligendo (1975), 92.


Pela legislação atual, promulgada pelo Papa João Paulo II, na sua Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, de 1996, que reviu as regras para a eleição do papa, apenas é citada a cerimônia de inauguração do ministério petrino: "O Pontífice, depois da solene cerimônia de inauguração do Pontificado e dentro de um tempo conveniente, tomará posse da patriarcal Arquibasílica Lateranenese, segundo o rito prescrito.Universi Dominici Gregis (1996), No. 92. Portanto, a terminologia é descritiva, não estabelecendo nenhuma regra quanto à forma da Cerimônia.Todavia, um pontífice eleito tem plenos e máximos poderes, não sendo vinculado a nenhum cerimonial feito pos seus predecessores, sendo livre para escolher como será a cerimônia de início de seu pontificado, coroação ou entronização com juramento de fidelidade.



FÉRULA PAPAL:



Férula (do latim Férula: cana, haste, varinha) é uma cruz com haste usada pelo papa no lugar do báculo, todas as vezes que a função litúrgica exige. O papa nunca usou o báculo pelo fato de sua voluta significar limitação de poder, o que, obviamente, não se aplica ao Soberano Pontífice.
A Férula é símbolo de governo e correção. Primitivamente, os papas recebiam na sua cerimônia de posse solene, costume que subsistiu até o século XVI. Depois, passaram a usá-la sem ato de recepção. Em algumas cerimônias, como na abertura da Porta Santa, os papas fazem uso de uma espécie de cruz processional com três braços, a chamada Cruz Papal





<----- Férula do Papa Bento XVI

O PÁLIO :



Pálio (do latim pallium: capa ou manto que cobre os ombros, e este de palla romana: manto romano de lã, que vem do grego Πάλλω: mover ligeiramente) é uma espécie de colarinho de lã branca, com cerca de 5 cm de largura e dois apêndices – um na frente e outro nas costas, com 6 cruzes bordadas ao seu longo e que expressa a unidade com o sucessor de Pedro.

Era , originalmente, exclusivo dos papas, sendo depois estendido aos metropolitas e primazes, como símbolo de jurisdição delegada a eles pelo Soberano Pontífice. Destinado, portanto, aos bispos que assumem uma Arquidiocese, o pálio simboliza o poder na província e sua comunhão com a Igreja Católica Romana, ministério pastoral dos arcebispos e sua união com o Bispo de Roma.


História:


É impossível precisar exatamente quando o pálio foi introduzido na Igreja. Conforme o Liber Pontificalis, começou a ser usado na primeira metade do século IV. Segundo este livro, o Papa Marcos foi o introdutor do uso do Pálio, no ano 336, instituído apenas aos papas. Este papa também teria concedido o uso ao bispo de Óstia, o qual, como Decano, teria consagrado o papa. Após o século VI foi instituído também aos metropolitas. Em 513 o Papa Símaco concedeu o pálio, em São Cesário de Arles. Em numerosas referências do século VI o pálio é referido como uma veste longa habitual. Tudo indica que, inicialmente, apenas o papa podia usá-lo, seu uso por outro bispo foi tolerado apenas quando permnitido pelo papa, como sinal de distinção. Esta honra foi conferida, geralmente, aos metropolitas, especialmente aqueles vigários nomeados pelo pontífice. Mas, algumas vezes, foi conferido a simples bispos, como Siágrio de Autun, Dono de Messina e João de Siracusa, o que fez o Gregório Magno. O uso do pálio entre os metropolitas não se tornou geral, até o século IX, quando se tornou obrigatório a profissão de fé antes da recepção. O objetivo desta regra foi trazer os metropolitas a um vínculo mais íntimo com a Cátedra Romana, fonte de todas as prerrogativas, fortalecendo assim a unidade da Igreja. isto serviu para neutralizar as aspirações de vários metropolitas que desejavam uma autonomia incompatível com a constituição da Igreja. Esta medida neutralizou as más influências e revitalizou a jurisdição dos metropolitas. O juramento de lealdade, na recepção do pálio, que subsiste até hoje, surgiu no século XI, quando reinava o Papa Pascoal I e substituiu a profissão de fé. inicialmente, desde o século VI, um tributo era pago pela recepção do pálio, o que foi revogado pelo Papa Gregório Magno, no sínodo romano, de 595, mas reintroduzido, mais tarde, como colaboração para manutenção da Santa Sé.

Origem do pálio:



Há muitas opiniões diferentes a respito da origem do pálio. Alguns autores julgam-no originário de uma investidura feita por Constantino Magno ou um de seus sucessores; outros consideram-no uma imitação do efod hebreu. Outros afirma que sua origem é o manto de São Pedro, símbolo de seu ofício de pastor supremo. O pálio romano era um simples cachecol dobrado e fixado no ombro esquerdo. Na origem o pálio e o omofório eram a mesmo veste. O omofório é uma faixa larga de pano, muito maior do que o pálio moderno, usado por todos os bispos Ortodoxos orientais e por bispos Católicos orientais do Rito Bizantino. A teoria que explica sua origem em relação à figura do Bom Pastor que carrega a ovelha em seus ombros, é posterior à arte cristã antiga,na qual este é um tema comum. O cerimonial e preparação do pálio e sua imposição nos ombros do papa, no dia da cerimônia de inauguração de seu pontificado retoma este simbolismo. Outros, ainda, dizem provir o pálio do manto litúrgico dos antigos papas, que no decorrer do tempo, foi dobrado na forma de faixa. Também há quem afirme que deriva ele do costume de dobrar o manto-pálio ordinário, uma vestimenta romana dos tempos imperiais; e ainda, uma hipótese diz ter sido introduzido diretamente como veste litúrgica papal, que de início não era estreita, mas de forma oblonga que, depois, foi dobrada.
Estas várias hipóteses foram exaustivamente estudadas por Braun (“und Oriente de Gewandung im Occident liturgische,” sect. iv, ch. iii, N. 8). Ligá-lo à investidura do imperador, ao ephod do sumo-sacerdote judeu, ou ao fabuloso manto de São Pedro, é inteiramente inadmissível. A opinião correta parece ser a de que o pálio foi introduzido como uma insígnia litúrgica do papa, e é improvável que tenha sido adotado como imitação de algo.


Forma do pálio:

Há uma diferença sensível entre a forma do pálio moderno e o usado nas épocas cristãs mais remotas, conforme pode-se ver nos mosiacos de Ravena. No século VI, o pálio era uma longa faixa, moderadamente larga, branca, ornamentada em sua extremidade com uma cruz preta ou vermelha, e terminada fora com borlas; era drapejado em torno da garganta, dos ombros, e do peito em tal maneira que ficava com a forma de um V na parte dianteira, tendo duas extremidades penduradas para baixo do ombro esquerdo, uma na parte dianteira e outra atrás. O pálio tomou a sua forma de uma letra Y, no século VIII,com medida de cerca de 5 cm. de largura. No século IX, conforme se vê em pinturas das igrejas romanas, a faixa do pálio, que era solta e mantinha-se no lugar pela aplicação de alfinetes (Spinelli), foi costurada e teve as pontas encurtadas. A forma circular atual data do século X ou XI.Dois exemplares antigos desta forma circular, que pertenceram ao arcebispo de São Heriberto (1201) e ao arcebispo de Sant'Ana (1075) encontram-se bem preservados em Siegburg, na arquidiocese de Colônia. As duas faixas verticais do pálio circular foram encurtadas até o século XV,até atingirem, atualmente, um comprimento de aproximadamente doze polegadas. O pálio é confeccionado com a lã de dois cordeiros brancos criados pelo monges trapistas. Possui uma volta no centro, a qual descança nos ombros sobre a gola da casula, tendo duas pontas pendentes, uma anterior e outra posterior, com duas polegadas de largura, por doze de comprimento; de modo que, quando visto da parte dianteira ou traseira, ele se assemelha à letra Y. para dar mais peso ao pálio, as extremidades das pontas são entrelaçadas com seda preta. É decorado com seis cruzes pretas, uma em cada ponta, uma em cada ombro e uma no peito e outra nas costas. O pálio é guarnecido por três alfinetes de ouro decorado com gemas, chamados espinelos (Spinelli), os quais são fixados em laços existentes nas cruzes do peito, das costas e do ombro esquerdo. Estas duas últimas características parecem ser remanescentes da época em que o pálio romano era um simples cachecol dobrado e fixado no ombro esquerdo.

O Papa Bento XVI retomou o uso do pálio antigo,(como na foto acima) mais longo, com as duas extremidades com pontas de seda preta, caindo do ombro esquerdo e com as seis cruzes em vermelho, e não em preto. É muito legítimo que o papa, como pastor supremo da Igreja, portanto, Pastor de outros pastores, use um pálio distinto dos que ele confere aos arcebispos, seus subordinados.


O pálio é confeccionado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecília, em Roma, que utilizam a lã dos dois cordeiros dos trapistas, que são ofertados ao papa, pelas jovens romanas, no dia 21 de janeiro (festa de Santa Inês), numa missa pontifical, na Basílica de Santa Inês fora dos Muros.

Os pálios novos são abençoados pelo Papa, guardados numa arca de prata, junto às relíquias, no túmulo do Apóstolo São Pedro(como vemos na foto ao lado) e entregues por ele no dia 29 de junho de cada ano, solenidade de São Pedro, aos Metropolitas, nomeados desde a celebração do ano anterior. Antigamente, o pálio já foi conferido, em Roma, por um Cardeal-Diácono e, fora de Roma, por um bispo, Núncio apostólico ou legado, sendo que em ambos os casos, a cerimônia ocorria após a celebração da missa e do juramento. Desde o Concílio Vaticano II, a cerimônia renovada prescreve a bênção e recepção na primeira parte da missa, após a homilia. Os papas João Paulo II e Bento XVI fizeram questão que todos os novos arcebispos fossem pessoalmente a Roma para receber o pálio das mãos do pontífice eprestar o juramento a seus pés, na solenidade de São Pedro e São Paulo.

O uso do pálio :


Usado pelo papa, o pálio simboliza a plenitude do poder e do munus pontifício. O papa pode usá-lo em qualquer lugar do mundo, em função da sua jurisdição universal.
Além do papa, o pálio é de uso exclusivo dos arcebispos metropolitanos. O pálio também é conferido ao Patriarca Latino de Jerusalém. As tradições precedentes que permitiam o privilégio de alguns bispos usarem o pálio foram extintas por um Motu Proprio, do Papa Paulo VI, em 1978. Um arcebispo metropolitano pode usar seu pálio, como sinal de sua jurisdição, não somente na sua própria arquidiocese, mas em qualquer lugar em sua Província Eclesiástica sempre que celebrar a missa (Canon 437 - Código de Direito canônico, 1983). embora, o pálio seja reservado atualmente, apenas aos metropolitas, uma única excessão tem sido feita, ou seja, a concessão ao Cardeal-Decano do Sacro Colégio. João Paulo II assim o fez e Bento XVI, ex decano, o repetiu, conferindo o pálio ao Cardeal Ângelo Sodano, cardeal-bispo de Óstia. O pálio é usado sobre a casula, sendo que somente o papa pode usá-lo sobre o fano, que fica entre a casula e o pálio. O pálio arquiepiscopal é concedido apenas aos arcebispos que assumem uma Arquidiocese (diocese mais antiga e importante de uma determinada região ou Estado), que são chamados Arcebispos. Um arcebispo não pode usar o pálio até que o papa lhe confira esta insígnia, o que ocorre normalmente, no dia 29 de junho, na solenidade de São Pedro e São Paulo. Toda vez que assumem uma nova Arquidiocese, os arcebispos devem fazer uma nova solicitação da pálio ao Vaticano. Assim, Dom Murilo, que já o havia recebido quando assumiu a Arquidiocese de Maringá, em 11 de julho de 1997, fez a solicitação e recebeu novamente em 2002 junto com os outros arcebispos do mundo. Usado pelos arcebispos, representa sua participação no poder pastoral supremo do papa, que lhes concede para uso em suas próprias províncias. Um arcebispo que, eventualmente, não receba o pálio pode, conseqüentemente, não exercer algumas de suas funções como metropolita e não gozar de algumas de suas prerrogativas. Da mesma forma, depois de sua renúncia, o arcebispo já não poe mais usar o pálio. Se for transferido à outra arquidiocese deve fazer novo pedido de novo pálio.Simbolismo : Na realidade, o simbolismo do pálio é ainda mais concreto: a lã de cordeiro pretende representar a ovelha perdida ou também a ovelha doente e a ovelha débil, as quais o pastor põe aos seus ombros e conduz às águas da vida. A parábola da ovelha tresmalhada, que o pastor procura no deserto era, para os Padres da Igreja, uma imagem do mistério de Cristo e da Igreja.

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