ÚLTIMAS POSTAGENS

quarta-feira, 29 de abril de 2009

COBERTURA 47º ASSEMBLÉIA DOS BISPOS DO BRASIL DIRETO DE ITAICI PARA O APOSTOLADO SHEMÁ

Por Anderson Macena

Caríssimos leitores deste blog aqui postaremos alguma entrevistas concedidas por bispos a respeito da 47º assembléia dos Bispos do Brasil, as entrevistas em geral sao do Tema da Conferência e sobre a vida e importância de dom Hélder para o episcopado e a juventude. vamos a primeira entrevista.

Entrevista concedida por Dom demétri Valentini bispo de Jales SP e reponsavel pela Cáritas no Brasil, ele fala sobre a importância de Dom Hélder Câmara para a juventude e para o episcopado.


Dom Fernando Guimarães CSSR Bispo diocesano de Garanhuns PE comenta sobre o caso da menina de Alagoinha e o duplo homicídio dos nascituros.


Pe Claudio Sartori reitor do Seminario Arquidiocesano da Paraiba Imaculada Conceição Fala sobre Dom Hélder e a importância para os presbíteros.

A UNIDADE E A TRINDADE DE DEUS‏

COMO É QUE SÃO TRÊS?

Estou certo de que nenhum de nós se daria ao trabalho de explicar um problema de física nuclear a uma criança de cinco anos. E, não obstante, a distância que há entre a inteligência de uma criança de cinco anos e os últimos avanços da ciência é nada em comparação com a que existe entre a mais brilhante mente humana e a verdadeira natureza de Deus. Há um limite para o que a mente humana – mesmo em condições ótimas – pode captar e entender. Sendo Deus um ser infinito, nenhum intelecto pode alcançar as suas profundidades.

Por isso, ao revelar-nos a verdade sobre Si mesmo, Deus tem que se contentar com enunciar-nos simplesmente qual é essa verdade. O “como” dela está tão longe das nossas faculdades nesta vida que nem o próprio Deus trata de no-lo explicar.

Uma dessas verdades é quem, havendo um só Deus, existem nEle três Pessoas divinas – Pai, Filho e Espírito Santo. Há uma só natureza divina, mas três Pessoas divinas. No plano humano, “natureza” e “pessoa” são praticamente uma e a mesma coisa. Se num quarto há três pessoas, três naturezas humanas estão lá presentes; se estivesse presente uma só natureza humana, haveria uma só pessoa. Assim, quando procuramos pensar em Deus como três Pessoas com uma só e a mesma natureza, é como se estivéssemos dando cabeçadas contra o muro.

Por isso, às verdades de fé como esta da Santíssima Trindade, chamamos “mistérios de fé”. Cremos nelas porque Deus no-las manifestou, e Ele é infinitamente sábio e veraz. Mas, para sabermos como é que isso pode ser, temos que esperar que Ele nos manifeste a Si mesmo por inteiro, no Céu.

“O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina”. (CIC, n. 234).

Os teólogos podem, é claro, dar-nos alguns pequenos esclarecimentos. Assim,explicam que a distinção entre as três Pessoas divinas tem por base a relação que existe entre elas.

Temos Deus Pai, que se contempla na sua mente divina e se vê como realmente é, formulando um pensamento sobre Si mesmo. Você e eu, muitas vezes, fazemos o mesmo. Concentramos o olhar no nosso interior e formamos um pensamento sobre nós mesmo. Este pensamento se expressa nas palavras silenciosas “João Pereira” ou “Maria das Neves”.

Mas há uma diferença entre o nosso conhecimento próprio e o de Deus sobre Si mesmo. O nosso conhecimento próprio é imperfeito, incompleto. Mas ainda que nos conhecêssemos perfeitamente, ainda que o conceito que temos acerca de nós, ao enunciarmos em silêncio o nosso nome, fosse completo, ou seja, uma perfeita reprodução de nós mesmos, seria apenas um pensamento que não sairia do nosso interior: sem existência independente, sem vida própria. O pensamento deixaria de existir, mesmo na minha mente, tão logo eu voltasse a minha atenção para outra coisa. A razão é que a existência e vida não são algo absolutamente necessário. Houve um tempo em que eu não existia em absoluto, e hoje eu voltaria imediatamente ao nada se Deus não me mantivesse na existência.

Mas com Deus as coisas são muito diferentes. Existir é próprio da natureza divina. Não há outra maneira de conceber Deus adequadamente senão dizendo que é o Ser que nunca teve princípio, que sempre foi e sempre será. A única definição real que podemos dar de Deus é dizer que é aquele que é. Assim se definiu Ele a Moisés, como recordamos: “Eu sou Aquele que é” (Êx 3, 14).

“Ao revelar o seu nome misterioso de Javé, <> ou <> ou também <>, Deus declara Quem Ele é e com que nome se deve chamá-lo, e é por isso mesmo que exprime, da melhor forma, a realidade de Deus como Ele é, infinitamente acima de tudo o que podemos compreender ou dizer” (CIC, n.206. cf. também n. 214).

Se o conceito que Deus tem de Si mesmo deve ser um pensamento infinitamente completo e perfeito, tem que incluir a existência, já que a existência é própria da natureza de Deus. A imagem que Deus vê de Si mesmo, a Palavra Silenciosa com que eternamente se expressa a Si mesmo, deve ter uma existência própria, distinta. A este pensamento vivo em que Deus se expressa perfeitamente a Si mesmo chamamos de Deus Filho. Deus Pai é Deus conhecendo-se a Si mesmo; Deus filho é a expressão do conhecimento que Deus te de Si. Assim, a segunda pessoa da Santíssima Trindade é chamado Filho precisamente porque é gerada desde toda a eternidade, gerada na mente divina do Pai. Também a chamamos Verbo de Deus, porque é a “Palavra mental” em que a mente divina expressa o pensamento sobre Si mesmo.

Depois, Deus Pai (Deus conhecendo-se a Si mesmo) e Deus Filho ( o conhecimento de Deus sobre Si mesmo) contemplam nessa natureza tudo o que é belo e bom – quer dizer, tudo o que produz amor – em grau infinito. E assim a vontade divina origina um ato de amor infinito para com a bondade e a beleza divinas. Uma vez que o amor de Deus por Si mesmo, tal como o conhecimento de Deus sobre Si mesmo, é da própria natureza divina, tem que ser um amor vivo. Este amor infinitamente perfeito, infinitamente intenso, que eternamente flui do pai e do Filho, é o que chamamos Espírito Santo, “que procede do Pai e do Filho”. É a terceira pessoa da Santíssima Trindade.

Resumindo:

- Deus pai é Deus conhecendo-se a Si mesmo;

- Deus Filho é a expressão do conhecimento de Deus sobre Si mesmo;

-Deus Espírito Santo é o resultado do amor de Deus por Si mesmo.

Esta é a Santíssima Trindade: três Pessoas divinas em um só Deus, uma só natureza divina.

Um pequeno exemplo poderia esclarecer-nos a respeito da relação que existe entre as três Pessoas divinas: pai, Filho e Espírito Santo.

Suponha que você se olha num espelho de corpo inteiro. Você vê uma imagem perfeita de si mesmo, com uma exceção: não é senão um reflexo no espelho. Mas se a imagem saísse dele e se pudesse ao seu lado, viva e palpitante como você, então, sim, seria a sua imagem perfeita. Mas não haveria dois vocês, e sim um só Você, uma só natureza humana. Haveria duas “pessoas”, mas só uma mente e uma vontade, compartilhando o mesmo conhecimento e os mesmos pensamentos.

Depois, já que o amor de si (o bom amor de sim mesmo) é natural em todo ser inteligente, haveria uma corrente de amor ardente e mútuo entre você e a sua imagem. Agora, dê assas a sua fantasia e pense na existência desse amor como uma parte tão de você mesmo, tão profundamente enraizada na sua própria natureza, que chegasse a ser uma reprodução viva e palpitante de você mesmo. Este amor seria uma “terceira pessoa” (mas, mesmo assim, nada mais que um Você, lembre-se; uma só natureza humana), uma terceira pessoa que estaria entre você e a sua imagem , e os três unidos de mãos dadas: três pessoas numa só natureza humana.

Talvez este vôo da imaginação possa ajudar-nos a entender confusamente a relação que existe entre as três pessoas da Santíssima trindade: Deus Pai “olhando-se” a Si mesmo na sua mente divina e mostrando ali a Imagem de Si, tão infinitamente perfeita que é uma imagem viva: Deus Filho; e Deus Pai e Deus Filho amando com um amor vivo a natureza divina que ambos possuem em comum: Deus Espírito Santo. Três Pessoas divinas, uma só natureza.

Texto extraido do Livro A Fé explicada de Pe. Léo J. Trese.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sem a Igreja Católica Não Haveria Civilização Ocidental Parte I

Sem a Igreja Católica não haveria Civilização Ocidental:

Nova corrente de historiadores rejeitam os mitos anticatólicos e antimedievais

Conceituados especialistas americanos e europeus vêm mostrando que sem a Igreja católica a civilização européia, berço da Civilização Ocidental e Cristã, não teria visto a luz. E apresentam a gênese, o desenvolvimento, o esplendor e a glória da Civilização Cristã. Esses estudiosos têm publicado uma série de trabalhos nos quais procuram restabelecer a objetividade histórica.

Tal recuperação da verdade apresenta uma tese central: a civilização ocidental é a única que merece plenamente esse nome. Os povos que outrora ocuparam a Europa — gregos, romanos, celtas, germanos e outros — deixaram sua contribuição. Mas a alma, o espírito, a essência da civilização européia e cristã provêm da Igreja. Como chegaram eles a essa conclusão? Eis o objeto deste artigo, que representa uma viagem pela gênese, desenvolvimento, esplendor e glória da Civilização Cristã.

O historiador Rodney Stark(1) colocou o problema: na História houve apenas uma civilização que saiu do nada, para acabar sendo hegemônica: a ocidental. Existiram, sem dúvida, outras grandes civilizações: chinesa, egípcia, caldéia, indiana, etc. Elas todas se iniciaram num alto nível, ficaram porém estagnadas e decaíram lenta mas irreversivelmente ao longo dos milênios. Por que não cresceram como a ocidental e cristã?

Stark indica como causa dessa diferença capital entre a civilização cristã e as outras o papel desempenhado pela Igreja Católica. As religiões pagãs, diz ele, originaram-se de lendas fantásticas impostas sem explicação. Só a Religião católica convida os fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé. Já no século II Tertuliano ensinava que “Deus, o Criador de todas as coisas, nada fez que não fosse pensado, disposto e ordenado pela razão”. Clemente de Alexandria, no século III, insistia: “Não julgueis que o que nós dissemos deve ser aceito só pela fé, mas deve ser acreditado pela razão”. Santo Agostinho consagrou tal ensinamento, e Santo Tomás, com suas Summas, levou-o a um píncaro.(2)

Os monges medievais aplicaram a lógica racional à vida quotidiana e criaram uma regra de vida. Surgiram então prédios de uma beleza até então desconhecida; o trabalho foi dignificado e organizado; surgiram escolas de todo tipo; códigos civis e comerciais, leis internacionais, hospitais, fábricas, invenções, remédios eficazes; vinhos e licores, etc. A vassalagem do monge em relação ao abade e as relações das abadias entre si inspiraram a organização política feudal. Uma força de elevação e requinte foi transmitida pela Igreja à sociedade no transcurso de gerações, e ergueu-se assim o mais formidável e esplendoroso edifício civilizador da História.

O Prof. Thomas E. Woods é um dos integrantes mais recentes dessa corrente de investigadores.(3) Ele deplora ouvir ainda hoje surradas cantilenas contra a Idade Média. Nenhum historiador profissional honesto, diz ele, acredita nelas. E acrescenta: “Durante os últimos cinqüenta anos, virtualmente todos os historiadores da ciência [...] vêm concluindo que a Revolução Científica se deve à Igreja” (p. 4). Não é só devido ao ensino, mas pelo fato de a Igreja ter gerado cientistas como o Padre Nicolau Steno, pai da geologia; Padre Atanásio Kircher, pai da egiptologia.

Padre Giambattista Riccioli, que mediu a velocidade de aceleração da gravidade terrestre; Padre Roger Boscovich, pai da moderna teoria atômica, etc; Réginald Grégoire, Léo Moulin e Raymond Oursel mostraram que os monges deram “ao conjunto da Europa [...] uma rede de fábricas-modelo, centros de criação de gado, centros de escolarização, de fervor espiritual, de arte de viver, [...] de disponibilidade para a ação social — numa palavra, [...] uma civilização avançada emergiu das ondas caóticas da barbárie que os circundava. Sem dúvida nenhuma, São Bento foi o Pai da Europa. Os beneditinos, seus filhos, foram os pais da civilização européia” (p. 5).

A Igreja sagra Carlos Magno imperador e reergue a cultura

A Igreja instituiu, na ordem temporal, o Sacro Império Romano Alemão na pessoa de Carlos Magno, rei dos francos. Ele deu um impulso incomparável à educação e às artes. Nessa obra educadora sobressaiu Alcuíno [foto 4], conselheiro íntimo de Carlos Magno, pupilo de São Beda, o venerável, e abade do mosteiro de Saint Martin em Tours. Falando da biblioteca de sua abadia em York, Alcuíno menciona obras de Aristóteles, Cícero, Lucanus, Plínio, Statius, Trogus Pompeius e Virgílio.

Papa Vítor III, que foi abade de Montecassino, na Itália, patrocinou a transcrição de obras de Horácio, Sêneca e Cícero. Santo Anselmo, quando abade de Bec, na Inglaterra,recomendava Virgílio e outros clássicos a seus estudantes, mas prevenia-os contra as passagens imorais. Num exercício escolar de Santo Hildeberto, encontramos excertos de Cícero, Horácio, Juvenal, Persius, Sêneca, Terêncio e outros. Santo Hildeberto, aliás, conhecia Horácio praticamente de memória.

A Inovação material decisiva foi a minúscula carolíngia. Antes dela os manuscritos não tinham minúsculas, pontuação ou espaços em branco entre as palavras. A minúscula carolíngia, com sua “lucidez e sua graça insuperável, apresentou a literatura clássica num modo que todos podiam ler com facilidade e prazer” (p. 14). O medievalista Philippe Wolff equipara este desenvolvimento à invenção da imprensa.

O fácil acesso ao latim abriu as portas ao conhecimento dos Padres da Igreja e dos clássicos greco-romanos. Pois é mito falso que os grandes autores da Antiguidade só vieram a ser resgatados pela Renascença, época histórica que iniciou o multissecular processo revolucionário que em nossos dias atingiu um clímax. Lord Kenneth Clark mostrou que “só três ou quatro manuscritos antigos de autores latinos existem ainda; todo nosso conhecimento da literatura antiga se deve à coleta e cópia que começou sob Carlos Magno, e quase todo texto clássico que sobreviveu até o século VIII sobrevive até hoje!” (p. 17).

Alcuíno traduziu essa apetência coletiva em carta a Carlos Magno: “Uma nova Atenas será criada na França por nós. Uma Atenas mais bela do que a antiga, enobrecida pelos ensinamentos de Cristo, superará a sabedoria da Academia. Os antigos só têm as disciplinas de Platão como mestre, e eles ainda resplandecem inspirados pelas sete artes liberais, mas os nossos serão mais do que enriquecidos sete vezes com a plenitude do Espírito Santo e deixarão na sombra toda a dignidade da sabedoria mundana dos antigos” (p. 19). São João Crisóstomo narra que o povo de Antioquia enviava os filhos para serem educados pelos monges. São Bento instruiu filhos da nobreza romana. São Bonifácio e Santo Agostinho ordenaram a seus religiosos criar
estabelecimentos de ensino por toda parte.

São Patrício desenvolveu a alfabetização na Irlanda. Concílios locais, como o sínodo de Baviera (798) e os concílios de Châlons (813) e Aix (816), ordenaram que se fundassem casas de ensino. Theodulfo, bispo de Orleans e abade de Fleury, exortava: “Em aldeias e cidades, os sacerdotes devem abrir escolas. [...] Que não peçam pagamento; e se recebem algo, que sejam somente pequenos presentes oferecidos pelos pais” (p. 20). Que diferença a com a nossa época, em que freqüentemente a educação pública é calamitosa e a educação privada é cara! Do caos à civilização: obra beneditina

No Oriente houve santos ermitões que poucas vezes comiam ou dormiam, outros ficavam em pé sem movimento semanas a fio, ou encerravam-se em túmulos durante anos. São vocações especiais. No Ocidente, o monaquismo foi estruturado por São Bento de Núrsia. Sua regra é de uma moderação e de um senso da ordem admiráveis. Os monges tinham devoção pelos livros e embelezavam os manuscritos, especialmente as Escrituras, com artísticas iluminuras. São Bento Biscop, fundador do mosteiro de Wearmouth (Inglaterra), mandava trazer livros de toda parte. São Maïeul, abade de Cluny (na França), viajava sempre com um livro à mão. São Hugo de Lincoln, prior de Witham, primeira cartuxa na Inglaterra, explicou: “Nossos livros são nossa delícia e nossa riqueza em tempos de paz, nossas armas ofensivas e defensivas em tempo de guerra, nosso alimento quando temos fome, e nosso medicamento quando estamos doentes” (p. 43).

Criação das universidades na época medieval

Muitos ainda repetem o velho “chavão” de que a Idade Média foi uma época de trevas, ignorância, superstição e repressão intelectual. Mas não é preciso ir muito longe para provar o contrário. Basta considerar uma das máximas realizações medievais: as universidades [foto 1]. Aliás, foi um aporte exclusivo à História. Nem Grécia ou Roma conheceram algo parecido.A Cátedra de Pedro foi a maior e mais decidida protetora das universidades. O diploma de mestre, outorgado por universidades como as de Bolonha, Oxford e Paris, dava direito a ensinar em todo o mundo. A
primeira que ganhou este poder foi a de Toulouse, na França, das mãos do Papa Gregório IX, em 1233.

A Igreja protegeu os universitários com os benefícios do clero. Os estudantes da Sorbonne dispunham de um tribunal especial para ouvir suas causas. Na bula Parens Scientiarum, Gregório IX confirmou à Universidade de Paris o direito a um governo autônomo e a fixar suas próprias regras, cursos e estudos. Também a emancipou da tutela dos bispos e ratificou o direito à cessatio — a greve das aulas — se os seus membros fossem objeto de abusos, como aluguéis extorsivos, injúrias, mutilação e prisão ilegal. Os Papas intervinham com força, a fim de que os professores fossem pagos dignamente.

Completados os estudos, o novo mestre era oficialmente investido. Em Paris, isso ocorria na igreja de Santa Genoveva, padroeira da cidade. O novo mestre ajoelhava-se diante do vice-chanceler da Universidade, que pronunciava esta bela fórmula: “Eu, pela autoridade com que fui revestido
pelos Apóstolos Pedro e Paulo, vos concedo a licença de ensinar, comentar, disputar, determinar e exercer outros atos magisteriais seja na Faculdade de Artes de Paris, seja em qualquer outra parte, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amem” (p. 56).

Os mosteiros levaram a agricultura a patamar nunca visto

Para Henry Goddell, presidente do Massachusetts Agricultural College, os monges salvaram a agricultura durante 1.500 anos. Eles procuravam locais
longínquos e inacessíveis para viver na solidão. Lá, secavam brejos e limpavam florestas, de maneira que a área ficava apta a ser habitada.

Novas cidades nasciam em volta dos conventos.

O terreno em torno da abadia de Thorney, na Inglaterra, era um labirinto de córregos escuros, charcos largos, pântanos que transbordavam periodicamente, árvores caídas, áreas vegetais podres, infestados de animais perigosos e nuvens de insetos. A natureza abandonada a si própria, sem a mão ordenadora e protetora do homem, encontrava-se no caos. Cinco séculos depois, William de Malmesbury (1096-1143) descreveu assim o mesmo local:

“É uma figura do Paraíso, onde o requinte e a pureza do Céu parecem já se refletir. [...] Nenhuma polegada de terra, até onde o olho alcança, permanece inculta. A terra é ocultada pelas árvores frutíferas; as vinhas se estendem sobre a terra ou se apóiam em treliças. A natureza e a arte rivalizam uma com a outra, uma fornecendo tudo o que a outra não produz. Oh profunda e prazenteira solidão! Foste dada por Deus aos monges para que sua vida mortal possa levá-los diariamente mais perto do Céu!” (p. 31).

Mais tarde o protestantismo reduziu Thorney a ruínas, mas estas ainda emocionam os turistas. Aonde chegavam, os monges introduziam grãos, indústrias, métodos de produção que o povo nunca tinha visto [foto 2]. Selecionavam raças de animais e sementes, faziam cerveja, colhiam mel e frutos. Na Suécia, criaram o comércio de milho; em Parma, o fabrico de queijo; na Irlanda, criações de salmão; por toda parte plantavam os melhores vinhedos. Até descobriram a champagne! Represavam a água para os dias de seca. Os mosteiros de Saint-Laurent e Saint-Martin canalizavam água destinada a Paris. Na Lombardia, ensinaram aos camponeses a irrigação que os fez tão ricos. Cada mosteiro foi uma escola para explorar os recursos da região. Seria muito difícil encontrar um grupo, em qualquer parte do mundo, cujas contribuições tivessem sido tão variadas, tão significativas e tão indispensáveis como a dos monges do Ocidente na época de miséria e desespero que se seguiu à queda do Império Romano. Quem mais na História pode ostentar semelhante feito? –– pergunta Woods(p. 45).

Dignificação do trabalho manual

Disseminou-se que as escolas socialistas do século XIX recuperaram a dignidade do trabalho manual. Nada mais falso. No paganismo, os bárbaros viviam da caça e do saque; o trabalho braçal era próprio dos escravos. Quando o Império Romano ruiu, tornaram-se indispensáveis atividades de sobrevivência, sempre menosprezadas. E eis que os monges aparecem, ante as multidões miseráveis, como semi-deuses que habitam em admiráveis abadias devotadas ao esplendor do culto, e que após um simples bater do sino descem aos pântanos, desertos ou florestas para abrir roças com seus
braços!

Quando os monges deixavam suas celas para cavar valetas e arar campos, “o feito era mágico. Os homens voltavam para uma nobre porém desprezada tarefa”. São Gregório Magno (590-604) refere-se ao abade Equitius, do século VI, famoso pela sua eloqüência. Um enviado papal foi procurá-lo e se apresentou no scriptorium onde imaginava encontrá-lo entre os copistas. Os calígrafos simplesmente disseram: “Ele está lá embaixo no vale, cortando a cerca”.

Inventores de tecnologias logo comunicadas a todos

Os cistercienses ficaram famosos pela sua sofisticação tecnológica. Uma grande rede de comunicações ligava os mosteiros, e entre eles as informações circulavam rapidamente. Isso explica que equipamentos similares aparecessem simultaneamente em abadias, por vezes a milhares de milhas umas das outras. No século XII o mosteiro de Clairvaux, na França, copiou 742 vezes um relatório sobre o aproveitamento da energia hidráulica, para que chegasse a todas as casas cistercienses do Velho Continente.

Eis uma significativa carta da época: “Entrando na abadia sob o muro de clausura, que como um porteiro a deixa passar, a correnteza se joga impetuosamente no moinho, onde um jogo de movimentos a multiplica antes de moer o trigo sob o peso de moendas de pedra; depois o sacode para separar a farinha do joio. Assim que chega no próximo prédio, a água que enche as bacias se rende às chamas, que a esquentam para preparar cerveja para os monges”. O relato continua expondo a lavagem mecânica da lã, a tintura dos panos e o tingimento dos couros (p. 34-35). Todos os mosteiros dos cistercienses tinham uma fábrica modelo, com freqüência tão grande quanto a igreja. Eles foram os líderes da produção de aço na Champagne. Usavam resíduos dos fornos como fertilizantes, pela concentração de fosfatos. Jean Gimpel alude a uma autêntica revolução industrial na Idade Média, pois esta “introduziu a maquinaria na Europa numa medida que nenhuma civilização previamente conheceu” (p. 35).

E Woods completa: “Esses mosteiros foram as unidades econômicas mais produtivas que jamais existiram na Europa, e talvez no mundo, até aquela época” (p. 33). Stark cita a admiração dos viajantes vendo os quase dois mil moinhos que realizavam toda espécie de tarefas nas margens do Sena, nas proximidades de Paris.

A Classificação dos Documentos da Igreja

Documentos da Igreja

Os Documentos da Igreja são:

CARTA ENCÍCLICA ou ENCÍCLICA: (Epistolae Encyclicae - Litterae Encyclicae) Documento pontifício dirigido aos Bispos de todo o mundo e, por meio deles, a todos os fiéis.

A encíclica é usada pelo Romano Pontífice para exercer o seu magistério ordinário. Trata de matéria doutrinária em variados campos: fé, costumes, culto, doutrina social, etc. A matéria nela contida não é formalmente objecto de fé. Mas, a ela se deve o religioso obséquio do assentimento exterior e interior. O termo "epistola encyclica" parece que foi introduzido por Bento XIV (1740-1758).

Exemplos de encíclicas: "Rerum Novarum" (Leão XIII) sobre a questão operária; "Casti Connubii"( Pio XI) sobre a moral conjugal; "Mediator Dei" (Pio XII) sobre Liturgia"; Humani Generis" (Pio XII) sobre alguns erros que ameaçam a fé; "Laborem Exercens" (João Paulo II) sobre o trabalho humano; "Fides et Ratio" (João Paulo II) sobre as relações entre fé e razão, etc.

CARTA APOSTÓLICA: Sob essa denominação, podemos compreender duas espécies de documentos do Papa: "Epistola Apostolica" e "Litterae Apostolicae". A primeira espécie trata de matéria doutrinária, de carácter menos solene que a encíclica. O documento é dirigido aos bispos e, por meio deles, a todos os fiéis.

Exemplo: "Mulieris Dignitatem" (João Paulo II, 15.08.88) sobre a dignidade e vocação da mulher. Esse tipo de documento pode conter algo de doutrinariamente definitivo, como a "Ordinatio Sacerdotalis" (João Paulo II, 22.05.94) sobre a ordenação sacerdotal reservada somente a varões.

A segunda espécie ("Litterae Apostolicae") é usada para vários outros assuntos: constituição de Santos Padroeiros, promoção de novos Beatos, normas disciplinares, etc.

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA: (Adhortatio Apostolica) Forma de documento menos solene que as encíclicas. Antigamente era dirigida a um determinado grupo de pessoas.

Por exemplo, "Menti Nostrae" (Pio XII) para o clero. O termo é usado, actualmente, em sentido mais amplo: não somente como documento para determinado grupo de pessoas, mas recomendações feitas pelo Romano Pontífice aos bispos, presbíteros e todos os fiéis, sobre temas mais directamente relacionados a um grupo de pessoas, por exemplo, as exortações pós-sinodais: "Familiaris Consortio"; "Christifideles laici"; "Pastores dabo vobis".

BULA PONTIFÍCIA: O termo se refere não ao conteúdo e à solenidade de um documento pontifício, como tal, mas à apresentação, à forma externa do documento, a saber, lacrado com pequena bola (em latim, "bulla") de cera ou metal, em geral, chumbo (sub plumbo). Assim, existem Litterae Apostolicae (v. Carta Apostólica) em forma ou não de bula e também Constituição Apostólica em forma de bula.

Por exemplo, a citada "Munificentissimus Deus", bem como as constituições apostólicas de criação de dioceses. A bula mais antiga que se conhece é do Papa Agapito I (535), conservada apenas em desenho. O mais antigo original conservado é do Papa Adeodato I (615-618).

CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA: Documento pontifício que trata de assuntos da mais alta importância. Distingue-se em Constituição Dogmática, que contém definições de dogmas.

Por exemplo de Pio XII, a Constituição Apostólica "Munificentissimus Deus", com a qual foi definido o dogma da Assunção de Nossa Senhora e a Constituição Disciplinar, que diz respeito a determinações canónicas. Por exemplo de João Paulo II, as Constituições Apostólicas "Sacrae Disciplinae Leges" (25.01.1983) de promulgação do CIC de 1983; Pastor Bonus (28.06.1988) sobre a nova constituição da Cúria Romana.

MOTU PROPRIO: Carta Apostólica, sob a designação de Litterae Apostolicae, escrita em geral por própria iniciativa do Romano Pontífice, isto é, sem ter sido solicitado por algum interessado.

Por exemplo: a Carta Apostólica de João Paulo II "Apostolos Suos", de 21 de Março de 1998, sobre a natureza teológica e jurídica das conferências.

Fonte: http://www.paroquias.org

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Santa Missa

Por Nilson Pereira dos Santos Júnior

Introdução – A Missa tem História

A Missa na Igreja Primitiva

A elaboração do desenvolvimento de cerimônias muito rapidamente . O esquema da missa que hoje oferecemos ficou praticamente estabelecido no ano de 150. Um escritor deste tempo, São Justino Mártir, descreve-nos assim a missa que então se oferecia: “Num dia que cujo nome se toma de sol, os que moram na cidade e os do campo reúnem-se e então, quando há tempo, lêem-se as memórias dos Apóstolos (que quer dizer Evangelhos)e os escritos dos Profetas. Terminadas as leituras, o presidente (que quer dizer sacerdote) dirige-nos um discurso (que quer dizer sermão), em que nos pede encarecidamente que pratiquemos as belas lições que acabamos de ouvir”. Esta era a Liturgia da Palavra que é como a chamamos hoje. A Liturgia Eucarística vinha logo em seguida: “ Então, leva-se pão e um cálice com água e vinho ao presidente dos irmãos que oferece louvores ao Pai em nome do Filho e do Espírito Santo, e depois prossegue com certa detenção recitando uma prece de ação de graças (a que hoje chamamos de oração eucarística, incluindo a consagração), por que Ele nos fez dignos de participar destes Dons. Quando terminava a ação de graças todo o povo presente responde: Amém.” (Primeira Apologia 65-66)

No ano 150, estava, pois, estabelecida a estrutura fundamental da Missa. A Missa teve influência do Judaísmo na sua formação, a Liturgia da Palavra veio das sinagogas onde o povo sentado refletia as leituras e aos sermões que ali havia. A Liturgia Eucarística veio dos templos, onde o sacerdote guiava a comunidade reunida ao Senhor. No entanto, as orações nela contidas continuaram a desenvolver-se durante mais quatro séculos e meio. Nos tempos do Papa São Gregório Magno que morreu no ano de 604, o desenvolvimento da missa tinha chegado a um esquema muito parecido com o atual.

Durante o período que vai de São Justino a São Gregório, foi acrescentado um elemento de oração ao elemento de instrução que constituía a missa dos catecúmenos, parte inicial da Missa. Nos tempos de São Justino, havia duas leituras uma do AT e outra dos Evangelhos, e o sermão. Nos tempos de São Gregório, incluíam-se nessa parte, o “Intrório” ou canto de entrada, o “kyrie” ou “Senhor, tende piedade de nós”, o glória e a oração da Coleta.

Para terminar esta parte história resta apenas apresentar o surgimento do Credo e da oração dos Fiéis.

O Credo mesmo sendo sempre recitado nos primeiros séculos da Igreja só foi oficializado na Liturgia no ano de 1014 pelo Papa Bento VIII. Depois de ouvir a palavra de Deus nas leituras, o Evangelho e o sermão, vemos o povo realizando a profissão de Fé, recitando o credo antes de proceder com a Liturgia Eucarística.

A Oração dos Fiéis, tradicional na liturgia dos primeiros séculos, consistia numa enumeração das intenções pelas quais se oferecia o Santo Sacrifício, cuja parte essencial começava a seguir. Foi suprimida na época de São Gregório, provavelmente por terem sidas incorporadas ao Cânon orações de intercessão. Recentemente o Concílio Vaticano II quis restaurá-la. Na oração dos fiéis, “ exercendo a sua função sacerdotal , o povo suplica por todos os homens”. Reza-se “pela Santa Igreja, pelos governantes, pelos que padecem necessidade, por todos os homens e pela Salvação de todo o mundo” (Instrução Geral do Missal Romano, n. 45)

Entendendo a Santa Missa

Que é a Santa Missa?

R: A Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário. É o mesmo e único sacrifício infinito de Cristo na Cruz, que foi solenemente instituído na Última Ceia. Nesta cerimônia ímpar, Cristo é ao mesmo tempo vítima e sacerdote, se oferecendo a Deus para pagamento dos pecados, e aplicando a cada fiel seus méritos infinitos.

No mundo em que vivemos, vemos 3 motivos diferentes p as pessoas irem a missa
• existem os que vão para cumprir um preceito ou tradição; (ou os pais obrigam)
• há os que vão à Missa para fazer seus pedidos e orações;
• e há aqueles que vão à Missa para louvar a Deus em comunhão com seus irmãos.

Nós devemos ir a Missa para louvar a Deus em comunhão com seus irmãos, e para isso veremos quanto completa é a celebração da Santa Missa;


Ritos Iniciais

Canto de Entrada: o canto de entrada tem o objetivo de nos ajudar a rezar. Ele manifesta a Deus nosso louvor e adoração.

Saudação: o padre saúda a comunidade reunida anunciando a presença de Jesus.

Ato Penitencial: em uma atitude de profunda humildade, pedimos perdão de nossos pecados.

Glória: já perdoados, cantamos para louvar e agradecer.

Coleta (oração): o padre coloca todas as intenções, e no final da oração a oração responde com a palavra Amém (que significa "assim seja").

Liturgia da Palavra


Primeira Leitura: passagem tirada do Antigo Testamento (parte bíblica que prepara a vinda do Messias).

Salmo de Resposta:
é um canto ou um salmo que nos ajuda a entender melhor a mensagem da primeira leitura.

Segunda Leitura: passagem tirada do Novo Testamento, de uma das cartas (epístolas) dos Apóstolos (Filipenses, Gálatas, Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, etc)

Aclamação do Evangelho: nesta hora ouvimos o padre anunciar a MENSAGEM DE JESUS. Por isso cantamos "ALELUIA" (que significa "alegria").

Evangelho: Jesus nos fala apresentando-nos o REINO DE DEUS.

Homilia: o padre explica as leituras e o Evangelho.

Profissão de Fé (Credo): momento em que professamos tudo aquilo que como cristãos devemos acreditar.

Oração dos Fiéis: a comunidade reunida reza pela Igreja e por todas as pessoas do mundo.

Liturgia Eucarística

Preparação das Oferendas: momento em que oferecemos a nossa vida, ou seja, tudo o que somos ao Senhor. Logo depois ocorre a oração sobre as oferendas, que por intermédio do sacerdote, Jesus consagra o Pão e o Vinho.

Oração Eucarística: momento principal da celebração. Onde recordamos a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Não é apenas uma lembrança de um fato que aconteceu, mas sim algo que acontece hoje, aqui, agora na Eucaristia.

Santo : Este é um dos cantos mais importantes da missa, pois exalta a santidade do nosso Deus e relembra "aquele domingo" quando Jesus era recebido com louvores, palmas, cantos e ramos em Jerusalém e gritos de "HOSANA AO FILHO DE DAVI!". Devemos cantar da mesma maneira com muitas palmas e bastante alegria, acompanhadas de todos os instrumentos. Alegria, músicos de Deus!

Amém - Vem após a doxologia que só é rezada pelo celebrante (muitas pessoas acham, erradamente, que é bonito rezar com o padre!) e deve ser bastante animado ao som de todos os instrumentos, cantado por toda a assembléia.

Pai Nosso - Deve ser cantado apenas se for um costume da comunidade e com aprovação do celebrante. Os instrumentos devem ser apenas acompanhantes para que toda a igreja participe cantando.

Abraço de Paz - É o canto da alegria e do amor, quando distribuímos a paz que o próprio Jesus nos deu com muitos abraços! Deve ser um canto que fortaleça a amizade e a união de todos na Igreja com bastante entusiasmo e acompanhado por todos.

Comunhão: momento em que vamos em direção do banquete do Senhor receber o seu Corpo e o seu Sangue.

Ritos Finais


Avisos: o padre ou algum leigo da comunidade anuncia algum evento ou informa algo de interesse à comunidade.

Bênção:
o padre dá a bênção à comunidade. Bênção significa o bem que alguém quer para outra pessoa.

Despedida: o padre se despede da comunidade e recorda que este momento não é mera despedida apressada, mas um novo envio para realizar a missão do cristão no mundo, isto é, anunciar ao mundo o Cristo Vivo.

Apêndice:

A AÇÃO DE GRAÇAS E O LOUVOR AO PAI

1359. A Eucaristia, sacramento da nossa salvação realizada por Cristo na cruz, é também um sacrifício de louvor em ação de graças pela obra da criação. No sacrifício eucarístico, toda a criação, amada por Deus, é apresentada ao Pai, através da morte e ressurreição de Cristo. Por Cristo, a Igreja pode oferecer o sacrifício de louvor em ação de graças por tudo o que Deus fez de bom, belo e justo, na criação e na humanidade.

1360. A Eucaristia é um sacrifício de ação de graças ao Pai, uma bênção pela qual a Igreja exprime o seu reconhecimento a Deus por todos os seus benefícios, por tudo o que Ele fez mediante a criação, a redenção e a santificação. Eucaristia significa, antes de mais, «ação de graças».

1361. A Eucaristia é também o sacrifício de louvor, pelo qual a Igreja canta a glória de Deus em nome de toda a criação. Este sacrifício de louvor só é possível através de Cristo: Ele une os fiéis à sua pessoa, ao seu louvor e à sua intercessão, de maneira que o sacrifício de louvor ao Pai ë oferecido por Cristo e com Cristo, para ser aceite em Cristo.

O MEMORIAL SACRIFICIAL DE CRISTO E DO SEU CORPO, A IGREJA

1362. A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferenda sacramental do seu único sacrifício, na liturgia da Igreja que é o seu corpo. Em todas as orações eucarísticas encontramos, depois das palavras da instituição, uma oração chamada anamnese ou memorial.

1363. No sentido que lhe dá a Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus fez pelos homens (188). Na celebração litúrgica destes acontecimentos, eles tomam-se de certo modo presentes e atuais. É assim que Israel entende a sua libertação do Egipto: sempre que se celebrar a Páscoa, os acontecimentos do Êxodo tornam-se presentes à memória dos crentes, para que conformem com eles a sua vida.

1364. O memorial recebe um sentido novo no Novo Testamento. Quando a Igreja celebra a Eucaristia, faz memória da Páscoa de Cristo, e esta torna-se presente: o sacrifício que Cristo ofereceu na cruz uma vez por todas, continua sempre atual (189): «Todas as vezes que no altar se celebra o sacrifício da cruz, no qual "Cristo, nossa Páscoa, foi imolado", realiza-se a obra da nossa redenção» (190).

1365. Porque é o memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício. O caráter sacrifical da Eucaristia manifesta-se nas próprias palavras da instituição: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós» e «este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós» (Lc 22, 19-20). Na Eucaristia, Cristo dá aquele mesmo corpo que entregou por nós na cruz, aquele mesmo sangue que «derramou por muitos em remissão dos pecados» (Mt 26, 28).

1373. «Jesus Cristo, que morreu, que ressuscitou, que está à direita de Deus, que intercede por nós» (Rm 8, 34), está presente na sua Igreja de múltiplos modos (200): na sua Palavra, na oração da sua Igreja, «onde dois ou três estão reunidos em Meu nome» (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos prisioneiros (201), nos seus sacramentos, dos quais é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro. Mas está presente «sobretudo sob as espécies eucarísticas» (202).

1374. O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela «como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos» (203). No santíssimo sacramento da Eucaristia estão «contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo» (204). «Esta presença chama-se "real", não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem "reais", mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem» (205).

quarta-feira, 22 de abril de 2009

INSÍGNIAS EPISCOPAIS E A SAGRADA ORDENAÇÃO

Por: Anderson Macena

Em pleno séc XXI e apesar de toda a informação midíatica ( e nesse termo incluimos a mídia católica que tem ou ao menos deveria ter a obrigação de informar a sociedade católica sobre os assuntos da Igreja [e nao somente o social da Igreja] mais também sobre os ritos,deveres,liturgia) ainda percebemos que a grande maioria catolica não conhece os ritos da sua Igreja e daí vemos por que as outras seitas a cada dia crescem de forma inesperada propiciando um verdadeiro "show da fé", mas deixemos isso de lado e tratemos do nosso tema que é sobre as insígnias episcopais.

Solidéu:

(em latim Pileolus) é um pequeno barrete usado na cabeça por clérigos da Igreja Católica , semelhante à quipá. Seu nome provém do latim soli Deo, "somente para Deus"
Solidéu branco usado pelos Papas.
Na
Igreja Católica o solidéu foi adotado inicialmente por razões práticas — para manter a parte tonsurada da cabeça aquecida em igrejas frias ou úmidas — e sobreviveu como um item tradicional do vestuário clerical. Ele consiste de oito partes costuradas, com um pequeno talo no topo.
Todos os membros ordenados da Igreja Católica podem usar o solidéu.
Como grande parte da indumentária eclesiástica, a cor do solidéu denota o grau hierárquico de quem o usa.
Segue as cores
:

  1. Branca - Papa
  2. vermelha- Cardeais
  3. violácea- Bispos e Arcebispos
  4. preta- Padres e Diáconos
  5. Marrom - Religiosos(frades)




Mitra(do grego μίτρα: cinta, faixa para a cabeça, diadema) é uma insígnia pontifical utilizada pelos prelados da Igreja Católica, da Igreja Ortodoxa e da Igreja Anglicana, sejam eles: abades, bispos, arcebispos, cardeais ou mesmo o Papa. A mitra é a cobertura de cabeça prelatícia de cerimônia.
A mitra usada pelo bispo simboliza um capacete de defesa que deve tornar o
prelado terrível aos adversários da verdade. Lembra a descida do Espírito Santo descido as cabeças dos Apóstolos, de quem os bispos são legítimos sucessores. Por isso, apenas aos bispos, salvo por especial delegação, cabe a imposição do Espírito Santo no sacramento do Crisma ou Confirmação. A mitra é um tipo de cobertura de cabeça fendida, consistindo de duas peças rígidas, de formato aproximadamente pentagonal, terminadas em ponta, por isso, às vezes chamadas corno ou cúspides, costuradas pelos lados e unidas por cima por um tecido, podendo ser dobradas conjuntamente. As duas cúspides superiores são livres e na parte inferior forma-se um espaço que permite vesti-la na cabeça. Há duas faixas franjadas na parte posterior, chamadas ínfulas, que descem até as espáduas. Na teoria, a mitra sempre é supostamente branca.




Uso



O "Cerimonial dos Bispos" manda que a mitra, o anel episcopal e o báculo sejam abençoados antes da ordenação episcopal de quem o deva receber; sendo que a primeira imposição deve ser feita apenas durante o rito da ordenação. Antes das celebrações litúrgicas, deve sempre ser um diácono quem impõe a mitra no bispo. Pelas normas litúrgicas atuais, a mitra deve sempre ser uma só na mesma ação litúrgica. A mitra preciosa é usada nas celebrações mais solenes. A aurifrisada é usada no advento, na administração dos sacramentos, e nas “memórias”. A faixada, nos dias comuns. A mitra simples usa-se na “Quarta-Feira de Cinzas”, na “Sexta-Feira Santa”, no dia de “Finados”, nas “Assembléias Quaresmais”, no rito da “Inscrição do Nome”, na solene celebração do sacramento da Penitência, na celebração de Exéquias e quando um bispo concelebrar com outros, não sendo ele o celebrante principal. Portanto, nas concelebrações, somente o celebrante principal pode usar a mitra ornada.
O direito de usar a mitra pertence somente ao papa, aos cardeais, aos bispos e abades. Porém houve alguns privilégios a prelados menores como dignitários de cabidos, prelados da Cúria Romana, e Protonotários Apostólicos, porém este uso era bem limitado. A mitra é distinta de outras insígnias e sempre é retirada quando o bispo está rezando, em decorrência do preceito apostólico do homem sempre rezar com a cabeça descoberta (1ª Cor 11, 14).
Pelas leis litúrgicas a mitra é usada pelo bispo, sobre o solidéu, quando se dirige ou retorna, processionalmente, para alguma função sagrada; quando está sentado; quando faz homilia; quando faz saudações; locuções e avisos; quando dá a bênção solene; e quando faz gestos sacramentais. O bispo não usa a mitra: nas preces introdutórias; nas orações; na “Oração Universal”; na “Oração Eucarística”; durante a leitura do Evangelho; nos hinos, quando estes são cantados de pé; nas procissões em que leva o Santíssimo Sacramento, ou as relíquias da Santo Lenho; e diante do Santíssimo Sacramento exposto.

Tipos

O cerimonial distingue dois tipos de mitras
A Ornada quando é guarnecida de adornos, mais ou menos ricos. As mitras ornadas se dividem em:

Preciosa (Pretiosa): é decorada com pedras preciosas e ouro
Aurifrisada (Auriphrygiata): é de tecido liso de ouro ou de seda branca bordada a ouro e prata
Faixada: com duas faixas ornamentais ou galões, uma (circulus) na borda mais baixa, e outra (titulus) em posição vertical, no meio de cada pala ou corno. A Simples é inteiramente de tecido branco, interna e externamente, sem ornamentos, nem mesmo nas
ínfulas, que portam franjas vermelhas. Ela será de linho para os bispos e de seda adamascada branca apenas para os cardeais

Anel Episcopal

O Anel Episcopal é uma das insígnias episcopais mais importantes para compreender o ministério episcopal. É entregue no rito da Ordenação e o Bispo deve trazê-lo sempre (Cf. Ceremonial dos Bispos, 58).
A origem e a história do anel estão envolvidas num contexto antropológico e num contexto bíblico (Cf. Est 8, 8; Gn 41, 40-42; Lc 15, 22). Segundo o relato do Bispo Optato de Milevi, é muito provável que já nos finais do século IV, os Bispos usassem anel que lhes era entregue no rito da Ordenação. As primeiras referências históricas credíveis de um rito litúrgico de entrega do “anulus episcopalis” no rito da Ordenação são da primeira metade do século VII, oriundas da Espanha, nomeadamente do IV Concílio de Toledo (633) e de Santo Isidoro de Sevilha (560-636). Dois séculos mais tarde, no tempo do Imperador Carlos II, o Calvo (843-877) e do Papa S. Nicolau I (858-867), o uso e entrega do anel chega ao ritual franco.
Desde a sua origem até ao triste período medieval da investidura, o anel tinha, essencialmente, a função de selo e era feito em metal, onde se gravava o selo. É muito provável que o uso do anel nos Bispos fosse motivado, além das razões simbólicas, pela funcionalidade para os próprios Bispos autenticarem os seus actos (era um costume muito usado na antiguidade).
Durante o período do feudalismo episcopal, o anel perde o seu significado original e torna-se sinal do poder temporal. Com a vitória da Igreja sobre as investiduras, o anel, tendo perdido o seu simbolismo original, assume um novo significado, o nupcial. O anel já era muito usado no rito do matrimónio. Assim, o anel episcopal exprime o mistério nupcial de Cristo e da Igreja. O Bispo, imitando Jesus Cristo, era considerado esposo da Igreja a ele confiada. O novo simbolismo chegou a modificar o aspecto do anel: em vez de um selo gravado em metal, é agora colocada uma pedra preciosa.
A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II conservou o significado nupcial do anel episcopal, terminando, assim, a simbologia originária do selo e da autoridade-honra. Com o anel, o Bispo é o esposo da Igreja local e é-lhe pedido que seja fiel e puro na fé e na conduta da vida. Sem recuperar o significado de selo, depois do Concílio, o anel abandona, na maior parte das vezes, a pedra preciosa de cor, típica dos anéis dos nobres e dos bispos do Renascimento. Assume, agora, uma forma mais simples e mais significativa da função episcopal. Exemplo disto foram os anéis dos últimos Papas: Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II.

Báculo


do latim, baculum, baculus, significa bastão, bordão, cajado.Em sentido figurado e simbólico passou a indicar «apoio», pela sua função de ajuda no caminhar e, sobretudo, «autoridade», por analogia com a vara ou bastão que o pastor usa para conduzir e dirigir o seu rebanho. No Salmo 22 [23]2-4 alude-se a esta ajuda de Deus: «o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.» Em Gn 49,10, anuncia-se que «Não se afastará o ceptro de Judá, nem o bastão de comando» (cf. também Jr 48,17).Em muitas culturas, desde a Antiguidade, o báculo significa a autoridade do governante, nas suas diversas modalidades: desde o ceptro do rei até à vara de marechal ou ao bastão do alcaide. No âmbito eclesiástico – na liturgia his¬pânica, desde o século VII, e em Roma, talvez no século IX –, o báculo passou a ser a insígnia simbólica do Bispo, como pastor da comunidade cristã.O Bispo recebe o báculo no dia da sua ordenação, como um dos sinais visíveis do seu ministério: «pela entrega do báculo pastoral indica-se o múnus de governar a Igreja que lhe é confiada» (OBPD 26). Quando o recebe escuta estas palavras: «Recebe o báculo, símbolo do múnus de pastor, e cuida de todo o rebanho no qual o Espírito Santo te constituiu como Bispo, para regeres a Igreja de Deus» (OBPD 54). O Bispo leva o báculo na mão, quando preside a uma celebração solene da sua comunidade, na procissão de entrada, durante a proclamação do Evangelho e para a bênção final.Também o abade recebe e utiliza este mesmo sinal como símbolo da sua função pastoral.
é o sinal do serviço pastoral do Bispo; sinal do cuidado que o Bispo deve ter por cada pessoa a ele confiada; é o símbolo do Pastor que dá a vida pelo seu rebanho.

Cruz Peitoral

o uso da cruz peitoral tem sua origem no costume dos antigos cristãos de trazerem, sobre o peito, pequenas cápsulas em forma de cruz; cápsulas que continham relíquias dos mártires, ou sentenças do Evangelho, ou invocações a Deus. Este costume já era praticado, na Idade Média, pelos Bispos.










BISPO LITURGICAMENTE CORRETO



Assim um Bispo obediente a Sé Apostólica na celebração da Santa Missa usa, a Batina ( veste talar episcopal), alva,amito,esola,casula,anel episcopal,solidéu,mitra e báculo ( se estiver dentro de seu território) como vemos na foto acima.


A Sagrada Ordenação


Pela sagrada Ordenação, alguns fiéis são instituídos em nome de Cristo e recebem o dom do Espírito Santo, para apascentar a Igreja com a palavra e a Graça de Deus.( pont.Rom. nº 1 pág.58)
A sagrada Ordenação se confere pela imposição das mãos do Bispo e pela Prece com que se bendiz a Deus e invoca o dom do Espírito Santo para o exercício do ministério.Pela tradição, que se manifesta principalmente pelos ritos litúrgicos e pelo costume da Igreja tanto Oriental como Ocidental,sabe-se perfeitamente que o Dom do Espírito Santo se confere pela imposição das mãos e pela prece de Ordenação de modo que os Bispos,os Presbíteros e os Diáconos,cada um a seu modo, se conformem a Cristo.( Cf. Pontifical Romano n6, pag.60)
De acordo com um costume milenar, o Bispo ordenante principal seja acompanhado de ao menos mais dois Bispos na Ordenação a ser celebrada, É muito conveniente porém, que todos os Bispos presentes participem da Ordenação do novo eleito ao ministério do sumo sacerdócio,imponham as mãos sobre ele, rezem a parte própria da Prece de Ordenação e o saúdem com o abraço da Paz.
Deste modo, na própria Ordenação de cada Bispo, se manifeste a índole colegial da Ordem Epíscopal.
Normalmente, o Bispo metropolita ordene o Bispo sufragâneo e o Bispo Local, o Bispo auxiliar.
O Bispo ordenante principal profere a Prece de Ordenação na qual se bendiz a Deus e invoca o Espírito Santo.(Cf. Pontifical Romano n16, pag.60)
A SAGRAÇÃO EPISCOPAL

Realizada na Santa Missa, a sagração episcopal é a elevação do grau da Ordem do presbiterato ao episcopado conforme as regras acima incia-se a Santa Missa o Ordenante principal vai perguntar acerca do mandato apostólico ( bula do papa q nomeia o presbitero X ao episcopado) após a leitura a assembléia responde: Graça a Deus , após a leitura e a homilia inicia-se o interrogatório do eleito, terminada a interrogação o eleito deita-se no chão para a Ladainha de todos os Santos, terminada a ladainha inicia-se a prece de ordenação e a imposição das mãos, a entrega do livro dos evangelhos e a unção da cabeça com o óleo Crismal.
na entrega do anel:
- Recebe este anel símbolo da fidelidade
e com fidelidade invencível guarda sem mancha a Igreja
esposa de Deus
Na entrega da Mitra
- Recebe a mitra e brilhe para ti o esplendor da santidade
para que, quando vier o Príncipe dos pastores
mereças receber a coroa imarcescível coroa da glória.
na entrega do Báculo
-Recebe o Báculo, símbolo do serviço pastoral
e cuida de todo o rebanho no qual o Espírito Santo
te constituiu Bispo a fim de apascentares a Igreja de Deus.

Apostolado Shemá
Seja nosso parceiro. Cole o código em seu blog.

VISITE TAMBÉM