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sábado, 7 de março de 2009

De Saulo a Paulo, do Pecado a Salvação, de Fariseu a Apóstolo.

Por Nilson Pereira dos Santos Júnior

Aqui se fará uma apresentação em duas partes, sobre a conversão e mudança ideológica de Paulo.


O Ano Paulino nos faz refletir sobre aquele que foi na Igreja primitiva o grande anunciador da Palavra, o Apóstolo dos gentios, fiel discípulo de Jesus e que um dia foi um dos maiores fariseus do sistema judaico. Analisando Paulo de Tarso, de Fariseu a Apóstolo, de Judeu fanático a pecador contrito, nós analisamos a mudança radical do plano de Salvação dos Judeus para o dos Cristãos.

Primeira parte: Mudança da visão do Pecado e do Homem.

Para Saulo havia dois tipos de pessoas no mundo: os Judeus e os Pagãos. Os primeiros tinham a oportunidade de se salvar graças a Lei, ao passo que os pagãos eram pecadores , portanto sujeitos à cólera e aos castigos divinos; sem esperança e sem Deus.

“Guardareis minhas leis e meus decretos, pois o homem que os cumprir, por meio deles viverá. (Lv. 18,5)”

Assim a fidelidade à Lei era a virtude máxima. Saulo, fariseu rigoroso, sempre havia se esforçado por seguir este caminho estreito e era fiel cumpridor dos 10 mandamentos e dos 613 preceitos da tradição judaica.

Pensava que, para conseguir a salvação, fazia-se necessária escada da revelação, o que parecia possível com esforço constante, força de vontade, perseverança e fidelidade.

Depois de Damasco (território pagão), Paulo percebe que é impossível consegui-la, porque ninguém é capaz de cumprir toda a lei, já que todos transgrediram algum preceito. Assim sendo, tanto judeus quanto pagãos pecaram:

“Não há justo [...]. Não há ninguém que faça o bem, nem mesmo um só. Todos pecaram e estão privados da glória de Deus. (Rm 6,23ª)


O homem não pode se salvar por si mesmo.E, como conseqüência irremediável, a morte:



“Com efeito, a paga do pecado é a morte.”(Rm 6,23)


O antigo fariseu, que antes se orgulhava de ser irrepreensível, agora reconhece que pratica o mal que pratica o mal que não quer que não é capaz de realizar o bem que se propõe. Por fim confessa: “Infeliz que eu sou! Quem me libertará deste corpo de morte?” (Rm 7, 24)

Além disso, reconhece ser o maior dos pecadores:“É digna de fé e de ser acolhida por todos por todos esta palavra: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro.”(1Tm 1,15)

E ainda reconhece o amor incontestável de Deus:
“A prova de que Deus no ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.”


Posteriormente por revelação divina percebe que o pecado tinha um lugar e um propósito no plano de Salvação:

“Deus encerrou todos na desobediência (pecado), afim de usar misericórdia para com todos.”(Rm 11,32)


O pecado tinha um misterioso lugar no plano de salvação. Por isso exclama:
“Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus!
Como são insondáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos.” (Rm 11,33)

E revela de forma pioneira o fato maravilhoso:
“Onde se multiplicou o pecado, a graça transbordou.” (Rm 5,20)

Saulo se confessa pecador, muito embora durante toda a vida tenha lutado para ser justo, santo, e perfeito.

Quão difícil é para um perfeccionista aceitar seus limites ou reconhecer seus erros e, depois reconhecer seus erros e, depois de remar para atravessar o rio, ser forçado a admitir que não avançou absolutamente nada. É muito difícil.

Considerar-se justo graças a seus próprios méritos (estamos enfim na teologia do merecimento) ou viver agradecido a Deus que lhe enviou o elevador, porque não conseguia mais esforçar-se na interminável escada. Ou continuar vangloriando-se em seus merecimentos pessoais, ou aceitar seu pecado e abandonar-se perdão misericordioso de Deus. Empreender a subida pela escada implica a renunciar ao elevador.
Se o pecado o afastava de Deus, agora, reconhecido, o faz recorrer a ele de forma mais humilde; mas não para cobrar dele o que lhe deve por suas boas obras. Em conseqüência, todo aquele esforço que era motivo de glória não serviu para nada, pela simples razão de que o barco de sua vida estava amarado com a corda do pecado. E, ainda mais dramático: aceitar a Lei como meio de salvação implica necessariamente em renunciar ser salvo por Jesus Cristo.

Por isso, estando na prisão, ele próprio resume este ponto avaliando-o com suas cadeias.

“Mas essas coisas, que eram ganhos para mim (refere-se ao sistema da lei) considerai-as prejuízo por causa de Cristo. Mais que isso, julgo que tudo é prejuízo por causa de Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele, perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo. (Fl 3, 7-8)
Segunda Parte: A mudança da visão de Paulo sobre a Salvação.

O ápice da conversão de Paulo foi na nova visão do plano de salvação, cujo resumo encontramos nas Cartas aos Efésios (Ef, 1,2-13), aos Filipenses (Fl 2,4-11) e aos Romanos (Rm 3-4), nas quais se entrelaçaram fatores diversificados.

• O desígnio de Deus em Jesus Cristo;

• Jesus que nos resgata a preço de seu sangue;

• O selo do Espírito Santo, que torna presentes e eficazes os frutos da redenção.


Nestes três campos, o aplicado discípulo de Gamaliel sofreu uma profunda metanóia (mudança de mentalidade). A partir de Damasco, houve uma erosão em seus paradigmas. Mais do que a queda de Paulo ao chão, foi a marca que foram desmoronados seus princípios religiosos. Paulo conhece algo que era até então, inimaginável: a salvação é concedida por graça; é gratuita.

Este tema oferece a visão evangélica do plano universal, pois há muitos cristãos que ainda vivem nos antigos paradigmas da redenção. Todavia não se trata de conhecê-lo pela cabeça, mas de experimentá-lo na vida.

Quando Saulo transforma sua visão de Jesus, automaticamente transforma também a visão sobre a salvação. Se antes ela era merecida Pelo comprimento da lei, agora é um presente gratuito da misericórdia de Deus, pois Jesus já pagou o preço de nosso resgate. )
Visão de Paulo sobre a Salvação.

Seguindo a tradição Bíblica, que afirmava: “Quem cumprir estas coisas, por elas viverá” (cf Jr 10,5 Rm 10,5), Saulo crê e professa que a salvação se merece pelo cumprimento da lei. Essa é a razão pela qual se esforçava em cumprir com rigor todos os mandamentos e preceitos da legislação mosaica, a Torá.

Isso é claro era o ensinamento da tradição judaica e assim também era o ensinamento das autoridades religiosas da época.

B) A salvação é pela graça que exclui as obras da Lei.
Em primeiro lugar, desmascarava um grave sofisma, segundo o qual o homem se salvava por observar todos os mandamentos e preceitos da Lei. Entretanto,ninguém, absolutamente ninguém, pôde nem é capaz de cumpri-la. Assim sendo, é impossível salvar-se pelas meras forças humanas. Ao contrário a todos seria concedida a condenação por transgredir a Lei.

Nessa hora, descobre que Jesus já pagou nossa dívida por termos comido do fruto proibido. A nós não custou nada, Jesus pagou nossas dívidas, nossas falhas.

Aceitar que a Salvação é gratuita é difícil, uma vez que queremos nos vangloriar por nossos méritos. Prefere-se conquistar a salvação a agradecê-la (sim, estamos falando da teologia do merecimento). Paulo viu dois dilemas opostos e deveria escolher um dos dois: ou continuar seguindo os 613 preceitos e crêr que pode se salvar por méritos próprios, ou aceitar a dádiva da salvação. Se fosse pela Lei, já não seria pela graça, se fosse pela graça, já não seria pela Lei. Não tem meio termo.
C) Salvação é um don gratuito de Deus!

Infelizmente nos embrenhamos na controvérsia medieval discutindo se a salvação nos é outorgada somente pela fé,“Solas fides” (melhor dizendo, a Teologia da Justificação Luterana) ou pela fé juntamente com as obras.
As obras, ou melhor, os frutos do Espírito Santo, pois tudo o que o homem realiza de bom é por ação do Espírito Santo, também são graça de Deus. E são sinais inequívocos da salvação.

As meras obras da Lei não salvam, porque isso tornaria desnecessária a obra de Jesus Cristo. A fé, porém, é inseparável da caridade. Assim como a água molha e o fogo queima, o amor e a fé são indissociáveis, o amor a Deus, o amor a nós mesmos e o amor para com os outros.

É o Chamado efeito catarata: ao ouvir a palavra de Deus, ativa-se a salvação ganha por Jesus na Cruz e o mesmo Espírito manifesta seus frutos em quem a palavra foi fecundada.


Portanto se não há manifestação dos frutos não há fé, pois a fé, e sim ideologia ou sentimentalismo.

As obras da Lei não são condições para nos salvarmos e sim conseqüência necessária por estarmos selados pelo Espírito Santo. Os frutos do Espírito são o sinal da Salvação e não a condição para a mesma.

D) Salvação objetiva e salvação subjetiva

A Teologia distingue entre a salvação objetiva e a salvação subjetiva:

*Salvação Objetiva: É aquela já realizada por Jesus há dois mil anos e pela qual podemos afirmar: “Já fomos salvos por Jesus.”

*Salvação Subjetiva: É fazer nosso, nos dias de hoje os frutos da salvação. Começamos hoje a vivê-la, como primícias, na esperança e se consuma na vida eterna.

Porque para mim, o viver é Cristo! (Fl 1,21).

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