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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A mortificação

Segundo, TANQUEREY, Adolph: A Vida Espiritual Explicada e Comentada. Anápolis: Aliança Missionária Eucarística Mariana, 2007. pgs. 403-434). ................

A Mortificação contribui, com a penitência, para purificar das faltas passadas; mas o seu fim principal é premunir-nos contra as do presente e do futuro, diminuindo o amor do prazer, fonte dos nossos pecados.

Sua natureza, a Sua Necessidade e a Sua Prática.

Natureza -> Seus diversos Nomes e sua Definição.

Necessidade -> Para a Salvação e para a Perfeição.

Prática -> Princípios gerais - Mortificação dos sentidos exteriores - Mortificação dos sentidos interiores - Mortificação das paixões e Mortificação das faculdades superiores.

I. Natureza da Mortificação A - Expressões bíblicas, para designar a mortificação. Encontramos sete expressões principais nos Livros Santos, para designar a mortificação sob os seus diversos aspectos:

1 - A palavra renúncia: «qui non renuntiat omnibus quae possidet non potest meus esse discipulus» apresenta-nos a mortificação como um ato de desprendimento dos bens exteriores, para seguirmos a Cristo. Assim fizeram os Apóstolos: «relictis omnibus, secuti sunt eum»

2 - É também uma abnegação ou renúncia a si mesmo: «Si quis vuli post me venire, abneget semetipsum» E na verdade, o mais terrível dos nossos inimigos é o amor próprio desordenado; eis o motivo por que é forçoso desapegar-nos de nós mesmos.

3 - Mas a mortificação tem um lado positivo: é um ato que fere e atrofia as más tendências da natureza: «Mortifica te ergo membra vestra .. Si autem Spiritu facta carnis mortíficaveritis, vivetis »

4 - Mais ainda é uma crucificação da carne e das suas concupiscências, pela qual cravamos, por assim dizer, as nossas faculdades à lei evangélica aplicando-as à oração, ao trabalho: «Qui sunt Christ, carnem suam crucifixerunt cum vitiis et concupiscentiis»

5 - Esta crucifixão, quando persevera, produz uma espécie de morte e de enterramento, pelo qual parecemos morrer completamente a nós mesmos e sepultar-nos com Jesus Cristo, para vivermos com Ele uma vida nova «Mortui enim estis vos et vita vestra est abscondita cum Cristo in Deo … Consepulti enim sumus cum illo per baptismum in mortem» .

B- Expressões modernas.

Hoje vai-se preferindo o uso de expressões mitigadas, que indicam o fim que se pretende atingir, antes do esforço que para isso se tem de empregar.
Diz-se que é mister reformar-se a si mesmo, governar-se a si mesmo, fazer a educação da vontade, orientar a sua alma para Deus.
Estas expressões são exatas, contanto que se saiba mostrar que ninguém pode reformar-se e governar-se a si mesmo, sem combater e mortificar as más tendências que em nós existem; que não se faz a educação da vontade, senão mortificando, disciplinando as faculdades inferiores, e que não há possibilidade de alguém se orientar para Deus se não desapegando-se das criaturas e despojando-se dos próprios vícios.

C - Definição.

Pode-se, pois, definir a mortificação: a luta contra as más inclinações, para as submeter à vontade, e esta a Deus.É menos virtude que um complexo de virtudes, o primeiro grau de todas as virtudes, que consiste em vencer os obstáculos, no intuito de restabelecer o equilíbrio das faculdades, a sua ordem hierárquica.
Assim se vê mehor que a mortificação não é um fim, senão um meio; o homem não se mortifica senão para viver uma vida superior, não se despoja dos bens exteriores senão para melhor conseguir os bens espirituais, não se renuncia a si mesmo senão para possuir a Deus, não luta senão para gozar da paz, não morre a si mesmo senão para viver da vida de Cristo, da vida de Deus. A união com Deus, é, pois, o fim da mortificação. Assim, melhor se compreende a sua necessidade.
Por outros termos, é necessário saber, como faz a Sagrada Escritura, reunir os dois aspectos da mortificação, mostrar o fim, para consolar, mas não dissimular o esforço necessário para o atingir.

II -Necessidade da Mortificação

Esta necessidade pode-se estudar sob duplo aspecto: a Salvação e a Perfeição.

A -Necessidade da mortificação para a Salvação

Há mortificações necessárias para a salvação, neste sentido que, se não se fazem, há perigo de cair no pecado mortal.

1 - Nosso Senhor Jesus Cristo fala disto clarissimamente, a propósito das faltas contra a castidade: «Todo aquele que olhar para uma mulher com concupiscência, ad concupiscendam eam, já cometeu adulério com ela em seu coração» .

Há, pois, olhares gravemente pecaminosos, os que são inspirados por maus desejos; e a mortificação de tais olhares impõe-se sob pena de pecado mortal. É afinal, o que Nosso Senhor acrescenta com estas enérgicas palavras:

«Se o teu olho direito te escandaliza, arranca-o, e lança-o para longe de ti; porque melhor te é que pereça um só dos teus membros do que ser todo o teu corpo lançado na geena». Não se trata aqui de vazar os próprios olhos, senão de arrancar a vista desses objetos que são cauda de escândalo. _ São Paulo dá-nos a razão destas graves prescrições:

«Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se, pelo Espírito, fizerdes morrer as obras da carne, vivereis: si enim secundum carnem vixeritis, moriemini, si autem Spiritu facta carnis mortificaveritis, vive tis»

Como sabemos a tríplice concupiscência que permanece em nós, excitada pelo mundo e pelo demônio, leva-nos muitas vezes ao mal e põe-nos a salvação em perigo, se não temos cuidado de a mortificar. Donde resulta a necessidade absoluta de combater incessantemente as tendências perversas que em nós existem, de evitar as ocasiões próximas de pecado, isto é, esses objetos ou pessoas que, dada a nossa experiência passada, constituem para nós um perigo sério e provável de pecado, e de renunciar por isso mesmo a muitos prazeres a que a natureza nos arrasta.

Há, pois, mortificações necessárias, sem as quais viríamos a cair no pecado mortal.

B - Necessidade da mortificação para a Perfeição

Esta necessidade promana da natureza da perfeição, que, consiste no amor de Deus até o sacrifício e imolação de nós mesmos, de tal sorte que, segundo a Imitação, a medida que nosso progresso espiritual depende da violência que a nós mesmos nos fazemos: tantum proficies quantum tibi ipsi vim intuleris . Bastará, recordar sumariamente alguns motivos que poderão influir sobre a nossa vontade, para a ajudar a cumprir este dever. Esses motivos tiram-se da parte de Deus, de Jesus Cristo, e da nossa santificação pessoal .

1. Da parte de Deus
- O fim da mortificação, como dissemos, é unir-nos com Deus.Ora, é impossível conseguir essa união, sem nos desprendermos do amor desordenado das criaturas.
Como diz com razão São João da Cruz, «a alma apegada à criatura torna-se semelhante a ela; quanto mais cresce a afeição, tanto mais se afirma entre a identidade, já que o amor estabelece uma relação de igualdade entre o que ama e o que é amado ...
Portanto, quem ama uma criatura, abate-se ao seu nível, e até mais abaixo, porque o amor não se contenta de nivelar, senão que estabelece uma certa escravidão.
É por este motivo que uma alma, escrava dum objeto fora de Deus, se torna incapaz de pura união e transformação em Deus, porque a baixeza da criatura é mais distante da soberania do Criador que as trevas da luz».
Ora a alma, que se não mortifica, não tarda em apegar-se desordenadamente às criaturas. Após a queda original, sente-se atraída para elas, cativada pelos seus encantos, e, em lugar de se servir delas como de degraus para subir ao Criador, compraz-se nelas, considerando-as como um fim.
Para quebrar este encanto, é absolutamente necessário desapegar-se de tudo o que não é Deus, ou ao menos, de tudo que não é encarado como meio de subir para Deus.

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