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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Meditação Cristã

São Paulo disse que não sabemos rezar, mas que o Espírito reza em nós (Rm 8,26). Esta é a chave para entendermos o sentido real da oração cristã. Sugere que aprendemos a rezar não treinando a rezar, mas sim desistindo de nosso treinamento ou abandonando-o. E, ao invés, aprendendo a "ser".
Isso abre a possibilidade de aprendermos a oração do coração em que encontramos o “amor de Deus inundando o íntimo do nosso coração pelo Espírito Santo , que nos foi dado” (Rm 5,5). Isso é experiência pura, que supera todo e qualquer pensamento, dogma e imaginação.
A pergunta importante consiste em saber de que modo podemos abrir-nos totalmente a esta experiência pura de amor no mais íntimo de nosso ser. Primeiro, observemos os três elementos essenciais da contemplação. Estes respondem à pergunta sobre “como” devemos rezar: oramos mantendo-nos silenciosos, quietos e simples.

Silêncio

Necessitamos de silêncio tanto para nossa saúde psicológica quanto para nosso crescimento espiritual. Com televisão, walkman e o barulho do transito das cidades modernas, o silêncio vai tornando-se cada vez mais difícil de ser experimentado.Contudo, o verdadeiro silêncio é interior. De fato, mesmo que estejamos num ambiente muito barulhento, podemos manter-nos silenciosos quando estamos concentrados, o que significa: unidos ao nosso próprio centro.
Aprendemos a ser silenciosos prestando atenção. A atenção conduz o centro de nosso ser à plena consciência. Ela nos transfere do passado e do futuro para o presente, que é suave e tranqüilizante.
Não há razão, pois, para que não possamos permanecer silenciosos em uma rua barulhenta, em um transito congestionado ou na fila de um supermercado. Aprender a conservar-nos silenciosos nos períodos de meditação ensina-nos a “rezar” em todos os momentos. Ensina-nos também a usar toda a espera, demora ou frustração na vida diária como oportunidade – na verdade, uma dádiva – para ir aprofundando-nos , para aprender a escutar, a esperar em nosso silêncio recém-encontrado.
O silêncio é fiel. É saudável. Pacifica nosso torvelinho interior. É a cura para a ira, a ansiedade e a amargura destrutivas. Em silêncio aprendemos a linguagem universal do Espírito. Deus fala a palavra criadora em meio a um silêncio ilimitado, que impregna tudo o que pensamos e fazemos.
O silêncio na oração, como o silêncio entre duas pessoas, é sinal de confiança e aceitação. Sem a capacidade de fazer silêncio ficamos incapazes de ouvir outra pessoa. Em essência o silêncio nada mais é do que adoração em espírito e verdade. Assim sendo, não se trata exatamente da ausência de barulho ou ruído. O silêncio é atitude global do ser, do relacionamento e abertura ao conhecimento mútuo a ao ser-em-reciprocidade, que é amor.

Quietude

Um dos salmos diz: “Tranqüilizai-vos e reconhecei: Eu sou Deus” (Sl 46,11). Quietude – ou tranqüilidade - não significa estado de inércia ou morte. Conhecer Deus é equivalente a estar plenamente vivo e atento.
A quietude é o equilíbrio de todas as inúmeras forças e energias que constituem uma pessoa: físicas, mentais e espirituais.
Como acontece com o silêncio, a quietude possui tanto a dimensão exterior quanto interior. Quietude nada tem a ver com parada, bloqueio ou repressão de movimento ou ação. Ela é a realização plena de todos os movimentos e ações.
Na oração precisamos chegar à quietude física. É o primeiro passo na caminhada interior rumo a Deus no centro de nosso ser. A quietude física ajuda-nos a compreender que nossos corpos são sagrados: “templos do Espírito Santo” (1 Cor 6, 19). Na realidade, o simples fato de aprendermos a sentar-nos constitui grande passo à frente em todo o caminho espiritual. Para muitos essa é a primeira lição para ir além do mero desejo: pode ser controle da vontade de coçar-nos ou mexer-nos, por exemplo. Nossa intranqüilidade física reflete não só cansaço excessivo e tensão, mas também ansiedade e distração mental. A quietude física possui efeito direto sobre o silêncio de nossa mente e, assim, ajuda-nos imensamente a estabelecer a harmonia entre o corpo, mente e espírito. No entanto, a próxima dimensão da quietude é interior. Chegar à quietude da mente representa o grande desafio da oração. Desejos, sonhos e grandes expectativas podem dividir e dominar a nossa mente.

Simplicidade

A oração cristã está despertando para a realidade de que desde agora nós nos achamos em casa dentro do Reino de Deus. Ser simples não é fácil. Estamos constantemente analizando-nos, analisando nossos sentimentos, nossas motivações – ou as de outras pessoas – e nossa permanente autoconsciência faz de nós pessoas muito complexas e confusas. Mas Deus é simples: o amor é simples. A meditação é simples. Ser simples significa sermos nós mesmos. Significa superar a autoconsciência, a auto-análise e a auto-rejeição. A meditação é prática espiritual universal que nos dirige para este estado de oração, para a oração de Cristo. Ela nos conduz ao silêncio, à quietude e a simplicidade utilizando um meio que, em si, é silencioso, quieto e simples.

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