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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Don Estevão Explica a Diferença das Bíblias

Por que a diferença entre a Bíblia católica
E a dos protestantes ?

“Na Bíblia dos protestantes não estão todos os livros contidos na dos católicos.Por que e de onde vem esta diferença”
Temístocles de Azevedo Arruda-Lins,SP.

A resposta só poderá ser dada com segurança se considerarmos a historia da formação do catálogo sagrado.É o que vamos fazer.Antes, porém,deveremos explicar alguns vocábulos importantes para este estudo.

De fato, a Bíblia publica pelos protestantes não contem sete livros do antigo Testamento,que se acham na Bíblia dos católicos, a saber:Tobias,Judite,Sabedoria,Baruque,Eclesiástico ou Sirácida, 1ª e 2ª dos Macabeus,alem de fragmentos,como Éster 10,4-16,24 e Daniel 3.24-90;13s.
Nomenclatura

Eis alguns vocabulários-chave:

1)Cânon,do grego Kanón = regra, medida e catalogo:

2)Canônico =livro catalogado – o que significa que também é inspirado por Deus;

3)Protocanônico =livro catalogado próton, isto é,em primeiro lugar ou sempre catalogado;

4)Deuterocanônico = livro catalogado, deuteron ou em segunda instância,posteriormente (após ter sido controvertido);

5)Apócrifo, do grego apókryphon = livro oculto,isto é,não lido nas assembléias públicas de culto,reservado à leitura particular.Em conseqüência,livros não canônico, não catalogado,embora tenha aparência de livro canônico (Evangelho segundo Tomé,Evangelho da Infância,Assunção de Moisés...).

Os apócrifos,embora tenham sido,durante séculos,tidos como desprezíveis portadores de lendas,são ultimamente reconhecidos como valiosos para a historia do Cristianismo,por três motivos, a saber:
1)através de suas afirmações, referem o modo de pensar dos judeus e cristãos dos séculos pouco anteriores e posteriores a Cristo (Século II ªc até século v d.c );

2)podem conter proposições verdadeiras que não foram consignadas pelos autores sagrados (os nomes dos genitores de Maria Santíssima, sua apresentação no templo aos três anos de idade,sua Assunção corporal...;

3)contem sentenças de hereges,que contribuem para a compreensão da historia do Credo.

O cânon católico compreendeu 47 livros do Antigo testamento,caso-se conte como unidade distinta a carta de Jeremias (=Baruque 6);se, ao contrario,a mesma for considerada como o capítulo 6 de Baruque,o total é de 46 livros.No Novo Testamento há 27 livros – o que perfaz 74 (73) livros sagrado ao todo.

Examinemos agora a maneira como se foi formando o catalogo do Antigo testamento.
Historia do Catalogo do Antigo Testamento

As passagens Bíblicas começaram a ser escritas esporadicamente desde os tempos anteriores a Moises;cumpre ressaltar que a escrita era uma arte rara e cara nas Antiguidades.Moises foi o primeiro codificador das tradições orais e escritas de Israel,no século XIII ªc. a essas tradições (leis,narrativas,peças liturgias) foram sendo acrescido,aos poucos, outros escritos no decorrer dos séculos, sem que os judeus se preocupassem com a catalogação dos mesmos.

Todavia,no século I da era cristã,deu-se um fato importante:começaram a aparecer os livros cristãos (cartas de São Paulo,Evangelho...),que se apresentavam como a continuação dos livros sagrados dos judeus.Estes,porem,não tendo aceitado os Cristãos,trataram de impedir que se fizesse a aglutinação dos livros judeus e livros cristãos.Por isso,reuniu-se a fim de estabelecer as exigências que deveriam caracterizar os livros sagrados ou inspirados por Deus

.Foram estipulados os seguintes critérios.

1)o livro sagrado não pode ter sido escrito fora da terra de Israel;

2)...não em línguas aramaica ou grega, mas somente em hebraico (línguas pátria do povo israelita)

3)...não depois de Esdras (458-428 ªc.);

4)...não em contradição com a tora ou lei de Moises.

Em conseqüência,os Judeus da palestina fecharam seu cânon sagrado sem reconhecimento livros e escritos que não obedeciam a tais critérios.Acontece,porem,que em Alexandria,no Egito,havia uma prospera colônia judaica que,vivendo em terra estrangeiro e falando língua estrangeira (o grego),não adotou o critério nacionalista estipulados pelos Judeus de Jâmnia.

Os judeus de Alexandria chegaram a traduzir os livros agrados hebraicos para o grego entre 250 e 100 ªc.,dando assim origem à versão grega dita “Alexandria” ou “dos Setenta Interpretes”.Essas edições bíblicas gregas encerram livros que os judeus de Jâmnia não aceitaram,mas que os de Alexandria liam como Palavras de Deus;assim são os livros de Tobias,Judite,Sabedoria,Baruque,Eclesiástico ou Sirácida,1ª e 2ª dos Macabeus,além de Éster 10,4-16,24 e Daniel 3,24-90;3s.

O Cânon restrito e o amplo

Podemos.pois,dizer que havia dois cânones entre os judeus no inicio de era cristã:o restrito,da Palestina,e o amplo,de Alexandria.

Ora,acontece que os apóstolos e evangelistas,ao escreverem o Novo Testamento em grego,citavam o Antigo Testamento,usando a tradução grega de Alexandria,mesmo quando esta diferia do texto hebraico-tenhamos em vista Mt 1,23 (cita Is 7,14); Hb 10,5 (cita Sl 40,7).Esta se tornou a forma comum entre os cristãos; em conseqüência,o cânon amplo,incluindo od sete livros já citados,passou para o uso dos cristãos.

Verdade é que do século II ao IV houve duvidas entre os escritores cristãos com referencia aos setes livros,sendo que alguns se valiam das autoridades dos judeus de Jerusalém para hesita.Finalmente,porem,prevaleceu na Igreja a consciência de que o cânon do Antigo Testamento deveria ser o de Alexandria,adotado pelos apóstolos.Em vista disso, os Concílios regionais de Hipona (393),Cartago III (397),Cartago IV (419) e trulos (692) definam sucessivamente o cânon amplo como sendo o da Igreja.Esta definição foi repetida pelos concílios de Florença (1442),Trento (1546) e Vaticano I (1870).

Durante a idade Média pode-se dizer houve unanimidade entre os cristãos a respeito do cânon.
No século XVI,porem,Martinho Lutero (1483-1546),querendo contestar a Igreja, resolvendo adotar o cânon dos judeus da Palestina,deixando de lado os sete livros deuterocanônicos que a igreja recebera do judeu de Alexandria.É esta razão pela qual a Bíblia dos protestantes não tem os sete livros e os fragmentos que a Bíblia dos católicos inclui para dirimir as duvidas,observemos que:

-Os critérios adotados pelos judeus de Jâmnia para não reconhecer certos livros sagrados,eram critérios nacionalistas,devidos ao fato de que,desde 587 .c., Judeus viviam sob jugo estrangeiro,o que lhes suscitava profunda aversão aos povos pagãos;

-é o Espírito Santo quem guia a Igreja de Cristo e fez com que,após o período de hesitação (século I-IV),os cristãos reconhecem como validos o cânon amplo.Aliás,para definir o cânon bíblico não se pode apelar para o estilo ou o conteúdo ou os frutos dos livros sagrados,pois tais critérios deixarão sempre margem para duvidas;

é unicamente a tradição oral (anterior a escrita),proferida autenticamente pela Igreja (a quem Cristo assiste),que pode definir o catalogo bíblico.Os protestantes,que dizem só reconhecer a Bíblia como fonte da Revelação Divina,não podem frutar-se a apelar para a tradição oral a fim de definir o seu catalogo bíblico.

Pode-se ainda observar que o próprio Lutero traduziu para o alemão os livros deuterocanônicos – o que bem mostra que eles eram usuários entre os cristãos.Não foi o concilio de Trento que os introduziu no cânon.

Para os católicos,os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento são tão valiosos quantos os protocanônicos;são a Palavras de Deus inerrante que.alias,os próprios judeus da Palestina estimavam e aliam como textos edificantes.

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