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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

As Imagens por quê?

A questão do culto das imagens é muito debatida hoje em dia, pois há quem julgue que se trata de idolatria, baseando-se, para tanto em textos do Antigo Testamento. Examinemos de perto o problema.

1. O Antigo testamento

O livro do Êxodo (20,4) proíbe aos israelitas a confecção de imagens. Por quê? Porque poderiam dar oportunidade para que o povo de Israel as adorasse, como faziam os povos vizinhos. Os israelitas tendiam sim, a imitar os gestos religiosos dos povos pagãos.
Verifica-se, porém, que a proibição de fazer imagens não era algo de absoluto. Em certos casos o Senhor mesmo mandou confeccionar imagens para sustentar a piedade de Israel; senão, vejamos:

Ex 25,17-22: O Senhor mandou Moisés colocar dois querubins de ouro sobre o propiciatório da Arca; era pelo propiciatório que Javé falava ao seu povo. Por isso a Bíblia costuma dizer que “Javé está sentado sobre os querubins”(cf. 1Sm4,4; 2Sm 6,2).

Agora vejamos em outros livros do próprio antigo testamento que o culto das imagens era uma realidade.

1Rs 6,23-28: O texto menciona os querubins postos junto a Arca da Aliança no Templo de Salomão.

1Rs 6,29s: As paredes do Templo de Salomão foram revestidas de imagens de querubins.
Nm 21,4-9: O Senhor Deus mandou confeccionar a serpente de bronze para curar o povo mordido por serpentes.


1Rs 7,23-26: O mar de bronze colocado á entrada do palácio de Salomão era sustentado por 12 bois de metal.

2. Novo Testamento.

Pelo mistério da Encarnação, sabemos que Deus quis dirigir-se aos homens por meio da figura humana de Jesus, o Messias. Este por sua vez, quis ilustrar as realidades invisíveis através de imagens inspiradas pelas coisas visíveis: assim, utilizou parábolas e alegorias que se referiam aos lírios do campo, à figueira, aos pássaros do céu, ao bom pastor,à mulher que perdeu a sua moeda, ao filho pródigo...

Mas a evolução dos povos, que foram aprimorando sua cultura, tornou menos sedutora a prática da idolatria. Isso tudo fez com que os cristãos compreendessem que a proibição de fazer imagens já cumprira seu papel junto ao povo de Israel; doravante prevaleceria a pedagogia divina exercida na Encarnação, que levara os homens a passar das coisas visíveis ao amor pelas invisíveis. A meditação acerca das fases e a apresentação da vida de Jesus e a representação artística das mesmas tornaram-se recursos através dos quais, o povo fiel procurou se aproximar do filho de Deus.

Em conseqüência os antigos cemitérios cristãos (catacumbas) foram decorados com diversos afrescos, geralmente inspirados nos textos bíblicos: Noé salvo das águas do Dilúvio, os três jovens na fornalha cantando, Daniel na cova dos Leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação feita por Jesus, o Peixe – Ichthys-, que simbolizava o Cristo.

Nas Igrejas, as imagens tornaram-se a Bíblia dos Iletrados, dos simples e das crianças (tendo em vista que até a Idade moderna, poucos eram os que tinham acesso a escrita e a leitura) exercendo função pedagógica de grande alcance. É o que notaram alguns escritores cristãos antigos: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente”(São Gregório de Nissa). E ainda: “O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem é para os iletrados”(São João Damasceno, século VIII)

O Papa São Gregório Magno escrevia a Sereno, bispo de Marselha, em fins do século VI: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas, não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem; outra é aprender, mediante esta imagem, a quem si dirigem as tuas preces. O que a escritura é para os que sabem ler, a imagem é para os ignorantes; mediante as imagens eles aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler”.

A Controvérsia Iconoclasta.

Nos séculos VIII e IX, verificou-se na Igreja uma disputa em torno do uso das imagens- a luta iconoclasta. Por influência do judaísmo, do islamismo, de seitas e antigas heresias cristológicas, muitos cristãos do oriente se opuseram a legitimidade do culto das imagens. A controvérsia foi levada ao Concílio de Nicéia(787); este, com base nos raciocínios dos grandes teólogos como São João Damasceno, reafirmou a validade do culto das imagens; culto de veneração, e não adoração diga-se de passagem. Com efeito, o Concílio fez um distinção de latréia(adoração, reconhecimento da soberania absoluta de Deus) e proskýnesis (veneração), tributável aos Santos e também às imagens sagradas.

A Tradição cristã reconheceu reiteradamente o valor pedagógico e psicológico das imagens, como suportes para a vida de oração. Assim por exemplo, escrevia Santa Teresa de Ávila (+1582), ao ensinar as vias da oração às suas Religiosas: “Eis um meio que vos poderá ajudar. Cuidai de ter uma imagem ou uma pintura de Nosso Senhor que esteja de acordo com o vosso gosto. Não vos contenteis com trazê-la sobre o vosso coração sem jamais a olhar, mas servi-vos da mesma para vos entreterdes muitas vezes com Ele" (Caminho da Perfeição, 43,1).

Ainda podemos citar um grande evento, por parte dos protestantes onde os mesmos reconhecem o culto de veneração às imagens. Protestantes Luteranos, afirmaram no ano de 1956, em um Congresso em Karlsruhe, onde ponderou que o preceito de Cristo de, pregar o Evangelho em todas as línguas, inclui também o uso da linguagem figurada d artista (pintor ou escultor). Perguntavam, outrossim, “Por que admitir as impressões auditivas na catequese e rejeitar as impressões visuais? Estas parecem ainda mais edificantes que aquelas”.

JÚNIOR, Nilson Pereira dos Santos, fonte: O mensageiro Santo Antônio, Guarulhos, São Paulo, Brasil.

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