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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O Purgatório

Apostolado Shemá.

Por Nilson Pereira dos Santos Júnior

O Purgatório.


A doutrina do purgatório constitui um dogma de fé que a Igreja ensina por seu constante Magistério (Ver Catecismo da Igreja Católica, nº 1031). Vejamos em que consiste.
O amor de Deus

1) O amor a Deus, num cristão, pode coexistir com tendências desregradas e pecados leves (ao menos, semideliberados). Há, sim, em todo indivíduo humano, um lastro inato de desordem: egoísmo, vaidade, amor próprio, covardia, negligência... Tudo isso se acha tão intimamente arraigado no interior do homem que chega, por vezes, a acompanhar as suas mais sérias tentativas de se elevar a Deus e dar a Ele o lugar primacial que Lhe compete. A psicologia da profundidade ensina que essas tendências nem sempre são conscientes, mas muitas vezes atuam no nosso subconsciente ou inconsciente.

O pecado deixa “ferrugem na alma”
2)
Mais: todo pecado (Principalmente quando grave, mas também a falta leve) deixa na alma resquícios de si ou uma inclinação má (metaforicamente o pecado deixa uma cicatriz, deixa um pouco ferrugem na alma dificultando-lhe a prática do bem). Com efeito, o pecado gera sempre o que podemos chamar de desordem. Quando o pecador se arrende e pede perdão a Deus, por mais grave que seja o pecado, o Pai do céu perdoa (o Senhor nunca rejeita a contrição sincera). Mas o amor do pecador arrependido pode não ser o suficiente para extinguir todo resquício de amor desregrado e egoísta existente na alma. Em conseqüência, o pecador arrependido recebe o perdão do seu pecado, mas ainda deve-se libertar da desordem deixada em sua alma (no caso o que denominamos de cicatriz). De fato quantas vezes se verifica que, mesmo após uma confissão contrita, o cristão recai nas faltas da qual se arrependeu.

Isso se deve ao fato que no seu íntimo há uma ferrugem do pecado. Figurativamente, pode-se dizer que o cristão arranca a folha e o caule da tiririca, mas dificilmente arranca também o caroço ou a raiz. Para se retirar totalmente o princípio do pecado é preciso que o cristão exercite e “re-exercite” o amor de Deus.

Vejamos um exemplo bem claro de como nosso pecado gera desordem e de como nós devemos restabelecer esta ordem:
Quem rouba um relógio, pode se arrepender e receber o perdão do respectivo proprietário, mas este exigirá que a ordem seja restaura, ou seja: que o relógio seja devolvido. Assim se faz também no caso de uma difamação, ao receber o perdão a pessoa que difamou tem o dever de restabelecer a fama.

Porém surge uma pergunta: “E a pessoa que mata? Como ela faz para restabelecer esta ordem?”
Está pergunta pode ser estendida a todos os pecados que como a morte, é irreversível.
Quando uma pessoa mata, ela depois de se arrepender e receber o perdão deve fazer de sua vida um testemunho, para que através do seu exemplo outras pessoas não caiam no mesmo erro. Por isso vemos tantas pessoas que no passado foram grandes pecadores e hoje são grandes anunciadores do reino de Deus.
E também os pecados meramente internos (de pensamentos e desejo) suscitam o que podemos chamar de “desordem interna” no pecador, de modo que este precisa de restaurar ou introduzir a ordem em seu interior, por meio de penitências, renúncias e mortificações. Vamos às bases bíblicas que evidenciam isto:

A) Davi, culpado de homicídio e adultério, foi agraciado ao reconhecer o delito; não obstante, teve de sofrer a perda do filho do adultério (cf 2Sm 12,13s) ;
B) Moisés e Aarão cederam à pouca fé em certos momentos em suas vidas, portanto, foram privados pelo senhor de entrarem na terra prometida, embora não haja dúvida de que a culpa seja lhes tenha sido perdoada (cf Nm 20,12s;27;12-14; Dt 34,4s).
Também é mostrado em outros casos que o perdão é totalmente associado a obras de expiação. Foi o que o Profeta Joel passou, a conversão do coração exige Jejum e pranto (cf Jl 2,12); o velho Tobit ensina seu filho que a esmola o libertará do pecado e da morte eterna.

Deus deu ao ser humano, totais condições para que ele em sua peregrinação pela terra se salve e se santifique. A justa satisfação pode e deve ser prestada na peregrinação do ser humano na terra, quando o pecador se empenha corajosamente para se libertar de suas más tendências (acima citadas ) e tornar puro seu amor a Deus de forma plena. Se não o consegue nesta peregrinação (por covardia, no sentido de ausência da coragem acima citada), compreende-se logo que deverá chegar a essa pureza na vida póstuma, antes de entrar na visão face a face de Deus.

Nesse momento, a criatura se arrependerá por ter condescendido com o mal; a alma terá plena consciência do amor de Deus e que foi sempre cercada desse amor durante toda sua vida na terrestre, e terá consciência de que o ignorou (amarga consciência) . Isso será um doloroso, do mesmo modo que uma pessoa chora por amargura por algum fato do passado, esta verificação será sim dolorosa. E também será um sofrimento moral o adiamento da contemplação face a face, a entrada no gozo definitivo de Deus.

Eis a autêntica noção e definição do Purgatório. Agora vamos aprofundar esta noção na Tradição e no Magistério da Igreja.

Concílio de Trento:
Com a “Reforma Protestante” surgiram várias heresias sobre o Purgatório, e a “Teologia da justificação” luterana que prega que basta o arrependimento para que o pecado seja perdoado e que não há penitência, confrontava com os Dogmas da Igreja.

Vamos a uma afirmação do Concílio de Trento em 1547, frente ás objeções protestantes: “a todo pecador penitente que tenha recebido a graça da justificação, é de tal modo perdoada a ofensa e abolida a obrigação a obrigação de pena eterna, que não lhe fica pena temporal a padecer ou neste mundo ou no purgatório, antes que lhe possam ser abertas as portas para o reino dos Céus”(DS 1580)

O Concílio declarou ainda para que não houvesse dúvidas heréticas: “No tocante à satisfação, é todo falso e alheio à palavra de Deus afirmar que a culpa nunca é perdoada. Com efeito, nas Escrituras Sagradas encontram-se claros e famosos exemplos que... refutam este erro com plena evidência” (DS 1689). Como vimos todo e qualquer pecado é perdoado, mas requer sim como vimos anteriormente que haja reparação da ordem violada pelo pecado.

Definições finais:
A partir de agora iremos definir quem vai, as orações dirigidas as almas do purgatório, e o que há no purgatório.

Quem vai ao purgatório: As pessoas que morrem em estado de graça com o amor de Deus em seu coração, podem ainda estar marcadas por pequenas incoerências: podem amar a Deus incondicionalmente, mas cair em pequenas falhas. É certo que Deus não rejeitará quem aquele comparece de estado de graça ou sem pecado mortal, e também é certo que devemos nos purificar de todas as escórneas do pecado aqui na Terra. Essa pessoa vai ao Purgatório somente para se purificar inteiramente, antes de se adentrar na presença do senhor. É fato que uma pessoa que morre fora do estado de graça, sem conhecer o divino amor do Pai, e em pecado mortal, vai ao Inferno.

O que há no Purgatório:
No Purgatório não há trevas, e o fogo mencionado não se interpreta de modo atormentador e sim purificador, o que há é um arrependimento profundo da alma, que gera um repúdio radical a todo tipo de leviandade ou contradição.

Orações as almas do Purgatório:
Muitas pessoas se perguntam: Por que rezar pelas almas do purgatório, se sua sorte póstuma já está definida? Eis a resposta: não pedimos que essas almas mudem de opção, não pedimos que todos que morreram avessos a Deus, se convertam em sua vida póstuma(Isso é impossível), mas pedimos simplesmente que aqueles que morreram no amor de Deus ainda que imperfeito, acabem de se purificar. O Pai quer que nós rezemos pelas almas do Purgatório do mesmo modo que rezamos pelas pessoas da Terra. O Pai faz com que nossas orações beneficiem estas almas (Deus não priva a Igreja da comunhão com seus filhos em nenhum momento).

O melhor modo e o mais usado para sufragar as almas do Purgatório é a celebração da Santa Missa. E existem sim bases bíblicas para a oração pelos mortos:
Se alguém perguntasse de bases bíblicas para as orações e para o purgatório, aqui estão.
O Antigo Testamento como atesta 2Mc 12,38-45: neste texto narra-se que Judas Macabeu verificou que soldados israelitas que morreram em batalha pela preservação de sua religião, guardaram escondido em suas vestes imagens pagãs, ou seja, haviam sido fiéis a suas tradições religiosas, mas tinham cometido um desvio (desvio o qual não tirou sua adesão incondicional a Deus). Judas Macabeu mandou fazer uma coleta para enviá-la para Jerusalém, afim de que se oferecesse um sacrifício para estes soldados, eles teriam a recompensa do reino dos céus, e os seus irmãos na Terra pediam a Deus que lhes fortalecesse, e os tirassem de qualquer sombra de pecado.

Observação:
É bom lembrar que uma das razões dos protestantes não reconhecer a fundamentação bíblica do Purgatório é que a Bíblia protestante não possui o livro 2 Macabeus, portanto é bom saber que o Cânon completo consiste na Bíblia Católica.

No novo testamento temos já uma alusão indireta ao Purgatório em 1Cor 3,10-12.

Agora que temos total consciência do que consiste o Purgatório, vivamos sim de tal modo a nos libertarmos de qualquer incoerência ou leviandade; procuremos amar a Deus em tudo e acima de tudo. Assim estaremos fazendo nosso Purgatório aqui na terra.


JÚNIOR, Nilson Pereira dos Santos, O Purgatório, 2009, Guarulhos, Fonte, revista O Mensageiro de Santo Antônio, São Paulo, Brasil.

Este artigo está livre para cópia e reprodução desde que seja cedida a fonte do autor.

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