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sábado, 31 de janeiro de 2009

MORTALIUM ANIMOS

CARTA ENCÍCLICA MORTALIUM ANIMOS DO SUMO PONTÍFICE PIO XIAOS REVMOS. SENHORES PADRES PATRIARCAS,PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOSE OUTROS ORDINÁRIOS DOS LUGARESEM PAZ E UNIÃO COM A SÉ APOSTÓLICASOBRE A PROMOÇÃO DA VERDADEIRA UNIDADE DE RELIGIÃO
Veneráveis irmãos: Saúde e Bênção Apostólica.
1. Ânsia Universal de Paz e Fraternidade

Talvez jamais em uma outra época os espíritos dos mortais foram tomados por um tão grande desejo daquela fraterna amizade, pela qual em razão da unidade e identidade de natureza – somos estreitados e unidos entre nós, amizade esta que deve ser robustecida e orientada para o bem comum da sociedade humana, quanto vemos ter acontecido nestes nossos tempos.Pois, embora as nações ainda não usufruam plenamente dos benefícios da paz, antes, pelo contrário, em alguns lugares, antigas e novas discórdias vão explodindo em sedições e em conflitos civis; como não é possível, entretanto, que as muitas controvérsias sobre a tranquilidade e a prosperidade dos povos sejam resolvidas sem que exista a concórdia quanto à ação e às obras dos que governam as Cidades e administram os seus negócios; compreende-se facilmente (tanto mais que já ninguém discorda da unidade do gênero humano) porque, estimulados por esta irmandade universal, também muitos desejam que os vários povos cada dia se unam mais estreitamente.

2. A Fraternidade na Religião. Congressos Ecumênicos
Entretanto, alguns lutam por realizar coisa não dissemelhante quanto à ordenação da Lei Nova trazida por Cristo, Nosso Senhor.Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a Ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual.Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembléias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão.

3. Os Católicos não podem aprová-lo
Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que juogam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.

4. Outro erro. A união de todos os Cristãos. Argumentos falazes
Entretanto, quando se trata de promover a unidade entre todos os cristãos, alguns são enganados mais facilmente por uma disfarçada aparência do que seja reto.Acaso não é justo e de acordo com o dever – costumam repetir amiúde – que todos os que invocam o nome de Cristo se abstenham de recriminações mútuas e sejam finalmente unidos por mútua caridade?Acaso alguém ousaria afirmar que ama a Cristo se, na medida de suas forças, não procura realizar as coisas que Ele desejou, ele que rogou ao Pai para que seus discípulos fossem "UM" (Jo 17,21)?Acaso não quis o mesmo Cristo que seus discípulos fossem identificados por este como que sinal e fossem por ele distinguidos dos demais, a saber, se mutuamente se amassem: "Todos conhecerão que sois meus discípulos nisto: se tiverdes amor um pelo outro?" (Jo 13,35).Oxalá todos os cristão fossem "UM", acrescentam: eles poderiam repelir muito melhor a peste da impiedade que, cada dia mais, se alastra e se expande, e se ordena ao enfraquecimento do Evangelho.

5. Debaixo desses argumentos se oculta um erro gravíssimo
Os chamados "pancristãos" espalham e insuflam estas e outras coisas da mesma espécie. E eles estão tão longe de serem poucos e raros mas, ao contrário, cresceram em fileiras compactas e uniram-se em sociedades largamente difundidas, as quais, embora sobre coisas de fé cada um esteja imbuído de uma doutrina diferente, são, as mais das vezes, dirigidas por acatólicos.Esta iniciativa é promovida de modo tão ativo que, de muitos modos, consegue para si a adesão dos cidadão e arrebata e alicia os espíritos, mesmo de muitos católicos, pela esperança de realizar uma união que parecia de acordo com os desejos da Santa Mãe, a Igreja, para Quem, realmente, nada é tão antigo quanto o reconvocar e o reconduzir os filhos desviados para o seu grêmio.Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras oculta-se um gravíssimo erro pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé.

6. A verdadeira norma nesta matéria
Advertidos, pois, pela consciência do dever apostólico, para que não permitamos que o rebanho do Senhor seja envolvido pela nocividade destas falácias, apelamos, veneráveis irmãos, para o vosso empenho na precaução contra este mal. Confiamos que, pelas palavras e escritos de cada um de vós, poderemos atingir mais facilmente o povo, e que os princípios e argumentos, que a seguir proporemos, sejam entendidos por ele pois, por meio deles, os católicos devem saber o que devem pensar e praticar, dado que se trata de iniciativas que dizem respeitos a eles, para unir de qualquer maneira em um só corpo os que se denominam cristãos.

7. Só uma religião pode ser verdadeira: A revelada por Deus
Fomos criados por Deus, Criador de todas as coisas, para este fim: conhecê-lO e serví-lO. O nosso Criador possui, portanto, pleno direito de ser servido.Por certo, poderia Deus ter estabelecido apenas uma lei da natureza para o governo do homem. Ele, ao criá-lo, gravou-a em seu espírito e poderia portanto, a partir daí, governar os seus novos atos pela providência ordinária dessa mesma lei. Mas, preferiu dar preceitos aos quais nós obedecêssemos e, no decurso dos tempos, desde os começos do gênero humano até a vinda e a pregação de Jesus Cristo, Ele próprio ensinou ao homem, naturalmente dotado de razão, os deveres que dele seriam exigidos para com o Criador: "Em muitos lugares e de muitos modos, antigamente, falou Deus aos nossos pais pelos profetas; ultimamente, nestes dias, falou-nos por seu Filho" (Heb 1,1 Seg).Está, portanto, claro que a religião verdadeira não pode ser outra senão a que se funda na palavra revelada de Deus; começando a ser feita desde o princípio, essa revelação prosseguiu sob a Lei Antiga e o próprio crisot completou-a sob a Nova Lei.Portanto, se Deus falou – e comprova-se pela fé histórica Ter ele realmente falado – não há quem não veja ser dever do homem acreditas, de modo absoluto, em deus que se revela e obedecer integralmente a Deus que impera. Mas, para a glória de Deus e para a nossa salvação, em relação a uma coisa e outra, o Filho Unigênito de Deus instituiu na terra a sua Igreja.

8. A única religião revelada é a Igreja Católica
Acreditamos, pois, que os que afirma serem cristão, não possam fazê-lo sem crer que uma Igreja, e uma só, foi fundada por Cristo. Mas, se se indaga, além disso, qual deva ser ela pela vontade do seu Autor, já não estão todos em consenso.Assim, por exemplo, muitíssimos destes negam a necessidade da Igreja de Cristo ser visível e perceptível, pelo menos na medida em que deva aparecer como um corpo único de fiéis, concordes em uma só e mesma doutrina, sob um só magistério e um só regime. Mas, pelo contrário, julgam que a Igreja perceptível e visível é uma Federação de várias comunidades cristãs, embora aderentes, cada uma delas, a doutrinas opostas entre si.Entretanto, cristo Senhor instituiu a sua Igreja como uma sociedade perfeita de natureza externa e perceptível pelos sentidos, a qual, nos tempos futuros, prosseguiria a obra da reparação do gênero humano pela regência de uma só cabeça (Mt 16,18 seg.; Lc 22,32; Jo 21,15-17), pelo magistério de uma voz viva (Mc 16,15) e pela dispensação dos sacramentos, fontes da graça celeste (Jo 3,5; 6,48-50; 20,22 seg.; cf. Mt 18,18; etc.). Por esse motivo, por comparações afirmou-a semelhante a um reino (Mt, 13), a uma casa (Mt 16,18), a um redil de ovelhas (Jo 10,16) e a um rebanho (Jo 21,15-17).Esta Igreja, fundada de modo tão admirável, ao Lhe serem retirados o seu Fundador e os Apóstolos que por primeiro a propagaram, em razão da morte deles, não poderia cessar de existir e ser extinta, uma vez que Ela era aquela a quem, sem nenhuma discriminação quanto a lugares e a tempos, fora dado o preceito de conduzir todos os homens à salvação eterna: "Ide, pois, ensinai a todos os povos" (Mt 28,19).Acaso faltaria à Igreja algo quanto à virtude e eficácia no cumprimento perene desse múnus, quando o próprio Cristo solenemente prometeu estar sempre presente a ela: "Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos?" (Mt 28,20).Deste modo, não pode ocorrer que a Igreja de Cristo não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista como inteiramente a mesma que existiu à época dos Apóstolos. A não ser que desejemos afirmar que: Cristo Senhor ou não cumpriu o que propôs ou que errou ao afirmar que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Ela (Mt 16,18).

9. Um erro capital do movimento ecumêmico na pretendida união das Igrejas cristãs
Ocorre-nos dever esclarecer e afastar aqui certa opinião falsa, da qual parece depender toda esta questão e proceder essa múltipla ação e conspiração dos acatólicos que, como dissemos, trabalham pela união das igrejas cristãs.Os autores desta opinião acostumaram-se a citar, quase que indefinidamente, a Cristo dizendo: "Para que todos sejam um"... "Haverá um só rebanho e um só Pastos"(Jo 27,21; 10,16). Fazem-no todavia de modo que, por essas palavras, queriam significar um desejo e uma prece de cristo ainda carente de seu efeito.Pois opinam: a unidade de fé e de regime, distintivo da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu até hoje e nem hoje existe; que ela pode, sem dúvida, ser desejada e talvez realizar-se alguma vez, por uma inclinação comum das vontades; mas que, entrementes, deve existir apenas uma fictícia unidade.Acrescentam que a Igreja é, por si mesma, por natureza, dividida em partes, isto é, que ela consta de muitas igreja ou comunidades particulares, as quais, ainda separadas, embora possuam alguns capítulos comuns de doutrina, discordam todavia nos demais. Que cada uma delas possui os mesmos direitos, que, no máximo, a Igreja foi única e una, da época apostólica até os primeiros concílios ecumênicos.Assim, dizem, é necessários colocar de lado e afastar as controvérsias e as antiquíssimas variedade de sentenças que até hoje impedem a unidade do nome cristão e, quanto às outras doutrinas, elaborar e propor uma certa lei comum de crer, em cuja profissão de fé todos se conhecam e se sintam como irmãos, pois, se as múltiplas igrejas e comunidades forem unidas por um certo pacto, existiria já a condição para que os progessos da impiedade fossem futuramente impedidos de modo sólido e frutuoso.Estas são, Veneráveis Irmãos, as afirmações comuns.Existem, contudo, os que estabelecem e concedem que o chamado Protestantismo, de modo bastante inconsiderado, deixou de lado certos capítulos da fé e alguns ritos do culto exterior, sem dúvida gratos e úteis, que, pelo contrário, a Igreja Romana ainda conserva.Mas, de imediato, acrescentam que esta mesma Igreja também agiu mal, corrompendo a religião primitiva por algumas doutrinas alheias e repugnantes ao Evangelho, propondo acréscimos para serem cridos: enumeram como o principal entre estes o que versa sobre o Primado de Jurisdição atribuído a Pedro e a seus Sucessores na Sé Romana.Entre os que assim pensam, embora não sejam muitos, estão os que indulgentemente atribuem ao Pontífice Romano um primado de honra ou uma certa jurisdição e poder que, entretanto, julgam procedente não do direito divino, mas de certo consenso dos fiéis. Chegam outros ao ponto de, por seus conselhos, que diríeis serem furta-cores, quererem presidir o próprio Pontífice.E se é possível encontrar muitos acatólicos pregando à boca cheia a união fraterna em Jesus Cristo, entretanto não encontrareis a nenhum deles em cujos pensamentos esteja a submissão e a obediência ao Vigário de Jesus Cristo enquanto docente ou enquanto governante.Afirmam eles que tratariam de bom grado com a Igreja Romana, mas com igualdade de direitos, isto é, iguais com um igual. Mas, se pudessem fazê-lo, não parece existir dúvida de que agiriam com a intenção de que, por um pacto que talvez se ajustasse, não fossem coagidos a afastarem-se daquelas opiniões que são a causa pela qual ainda vagueiem e errem fora do único aprisco de Cristo.
10. A Igreja Católica não pode participar de semelhantes reuniões
Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.

11. A verdade revelada não admite transações
Acaso poderemos tolerar – o que seria bastante iníquo-, que a verdade e, em especial a revelada, seja diminuída através de pactuações?No caso presente, trata-se da verdade revelada que deve ser defendida.
Se Jesus Cristo enviou os Apóstolos a todo o mundo, a todos os povos que deviam ser instruídos na fé evangélica e, para que não errassem em nada, quis que, anteriormente, lhes fosse ensinada toda a verdade pelo Espírito Santo, acaso esta doutrina dos Apóstolos faltou inteiramente ou foi alguma vez perturbada na Igreja em que o próprio Deus está presente como regente e guardião?Se o nosso Redentor promulgou claramente o seu Evangelho não apenas para os tempos apostólicos, mas também para pertencer às futuras épocas, o objeto da fé pode tornar-se de tal modo obscuro e incerto que hoje seja necessários tolerar opiniões pelo menos contrárias entre si?Se isto fosse verdade, dever-se-ia igualmente dizer que o Espírito Santo que desceu sobre os Apóstolos, que a perpétua permanência dele na Igreja e também que a própria pregação de Cristo já perderam, desde muitos séculos, toda a eficácia e utilidade: afirmar isto é, sem dúvida, blasfemo.
12. A Igreja Católica: depositária infalível da verdade
Quando o Filho unigênito de Deus ordenou a seus enviados que ensinassem a todos os povos, vinculou então todos os homens pelo dever de crer nas coisas que lhes fossem anunciadas pela "testemunha pré-ordenadas por Deus" (At. 10,41). Entretanto, um e outro preceito de Cristo, o de ensinar e o de crer na consecução da salvação eterna, que não podem deixar de ser cumpridos, não poderiam ser entendidos a não ser que a Igreja proponha de modo íntegro e claro a doutrina evangélica e que, ao propô-la, seja imune a qualquer perigo de errar.Afastam-se igualmente do caminho os que julgam que o depósito da verdade existe realmente na terra, mas que é necessário um trabalho difícil, com tão longos estudos e disputas para encontrá-lo e possuí-lo que a vida dos homens seja apenas suficiente para isso, com se Deus benigníssimo tivesse falado pelos profetas e pelo seu Unigênito para que apenas uns poucos, e estes mesmos já avançados em idade, aprendessem perfeitamente as coisas que por eles revelou, e não para quepreceituasse uma doutrina de fé e de costumes pela qual, em todo o decurso de sua vida mortal, o homem fosse regido.

13. Sem fé, não há verdadeira caridade Estes pancristãos, que empenham o seu espírito na união das igrejas, pareceriam seguir, por certo, o nobilíssimo conselho da caridade que deve ser promovida entre os cristãos. Mas, dado que a caridade se desvia em detrimento da fé, o que pode ser feito?Ninguém ignora por certo que o próprio João, o Apóstolo da Caridade, que em seu Evangelho parece ter manifestado os segredos do Coração Sacratíssimo de Jesus e que permanentemente costumavas inculcar à memória dos seus o mandamento novo: "Amai-vos uns aos outros", vetou inteiramente até mesmo manter relações com os que professavam de forma não íntegra e incorrupta a doutrina de Cristo: "Se alguém vem a vós e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem digais a ele uma saudação" (2 Jo. 10).Pelo que, como a caridade se apóia na fé íntegra e sincera como que em um fundamento, então é necessário unir os discípulos de Cristo pela unidade de fé como no vínculo principal.
14. União Irracional Assim, de que vale excogitar no espírito uma certa Federação cristã, na qual ao ingressar ou então quando se tratar do objeto da fé, cada qual retenha a sua maneira de pensar e de sentir, embora ela seja repugnante às opiniões dos outros?E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina?Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo?Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor?Como os que crêem ser bom e útil invocar súplice os Santos que reinam junto de Cristo - Maria, Mãe de Deus, em primeiro lugar - e tributar veneração às suas imagens e os que contestam que não pode ser admitido semelhante culto, por ser contrário à honra de Jesus Cristo, "único mediador de Deus e dos homens"? (1 Tim. 2,5).

15. Princípio até o indiferentismo e o modernismo
Não sabemos, pois, como por essa grande divergência de opiniões seja defendida o caminho para a realização da unidade da Igreja: ela não pode resultar senão de um só magistério, de uma só lei de crer, de uma só fé entre os cristãos. Sabemos, entretanto, gerar-se facilmente daí um degrau para a negligência com a religião ou o Indiferentismo e para o denominado Modernismo. os que foram miseravelmente infeccionados por ele defendem que não é absoluta, mas relativa a verdade revelada, isto é, de acordo com as múltiplas necessidades dos tempos e dos lugares e com as várias inclinações dos espíritos, uma vez que ela não estaria limitada por uma revelação imutável, mas seria tal que se adaptaria à vida dos homens.Além disso, com relação às coisas que devem ser cridas, não é lícito utilizar-se, de modo algum, daquela discriminação que houveram por bem introduzir entre o que denominam capítulos fundamentais e capítulos não fundamentais da fé, como se uns devessem ser recebidos por todos, e, com relação aos outros, pudesse ser permitido o assentimento livre dos fiéis: a Virtude sobrenatural da fé possui como causa formal a autoridade de Deus revelante e não pode sofrer nenhuma distinção como esta.Por isto, todos os que são verdadeiramente de Cristo consagram, por exemplo, ao mistério da Augusta Trindade a mesma fé que possuem em relação dogma da Mãe de Deus concebida sem a mancha original e não possuem igualmente uma fé diferente com relação à Encarnação do Senhor e ao magistério infalível do Pontífice romano, no sentido definido pelo Concílio Ecumênico Vaticano.Nem se pode admitir que as verdade que a Igreja, através de solenes decretos, sancionou e definiu em outras épocas, pelo menos as proximamente superiores, não sejam, por este motivo, igualmente certas e nem devam ser igualmente acreditadas: acaso não foram todas elas reveladas por Deus?Pois, o Magistério da Igreja, por decisão divina, foi constituído na terra para que as doutrinas reveladas não só permanecessem incólumes perpetuamente, mas também para que fossem levadas ao conhecimento dos homens de um modo mais fácil e seguro. E, embora seja ele diariamente exercido pelo Pontífice Romano e pelos Bispos em união com ele, todavia ele se completa pela tarefa de agir, no momento oportuno, definindo algo por meio de solenes ritos e decretos, se alguma vez for necessário opor-se aos erros ou impugnações dos hereges de um modo mais eficiente ou imprimir nas mentes dos fiéis capítulos da doutrina sagrada expostos de modo mais claro e pormenorizado.Por este uso extraordinário do Magistério nenhuma invenção é introduzida e nenhuma coisa nova é acrescentada à soma de verdades que estando contidas, pelo menos implicitamente, no depósito da revelação, foram divinamente entregues à Igreja, mas são declaradas coisas que, para muitos talvez, ainda poderiam parecer obscuras, ou são estabelecidas coisas que devem ser mantidas sobre a fé e que antes eram por alguns colocados sob controvérsia.

16. A única maneira de unir todos os cristãos
Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela.Dizemos à única verdadeira Igreja de Cristo: sem dúvida ela é a todos manifesta e, pela vontade de seu Autor, Ela perpetuamente permanecerá tal qual Ele próprio A instituiu para a salvação de todos.Pois, a mística Esposa de Cristo jamais se contaminou com o decurso dos séculos nem, em época alguma, poderá ser contaminada, como Cipriano o atesta: "A Esposa de Cristo não pode ser adulterada: ela é incorrupta e pudica. Ela conhece uma só casa e guarda com casto pudor a santidade de um só cubículo" (De Cath. Ecclessiae unitate, 6).E o mesmo santo Mártir, com direito e com razão, grandemente se admirava de que pudesse alguém acreditar que "esta unidade que procede da firmeza de Deus pudesse cindir-se e ser quebrada na Igreja pelo divórcio de vontades em conflito" (ibidem).Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultície afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22).

17. A obediência ao Romano Pontífice
Mas, ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores legítimos.Por acaso os antepassados dos enredados pelos erros de Fócio e dos reformadores não estiveram unidos ao Bispo de Roma, ao Pastor supremo das almas?Ai! Os filhos afastaram-se da casa paterna; todavia ela não foi feita em pedaços e nem foi destruída por isso, uma vez que estava arrimada na perene proteção de Deus. Retornem, pois, eles ao Pai comum que, esquecido das injúrias antes gravadas a fogo contra a Sé Apostólica, recebê-los-á com máximo amor.Pois se, como repetem freqüentemente, desejam unir-se Conosco e com os nossos, por que não se apressam em entrar na Igreja, "Mãe e Mestra de todos os fiéis de Cristo" (Conc. Later 4, c.5)?Escutem a Lactâncio chamado amiúde: "Só... a Igreja Católica é a que retém o verdadeiro culto. Aqui está a fonte da verdade, este é o domicílio da Fé, este é o templo de Deus: se alguém não entrar por ele ou se alguém dele sair, está fora da esperança da vida e salvação. é necessário que ninguém se afague a si mesmo com a pertinácia nas disputas, pois trata-se da vida e da salvação que, a não ser que seja provida de um modo cauteloso e diligente, estará perdida e extinta" (Divin. Inst. 4,30, 11-12).

18. Apelo às seitas dissidentes
Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é "raiz e matriz da Igreja Católica" (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que "a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade" (1 Tim 3,15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seumagistério e regime.Oxalá auspiciosamente ocorra para Nós isto que não ocorreu ainda para tantos dos nossos muitos Predecessores, a fim de que possamos abraçar com espírito fraterno os filhos que nos é doloroso estejam de Nós separados por uma perniciosa dissensão.Prece a Nosso Senhor e a Nossa Senhora. Oxalá Deus, Senhor nosso, que "quer salvar todos os homens e que eles venham ao conhecimento da verdade"(1 Tim. 2,4) nos ouça suplicando fortemente para que Ele se digne chamar à unidade da Igreja a todos os errantes.Nesta questão que é, sem dúvida, gravíssima, utilizamos e queremos que seja utilizada como intercessora a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da graça divina, vencedora de todas as heresias e auxílio dos cristãos, para que Ela peça, para o quanto antes, a chegada daquele dia tão desejado por nós, em que todos os homens escutem a voz do seu Filho divino, "conservando a unidade de espírito em um vínculo de paz" (Ef. 4,3).
19. Conclusão e Bênção Apostólica
Compreendeis, Veneráveis Irmãos, o quanto desejamos isto e queremos que o saibam os nossos filhos, não só todos os do mundo católico, mas também os que de Nós dissentem. Estes, se implorarem em prece humilde as luzes do céu, por certo reconhecerão a única verdadeira Igreja de Jesus Cristo e, por fim, nEla tendo entrado, estarão unidos conosco em perfeita caridade.No aguardo deste fato, como auspício dos dons de Deus e como testemunho de nossa paterna benevolência, concedemos muito cordialmente a vós, Veneráveis Irmãos, e a vosso clero e povo, a bênção apostólica.
Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia seis de janeiro, no ano de 1928, festa da Epifania de Jesus Cristo, Nosso Senhor, sexto de nosso Pontificado.Pio, Papa XI.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SUPREMI APOSTOLATUS OFFICIO

Papa Leão XIII

O auxílio de Maria nos males presentes da Igreja


1. O ofício do Sumo Pontificado, que Nós exercemos, e a dificílima condição dos tempos presentes, cada dia mais nos induzem e como que nos impelem a prover com tanto maior solicitude à tutela e à incolumidade da Igreja, quanto mais graves são as suas provações. Por isto, enquanto, com todas as forças, nos aplicamos a salvaguardar por todos os modos os direitos da Igreja, e a prevenir e afastar os perigos que ou estão iminentes ou já a rondam, sem trégua nos aplicamos a invocar os celestes auxílios, persuadidos de que só com estes a Nossa obra è as Nossas solicitudes poderão conseguir o êxito desejado.
2. Para este fim, nada consideramos mais eficaz e mais poderoso do que tornar-nos propícia, pela devoção e pela piedade, a grande Mãe de Deus, a Virgem Maria. De fato, mediadora, junto a Deus, da nossa paz, e dispensadora das graças celestes, ela está sentada no Céu no mais alto trono de poder e de glória, para conceder o auxílio do seu patrocínio aos homens, que, entre tantas penas e tantas lutas, fadigosamente caminham para a eterna pátria.
Portanto, estando já agora próxima a anual solenidade destinada a receber os inúmeros e assinalados benefícios concedidos ao povo cristão por meio do santo Rosário de Maria, queremos que, este ano, todo o orbe católico com particular devoção dirija à Virgem Maria a mesma piedosa oração, a fim de que, pela sua intercessão, possamos ter a alegria de ver seu Filho aplacado e movido a compaixão das nossas misérias.
Por tal motivo, julgamos bem, ó Veneráveis Irmãos, dirigir-vos esta Carta, para que, conhecidas as Nossas intenções, possais, com a vossa autoridade e com o vosso zelo, estimular a piedade dos fiéis a corresponder-vos diligentemente.



Poder e bondade de Maria


3. Nos momentos de apreensão e de incerteza, foi sempre o primeiro e sagrado pensamento dos católicos o de recorrerem a Maria, e de se refugiarem na sua maternal bondade. E isto demonstra a firmíssima esperança, antes a plena confiança, que a Igreja Católica com toda razão sempre depositou na Mãe de Deus. De fato, a Virgem Imaculada, escolhida para ser Mãe de Deus, e por isto mesmo feita Co-Redentora do gênero humano, goza junto a seu Filho de um poder e de uma graça tão grande, que nenhuma criatura, nem humana nem angélica, jamais pôde nem jamais poderá atingir uma maior. E, visto como a alegria mais grata para ela é a de ajudar e consolar todo fiel em particular que invoque o seu socorro, não pode haver dúvida de que ela muito mais prazeirosamente deseje acolher, antes, que exulte em acolher, os votos da Igreja toda.

http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_01091883_supremi-apostolatus-officio_po.html


Ana Maria Nunes

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A virtude da Humildade

Por Izabel Ribeiro Filipi

Algo tão cobrado de nós, mas que conhecemos e vivemos tão pouco!
A humildade é um gesto profundamente cristão. A Igreja nos ensina que ela está intimamente ligada com a pobreza em espírito. "Bem-aventurados os pobres em espírito" (Mt 5,3) Isso porque a humildade requer renúncia. Renúncia não apenas a apego a bens materiais, mas ao apego a cargos, status, conveniências do mundo, poder...
Cristo, sendo Deus, sendo o Filho, Onipotente, fez-se homem, sofreu, serviu, morreu numa Cruz...
Sobre isso, peço que leiam, e reflitam, a passagem abaixo:

Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. Fl 2,2-10

Que quis Paulo nos mostrar com isso? Que pedia, senão que seguíssemos os passos de Cristo, e que nos esforçássemos para imita-Lo em tudo?
É apenas por este caminho, e por nenhum outro, que nos aproximaremos de Deus. Se Cristo se humilhou diante de nós, serviu, foi obediente, amou até o fim, para que pudéssemos ser salvos, não há outra maneira senão esta mesma para chegarmos até Ele.
A humildade é virtude necessária para aquele que se coloca diante de Deus. “Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.” Lc 18,14 Por isso, é impossível chegar até Ele sem nos fazermos últimos em tudo. Últimos para o mundo e para os valores do mundo, jamais para Cristo!

Neste mesmo sentido, a Igreja nos ensina que a humildade é uma virtude essencial na oração. É na oração que nos colocamos diante de Deus. “A oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus dos bens convenientes. De onde falamos nós, ao rezar? Das alturas de nosso orgulho e vontade própria, ou das "profundezas" (Sl 130,1) de um coração humilde e contrito? Quem se humilha será exaltado. A humildade é o fundamento da oração. "Nem sabemos o que seja conveniente pedir" (Rm 8,26). A humildade é a disposição para receber gratuitamente o dom da oração; o homem é um mendigo de Deus” (Catecismo da Igreja Católica, 2559)

Na relação com Deus e, através dEle, com o próximo, muitas são as atitudes e posições humildes que precisaremos tomar em nossa caminhada. O perdão, e o pedido de perdão, é um ato de profunda humildade, pois aquele que perdoa o erro alheio e pede perdão pelos seus se reconhece como nada diante da Grandeza que é Nosso Senhor. Quando perdoamos, damos testemunho do amor de Deus, porque ninguém mais que Ele perdoou. Ele nos perdoa sempre que nos colocamos diante dEle com coração contrito e buscamos, através da Confissão, reconciliamo-nos com Ele. Aliás, vejo no próprio sacramento da reconciliação um profundo ato de humildade, pois nos reconhecemos pecadores diante de um homem (que está em nome de Cristo, mas um homem), diante da Igreja, diante de Deus emana da obediência de Cristo! Cristo foi obediente ao Pai. Por mais que sofresse, por maior que fosse a agonia diante da Cruz, Ele foi até o fim... Que posso dizer de nós, pobres pecadores, que sequer sabemos o que fazemos se não estamos com Ele? Por isso a obediente manifesta esta humildade, que vem de nos reconhecermos criaturas, filhos... Vem do reconhecimento que nada somos e nada sabemos, e que Ele tudo sabe. Esta obediência se estende à Igreja, pois é através dela que Cristo se faz presente no meio de nós. Se nos colocamos nos braços de Deus, confiaremos na Igreja, porque teremos a certeza que é Cristo que a guia.

Por fim, lembro da humildade que nos faz professar a fé em Cristo! Se não o aceitamos como Deus, se preferimos deixa-Lo guardado num canto qualquer, não pode haver humildade dentro de nós. A verdadeira humildade nos leva a querer professar a Verdade daquele que é Senhor, Rei! Qualquer outra coisa vem de homens. Qualquer outra coisa apenas demonstrará que nos apagamos primeiro a coisas passageiras antes de nos apegarmos ao Eterno, e o apego às coisas do mundo, como já citei no início, é falta de humildade em si mesmo.

Precisamos ainda constantemente aprender a ser humildes... Aprendemos com Cristo, com os inúmeros exemplos deixados por seus santos. Ele nos deu o exemplo. Ele é a Palavra, e não há outra a ser dita.

Virtudes Teologais e Cardeais

Retirado do Livro A fé Explicada. Pe. Léo Trese.

Você é virtuoso? Se lhe fizessem esta pergunta, a sua modéstia o faria responder: "Não, não especialmente". E, no entanto, se você é batizado e vive em estado de graça santificante, possui as três virtudes mais altas: as virtudes divinas da fé, da esperança e da caridade. Se cometesse um pecado mortal, perderia a caridade (ou o amor de Deus), mas ainda lhe ficariam a fé e a esperança.
Mas, antes de prosseguir, talvez seja conveniente repassar o significado da palavra "virtude". Em religião, define-se a virtude como "o hábito ou qualidade permanente da alma que lhe dá inclinação, felicidade e prontidão para conhecer e praticar o bem e evitar o mal". Por exemplo, se você tem o hábito de dizer sempre a verdade, possui a virtude da veracidade ou sinceridade. Se tem o hábito de ser rigorosamente honesto com os direitos dos outros, possui a virtude da justiça.
O novo Catecismo apresenta uma definição equivalente: "A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. Com todas as suas forças sensíveis e espirituais. a pessoa virtuosa tende ao bem, persegue•o e escolhe-o na prática" (n. 1803).

Se adquirimos uma virtude por esforço próprio, desenvolvendo conscientemente um hábito bom. Chamamos a essa virtude uma virtude natural. Suponha que decidimos desenvolver a virtude da veracidade. Vigiaremos as nossas palavras, cuidando de nada dizer que altere a verdade. A princípio, talvez nos custe, especialmente quando dizer a verdade nos causa inconvenientes ou nos envergonha. Um hábito (seja bom ou mau) consolida-se pela repetição de atos. Pouco a pouco se nos toma mais fácil dizer a verdade, mesmo que as suas conseqüências nos contrariem. Chega um momento em que dizer a verdade é para nós como que uma segunda natureza, e, para mentir, temos que fazer força. Quando for assim, poderemos dizer sinceramente que adquirimos a virtude da veracidade.E porque a conseguimos com o nosso próprio esforço, essa virtude chama-se natural.

Mas Deus pode infundir diretamente uma virtude na alma, sem esforço da nossa parte. Pelo seu poder infinito, pode conferir a uma alma o poder e a inclinação para realizar certas ações sobrenaturalmente boas. Uma virtude deste tipo - o hábito infundido na alma diretamente por Deus - chama-se sobrenatural. Entre estas virtudes, as mais importantes são as três a que chamamos tealogais: fé, esperança e caridade. E chamam-se teologais (ou divinas) porque dizem respeito diretamente a Deus: cremos em Deus, em Deus esperamos e a Ele amamos.

Estas três virtudes, junto com a graça santificante, são infundidas na nossa alma pelo sacramento do Batismo. Mesmo uma criança, se estiver batizada, possui as três virtudes. ainda que não seja capaz de praticá-las enquanto não chegar ao uso da razão. E, uma vez recebidas, não se perdem facilmente. A virtude da caridade, a capacidade de amar a Deus com amor sobrenatural, só se perde pelo pecado mortal.
Mas mesmo que se perca a caridade, a fé e a esperança permanecem. A virtude da esperança só se perde por um pecado direto contra ela, pelo desespero de não confiar mais na bondade e na misericórdia divinas. E, é claro, se perdemos a fé, perdemos também a esperança, pois é evidente que não se pode confiar em Deus se não se crê nEle. E a fé, por sua vez, perde-se por um pecado grave contra ela, quando nos recusamos a crer no que Deus revelou.

Além das grandes virtudes a que chamamos teologais ou divinas, existem outras quatro virtudes sobrenaturais que, juntamente com a graça santificante, são infundidas na alma pelo Batismo.

Como estas virtudes não dizem respeito diretamente a Deus, mas sim às pessoas e coisas em relação a Deus, chamam-se virtudes morais. As quatro virtudes morais sobrenaturais são: prudência, justiça, fortaleza e temperança.
Possuem um nome especial: virtudes cardeais. O adjetivo "cardeal" deriva do substantivo latino cardo, que significa "gonzo", e são assim chamadas por serem virtudes "gonzo", pois delas dependem as demais virtudes morais. Se um homem é espiritualmente prudente, justo, forte e moderado, podemos afirmar que possui também as outras virtudes morais. Podeliamos dizer que estas quatro virtudes contêm a semente das demais. Por exemplo, a virtude da religião, que nos inclina a prestar a Deus o culto devido, emana da virtude da justiça. E, de passagem, diremos que a virtude da religião é a mais alta das virtudes morais.

Doutrina sobre Dons Extraordinários

Apostolado Shemá.



Doutrina exposta por São João da Cruz, doutor da Igreja.

*****Livro III - Capítulo XXX

1. Agora é conveniente tratar do quinto gênero de bens nos quais pode a alma gozar-se: os bens sobrenaturais. Por eles entendemos as graças e dons concedidos pelo Senhor, superiores à habilidade e poder natural, chamados gratis datae, dons gratuitos. Tais são os dons de sabedoria e ciência conferidos a Salomão, e também as graças enumeradas por S. Paulo: "A fé, a graça de curar as doenças, o dom dos milagres, o espírito de profecia, o discernimento dos espíritos, a interpretação das palavras, enfim, o dom de falar diversas línguas (Cor 12,9-10).

2. Sem dúvida, todos esses bens são espirituais, como os do sexto gênero, do qual nos ocuparemos mais tarde; todavia, existe entre eles diferença notável, motivo para distingui-las uns dos outros. O exercício dos bens sobrenaturais tem por fim imediato a utilidade do próximo e é para esse proveito e fim que Deus os concede, conforme diz S. Paulo: "E a cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito dos demais" (ib. 5,7).

Isto se aplica a essas graças. Os bens espirituais, porém, têm por objetivo somente as relações recíprocas entre Deus e a alma, pela união do entendimento e da vontade, conforme explicaremos mais adiante. Assim, pois, há diferença entre o objeto de uns e outros; os bens espirituais visam só o Criador e a alma, enquanto os sobrenaturais se aplicam às criaturas; diferem também quanto à substância e, por conseguinte, quanto à operação, sendo, portanto, necessário estabelecer certa divisão na doutrina.

3. Falemos agora das graças e dos dons sobrenaturais, no sentido aqui dado. Para purificar a vã complacência que a alma neles pode achar, vem a propósito assinalar dois proveitos desse gênero de bens; um temporal e outro espiritual. O primeiro é curar doentes, dar a vista a cegos, ressuscitar mortos, expulsar demônios, anunciar o futuro aos homens, e outros semelhantes benefícios.

O segundo é eterno, e consiste em tornar Deus mais conhecido e servido, seja por quem opera esses prodígios, seja pelos que deles são objetos ou testemunhas.

4. Quanto ao proveito temporal pode-se dizer que as obras sobrenaturais e os milagres pouca ou nenhuma complacência merecem da alma; porque, excluído o proveito espiritual, pouca ou nenhuma importância têm para o homem, pois em si mesmos não são meio para unir a alma com Deus, como é somente a caridade. Com efeito, essas obras e maravilhas sobrenaturais não dependem da graça santificante e da caridade naqueles que as exercitam; seja Deus as conceda verdadeiramente, apesar da maldade humana, como fez ao ímpio Balaão e a Salomão, seja quando exercidos falsamente pelos homens, com a ajuda do demônio, como sucedia a Simão Mago; ou ainda pelas forças ocultas da natureza. Ora, se entre tais graças extraordinárias algumas houvesse de proveito para quem as pratica, evidentemente seriam as verdadeiras, concedidas por Deus. E estas, - excluindo o seu proveito espiritual, - claramente ensina S. Paulo o seu valor dizendo: "Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o dom da profecia, e conhecer todos as mistérios e quanto se pode saber; e se tiver toda a fé, até ao ponto de transportar montes, e não tiver caridade nada sou" (1Cor 13,1-2). Muitas almas que receberam esses dons extraordinários e neles puseram sua estima, pedirão ao Senhor, no último dia, a recompensa que julgam ter merecido por eles, dizendo: Senhor, não profetizamos em teu nome, e em teu nome obramos muitos prodígios? E a resposta será: "Apartai-vos de mim, os que obrais a iniqüidade" (Mt 7,22-23).

5. Portanto, jamais deve o homem comprazer-se em possuir tais dons a não ser pelo lucro espiritual que deles pode tirar, isto é, em servir a Deus com caridade verdadeira, pois aí está o fruto da vida eterna. Por essa razão nosso Salvador repreendeu seus discípulos quando mostravam muita alegria por terem expulsado os demônios: "Entretanto, não vos alegreis de que os espíritos se vos submetam; mas alegrai-vos de que os vossos nomes estejam escritos no céu" (Lc 10,20). O que, em boa teologia, significa: gozai-vos somente de que estejam vossos nomes escritos no livro da vida. Seja esta a conclusão: a única coisa na qual pode o homem comprazer-se é a de estar no caminho da vida eterna fazendo todas as suas obras em caridade. Tudo, pois, que não é amor de Deus, que proveito traz e que valor tem diante dele? E o amor não é perfeito quando não é bastante forte e discreto em purificar a alma no gozo de todas as coisas, concentrando-o unicamente no cumprimento da vontade de Deus; Deste modo se une a vontade humana com a divina por meio destes bens sobrenaturais.

Livro III - Capítulo XXXI

Dos prejuízos causados à alma quando põeo gozo da vontade neste gênero de bens.

1. A meu parecer, três são os danos principais em que a alma pode cair colocando seu gozo nos bens sobrenaturais: enganar e ser enganada, sofrer detrimento na fé e deixar-se levar pela vanglória ou alguma vaidade.

2. Quanto ao primeiro dano, é muito fácil enganar os outros e a si mesmo quando há complacência nas obras sobrenaturais. Eis a razão: para distinguir quais sejam as falsas das verdadeiras, e saber como e a que tempo se devem exercitar, é necessário grande discernimento e abundante luz de Deus: ora,o gozo, e a estimação de tais obras impede muito estas duas coisas. Isto acontece por dois motivos: porque o prazer embota e obscurece o juízo; e porque o homem, movido pelo desejo de gozar, não somente cobiça aqueles bens com muita sofreguidão, mas ainda se expõe a agir fora de tempo.

Mesmo no caso de serem verdadeiras as virtudes e as obras, bastam os defeitos assinalados para produzir muitos enganos, quer por não serem elas entendidas no seu sentido real, quer por não se realizarem nem trazerem proveito às almas no tempo e modo mais oportuno. É verdade que Deus, distribuidor dessas graças sobrenaturais, as concede juntamente com a luz e o impulso para obrá-las na ocasião e maneira mais conveniente; todavia, o homem ainda pode errar muito, devido à imperfeição e ao espírito de propriedade que nelas tem, não as usando com a perfeição exigida pelo Senhor e conforme a vontade de Deus. A história de Balaão confirma o que dizemos; quando este falso profeta se determinou, contra as ordens de Deus, - a ir maldizer o povo de Israel, o Senhor, indignado, o queria matar (Nm 22,22-23). Também S. Tiago e S. João, levados por um zelo indiscreto, queriam que caísse fogo do céu (Lc 9,54) sobre os samaritanos, pelo fato de recusarem a hospitalidade a nosso Salvador; mas foram logo repreendidos por ele.

3. Daí se vê claramente como estes espíritos de que vamos falando determinam-se a fazer tais obras fora do tempo conveniente, movidos por secreta paixão de imperfeição, envolta em gozo e estima delas. Quando não há semelhante imperfeição, as almas esperam o impulso divino para realizar essas obras, e só as fazem segundo o modo e o momento requerido pelo Senhor; pois, até então, não convém agir. Deus, por isso, queixava-se de certos profetas, por Jeremias, dizendo: "Eu não enviava estes profetas e eles corriam, não lhes falava nada e eles profetizavam" (Jr 23,21). Acrescentando: "Enganaram ao meu povo com a sua mentira e com os seus milagres, não os havendo eu enviado, nem dado ordem alguma" (Jr 23,32). Em outro trecho diz ainda que eles tinham visões apropriadas à tendência do seu espírito e que eram essas precisamente as que divulgavam (Ib. 26). Esses abusos não se dariam se os tais profetas não tivessem misturado o abominável afeto de propriedade a estas obras sobrenaturais.

4. Pelas citações feitas, podemos reconhecer que o dano deste gozo leva o homem a usar de modo iníquo e perverso dessas graças divinas, como Balaão e os que faziam milagres para enganar o povo; e, além disso, induz à temeridade de usar delas sem as haver recebido de Deus. Deste número foram os que profetizavam e publicavam as visões da sua fantasia, ou aquelas que tinham por autor o demônio. Este, com efeito, explora imediatamente a disposição desses homens afeiçoados aos favores extraordinários; fornece-lhes abundante matéria neste vasto campo exercendo as suas malignas influências sobre todas as suas ações; e eles assim enfunam as velas para vogar livremente com desaforada ousadia nestas prodigiosas obras.

5. O mal não pára aí: o gozo e a cobiça desses bens levam essas pessoas a tais excessos que, se antes tinham feito pacto oculto com o demônio (porque muitos fazem coisas extraordinárias por esse meio), chegam ao atrevimento de se entregar então a ele por pacto expresso e manifesto, tornando-se seus discípulos e aliados. Daí saem os feiticeiros, encantadores, mágicos, adivinhos e bruxos. Para cúmulo do mal, esta paixão de gozo nos prodígios extraordinários leva a ponto de se querer comprar a peso de dinheiro as graças e os dons de Deus, a modo de Simão Mago, para fazê-las servir ao demônio. Esses homens procuram ainda apoderar-se das coisas sagradas, e, - não se pode dizê-la sem tremer! - ousam tomar até os divinos mistérios, como já tem sucedido, sacrilegamente usurpando o adorável corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo para uso de suas próprias maldades e abominações. Digne-se Deus mostrar e estender até eles a sua infinita misericórdia.

6. Cada um de nós bem pode compreender quão perniciosas para si mesmas e quão prejudiciais à cristandade são estas pessoas. Observemos de passagem que todos aqueles magos e adivinhos do povo de Israel, aos quais Saul mandou exterminar, caíram em tantas abominações e enganos porque quiseram imitar os verdadeiros profetas de Deus.
7. O cristão, pois, dotado de alguma graça sobrenatural, deve acautelar-se de pôr aí o seu gozo e estimação, não buscando obrar por esse meio; porque Deus que lha concedeu sobrenaturalmente para utilidade da sua Igreja, ou dos seus membros, movê-lo-á também sobrenaturalmente quando e como lhe convier. O Senhor que mandava aos seus discípulos não se preocupassem do que nem como haviam de falar, quando se tratasse de coisa sobrenatural da fé, quer também que nestas obras sobrenaturais o homem espere a moção interior de Deus para agir, pois na virtude do Espírito Santo é que se opera toda virtude. Embora os discípulos houvessem recebido de modo infuso as graças e os dons celestes, conforme se lê nos Atos dos Apóstolos, ainda assim fizeram oração a Deus rogando-lhe que fosse servido de estender sua mão para obrar por meio deles prodígios e curas de doentes, a fim de introduzir nos corações a fé de Nosso Senhor Jesus Cristo (At 4,29-30).

8. O segundo dano que pode provir do primeiro é detrimento a respeito da fé, de duas maneiras. A primeira, quanto ao próximo; como, por exemplo, se uma pessoa se dispõe a fazer milagres ou maravilhas fora de tempo ou sem necessidade, não somente tenta a Deus, o que é grave pecado, como ainda poderá fazer com que o efeito não corresponda à sua expectativa. Os corações, desde logo, serão expostos a cair no descrédito ou no desprezo da fé. Porque embora o milagre se realize, e Deus assim o permita por motivos só dele conhecidos, como fez com a pitonisa de Saul (1Sm 28,12) (se é verdade que foi Samuel que ali apareceu), nem sempre acontecerá assim. E quando acontecer realizar-se o prodígio, não deixam de errar os que o fazem, e de terem culpa, pois usam dessas graças quando não é conveniente.

A segunda maneira é que o homem pode sentir em si mesmo detrimento em relação ao mérito da fé. A estima exagerada dos milagres, cujo poder lhe foi dado, desvia-o muito do hábito substancial da fé que por si mesma é hábito obscuro; e assim, onde abundam os prodígios e os fatos sobrenaturais, há menos merecimento em crer. A esse propósito, diz-nos S. Gregório: "A fé é sem mérito quando a razão humana e a experiência lhe servem de provas". Por este motivo, Deus só opera tais maravilhas quando são absolutamente necessárias para crer. A fim de que os seus discípulos não perdessem o mérito da fé quando tivessem experiência da sua ressurreição, Nosso Senhor, antes de se lhes mostrar, fez várias coisas, para induzi-los a crer sem o verem. A Maria Madalena primeiramente mostrou vazio o sepulcro e depois lhe fez ouvir dos anjos a notícia desse mistério; porque a fé vem pelo ouvido, como diz S. Paulo, e assim esta santa deveria acreditar antes ouvindo do que vendo. Mesmo quando o viu, foi sob o aspecto de um homem comum. Nosso Senhor quis desse modo acabar de instruí-la na fé que lhe faltava por causa de sua presença sensível. Aos seus discípulos, primeiramente, enviou as santas mulheres a dar-lhes a nova da ressurreição, e eles depois foram olhar o sepulcro. Aos dois que iam a Emaús (Lc 24,15) juntou-se no caminho dissimuladamente; e inflamava-lhes os corações na fé, antes de se manifestar aos seus olhos. Enfim, repreendeu a todos os seus apóstolos reunidos, por não acreditarem na palavra dos que lhes tinham anunciado a sua ressurreição; E a São Tomé, porque quis ter experiência tocando nas suas chagas, censurou o Senhor quando lhe disse: "Bem-aventurados os que não viram, e creram" (Jo 20,29).

9. Vemos, portanto, que não é condição de Deus fazer milagres, antes, ele os faz quando não pode agir de outro modo. Foi por isso que censurou aos fariseus: "Vós, se não vedes milagres e prodígios, não credes" (lb. 4,48). As almas cuja afeição se emprega nessas obras sobrenaturais sofrem grande prejuízo quanto à fé.

10. O terceiro dano é cair ordinariamente a alma na vanglória ou em alguma vaidade, quando quer gozar em tais obras extraordinárias. O próprio prazer por essas maravilhas já é vaidade, não sendo proporcionado puramente em Deus e para Deus. Eis por que Nosso Senhor repreendeu seus discípulos quando manifestaram alegria por terem subjugado os demônios (Lc 10,20); jamais lhes dirigiria esta reprimenda, se não fosse vão tal gozo.

CAPÍTULO XXXII

Dos proveitos resultantes da abnegação do gozo nas graças sobrenaturais.

1. A alma, além das vantagens encontradas livrando-o se dos três danos assinalados, adquire, pela privação de gozo nas graças sobrenaturais, dois proveitos muito preciosos. O primeiro é glorificar e exaltar a Deus; o segundo, exaltar-se a si mesmo. Efetivamente, de dois modos é Deus exaltado na alma. Primeiramente, desviando o coração e a afeição da vontade de tudo o que não é Deus, para fixá-los unicamente nele. "Chegar-se-á o homem ao cimo do coração, e Deus será exaltado" (Sl 63,7). O sentido destas palavras de Davi já foi referido no começo do tratado sobre a noite da vontade. Quando o coração paira acima de todas as coisas, a alma se eleva acima de todas elas.

2. Quando a alma concentra todo o seu gozo só em Deus, muito glorifica e engrandece ao Senhor que então lhe manifesta sua excelência e grandeza; porque nesta elevação de gozo, a alma recebe de Deus o testemunho de quem ele é. Isso, porém, não acontece sem a vontade estar vazia e pura quanto às alegrias e às consolações a respeito de todas as coisas, como o Senhor ainda o ensina por Davi: "Cessai, e vede que eu sou Deus" (Sl 45,11).

E outra vez diz: "Em terra deserta, e sem caminho, e sem água; nela me apresentei, a ti como no santuário para ver o teu poder e a tua glória" (Sl 42,3). Se é verdade que Deus é glorificado pela completa renúncia à satisfação de todas as coisas, muito mais exaltado será no desprendimento dessas outras coisas mais prodigiosas, quando a alma põe somente nele o seu gozo; porque são graças de maior entidade, sendo sobrenaturais; e deixá-las para estabelecer unicamente em Deus sua alegria será atribuir a ele maior glória e maior excelência do que a elas. Quanto mais nobres e preciosas são as coisas desprezadas por outro objeto, mais se mostra estima e rende-se homenagem a este último.

3. Além disto, no desapego da vontade nas obras sobrenaturais, consiste o segundo modo de exaltar a Deus. Pois, quanto mais Deus é crido e servido sem testemunhos e sinais, tanto mais é exaltado pela alma; porque ela crê de Deus mais do que os sinais e os milagres lhe poderiam dar a entender.

4. O segundo proveito, como dissemos, faz a alma exaltar-se a si mesma. Afastando a vontade de todos os testemunhos e de todos os sinais aparentes, eleva-se em fé muito mais pura, a qual Deus lhe infunde e aumenta com maior intensidade. Ao mesmo tempo, o Senhor faz crescer na alma as duas outras virtudes teologais, a esperança e a caridade. A alma goza, então, de sublimes e divinas notícias, por meio deste hábito obscuro da fé em total desapego. Experimenta grande deleite de amor pela caridade que lhe faz gozar unicamente de Deus vivo; e mediante a esperança permanece satisfeita quanto à memória. Tudo isto constitui admirável proveito, essencial e diretamente necessário à perfeita união da alma com Deus.

(São João da Cruz, Subida do Monte Carmelo, Livro III. cap. XXX – XXXII)


ABC- do Espírito Santo

“O Espírito Santo”, este é o nome próprio daquele que adoramos e glorificamos com o Pai e o Filho. A Igreja o recebeu do Senhor e o professa no batismo de seus novos filhos. O termo espírito traduz o termo hebraico “Ruah”, o qual no seu sentido primeiro significa sopro ou vento. Jesus utiliza justamente a imagem sensível do vento para sugerir a Nicodemos a imagem transcendente daquele que é pessoalmente o sopro de Deus, o Espírito Divino (Jo 3, 5-8).

O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Não o podemos ver, reter nem mostrar. Não podemos dispor dele, porque ele é Deus e age secretamente no mundo e nos corações. Mas podemos experimentar a sua existência e a sua ação: quando um homem ou uma mulher fala de Deus de tal maneira que os outros abraçam a fé. Quando alguém sofre ou dá a vida pelo Evangelho.

Quando alguém respira paz e alegria, quando promove a justiça ou se dedica ao serviço dos outros. Quando alguém agiu mal e repara as suas faltas. Quando uma pessoa, amargurada de ódio, começa a perdoar e a amar. Quando alguém, que só pensava em si, abre os olhos para o sofrimento dos outros. Quando uma pessoa se compromete a serviço dos outros, pedindo que se respire a flora e a fauna, a água e o ar – a vida posta em perigo pelo homem...

A Bíblia começa pelas origens. Naquele tempo – antes que Deus tivesse pronunciado a sua primeira palavra – tudo não era senão desolador e nada, águas impetuosas e trevas: a morte. Mas o Espírito de Deus pairou sobre as águas: a vida.

Com estas imagens, os sábios de Israel querem dizer que Deus está em tudo e acima de tudo o que vive, se desenvolve e cresce sobre a terra. O seu Espírito é o penhor de que a criação nunca está privada de Deus: não está abandonada ao acaso – a fortiori – a espíritos maléficos.

A Igreja ficou constituída em templo do Espírito Santo; Ele a santifica e faz com que os batizados se unam à Santíssima Trindade.
O Espírito vive no coração de cada fiel e integra cada um na Igreja, porque é também Ele quem guia a Igreja, desde o seu nascimento até o fim dos tempos.

Quando Jesus enviou o Espírito à sua Igreja?

Jesus enviou o Espírito Santo a sua Igreja no dia de Pentecostes em forma de línguas de fogo, sobre os Apóstolos e Maria Santíssima.

O que indicavam as línguas de fogo?

As línguas de fogo indicavam que o Espírito Santo vinha para nos santificar por meio da luz da verdade e do calor do amor.

Como o Espírito Santo nos santifica?
O Espírito Santo nos santifica por meio da graça, das virtudes e de seus dons.

1.Dons do Espírito Santo

Do inicio, é preciso propor a distinção que a Teologia costuma fazer entre dons e carismas (embora a palavra carisma em grego significa dom).
Por carismas entendem-se graças especiais pelas quais o Espírito Santo torna os cristãos aptos a tarefas e funções que contribuem para o bem ou o serviço da comunidade: assim seriam o dom de profecia, o das curas, o das línguas, o da interpretação das línguas... Os carismas têm por vezes (não sempre) índole extraordinária, como no caso de certas curas ou da glossolalia.

Por dons compreendem-se faculdades outorgadas ao cristão para seguir mais seguramente os impulsos do Espírito no caminho da perfeição espiritual. Os dons e seus efeitos são discretos, não chamando a atenção do público por façanhas portentosas.

Para que o cristão possa lutar, o Espírito Santo o presenteia com seus sete dons, que são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do Espírito. Estes dons são:

1.Dom da Ciência: é o Dom do Espírito Santo que nos permite aceder ao conhecimento. É a luz invocada pelo cristão para sustentar a fé do batismo.

2.Dom do Conselho: saber decidir com acerto, aconselhar aos outros facilmente e no momento necessário conforme a vontade de Deus.

3.Dom da Fortaleza: é o Dom que o Espírito Santo concede ao fiel, ajuda na perseverança, é uma força sobrenatural.

4.Dom da Inteligência: é o Dom do Espírito Santo que nos leva ao caminho da contemplação, caminho para aproximar-se de Deus.

5.Dom da Piedade: o coração do cristão não deve ser nem frio nem indiferente. O calor na fé e o cumprimento do bem é o Dom da piedade, que o Espírito Santo derrama nas almas.

6.Dom da Sabedoria: é concedido pelo Espírito Santo que nos permite apreciar o que vemos, o que pressentimos da obra divina.

7.Dom do Temor de Deus: é o Dom que nos salva do orgulho, sabendo que devemos tudo à misericórdia divina.

Por outro lado os frutos do Espírito Santo são:

1.Caridade.
2.Alegria.
3.Paz.
4.Paciência.
5.Longanimidade.
6.Bondade.
7.Benignidade.
8.Mansidão.
9.Fé.
10.Modéstia.
11.Continência.
12.Castidade.

2.O que é Pecado contra o Espírito Santo?
Este pecado não é como os demais: uma falta contra um dos mandamentos; é o endurecimento do coração que leva a pessoa a negar a ação de Deus. No parágrafo 1864 o Catecismo da Igreja explica este pecado, dizendo: “A misericórdia de Deus não tem limites, mas quem se recusa deliberadamente a acolher a misericórdia de Deus pelo arrependimento, rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo” (Dominum et Vivificantem, 46).
Semelhante endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna.
Quando Jesus falou deste pecado (Mc 3, 29; Mt 12, 32; Lc 12,10) foi numa ocasião em que os fariseus disseram que Ele expulsava os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios. Ora, eles sabiam que isto não era verdade. Eles endureceram o coração e não puderam crer em Jesus, mesmo com a evidência de que Ele era Deus, mostrada pelos milagres que fazia. De propósito endureceram o coração para não aceitar Jesus; e nunca se arrependeram disto; é uma recusa à graça de Deus; isto é o pecado contra o Espírito Santo.
3.Com a palavra
Sereis minhas testemunhas até aos confins da terra
Pentecostes desencadeou o principal ato dos Atos dos Apóstolos: o anúncio da Boa-Nova, do Jesus Cristo Ressuscitado! E isto, feito na força do Espírito Santo, de um modo imediato, destemido, convincente e persistente! Esta foi a promessa do Pai, o Batismo no Espírito Santo (At 1,5), a qual foi reforçada por Jesus quando disse: "O Espírito Santo descerá sobre vós e d'Ele recebereis a força para serdes minhas testemunhas … até aos confins da terra" (At 1,8).

Será hoje é assim a nossa vivência como cristãos? Que importância damos ao testemunho?
E é o Pentecostes que marca a diferença nas comunidades. A vida cristã sob o Senhorio do Espírito Santo, embutida no Amor de Deus, distingue o cristão quente e entusiasta, do cristão frio ou morno, tíbio e cinzento. Pentecostes leva à prática do amor fraterno, à renúncia de si mesmo, pondo-nos ao serviço do Reino, pois é esse o verdadeiro Evangelho.

Pentecostes hoje?

Sim, pentecostes hoje! Pentecostes não foi só no passado, como Cristo o não é. Experiências fortes de Efusão do Espírito estão descritas em toda a Bíblia, com os Profetas, com Moisés ou o rei David, por exemplo. Jesus teve-as, os Padres, os santos também. O Espírito sopra onde e para onde quer, mas assiste a quem o pede com sinceridade de coração, numa caminhada de transformação ao serviço dos outros.

E estes pequenos pentecostes, toques ou efusões do Espírito, que vamos recebendo, são uma experiência continuada, não única ou isolada. Sabemos que hoje continua a acontecer pentecostes nas nossas comunidades. Que o Espírito vem e nos transforma. A força da oração, da adoração, a vontade de nos dispormos a testemunhá-lo, na nossa humilde condição pecadora, leva o Amor de Deus a dar frutos em nós, para que o nosso testemunho seja alegre e verdadeiro, forte e eficaz!
Pentecostes foi uma promessa de Cristo, mas não "caiu do céu de repente", nem "cai sobre as nossas cabeças" por acaso. Deus, porque nos ama, torna-se-nos sensível, faz-se presente, mas é gratuidade e respeita a nossa liberdade. Por isso, a oração no cenáculo durante cerca de 10 dias e que precedeu o Pentecostes, foi determinante para a vinda do Espírito Santo, porque Deus viu a sinceridade dos seus corações.
"Tudo o que pedirdes em meu nome, o Pai vo-lo concederá". Peçamos o maior tesouro, o Espírito Santo. Deus no-lo ofertará, e a Sua Alegria, será na medida do que fizermos com Ele.

As Virtudes Humanas

Contribuição: Marcos Feijó

Complementação: Nilson pereira dos Santos Junior


Depois de muito refletir a respeito da vivencia de nossa fé no dia-a-dia, me deparei com algo que efetivamente deixamos todos para trás e acabamos dando pouco crédito quando deveria na verdade ser o centro de nossa vivencia como católicos.

Devemos a cada momento doar nossa vida a Deus, e pedir para Ele que nos conduza e nos guie, essa é a base para muitas espiritualidades, mas na prática fica faltando a nossa parte, o nosso esforço e a nossa busca pela perfeição.Além de pedir a Deus, devemos buscar e exercitar em nós, as nossas virtudes, o catecismo define as virtudes humanas da seguinte forma:

“1804 - As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem.”

Logo, o exercício das virtudes é o que nos leva a viver o bem e alcançar a Deus, não que possamos ter méritos o bastante para merecê-Lo, mas, devemos buscar sempre o máximo de nós.

Quais seriam essas virtudes e como devem ser vividas?

Voltamos ao catecismo para conseguir a lista com as quatro principais virtudes, as virtudes cardeais, da onde brotam todas as outras.“1834 - As virtudes humanas são disposições estáveis da inteligência e da vontade que, regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Podem ser agrupadas em torno de quatro virtudes cardeais: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.”Fácil é falar que devemos viver tais virtudes, mas o que compreende cada uma delas, como alcançá-las? Para nossa sorte, temos novamente o Catecismo, mas para facilitar o debate, peguemos o Compendio.

“380. O que é a prudência? 1806 1835

A prudência dispõe a razão para discernir em todas as circunstâncias o nosso verdadeiro bem e a escolher os justos meios para o atingir. Ela conduz as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. “Logo, a prudência, que não pode em momento algum se confundir com medos ou receios, e sim com a correta compreensão de cada situação deve ser base para nossa vivencia, deve ser inicio e fim de todos os nossos atos e até mesmo da realização das outras virtudes.É pela prudência que determinamos os limites, compreendemos nossa liberdade e nossa aceitação ao bem, com ela podemos determinar até que ponto nossos atos ajudam ou atrapalham nosso relacionamento com Deus.Sem a prudência, a melhor intenção do mundo, a maior disposição ao bem pode se tornar dolosa e acabar levando ao erro não só quem a perde, mas aqueles que estão ao seu redor.

“381. O que é a justiça? 1807 1836

A justiça consiste na constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido. A justiça para com Deus é chamada «virtude da religião».”Em alguns momentos na sagrada escritura temos a graça de ver que existiam homens justos, e sua justiça estava exatamente em saber a medida de dar a Deus e aos homens o que lhes é merecido.

A Deus não existem limites ao merecimento, toda honra e toda glória, toda nossa vida deve ser dada pois é justo, sendo Ele quem nos deu a nossa vida.Aos homens, voltemos ao Catecismo, a retidão de conduta, tratar a cada um como merecem, como filhos de Deus, auxiliando a quem for preciso e caminhando junto daqueles que estão ao nosso redor, dando a honra merecida não por títulos e questões humanas, mas pela dignidade de ser criado a imagem e semelhança.“O homem justo, muitas vezes mencionado nas Escrituras, distingue-se pela correção habitual de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo.”Respeitar as pessoas dentro de suas diferenças e demonstrar a verdade muitas vezes é um ponto da Justiça que se complica, pois na ânsia de ensinar falhamos no respeito, e no desejo de respeitar deixamos de dar a Deus o nosso máximo, levando Sua Igreja, voltemos a prudência para avaliar a forma certa e a medida correta para cada uma de nossas ações, sem em momento algum ferir a dignidade da pessoa, e sem deixar o dever

382. O que é a fortaleza? 1808; 1837
A fortaleza assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura do bem, chegando até à capacidade do eventual sacrifício da própria vida por uma causa justa.”Constância, determinação, entrega, são características daqueles que conseguem construir sua fortaleza em Deus.A fortaleza é o que precisamos exercitar para conseguir, em meio a tribulações, ataques, ofensas, permanecer em Deus e não dar um passo sequer à trás.Para superar no nosso dia-a-dia as tentações a que somos expostos, as dificuldades e trabalhos que somos levados a viver, manter a perseverança no meio da tribulação.E aqui não falo apenas das tentações carnais, mas também as morais, quantas vezes não nos entregamos a medos, tanto de mudar quanto de não mudar, de seguir aquilo que se deve de maneira correta, sem aumentar ou diminuir, até de seguir o que a Igreja determina, sem querer ser mais do que a Igreja, fazendo o que ela não determina, ou querendo que ela deixe de caminhar de acordo com suas necessidades pastorais.Fortaleza é aquilo que precisamos buscar, para que nossos medos sejam deixados em seu devido lugar, e que apenas Cristo e sua Igreja sejam nossos guias.

383. O que é a temperança? 1809 1838
A temperança modera a atração dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. “Essa é a base para moderar nossa vida, nossas decisões, é o buscar controlar nossas paixões e impulsos, nosso instinto decaído.Sem ela nos tornamos impulsivos, perigosos, ofendemos com facilidade ao próximo e ferimos aqueles que nos cercam.

Precisamos exercitá-la a fim de controlar o mal que reside dentro de nós como conseqüência do pecado original.

Resumindo as virtudes, com o próprio Catecismo:

“1809 - Viver bem não é outra coisa senão amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e em toda forma de agir. Dedicar-lhe um amor integral (pela temperança) que nenhum infortúnio poderá abalar (o que depende da fortaleza), que obedece exclusivamente a Ele (e nisto consiste a justiça), que vela para discernir todas as coisas com receio de deixar-se surpreender pelo ardil e pela mentira (e isto é a prudência).”

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Somos Cidadãos do Céu.

Apostolado Shemá.

Por Nilson Pereira dos Santos Júnior

“Quando, porém, vier o Defensor que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. E vós, também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo” (Jô 15,26-27).

Precisamos dar testemunho de Jesus em nossas vidas.É o Espírito Santo, derramado sobre nós, que nos impulsionará a testemunha-Lo ousada e fervorosamente.

É interessante refletir que no mundo existem os artistas e seus fãs. Estes, correm pelos aeroportos, fazem festa, passam madrugadas em claro, brigam com os familiares, desrespeitam os pais,enfrentam quem for preciso para estar perto de seus ídolos.

Eu digo que nenhum artista morreu na cruz por um fã, e nunca morrerá. A indústria é financiada por esta mentalidade que o mundo criou na humanidade. O show da Madona no Brasil teve ingressos de até 600 reais. Um absurdo foi ver o estádio lotado no mesmo país onde morrem crianças por desnutrição. Nós precisamos “Financiar” Nosso Senhor Jesus Cristo por meio de nosso testemunho.

Chegou o momento de as pessoas nos verem erguendo a bandeira de Nosso Senhor Jesus Cristo, capacitados pelo Espírito Santo a dar testemunho da Salvação de Jesus.

Habitualmente os jovens têm em seus quartos objetos, camisetas, pôsteres e tantos outros que indiquem algo amem muito, desde um artista, a time de futebol. Porém poucos são os que possuem algo assim relacionado a Deus e a Igreja. E há alguns que ao colocarem a família reclama. Ó imensa hipocrisia. Quantos hoje falam da alienação do jovem e da juventude perdida na imoralidade? Mas quantos pais de família ao invés de educar o filho na fé da Igreja, o incentivou a ter relações sexuais na adolescência? Quantos filhos hoje são dependentes químicos por causa das ações dos Pais, que incentivaram a bebida e o fumo?

Todos precisam proclamar que Jesus Cristo é o Senhor, que Ele deu o Seu Sangue por nós. É necessário começar por você.

“Ele, existindo em forma divina, não considerou como presa a agarrar o ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e se tornando igual ao ser humano. Aparecendo como qualquer homem, humilhou-se fazendo-se obediente até a morte- e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome, para que,no Nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua confesse: “Jesus Cristo é o Senhor” para a glória de Deus Pai.”(Fl 2,6-11)

Quando um jogador de futebol marca um gol, a alegria geral; comemora-se a competência do time; “o gostinho da vitória”, a torcida vibra, explode fogos de artifício, valoriza aquele momento. Ninguém, contudo, se alegra assim com Jesus na Eucaristia. Pessoas de várias faixas etárias passam noites em estádios de futebol, em baladas, e no outro dia vão normalmente trabalhar, dizendo que:“vale a pena fazer um esforço para realizar este sonho.”.

Chegando ao local de trabalho, o testemunho de Jesus Salvador fica vencido pela vergonha. E então, fala-se da novela, do time de futebol, do carro que foi lançado, da vida do vizinho, do filme que lançou no cinema... E Jesus, Salvador do mundo, Redentor da nossa história fica esquecido. Não podemos nos envergonhar de Jesus pois ele mesmo nos falou: “Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras diante desta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier a glória do seu Pai, com seus santos anjos” (Mc,8-38)

Não se importe com aqueles que o chamam de fanático, mesmo dentro da Igreja. Se for para a Glória de Deus que seja assim. Existem os fanáticos por bebida, por futebol, por pecado; e todos são aplaudidos.

O nosso testemunho está em dizermos “Não”, não ao álcool, não a prostituição, e “Sim”, sim a Jesus e aos seus ensinamentos. Quantos jovens não tem coragem de assumir que são virgens? Ou até mesmo tem como meta não chegar a uma certa idade sem ter relações sexuais? Ó juventude sem rumo. É preciso dizer sim a Jesus e as suas palavras.

Centros de prostituição superlotados, e Igrejas vazias. Este quadro tem que mudar, afinal a quem estamos buscando? É preciso que o mundo saiba da nossa condição de Igreja.

“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim. Se fosseis do mundo o mundo vos amaria como ama tudo que é seu; mas não sois do mundo, e porque eu vos escolhi do meio do mundo, e por isso o mundo vos odeia.”(Mc 8,38)

Dar testemunho de Jesus gera sofrimento. Precisamos ser firmes em nossa opção; o ódio do mundo não poderá nos desanimar. O nosso amor por Jesus deve estar acima de tudo.

Enfatizo: é o Espírito Santo quem nos convence a vencer o sofrimento a dar testemunho de Jesus, embora o mundo nos odeie, o amor do Pai é infinitamente maior. Se um jogador de futebol fica realizado vendo os aplausos de seus admiradores, imagine Jesus vendo-nos fazer tudo por Ele. Nossa boca precisa pronunciar continua e corajosamente o nome de Cristo. Assim como quem só vive vendo filmes pornográficos, vive somente falando de pornografia, quem vive no alcoolismo, só sabe falar de alcoolismo, quem vive pelo futebol só sabe falar de futebol e de seu time preferido, quem vive com Jesus, só sabe falar de Jesus, é por isso que o mundo nos odeia.

A nossa bebida é o sangue do Senhor, e o nosso alimento é o corpo do Senhor, temos que levantar em todos os lugares a bandeira de Cristo.

Nós não somos daqui, e isto é o claro. “Eles, dos quais o mundo não era
digno”(Hb 11,38)

JÚNIOR, Nilson Pereira dos Santos, São Paulo, Brasil.

Este artigo está livre para cópia e reprodução desde que seja cedida a fonte do autor.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Os Sacramentos da Igreja Católica.


Apostolado Shemá.

Por Nilson Pereira dos Santos Júnior


Matéria, Forma, Intenção e Ministro. Sabemos que esses são os quatro elementos fundamentais para que se realize um sacramento, sem os quais o sacramento é inválido. São condições necessárias para que o sacramento ocorra.


Primeiramente vamos à definição dos sacramentos. Os sacramentos são divididos em três Categorias:
Serviço, Iniciação e Penitência, ou reconciliares.

Sacramentos de Iniciação: Batismo, 1ª Eucaristia, Crisma.

Sacramentos de Serviço: Ordem e Matrimonio.

Sacramentos de Reconciliação (ou penitenciais): Confissão e Unção dos Enfermos.


Uma coisa em comum é sobre a Intenção de quem ministra o Sacramento. Sempre que houver uma "reta intenção", ainda quem o administra não conheça todas as conseqüências do ato ou mesmo não tenha uma fé perfeita ou se lhe falta o "estado de graça", o Sacramento é sempre válido.
Afinal, quem age no Sacramento e transmite a Graça Santificante é próprio Deus, portanto, o ministro é um simples "executor" do mesmo.

Batismo:
Matéria: a água e o ato de batizar;
Forma: Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo;
Ministro: ordinário: bispo, padre ou o diácono; extraordinário: qualquer pessoa batizada;
Intenção: Ter aquela que a Igreja tem ao administrar o Batismo.

Crisma:
Matéria: a unção e imposição das mãos;
Forma: As palavras do Rito
Ministro: Bispo, padre (extraordinário)
Intenção: a mesma de cimaEucaristia:
Eucaristia
Matéria: o pão e o vinho;
Forma: a epiclese e a palavra consacratória;
Ministro: Sacerdote (bispo ou padre)
Intenção: a mesma de cima;

Penitência:
Matéria: o arrependimento, contrição e satisfação;
Forma: a absolvição
Ministro: Sacerdote (bispo dentro de sua jurisdição, e o padre que recebe a provisão do mesmo);
Intenção: a mesma acima.

Ordem:
Matéria: a imposição das mãos por parte do bispo;
Forma: as palavras pelas quais é designado para que fim está sendo ordenado;
Ministro: BispoIntenção: a mesma acima.

Matrimônio:
Matéria: sua consumação;
Forma: a aceitação pública mútua dos noivos;
Ministro: os noivos
Intenção: as mesmas acima.

Unção dos Enfermos:

Matéria: os santos óleos
Forma: a unção como os óleos e as palavras do Rito;
Minsitro: o Sacerdote (bispo ou padre)
Intenção: as mesmas acima.

Como pode-se ver, trata-se de um quadro muito sumário e incompleto. Na verdade, cada sacramento deveria ser estudado separadamente. Isto ocorrerá no próximo artigo.

JÚNIOR, Nilson Pereira dos Santos, Guarulhos, São Paulo, Brasil.
Este artigo está livre para cópia e reprodução desde que seja cedida a fonte do autor.

As Imagens por quê?

A questão do culto das imagens é muito debatida hoje em dia, pois há quem julgue que se trata de idolatria, baseando-se, para tanto em textos do Antigo Testamento. Examinemos de perto o problema.

1. O Antigo testamento

O livro do Êxodo (20,4) proíbe aos israelitas a confecção de imagens. Por quê? Porque poderiam dar oportunidade para que o povo de Israel as adorasse, como faziam os povos vizinhos. Os israelitas tendiam sim, a imitar os gestos religiosos dos povos pagãos.
Verifica-se, porém, que a proibição de fazer imagens não era algo de absoluto. Em certos casos o Senhor mesmo mandou confeccionar imagens para sustentar a piedade de Israel; senão, vejamos:

Ex 25,17-22: O Senhor mandou Moisés colocar dois querubins de ouro sobre o propiciatório da Arca; era pelo propiciatório que Javé falava ao seu povo. Por isso a Bíblia costuma dizer que “Javé está sentado sobre os querubins”(cf. 1Sm4,4; 2Sm 6,2).

Agora vejamos em outros livros do próprio antigo testamento que o culto das imagens era uma realidade.

1Rs 6,23-28: O texto menciona os querubins postos junto a Arca da Aliança no Templo de Salomão.

1Rs 6,29s: As paredes do Templo de Salomão foram revestidas de imagens de querubins.
Nm 21,4-9: O Senhor Deus mandou confeccionar a serpente de bronze para curar o povo mordido por serpentes.


1Rs 7,23-26: O mar de bronze colocado á entrada do palácio de Salomão era sustentado por 12 bois de metal.

2. Novo Testamento.

Pelo mistério da Encarnação, sabemos que Deus quis dirigir-se aos homens por meio da figura humana de Jesus, o Messias. Este por sua vez, quis ilustrar as realidades invisíveis através de imagens inspiradas pelas coisas visíveis: assim, utilizou parábolas e alegorias que se referiam aos lírios do campo, à figueira, aos pássaros do céu, ao bom pastor,à mulher que perdeu a sua moeda, ao filho pródigo...

Mas a evolução dos povos, que foram aprimorando sua cultura, tornou menos sedutora a prática da idolatria. Isso tudo fez com que os cristãos compreendessem que a proibição de fazer imagens já cumprira seu papel junto ao povo de Israel; doravante prevaleceria a pedagogia divina exercida na Encarnação, que levara os homens a passar das coisas visíveis ao amor pelas invisíveis. A meditação acerca das fases e a apresentação da vida de Jesus e a representação artística das mesmas tornaram-se recursos através dos quais, o povo fiel procurou se aproximar do filho de Deus.

Em conseqüência os antigos cemitérios cristãos (catacumbas) foram decorados com diversos afrescos, geralmente inspirados nos textos bíblicos: Noé salvo das águas do Dilúvio, os três jovens na fornalha cantando, Daniel na cova dos Leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação feita por Jesus, o Peixe – Ichthys-, que simbolizava o Cristo.

Nas Igrejas, as imagens tornaram-se a Bíblia dos Iletrados, dos simples e das crianças (tendo em vista que até a Idade moderna, poucos eram os que tinham acesso a escrita e a leitura) exercendo função pedagógica de grande alcance. É o que notaram alguns escritores cristãos antigos: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente”(São Gregório de Nissa). E ainda: “O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem é para os iletrados”(São João Damasceno, século VIII)

O Papa São Gregório Magno escrevia a Sereno, bispo de Marselha, em fins do século VI: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas, não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem; outra é aprender, mediante esta imagem, a quem si dirigem as tuas preces. O que a escritura é para os que sabem ler, a imagem é para os ignorantes; mediante as imagens eles aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler”.

A Controvérsia Iconoclasta.

Nos séculos VIII e IX, verificou-se na Igreja uma disputa em torno do uso das imagens- a luta iconoclasta. Por influência do judaísmo, do islamismo, de seitas e antigas heresias cristológicas, muitos cristãos do oriente se opuseram a legitimidade do culto das imagens. A controvérsia foi levada ao Concílio de Nicéia(787); este, com base nos raciocínios dos grandes teólogos como São João Damasceno, reafirmou a validade do culto das imagens; culto de veneração, e não adoração diga-se de passagem. Com efeito, o Concílio fez um distinção de latréia(adoração, reconhecimento da soberania absoluta de Deus) e proskýnesis (veneração), tributável aos Santos e também às imagens sagradas.

A Tradição cristã reconheceu reiteradamente o valor pedagógico e psicológico das imagens, como suportes para a vida de oração. Assim por exemplo, escrevia Santa Teresa de Ávila (+1582), ao ensinar as vias da oração às suas Religiosas: “Eis um meio que vos poderá ajudar. Cuidai de ter uma imagem ou uma pintura de Nosso Senhor que esteja de acordo com o vosso gosto. Não vos contenteis com trazê-la sobre o vosso coração sem jamais a olhar, mas servi-vos da mesma para vos entreterdes muitas vezes com Ele" (Caminho da Perfeição, 43,1).

Ainda podemos citar um grande evento, por parte dos protestantes onde os mesmos reconhecem o culto de veneração às imagens. Protestantes Luteranos, afirmaram no ano de 1956, em um Congresso em Karlsruhe, onde ponderou que o preceito de Cristo de, pregar o Evangelho em todas as línguas, inclui também o uso da linguagem figurada d artista (pintor ou escultor). Perguntavam, outrossim, “Por que admitir as impressões auditivas na catequese e rejeitar as impressões visuais? Estas parecem ainda mais edificantes que aquelas”.

JÚNIOR, Nilson Pereira dos Santos, fonte: O mensageiro Santo Antônio, Guarulhos, São Paulo, Brasil.

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O Diácono Permanente na Igreja

Apostolado Shemá

Por Angelô Corassini

“Escolheram Estevão, homem de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas, Nicolau e Estevão. Apresentaram-nos aos apóstolos e estes, orando, impuseram-lhes as mãos.” (At 13,3).Neste relato do livro dos Atos dos Apóstolos nos são apresentados os primeiros diáconos da Igreja, homens de comprovada fé e probidade, designados pelos apóstolos para servir à Igreja nascente e assistir as viúvas.Homem de Deus, sempre pronto e muito presente nas celebrações de batizados e matrimônios, o diácono é hoje peça fundamental dentro de uma paróquia. O diaconato foi restaurado pelo Concílio Vaticano II em consonância com o Concílio de Trento, visando a compor a hierarquia eclesial, confirmar a graça da ordenação diaconal àqueles que já exerciam tais funções e prover de ministros as áreas escassas do clero. O diaconato é conferido pela atuação especial do Espírito Santo, pela imposição das mãos do bispo e pela oração da Ordenação, não para o sacerdócio, mas para o Serviço, para a Liturgia da Palavra e da Caridade. É invocada também a força dos Sete Dons do Espírito Santo e exortação para uma vida santa e casta, tudo em relação com os bispos e presbíteros. São funções do diácono permanente:- Proclamar o Evangelho- Instruir e exortar o Povo de Deus- Conservar e administrar a Eucaristia- Administrar solenemente o Batismo- Assistir e abençoar o matrimônio- Realizar o rito Funeral e da Sepultura- Administrar os sacramentais- Atuar, preferencialmente na caridade- Assistir a comunidade carente- Participar da administração diocesana ou paroquial

Perguntas e respostas sobre o diaconato permanente

O que é Diaconato?Diaconato é o primeiro grau do Sacramento da Ordem. Os outros dois são o presbiterato e o episcopado, portanto, diáconos, presbíteros e bispos compõem a hierarquia da Igreja.As mãos lhes são impostas para o serviço e não para o sacerdócio. Com a ordenação o diácono deixa sua condição de leigo e passa a fazer parte do clero. Esse Sacramento imprime caráter, que o faz diácono por toda a eternidade. Não há como retroceder.

O Diaconato é coisa nova na Igreja?Não. O diaconato foi instituído pelos apóstolos. Podemos ver em Atos 6,1-6 a imposição de mãos sobre os primeiros sete diáconos: Filipe, Prócoro, Nicanor, Tímon, Pármenas, Nicolau e Estevão que foi o primeiro mártir (At. 6,8-7,60). Podemos, ainda, ver outras referencias como Fl 1,1 e 1Tm 3,8-ss. Permaneceu florescente na Igreja do Ocidente até o século V, depois por várias razoes desapareceu.

Quando foi restabelecido?Foi restabelecido pelo Concílio Vaticano II. Inicialmente foi regulamentado pelo Papa Paulo VI, em 1967 no Motu Próprio Sacrum Diaconatus Ordinem. Em 31 de março deste ano, foram promulgados pela Congregação para o Clero as Normas Fundamentais para a Formação dos Diáconos Permanentes e O Diretório do Ministério e da Vida dos Diáconos Permanentes. Estes documentos deixam explícitos que a restauração do diaconato permanente numa Nação não implica a obrigação da sua restauração em todas as dioceses. Compete exclusivamente ao Bispo Diocesano restaurá-lo ou não.

Por que permanente?Existem dois tipos de diáconos. O diácono transitório é aquele que recebe o Sacramento da Ordem no grau de diaconato para depois receber o segundo grau e tornar-se presbítero, ou padre, conforme costumamos dizer. O diácono permanente sendo casado não pode ascender ao grau superior, ficando permanentemente como diácono.

Ficando viúvo o Diácono permanente pode ser ordenado presbítero?Na realidade pode. No entanto, precisa de uma autorização especial e ainda completar os estudos, da concordância do Sr. Bispo e do Conselho de Presbíteros e de forma preponderante, da certeza absoluta de sua vocação ao presbiterato. Contudo isso é importante: O DIÁCONO PERMANENTE QUE FICAR VIÚVO NÃO PODE SE CASAR NOVAMENTE.

O que é necessário para se tornar Diácono?As normas da Igreja fazem algumas exigências: a formação deve durar pelo menos três anos (no mínimo mil horas) e deve conter obrigatoriamente Teologia Bíblica, Dogmática, Litúrgica e Pastoral; o candidato deve estar casado no mínimo cinco anos; tem que ter pelo menos 35 anos. Vida matrimonial e eclesial exemplares. Autorização verbal da esposa, no momento da ordenação e por escrito, arquivada no processo.Todas as dioceses têm normas específicas, exemplo: segundo grau completo, situação econômica estável, indicação do pároco, entrevistas com o Bispo (inclusive esposas), idade superior a quarenta anos, retiros espirituais a cada seis meses para que se possa meditar sobre sua vocação; estar intimamente ligado a uma paróquia, onde venha prestando valiosos serviços; complementar seus estudos com Teologia Moral, História da Igreja, Direito Canônico e Mariologia. Ser homem de oração e assíduo na freqüência aos sacramentos.

Quais as funções do Diácono?DIACONIA quer dizer SERVIÇO, então o Diácono é ordenado para SERVIR. Faz parte do ministério do Cristo Servo, que veio para servir e não para ser servido. A Lumem Gentium diz que: servem o povo de Deus na Diaconia da Liturgia, da Palavra e da Caridade (LG 29). Na Liturgia Eucarística, o diácono tem funções próprias: servir o altar, proclamar o Evangelho, convidar para o abraço da paz, purificar os vasos sagrados e fazer a despedida. Deve, ainda, incentivar a participação correta e efetiva da assembléia na Divina Liturgia.

Então o Diácono só não pode consagrar?Não é assim. O Diácono é ordenado para o serviço e não para o sacerdócio. Na realidade o diácono é ministro ordinário de apenas um Sacramento: o do Batismo. É também ministro ordinário da Comunhão Eucarística. Pode ainda ministrar todos os sacramentais; dar as bênçãos próprias de ministro ordenado (objetos de devoção, casas, automóveis, etc.), inclusive a bênção com o Santíssimo Sacramento. Tem ainda a faculdade de presidir a celebração do Matrimônio.O Diácono pode exercer seu ministério em qualquer paróquia?Teoricamente pode exercer seu ministério em qualquer lugar do mundo, afinal de contas ele recebeu um sacramento válido e a Igreja é Una, Santa e Católica, ou seja, é UNIVERSAL, no entanto, o diácono está intimamente ligado ao Bispo Diocesano a quem deve plena obediência. O Bispo pode colocá-lo como auxiliar de um pároco, contudo, ele tem a faculdade de auxiliar em outra paróquia, desde que disponha de tempo e tenha a autorização do titular competente.

Como fica a vida matrimonial do Diácono?Os documentos de Santo Domingo nos dizem que o diácono permanente é o único a viver a dupla sacramentalidade - da Ordem e do Matrimônio. Um não elimina o outro. A vida matrimonial é portanto vivida em sua plenitude. Esta é a razão pela qual a esposa tem que autorizar, por escrito, e de viva voz, no momento da ordenação. O Bispo pede a sua autorização para ordenar seu marido.

O Diácono recebe ordenado ou remuneração pelo serviço?Absolutamente NADA. Todo seu trabalho é uma doação à Igreja, no entanto, nada impede que seja ressarcido de todos os gastos que venha a fazer como, por exemplo, com o combustível que gasta em suas locomoções no exercício de seu ministério. Geralmente o Diácono, além de nada receber, presta sua ajuda pecuniária à paróquia onde atua.Porque a estola do Diácono é diferente?A estola do sacerdote desce verticalmente ao longo do corpo, pois age in persona Christi. O ministério do diácono é voltado para o serviço à comunidade. A estola atravessada no peito mostra a horizontalidade de suas funções.

CORASSINE, Angelo, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

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Apostolado Shemá
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